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domingo, 1 de dezembro de 2013

Animem-se caros nabos concidadãos, a crise não é o monstro que por aí pintam, a crise é uma oportunidade d’oiro para dar corda à criatividade, à nobre arte do desenrrascanso, ao conhecimento de outros países, ficando lá para sempre, e às fintas ao Fisco (esta só para quem tenha muitas conquilhas). Nunca como desde o nascimento da crise anda a República dos Nabos tão nas bocas do mundo como agora, o que é para nos encher dum g’anda orgulho, isto ‘ind’é melhor que sermos derrotados no apuramento p’ró Mundial da Redondinha. E qual a razão, perguntareis vós, para o contentamento deste vosso nabo escrevedor? É que um dos nossos génios descobriu a solução para a falta de carcanhóis para a ciência, que é como sabem de importância estratégica para o desenvolvimento do nabal, daí que os ditos carcanhóis dêem cada vez mais aos pedais, ninguém sabe muito bem para onde. Nas Universidades e afins já é normal não haver sabão – mesmo do marado azul e branco carrascão – nem papel para as mãos (e a Comissão das Limpezas proíbe a intemporal toalha) nem já agora para o resto e quanto a limpeza das instalações, são os investigadores que trazem as pás, vassouras e esfregonas, baldes e detergentes, para que corredores e laboratórios se não transformem em centros de compostagem e criação de minhocas, baratas e outros lindos bichinhos. Ainda ia havendo p’ró pitroil, que era racionado pelas candeias à luz das quais os investigadores trabalhavam, escreviam as suas teses e artigos científicos, pasmando a comunidade internacional como mesmo assim conseguiam arrebatar prémios em Medicina e Biotecnologias. Na Economia ainda os nabos não se tinham destacado, embora se destacassem muito à frente de bancos VIP internacionais e na posse de cofres no Cantão dos Queijos, ombreando com alguns magnatas da Península das Areias, que é rica c’mó milho. Pois bem, essa grave lacuna acaba de ser preenchida. O desconhecido economista Nabo-P’rá-Lua, encontrou a solução para o desafio lançado pelo governo do nabal, o qual em vez de fornecer carcanhóis, como no passado, exige é que sejam as universidades a darem-lhos. Ora a sua Faculdade de Economia já não tinha economias para sequer mandar cantar o cego que costuma estar ao fundo das escadas a criar música ambiente, apesar das propinas subirem em disparada inflação e se terem realizado campanhas de saldos “Vem e traz outro amigo também”, slogan mal escolhido pois lembrou aos candidatos uma antiga cantiga do tempo dos pais, levando-os a pensar ser a Uni uma espécie de rave-party com 9 meses de duração e temática “retro”. Perante a eminência de irem fazer concorrência ao cantor das escadas – e a desagradável possibilidade de serem processados pelo Fisco por exercerem actividade clandestina e sem inscrição no site de declaração do IRS – os investigadores-economistas reuniram-se mas não chegaram a solução alguma, como aliás é norma dos economistas. Deprimido com a reunião, Nabo-Pr’á-Lua foi dar de beber à dor com uns bagaços mamados da garrafa ali na tasca da Trombuda, pensando que tinha de pôr os calcantes à estrada e ir conhecer outros países, como recomenda o governo para alargar os horizontes dos seus eleitores. De repente deu um estalo na testa que assustou os outros bêbados e saiu aos baldões para a rua, a gritar “Eureka”, tendo sido informado por um passante que o nabal ainda não era a Grécia. Porque se esbofeteou o Nabo lunático? Porque acabara de encontrar a solução dos problemas da Faculdade, a saber: 1. Fecha-se a Universidade no Verão. Quem tiver teses ou projectos de investigação a terminar irrevogavelmente durante Agosto (e aqui não é o irrevogável do nosso caro MQQSPM), não os faz e chumba na tese ou devolve os carcanhóis do financiamento do projecto. 2. Elimina-se a distracção de dar aulas, a Universidade não é para entreter ambiciosos em alargar sabedorias ou decididos ravistas, que no bom espírito rave andam pielas entre uma Queima das Fitas e a seguinte. 3. Alugam-se as salas para habitação económica, os laboratórios para armazéns de explosivos e fazem-se cubículos nos corredores, escadas, átrios e casas de banho, para habitação social. 4. Aproveitam-se os inúteis espaços verdes para pasto de vacas, ovelhas, coelhos e galinhas dos moradores do ponto 3. uso esse a ser arrendado aos preços de mercado; em alternativa, mais rentável e por isso preferível, transformar estes espaços em campos de golfe, pistas de equitação, alojamentos de turistas à boleia ou habitações para a classe média/agora proletária. A originalidade das propostas chamou a atenção dos génios do Fundo Mundial da Agiotagem que já contratou o jovem Nabo-P’rá Lua. No contrato este compromete-se a ceder a título gratuito os direitos de autor pois não tendo carcanhol para registar tais direitos, só lhe resta doá-los sem protesto. O jovem ficou muito contente com o contrato, apesar de no Fundo só servir cafés pois os cidadãos do nabal apenas podem ser criados-escravos. O Fundo espera ganhar somas astronómicas com estas inovadoras ideias, quando as impuser aos próximos países desvalidos que lhes caiam nas garras. 

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