Animem-se caros nabos
concidadãos, a crise não é o monstro que por aí pintam, a crise é uma
oportunidade d’oiro para dar corda à criatividade, à nobre arte do
desenrrascanso, ao conhecimento de outros países, ficando lá para sempre, e às
fintas ao Fisco (esta só para quem tenha muitas conquilhas). Nunca como desde o
nascimento da crise anda a República dos Nabos tão nas bocas do mundo como
agora, o que é para nos encher dum g’anda orgulho, isto ‘ind’é melhor que
sermos derrotados no apuramento p’ró Mundial da Redondinha. E qual a razão,
perguntareis vós, para o contentamento deste vosso nabo escrevedor? É que um
dos nossos génios descobriu a solução para a falta de carcanhóis para a ciência,
que é como sabem de importância estratégica para o desenvolvimento do nabal,
daí que os ditos carcanhóis dêem cada vez mais aos pedais, ninguém sabe muito
bem para onde. Nas Universidades e afins já é normal não haver sabão – mesmo do
marado azul e branco carrascão – nem papel para as mãos (e a Comissão das
Limpezas proíbe a intemporal toalha) nem já agora para o resto e quanto a
limpeza das instalações, são os investigadores que trazem as pás, vassouras e
esfregonas, baldes e detergentes, para que corredores e laboratórios se não
transformem em centros de compostagem e criação de minhocas, baratas e outros
lindos bichinhos. Ainda ia havendo p’ró pitroil, que era racionado pelas
candeias à luz das quais os investigadores trabalhavam, escreviam as suas teses
e artigos científicos, pasmando a comunidade internacional como mesmo assim
conseguiam arrebatar prémios em Medicina e Biotecnologias. Na Economia ainda os
nabos não se tinham destacado, embora se destacassem muito à frente de bancos
VIP internacionais e na posse de cofres no Cantão dos Queijos, ombreando com
alguns magnatas da Península das Areias, que é rica c’mó milho. Pois bem, essa
grave lacuna acaba de ser preenchida. O desconhecido economista Nabo-P’rá-Lua, encontrou
a solução para o desafio lançado pelo governo do nabal, o qual em vez de
fornecer carcanhóis, como no passado, exige é que sejam as universidades a
darem-lhos. Ora a sua Faculdade de Economia já não tinha economias para sequer mandar
cantar o cego que costuma estar ao fundo das escadas a criar música ambiente, apesar
das propinas subirem em disparada inflação e se terem realizado campanhas de saldos
“Vem e traz outro amigo também”, slogan mal escolhido pois lembrou aos
candidatos uma antiga cantiga do tempo dos pais, levando-os a pensar ser a Uni
uma espécie de rave-party com 9 meses de duração e temática “retro”. Perante a
eminência de irem fazer concorrência ao cantor das escadas – e a desagradável
possibilidade de serem processados pelo Fisco por exercerem actividade
clandestina e sem inscrição no site de declaração do IRS – os
investigadores-economistas reuniram-se mas não chegaram a solução alguma, como
aliás é norma dos economistas. Deprimido com a reunião, Nabo-Pr’á-Lua foi dar
de beber à dor com uns bagaços mamados da garrafa ali na tasca da Trombuda,
pensando que tinha de pôr os calcantes à estrada e ir conhecer outros países,
como recomenda o governo para alargar os horizontes dos seus eleitores. De
repente deu um estalo na testa que assustou os outros bêbados e saiu aos
baldões para a rua, a gritar “Eureka”, tendo sido informado por um passante que
o nabal ainda não era a Grécia. Porque se esbofeteou o Nabo lunático? Porque
acabara de encontrar a solução dos problemas da Faculdade, a saber: 1. Fecha-se
a Universidade no Verão. Quem tiver teses ou projectos de investigação a
terminar irrevogavelmente durante Agosto (e aqui não é o irrevogável do nosso
caro MQQSPM), não os faz e chumba na tese ou devolve os carcanhóis do
financiamento do projecto. 2. Elimina-se a distracção de dar aulas, a
Universidade não é para entreter ambiciosos em alargar sabedorias ou decididos ravistas, que no bom espírito rave andam pielas entre uma Queima das
Fitas e a seguinte. 3. Alugam-se as salas para habitação económica, os
laboratórios para armazéns de explosivos e fazem-se cubículos nos corredores,
escadas, átrios e casas de banho, para habitação social. 4. Aproveitam-se os
inúteis espaços verdes para pasto de vacas, ovelhas, coelhos e galinhas dos
moradores do ponto 3. uso esse a ser arrendado aos preços de mercado; em
alternativa, mais rentável e por isso preferível, transformar estes espaços em
campos de golfe, pistas de equitação, alojamentos de turistas à boleia ou
habitações para a classe média/agora proletária. A originalidade das propostas
chamou a atenção dos génios do Fundo Mundial da Agiotagem que já contratou o
jovem Nabo-P’rá Lua. No contrato este compromete-se a ceder a título gratuito os
direitos de autor pois não tendo carcanhol para registar tais direitos, só lhe
resta doá-los sem protesto. O jovem ficou muito contente com o contrato, apesar
de no Fundo só servir cafés pois os cidadãos do nabal apenas podem ser
criados-escravos. O Fundo espera ganhar somas astronómicas com estas inovadoras
ideias, quando as impuser aos próximos países desvalidos que lhes caiam nas
garras. Número total de visualizações de páginas
domingo, 1 de dezembro de 2013
