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sábado, 30 de novembro de 2013

Deus É Economista! (Agora Percebem-se as Exóticas Contabilidades do Banco dos Santos)
O nosso enviado no Paraíso – não, não é o Dante Aghlieri do Inferno do Brown – acaba de nos enviar uma notícia-sensação que poderá explicar muitos mistérios do Banco dos Santos, instituição financeira da cidade sagrada dos circos e das cruzes, envolvida em secretos escândalos vários e que teve a guiá-la lideres religiosos perseguidos por víboras e corvos, mas cândidos o bastante para acreditar na irrepreensível conduta dos seus clientes, incluindo os padrinhos da organização de caridade chamada Máfia que, como o nome indica, são devotos homens de religião pois de outro modo nunca poderiam ser padrinhos. O nosso enviado conseguiu apurar, após horas a passar a graxas nas asas dos anjos que Deus afinal é economista. E as provas estão por toda a parte, convencendo até ateus. Notícia que é um alívio para os milhões gementes sob a aplicação das teorias dos mercados racionais – o que de facto só por milagre se verifica, sendo a ganância tudo menos uma atitude racional e que não raro rebenta na cara do ganancioso – e que deste modo podem acalentar o sonho de voltar a viver decentemente e sair da miséria, lá por alturas do Olam Ha-Bav, que é como quem diz quando as galinhas tiverem dentes. Uma das provas vem da colapsante economia da República dos Nabos, integrada numa União das Hortaliças à beira da deflacção. O milagre, que põe a um canto os prodígios etílicos do Mar da Galileia, ocorreu assim que o nabal mudou de ministro da Economia, o que nos faz supor ser o jovem um enviado dos céus. O milagre consubstancia-se na subida das exportações; o facto das importações também subirem não conta para o caso, assim como também não conta p’ró totobola que todos os demais indicadores económicos continuem a afundar, só que não tão depressa quanto no ano anterior, a começar no PIB. Miraculosamente, isso é sinal incontestado de que o nabal regressou ao crescimento da parra, apesar de não dar uva. Reforçando o milagre, e deste modo pondo o ministro mais perto da promoção a santo, em conformidade com os exigentes critérios de admissão a esse cargo, mais de 16% dos nabos anda de rama ao alto, que é como quem diz, está desempregado, dos quais cerca de meio milhão dos ditos (os não nabos deram às de vila Diogo e cavaram do nabal) já perderam ou nunca tiveram subsídio de desemprego, mas mesmo assim, sustentados sabe-se lá por qual discreta chuva de maná no deserto, ainda não morreram de fome; milagre esse que, tal como o do maná, se repete todos os dias até os milagrados visitarem as morgues com carácter definitivo (a modos qu’uma versão upgraded do que sucedeu às tribos no deserto quando protestaram por ser a ceia sempre igual e ficarem sem ela a partir daí pois o fabricante era um bocadinho temperamental). Em paralelo o nabal vive um interessante fenómeno, qu’é assim uma espécie de milagre de 2ª divisão distrital, no qual cerca de 28% dos seus habitantes terem deixado de meter o dente em alimentos essenciais por não os poderem comprar, imaginem agora como seria se não se estivesse em pleno milagre económico! Deve ser essa também a razão de, apesar dos impostos terem levado rama, grelos e olhos aos nabos, no tal “aumento brutal”, e as regas e adubos públicos tenham sido cortadas para níveis record, ainda assim a dívida dos nabos aos hortelões estrangeiros haja subido mais de 40% face ao que deviam antes do nabal ser declarado falido e cheio de bicho. Infelizmente, ao que parece, se o Altíssimo é economista, os seus anjos e santos não serão lá grande coisa a Aritmética dado que agora em vez dum Orçamento Anual, se têm vários Rectificativos, que procuram corrigir os erros das previsões dos anteriores, pois a realidade encarrega-se de furar as expectativas. O que por sua vez prova que os santos não darão meia p’rá caixa em profecia mas são muito optimistas. Esse optimismo talvez explique porque os santos, que no nabal reencarnaram em avatares de ministros, continuem a declarar que as coisas no nabal estão cada vez melhores e em consolidação, apesar dos novos cortes já programados e também ao facto de que depois do fim da crise, que vai acontecer para o ano – e não se pode duvidar da palavra dos santos – os nabos terão de continuar a apertar a cintura das ramas ainda com mais força do que agora. Se depois disto tudo os nabos ainda sobreviverem, é com efeito um milagre e o Paraíso em que estará o nabal parecerá sem dúvida muito semelhante ao Inferno. E isso poderá justificar o rumor do que corre por entre o rufe-rufe das asas celestiais de que o Big Boss enviou uma missiva secreta aos do Outro Lado, com vista a contratar anjos caídos para vigiarem o nabal nos cem anos mais próximos.

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