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segunda-feira, 23 de dezembro de 2013

Saldos de Fim de Estação Para um T4 no Sol com Brinde de Mar em Propriedade Horizontal a 100 Milhas da Ilha dos Cagarros: Aproveite as Últimas Oportunidades!

Estamos em condições de noticiar aos senhores investidores novos nichos de mercado no universo das privatizações que irão com toda a certeza inaugurar uma nova era de abundante prosperidade mundial (só para alguns). Esta nova era foi iniciada por um visionário fundo de investimentos que acabou de contratualizar com a construtora Malucos & Cia a comercialização de uma cidade inteira de apartamentos a serem construídos no Sol e que serão postos à venda no mercado por um Gogol de conquilhas (não, não é Google, é gogol: se quiserem saber quanto é um gogol sempre podem ir ao Google). São espectaculares apartamentos, com vista para a fornalha solar, com garantia de periódicas explosões e ejecções de núvens de plasma e radiação que dá para fritar várias Hiroshimas por segundo. Serão revestidos a titânio e marfim e a sua principal atracção, além de não ser necessário consumir energia no Inverno pois os apartamentos estão naturalmente aquecidos dada a sua localização, é a de se poderem fazer apostas sobe quantos minutos os ditos aguentam sem se transformar eles próprios em plasma ou rebentarem como os cometas que não regulam bem das órbitras e decidem fazer voos razantes à nossa doce estrela. São apartamentos dirigidos para o segmento de mercado “gente selecta e com dinheiro a mais que não sabe onde o derreter” e naturalmente terão como privilégio exclusivo o de privatizarem a luz do Sol que passe pelo seu apartamento. Dada a distribuição dos condomínios em questão, o Sol ficará com um lindo padrão reticulado, sendo a luz que chegar à terra a que conseguir passar pelos espaços vazios. Além disso, apra atrair investidores, garante-se que os habitantes pindérico que vivem na Terra não poderão usufrui da luz do Sol na área equivalente de eclipse solar que esses condomínios deverão projectar na superfície. Considerando a distância, amplas áreas da terra ficarão assim sujeitas a imposto de uso do Sol, a ser pago ao dono de cada condomínio associado, o qual não precisará de deduzir nada para o respectivo estado. Assim, um agricultor que queira fazer crescer as suas culturas deverá pagar o Imposto de Clorofila, os veraneantes o Imposto de Bronzeamento e Pele de Lagosta, os doentes em recuperação o Imposto de Vitamina D, as árvores o Imposto de Folha, os bichos o Imposto de Aquecimento das Baterias e as algas e fitoplâncton o Imposto de Fotossíntese e Alimentação. Por seu turno o vento deverá pagar imposto a todos os condóminos solares, o qual será à taxa de 25% e se designará Imposto de Baixa Pressão ou Imposto Anticiclone, dependendo do vento. As Auroras boreais pagarão o Imposto Especial de Fogo-de-Artifício. Como se compreende, dado que todos estes impostos serão pagos à iniciativa privada, ou seja, dos condóminos que investiram em casas no Sol, estão estes apartamentos já todos vendidos ainda antes de se terem lançado os alicerces. Contudo estamos em condições de anunciar que ao largo da Ilha dos Cargarros se estão neste momento a vender propriedades horizontais (quando não há ondulação), onde os futuros proprietários construirão hotéis e resorts turísticos, assim como campos de golfe e SPAs. Serão direccionados a uma clientela de luxo, habituada a offshores e outros territórios marítimos de águas turvas. Sendo proriedade privada os habitantes locais da Ilha dos cagarros que costumava pescar nessas águas estarão agora sujeitos a imposto. Assim os cagarros e outras aves de arribação, pagarão o Imposto de mergulho e Asa Torcida, os tubarões, o Imposto de escama e os golfinhos, baleias e orcas o Imposto da Mama dado que são mamíferos. Os peixes só poderão permanecer nesses territórios quando não incomodarem os clientes ou estes peçam expressamente a sua comparência para tirar fotografias e serem assados, ou grelhados na brasa. Além disso, pelo privilégio de nadarem nas águas que no passado foram suas, apenas quando não incomodarem, deverão pagar o Imposto de Barbatana, o Imposto de Guelra, O Imposto de Escama, o Imposto de Olho Choxo, o Imposto de Tinta, o Imposto de Espinha, o Imposto de Desova e quaisquer outros impostos que os agora donos do mar decidam lançar à população aquática. Os impostos, de novo se frisa, são pagos aos donos do mar e não aos respectivos estados. Fontes fidedignas informam que estas novidades são do desagrado dos peixes, os quais são perigosíssima força revolucionária, que já se organizou para apresentar um abaixo-assinado à Organização da Nações Desunidas contra este monopólio do mar e a excessiva taxação de impostos que os deixará reduzidos à espinha. As cianobactérias, mais adeptas da acção radical, deram de se multiplicar desordenadamente, tendo criado marés de várias cores, o que está a perturbar o andamento dos negócios. Esperemos sinceramente, para bem do mundo dos carcanhóis, que esta petição não passe da entrada e os peixes proponentes sejam bem depressa apanhados e postos a assar na grelha, pois o tempo dos direitos, humanos ou animais, acabou. Quanto às bactérias, apoiamos a resolução de as bombardearem com tambores de petróleo a verter por todos os lados, a que se seguirá uma generosa chuva de naplam.

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