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terça-feira, 24 de dezembro de 2013

A União das Hortaliças continua a ser um grande exemplo na defesa do meio ambiente para a comunidade mundial, o que nos dá esperança de que se a União fizer sozinha o trabalho todo, podemos estar descansados quanto às alterações climáticas e deste modo nada mudar em termos da economia e sociedades mundiais, podendo o resto do plante continuar a poluir, criar gigantescos campos de monoculturas pertença não dos antigos habitantes dessas regiões mas de internacionais agro-combustível-alimentares, sendo os seus habitantes levados a migrar para bonitos ambientes citadinos de bairros de barracas, de onde são desalojados sem aviso às 4 da manhã por buldozzers e forças da ordem, e auxiliares inidentificáveis, todos devidamente bem armados pois os andrajosos são fauna perigosa mesmo que esteja a dormir e de arma apenas possua os restos dum pão velho e bolorento apanhado após grande luta, num dos caixotes do lixo do Hotel Luxury na baixa da cidade. Ou seja, se a União continuar a defender assim meio ambiente, o resto do mundo poderá abraçar o cenário business-as-usual e o planeta continuará a ser destruído mas… imediatamente antes do fim deste haverá espectaculares possibilidades de negócio, incluindo a venda de bilhetes para as Arcas de Noé da altura, as quais poderão ser barcaças (para os pobres) ou luxuosas viagens para as estações orbitais que estejam já em funcionamento na altura (para turistas ricos). Pois sucede que a União das Hortaliças, para estreitar ainda mais os laços entre os seus países constituintes (e também o baraço de forca para alguns destes) decidiu criar um Espaço Aéreo Único onde todas as aeronaves se sintam irmãs e viajem à vontade, como se sobre um único e vasto território, sem as habituais atrapalhações de transição entre países vizinhos com horários e idiossincrasias próprias. O que interessa criar na União é uma uniformidade tal que as diferenças culturais e regionais desapareçam, incluindo até as que as incorrigíveis maçãs, alhos e pepinos têm o hábito de apresentar. Apenas, e porque na Capital do Tacho há sempre imenso trabalho a fazer e não se pode pensar em tudo, os relatores fizeram lindos relatórios a louvar as vantagens da medida, com provas de como o mundo se tornará num lugar ainda mais radioso pela sua implementação mas… esqueceram-se por completo de escrever o manual instruções para fusão dos diferentes serviços nacionais de controlo aéreo, ainda mais bagunçados do que o usual pois também estes estão a ser privatizados e cada empresa tem os seus métodos próprios para alcançar lucros, sendo os únicos comuns: despedir controladores aéreos e abater radares doppler e dos outros pois poupa-se nos salários e no uso e manutenção destes equipamentos, que se podem vender para as forças armadas (mais lucro); se ocorrerem uns acidentes aéreos de vez em quando, isso até é bom pois promove as indústrias aero-espaciais, as de caixões e flores e fornece tema de abertura de telejornais durante vários dias, mantendo a população entretida com as tragédias. Como os controladores aéreos que anda não foram despedidos ficassem sem saber como a partir de agora tinham de fazer o trabalho, e porque são uns subversivos de todo o tamanho, entraram em greve desculpando-se com a conversa de que caso desatem a cair aviões de empreitada as culpas lhes serão todas atribuídas (afinal se são pagos é para arcarem com as culpas mesmo se os aviões estiverem a cair de podres por falta de manutenção, ora essa!). Assim, o dia da inauguração do Céu Único das Hortaliças amanheceu com… todos os aviões em terra. O sindicato das aves ficou extremamente feliz com esta novidade, pois não precisaram de fugir das aeronaves nem temer serem sugadas pelas suas turbinas ou desfeitas pelas suas hélices e todas levantaram voo para celebrar o evento. E escreveram já uma carta à presidência da União das Hortaliças a declararem o seu entusiástico apoio a esta medida e a sugerir que todos os dias se faça a inauguração deste Espaço Único. Enquanto os dirigentes da União se debruçam sobre a carta, ilegível porque as aves só escrevem com os pés, os serviços de meteorologia de todo o continente registaram uma invulgar ocorrência de queda de poias sobre casacos, chapéus, carecas e cabelos.
 

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