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quarta-feira, 6 de novembro de 2013

Na República dos Nabos, em plena crise que mais parece espiral de caracol pois quanto mais dura mais aperta, os deputados decidiram dar um exemplo de produtividade aos seus eleitores até porque se aproximam as eleições para os controladores de rega dos canteiros, e todos os votos são poucos quando está em causa quem tem e de que modo direito a beber umas gotinhas. O record está agora em 3 minutos e prevê-se que seja digno de entrar no Cadastro dos Recordes e talvez nas Olimpíadas. Foi este brilhante resultado alcançado na aprovação do Tempo Limite para Manter a Mão na Mangueira, e que deixa apenas 3 dias para cada controlador de regas poder regar à sua vontade, porque isto havia cá nabos que andavam com a mão na mangueira há mais anos do que os que conta o Matusalém, para azar dos nabos menos seus amigos que ficavam à míngua e morriam c’o grelo seco ou tinham de pegar na rama e emigrar para o canteiro vizinho, que é o das traiçoeiras beterrabas. Os nabos sem mão na mangueira andavam todos marefados porque nunca conseguiam enfiar a dita na dita, já havia indícios de revoltas populares com cânticos de “vai-te embora, oh toiro liiindo!” cada vez que um mangueirador vinha mostrar a rama. Como o despovoamento vai a bom ir, contando-se já um milhão de ausentes nos cadernos eleitorais, os deputados decidiram que oh, ‘tá bem, vamos lá fazer a vontade aos nabos. A lei foi escrita a uma mesa do café gourmet do hemiciclo entre um brioche, dois pastéis de nata com canela e 3 cafés vienenses bem recheados de chocolate. Mas como alguns dos proponentes não concordavam com as vírgulas, fizeram uma segunda versão, tendo o cuidado de anunciar a primeira aos colegas deputados, mas sem deixar que eles a vissem. É claro que eles viram, porque os redactores se esqueceram dela em cima da mesa quando fugiram discretamente para não pagarem os bolos nem a bica, embora tivessem o azar de serem apanhados ao fundo da rua por um polícia de giro que no entanto os deixou ir quando eles apresentaram as identificações. O polícia justificou-se ao furioso dono do estabelecimento, que gritava e esbracejava à porta “agarra que é ladrão”, que “não os posso prender, eles são deputados, estão acima da lei pois fazem-na”. Tais declarações causaram uma confusão de todo o tamanho, porque os mirones na rua juraram todos a pés juntos serem os deputados em causa uns valentes ladrões, embora não se referissem ao calote no café mas a outras e pouco populares diatribes legislativas. Enquanto a balbúrdia ia no adro, o empregado de mesa pegou na lei, corrigiu-lhe os erros ortográficos e enviou-a pelo marçano para seus os autores. Esta versão sem erros e posterior à mirada dos demais deputados, foi ainda corrigida em reunião à porta fechada, até que com mais vinte rondas de correcções, acrescidas de novos erros gramaticais e ortográficos, que o ensino entre os nabos anda pelos ratings mais baixos (segundo as empresas dos ditos), entrou no parlamento por mão dum estafeta que caiu por cima do secretário ocupado a redigir os autos, o qual rabiscou o assinador electrónico que emitiu nesse mesmo instante a confirmação da entrega para a central, sita no andar de cima. Foi isto em dia de grande azáfama pois os deputados estavam unanimemente aflitos para levar as ramas a corar nas praias do Potentado da Paelha e ainda precisavam pôr a papelada em ordem. Como o estafeta chegasse atrasado, só restavam 3 minutos antes que o segurança fechasse as portas, deixando-os a ver o sol aos quadradinhos.
Enquanto uma deputada tentava explicar que graças ao curso de leitura relâmpago frequentado entre dois bagaços na Rede-de-Pesca e uma bela tarde no Second Life, concluíra que a lei era diferente da que vira de esguelha no café, a qual era a suposta candidata a votos, todos os colegas gastaram os 3 minutos no debate do importantíssimo tema “mas só temos 3 minutos para votar”. Sendo a opção ficarem fechados à sombra até ao Inverno, votaram. A consternação veio 3 horas depois, quando se iniciaram as eleições para o controle das mangueiras. É que afinal a versão da lei que foi votada não era a que no fim foi publicada, que aliás nem era a que teria sido para ser publicada, mas a naba da limpeza, com a mania das arrumações e de pôr tudo ao seu jeito, deitou a lei original no caixote do lixo e pôs dentro do envelope para as gráficas a versão número 23, de difícil leitura pelos compositores de texto pois estava cheia de manchas de maionaise e molho tártaro. Regressados de férias e cheios de energia, os deputados estão já a dar o seu melhor para reduzirem este record na aprovação da lei que ditará os seus salários, prevendo gastar apenas uns estonteantes 1,5 minutos, até porque esta é das tais em que todos estão de acordo, quem de seu juízo vota contra algo que lhe dê mais conquilhas por mês? Lá o facto do resto dos nabos terem de trabalhar de graça e a seco e ainda pagarem pelo privilégio de suar as estopinhas 16 horas por dia… ora, não sejam nabos e vão para a política, quem os manda ser trabalhadores?!

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