A competição para os cargos de
segurar na mangueira que neste momento incendeia a República dos
Nabos têm o
condão de desorientar os nativos, que não sabem para onde virar as ramas,
tantos são os borrifos que lhes chegam daqui e dali. O efeito é tão forte que
até atinge nabos governantes. Estando o Nabal sob nova inspecção da Tripeça,
que está a verificar como decorre o ajustamento nas dimensões do Nabal, e
talvez arranque uns nabos para os levar para a sopa do jantar, alguns nabos
governantes em campanha a apoiar os correligionários na corrida para as
mangueiras, pensando que a distância não causava mossa, disseram que a Tripeça
não é um triunvirato de Drs. Jekill e Mrs. Hyde mas um clube de Mrs. Hyde
cruzados de Nosferatu, Drácula e Frankenstein. Os nabos que assistiam ao
discurso ficaram muito surpreendidos e começaram logo a verificar os programas
das festas pois talvez não estivessem num comício de mangueiras mas num dos
numerosos ciclos de cinema de terror que abundam no nabal, tendo debandado em corrida
para assistir à terceira sessão do Hotel X, que exibia um clássico de
lobisomens, deixando os pobres nabos governantes a falar para as pombas, as
quais não estavam interessadas em fitas mas nas migalhas do banquete com que
estes se celebrariam a si próprios e ao sucesso da campanha. A Tripeça, que tem
os seus espiões espalhados por todo o nabal, um por cada nabo residente, foi
logo fazer queixinha ao ministro-chefe e este ficou muito irritado, na sua
equipa não havia desertores, ora essa! Quem desertava levava guia de marcha
para o mercado do Bulhão e acabava-se a festa. Para salvar a honra do convento
– e sobretudo as suas ramas dado que a Tripeça lhe mandara vários trabalhos de
casa para fazer que, como aluno cábula, não fez – o nabo ambientalista fez de
arauto e leu em voz alta no adro do poço o édito de expulsão dos
nabos-ministros rebeldes. É, dizia o édito, crime de lesa-majestade atacar a
Tripeça quando ela cá está (podem ataca-la à vontade, o nabal é uma sociedade
livre, mas façam-no apenas entre amigos e só depois de a vermos pelas costas),
até porque não se atacam visitas quando as recebemos em casa, como podemos elevar
as receitas do turismo se até ministros se portam como selvagens e ignoram as
leis da hospitalidade? Ou ter-se-ão passado para a oposição? Por fim, e mesmo
que considerandos civilizacionais possam ser ignorados, há um mínimo de
dignidade nabal e que é a de ser amável com os ignorantes. Se a Tripeça já
disse que afinal se enganou nas contas e se a nova equipa confessa que os
colegas que agora substituem não lhes contaram nada sobre o que tinham andado a
fazer, logo nada sabem do assunto, vai-se agora rebaixar em público os
ignorantes? Por estas razões, conclui o édito, está desde agora iniciada a caça
ao nabo dissidente. O nosso repórter na fronteira assinala que os dois nabos
traidores acabaram de se passar para o Potentado da Paelha, seguidos por vários
milhares de nabos normais. Estes nabos não perseguem os dois dissidentes mas
estão antes a acautelar as ramas pois temem que se disserem mal do governo, nem
que seja só quando estiverem bêbados ou a terem pesadelos na cama, possam
também ser declarados dissidentes e lhes seja arrancada a rama, a pele e o
miolo em evento de tortura pública para edificação dos outros nabos que possam
estar com ideias. Vários canteiros ficaram quase vazios com este êxodo, o que
terá bons reflexos económicos pois poderá reduzir-se o número de escolas,
hospitais, professores, médicos e ajudantes, e em consequência o défice público
das ramas.

Sem comentários:
Enviar um comentário