Animem-se caros nabos
concidadãos, a crise não é o monstro que por aí pintam, a crise é uma
oportunidade d’oiro para dar corda à criatividade, à nobre arte do
desenrrascanso, ao conhecimento de outros países, ficando lá para sempre, e às
fintas ao Fisco (esta só para quem tenha muitas conquilhas). Nunca como desde o
nascimento da crise anda a República dos Nabos tão nas bocas do mundo como
agora, o que é para nos encher dum g’anda orgulho, isto ‘ind’é melhor que
sermos derrotados no apuramento p’ró Mundial da Redondinha. E qual a razão,
perguntareis vós, para o contentamento deste vosso nabo escrevedor? É que um
dos nossos génios descobriu a solução para a falta de carcanhóis para a ciência,
que é como sabem de importância estratégica para o desenvolvimento do nabal,
daí que os ditos carcanhóis dêem cada vez mais aos pedais, ninguém sabe muito
bem para onde. Nas Universidades e afins já é normal não haver sabão – mesmo do
marado azul e branco carrascão – nem papel para as mãos (e a Comissão das
Limpezas proíbe a intemporal toalha) nem já agora para o resto e quanto a
limpeza das instalações, são os investigadores que trazem as pás, vassouras e
esfregonas, baldes e detergentes, para que corredores e laboratórios se não
transformem em centros de compostagem e criação de minhocas, baratas e outros
lindos bichinhos. Ainda ia havendo p’ró pitroil, que era racionado pelas
candeias à luz das quais os investigadores trabalhavam, escreviam as suas teses
e artigos científicos, pasmando a comunidade internacional como mesmo assim
conseguiam arrebatar prémios em Medicina e Biotecnologias. Na Economia ainda os
nabos não se tinham destacado, embora se destacassem muito à frente de bancos
VIP internacionais e na posse de cofres no Cantão dos Queijos, ombreando com
alguns magnatas da Península das Areias, que é rica c’mó milho. Pois bem, essa
grave lacuna acaba de ser preenchida. O desconhecido economista Nabo-P’rá-Lua, encontrou
a solução para o desafio lançado pelo governo do nabal, o qual em vez de
fornecer carcanhóis, como no passado, exige é que sejam as universidades a
darem-lhos. Ora a sua Faculdade de Economia já não tinha economias para sequer mandar
cantar o cego que costuma estar ao fundo das escadas a criar música ambiente, apesar
das propinas subirem em disparada inflação e se terem realizado campanhas de saldos
“Vem e traz outro amigo também”, slogan mal escolhido pois lembrou aos
candidatos uma antiga cantiga do tempo dos pais, levando-os a pensar ser a Uni
uma espécie de rave-party com 9 meses de duração e temática “retro”. Perante a
eminência de irem fazer concorrência ao cantor das escadas – e a desagradável
possibilidade de serem processados pelo Fisco por exercerem actividade
clandestina e sem inscrição no site de declaração do IRS – os
investigadores-economistas reuniram-se mas não chegaram a solução alguma, como
aliás é norma dos economistas. Deprimido com a reunião, Nabo-Pr’á-Lua foi dar
de beber à dor com uns bagaços mamados da garrafa ali na tasca da Trombuda,
pensando que tinha de pôr os calcantes à estrada e ir conhecer outros países,
como recomenda o governo para alargar os horizontes dos seus eleitores. De
repente deu um estalo na testa que assustou os outros bêbados e saiu aos
baldões para a rua, a gritar “Eureka”, tendo sido informado por um passante que
o nabal ainda não era a Grécia. Porque se esbofeteou o Nabo lunático? Porque
acabara de encontrar a solução dos problemas da Faculdade, a saber: 1. Fecha-se
a Universidade no Verão. Quem tiver teses ou projectos de investigação a
terminar irrevogavelmente durante Agosto (e aqui não é o irrevogável do nosso
caro MQQSPM), não os faz e chumba na tese ou devolve os carcanhóis do
financiamento do projecto. 2. Elimina-se a distracção de dar aulas, a
Universidade não é para entreter ambiciosos em alargar sabedorias ou decididos ravistas, que no bom espírito rave andam pielas entre uma Queima das
Fitas e a seguinte. 3. Alugam-se as salas para habitação económica, os
laboratórios para armazéns de explosivos e fazem-se cubículos nos corredores,
escadas, átrios e casas de banho, para habitação social. 4. Aproveitam-se os
inúteis espaços verdes para pasto de vacas, ovelhas, coelhos e galinhas dos
moradores do ponto 3. uso esse a ser arrendado aos preços de mercado; em
alternativa, mais rentável e por isso preferível, transformar estes espaços em
campos de golfe, pistas de equitação, alojamentos de turistas à boleia ou
habitações para a classe média/agora proletária. A originalidade das propostas
chamou a atenção dos génios do Fundo Mundial da Agiotagem que já contratou o
jovem Nabo-P’rá Lua. No contrato este compromete-se a ceder a título gratuito os
direitos de autor pois não tendo carcanhol para registar tais direitos, só lhe
resta doá-los sem protesto. O jovem ficou muito contente com o contrato, apesar
de no Fundo só servir cafés pois os cidadãos do nabal apenas podem ser
criados-escravos. O Fundo espera ganhar somas astronómicas com estas inovadoras
ideias, quando as impuser aos próximos países desvalidos que lhes caiam nas
garras.
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