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sábado, 7 de dezembro de 2013

A competição para os cargos de segurar na mangueira que neste momento incendeia a República dos
Nabos têm o condão de desorientar os nativos, que não sabem para onde virar as ramas, tantos são os borrifos que lhes chegam daqui e dali. O efeito é tão forte que até atinge nabos governantes. Estando o Nabal sob nova inspecção da Tripeça, que está a verificar como decorre o ajustamento nas dimensões do Nabal, e talvez arranque uns nabos para os levar para a sopa do jantar, alguns nabos governantes em campanha a apoiar os correligionários na corrida para as mangueiras, pensando que a distância não causava mossa, disseram que a Tripeça não é um triunvirato de Drs. Jekill e Mrs. Hyde mas um clube de Mrs. Hyde cruzados de Nosferatu, Drácula e Frankenstein. Os nabos que assistiam ao discurso ficaram muito surpreendidos e começaram logo a verificar os programas das festas pois talvez não estivessem num comício de mangueiras mas num dos numerosos ciclos de cinema de terror que abundam no nabal, tendo debandado em corrida para assistir à terceira sessão do Hotel X, que exibia um clássico de lobisomens, deixando os pobres nabos governantes a falar para as pombas, as quais não estavam interessadas em fitas mas nas migalhas do banquete com que estes se celebrariam a si próprios e ao sucesso da campanha. A Tripeça, que tem os seus espiões espalhados por todo o nabal, um por cada nabo residente, foi logo fazer queixinha ao ministro-chefe e este ficou muito irritado, na sua equipa não havia desertores, ora essa! Quem desertava levava guia de marcha para o mercado do Bulhão e acabava-se a festa. Para salvar a honra do convento – e sobretudo as suas ramas dado que a Tripeça lhe mandara vários trabalhos de casa para fazer que, como aluno cábula, não fez – o nabo ambientalista fez de arauto e leu em voz alta no adro do poço o édito de expulsão dos nabos-ministros rebeldes. É, dizia o édito, crime de lesa-majestade atacar a Tripeça quando ela cá está (podem ataca-la à vontade, o nabal é uma sociedade livre, mas façam-no apenas entre amigos e só depois de a vermos pelas costas), até porque não se atacam visitas quando as recebemos em casa, como podemos elevar as receitas do turismo se até ministros se portam como selvagens e ignoram as leis da hospitalidade? Ou ter-se-ão passado para a oposição? Por fim, e mesmo que considerandos civilizacionais possam ser ignorados, há um mínimo de dignidade nabal e que é a de ser amável com os ignorantes. Se a Tripeça já disse que afinal se enganou nas contas e se a nova equipa confessa que os colegas que agora substituem não lhes contaram nada sobre o que tinham andado a fazer, logo nada sabem do assunto, vai-se agora rebaixar em público os ignorantes? Por estas razões, conclui o édito, está desde agora iniciada a caça ao nabo dissidente. O nosso repórter na fronteira assinala que os dois nabos traidores acabaram de se passar para o Potentado da Paelha, seguidos por vários milhares de nabos normais. Estes nabos não perseguem os dois dissidentes mas estão antes a acautelar as ramas pois temem que se disserem mal do governo, nem que seja só quando estiverem bêbados ou a terem pesadelos na cama, possam também ser declarados dissidentes e lhes seja arrancada a rama, a pele e o miolo em evento de tortura pública para edificação dos outros nabos que possam estar com ideias. Vários canteiros ficaram quase vazios com este êxodo, o que terá bons reflexos económicos pois poderá reduzir-se o número de escolas, hospitais, professores, médicos e ajudantes, e em consequência o défice público das ramas.
 

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