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quinta-feira, 21 de novembro de 2013

O caro ministro da Economia da República dos Nabos, que enlouqueceu e foi exilado para Rilhafoles para não causar ainda mais danos à economia local, embora sem grande efeito pois a dita cuja continua em coma e à beira de 2ª transfusão vampírica, conseguiu ontem por mercê duma falha na segurança, assenhorar-se do sistema de comunicação rádio do hospício e debitou para quem o calhou a ouvir uma palestra sobre a crise na União das Hortaliças. A palestra foi rapidamente interrompida pela irritada segurança mas ainda assim conseguiu chegar aos jornais e à Rede-de-Pesca, gerando preocupação e perplexidade entre os analistas e o desvario nos especuladores financeiros. Estes últimos, aliás, nunca estiveram tão bem desde que a crise começou porque, com a incerteza e o desaparecimento progressivo de leis de regulação dos mercados, dos direitos laborais e civis, nunca como agora está o ambiente bom para os negócios especulativos, quanto mais especulativos melhor, como nos informou um consultor deste tipo de negócios à saída da bolsa. Declarou ele que a moeda única da União das Hortaliças está cheia de bicho, pelo que as contas no Excel realizadas com esta divisa dão sempre erro. E que assim sendo, se devia mudar a moeda ou trocá-la por uma hortaliça nova, talvez os alhos, mas dos biológicos pois os de supermercado embora não apanhassem bicho, como é normal nos alhos, mesmo assim apodreciam. De seguida deu largas à sua revolta por as hortaliças periféricas terem a sua cotação dependente apenas dos humores financeiros e que não deviam ser preguiçosas, pois são elas as únicas responsáveis pela divergência nas taxas de juro e em consequência da crise que mina a União. Na verdade, tendo recebido uma protecção enorme das ramas das hortaliças centrais, e vário do adubo destinado a estas fora cedido a título de empréstimo às periféricas enquanto a rega-bofe durou, não se preocuparam com os juros nem com os défices na balança dos adubos que tal situação inevitavelmente criara. Ou seja, a crise é da absoluta responsabilidade das hortaliças periféricas, ou antes, da absoluta falta dela. E disse ainda, antes dos enfermeiros-seguranças lhe meterem a unha o levarem para o quarto de paredes acolchoadas, que havia uma demoníaca possessão nos mercados, que gerava a infernal espiral depressiva mundial que afundava países e fazia as alegrias das farmacêuticas devido à estratosférica subida na venda de para todas as idades. E que os veículos facilitadores dessas possessões, eram os governos, pois tinham-se endividado como malucos perante os bancos e agora que as coisas já não iam bem, eram os pobres dos bancos a serem apanhados na teia dos maus espíritos. Nesta altura os enfermeiros conseguiram enfiar-lhe o colete-de-forças e tapar-lhe a boca com uma ligadura, embora ainda se escutassem durante vários minutos nas ondas do éter os ruídos abafados da bulha para dominar o cliente. Os analistas políticos e económicos estão agora suspensos da explicação ao eventual ministério de como é que foram os governos os responsáveis pela crise se tudo começou por causa dos empréstimos subprime, falência do banco internacional Irmãos Limão, bombas financeiras com lucros ao melhor estilo casino só para alguns contra o interesse de longo prazo de todos, e as ajudas financeiras que os estados estão a receber serem não para sustentar a economia produtiva mas para apoiar os bancos e respectivos sapos e outra fauna tóxica. O mistério está a fazer com que numerosos doutorandos em economia estejam já a mudar os temas das suas teses para a questão: bancos faliram mas os governos são os culpados?
Fonte:lacm.org.pt
 

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