O caro ministro da Economia da
República dos Nabos, que enlouqueceu e foi exilado para Rilhafoles para não
causar ainda mais danos à economia local, embora sem grande efeito pois a dita
cuja continua em coma e à beira de 2ª transfusão vampírica, conseguiu ontem por
mercê duma falha na segurança, assenhorar-se do sistema de comunicação rádio do
hospício e debitou para quem o calhou a ouvir uma palestra sobre a crise na
União das Hortaliças. A palestra foi rapidamente interrompida pela irritada
segurança mas ainda assim conseguiu chegar aos jornais e à Rede-de-Pesca,
gerando preocupação e perplexidade entre os analistas e o desvario nos
especuladores financeiros. Estes últimos, aliás, nunca estiveram tão bem desde
que a crise começou porque, com a incerteza e o desaparecimento progressivo de
leis de regulação dos mercados, dos direitos laborais e civis, nunca como agora
está o ambiente bom para os negócios especulativos, quanto mais especulativos
melhor, como nos informou um consultor deste tipo de negócios à saída da bolsa.
Declarou ele que a moeda única da União das Hortaliças está cheia de bicho,
pelo que as contas no Excel realizadas com esta divisa dão sempre erro. E que
assim sendo, se devia mudar a moeda ou trocá-la por uma hortaliça nova, talvez
os alhos, mas dos biológicos pois os de supermercado embora não apanhassem
bicho, como é normal nos alhos, mesmo assim apodreciam. De seguida deu largas à
sua revolta por as hortaliças periféricas terem a sua cotação dependente apenas
dos humores financeiros e que não deviam ser preguiçosas, pois são elas as
únicas responsáveis pela divergência nas taxas de juro e em consequência da
crise que mina a União. Na verdade, tendo recebido uma protecção enorme das
ramas das hortaliças centrais, e vário do adubo destinado a estas fora cedido a
título de empréstimo às periféricas enquanto a rega-bofe durou, não se
preocuparam com os juros nem com os défices na balança dos adubos que tal
situação inevitavelmente criara. Ou seja, a crise é da absoluta
responsabilidade das hortaliças periféricas, ou antes, da absoluta falta dela.
E disse ainda, antes dos enfermeiros-seguranças lhe meterem a unha o levarem
para o quarto de paredes acolchoadas, que havia uma demoníaca possessão nos
mercados, que gerava a infernal espiral depressiva mundial que afundava países
e fazia as alegrias das farmacêuticas devido à estratosférica subida na venda
de para todas as idades. E que os veículos facilitadores dessas possessões,
eram os governos, pois tinham-se endividado como malucos perante os bancos e
agora que as coisas já não iam bem, eram os pobres dos bancos a serem apanhados
na teia dos maus espíritos. Nesta altura os enfermeiros conseguiram enfiar-lhe o
colete-de-forças e tapar-lhe a boca com uma ligadura, embora ainda se
escutassem durante vários minutos nas ondas do éter os ruídos abafados da bulha
para dominar o cliente. Os analistas políticos e económicos estão agora
suspensos da explicação ao eventual ministério de como é que foram os governos
os responsáveis pela crise se tudo começou por causa dos empréstimos subprime, falência do banco
internacional Irmãos Limão, bombas financeiras com lucros ao melhor estilo
casino só para alguns contra o interesse de longo prazo de todos, e as ajudas
financeiras que os estados estão a receber serem não para sustentar a economia
produtiva mas para apoiar os bancos e respectivos sapos e outra fauna tóxica. O
mistério está a fazer com que numerosos doutorandos em economia estejam já a
mudar os temas das suas teses para a questão: bancos faliram mas os governos
são os culpados?
Fonte:lacm.org.pt

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