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| fonte: jequiereporter.br |
Na República Democrática (às vezes)
dos Papiros o cargo presidencial tem agora atributos ao total arrepio da
tradição. Agora para se ser Presidente é necessário ter passado pela prisão e
sido presente a Tribunal por crime de traição à pátria. Pode-se estranhar mas
esta República pretende emular os exemplos que lhe chegam da União das
Hortaliças, em que os dirigentes dos respectivos países, com a excepção de para
aí uns 2 ou 3, tudo fazem para atraiçoar quem os elegeu e de passagem também os
que os não elegeram e até aqueles que se recusam a participar em eleições seja
porque o dia esteve frio, choveu, deu o futebol com o Ronaldo na TV ou estão
numa de boicote ao Carnaval. Neste momento são dois os antigos presidentes
deste país em julgamento por traição à pátria, embora o segundo seja um veterano,
dado que estava na prisão antes de ter sido eleito presidente. Para comparação,
vejam o que aconteceu ao nosso enjeitado camaleão da Naifa que, pretendendo
concorrer a presidente de canteiro do Nabal mesmo estando preso, foi impedido
de concorrer por… estar preso. Aliás o caro Camaleão da Naifa deu já uma longa
entrevista ao jornal da esquina da sua prisão, onde disserta sobre a muito mais
evoluída Democracia dos Papiros, onde até os presidiários são respeitados nos
seus direitos cívicos, incluindo o de estarem à frente dos destinos dum país
mesmo que supostamente sejam uns vigaristas de primeira ou uns traidores de
segunda. Neste momento esta exótica Democracia (às vezes) tem nem mais nem
menos do que dois presidentes no tribunal: o que já era e quase olvidado Marado
da Tola e o Nã ‘T’ás Bom da Tola, que insiste ser ainda o presidente e por esse
motivo não tem nada de responder em tribunal por um cabaz de acusações totalmente
fabricadas. Diz ele. Diz ele e dizem os seus apoiantes, que continuam a vir
para a rua levar traulitada e a mostrar que sabem pelo menos contar até 4. Por
esta razão, e talvez para salvaguardar o futuro, o novo homem forte do regime,
o Perdeu a Tola, decidiu introduzir diversas alterações à lei constitucional do
país e, já que estava com as mãos na massa, também sobre as leis de reunião e
manifestação. Assim e no que se refere à lei sobre reunião, estão proibidos os
ajuntamentos de mais de 3 pessoas. Isto irá causar sérios problemas à vida
familiar dos papirenses, dado que são um povo adepto das grandes famílias, pelo
que as casas serão acrescentadas de alguns pisos, para poderem obedecer à lei.
Esta expansão da actividade construtora irá melhorar as contas falidas dos
Papiros, prevendo-se contudo a extinção das amas, por falta de espaço nas
reuniões familiares a três: filhos distribuídos pelos vários pisos da casa,
pais e o catraio mais novo reunidos no andar de baixo. Para acudir às
necessidades da família serão necessários ascensores de cozinha de modo a que
as refeições possam ser servidas ao mesmo tempo nos diferentes pisos, para
felicidade dos profissionais deste ramo. As crianças estão radiantes com estas
novidades pois poderão brincar à vontade com a comida e interromper a ceia
sempre que lhes apeteça sem terem os adultos a chatear. No entanto como a
grande maioria dos papirenses é pobre como Job, será de prever que a maior
parte das famílias, incapazes de acrescentar pisos novos às suas casas, acabem
presas por violação da lei, o que muito beneficiará a ordem e economia do país,
uma vez que insurgentes não poderão vir para as ruas protestar; ao mesmo tempo
a taxa de desemprego baixará pois os presos não entram nas estatísticas. Haverá
apenas um pequeno óbice a resolver. É que, de acordo com a nova Constituição,
para aceder ao cargo de Presidente, é necessário ter estado e/ou estar no
xadrez e o risco de um destes insurgentes ser eleito é significativo. Porém,
não é necessário temer o futuro porque, após acesos debates por todas as
prisões do país, decididos pelas armas criadas pela imaginação e capacidade de
improviso dos debatentes, foram já conhecidos os candidatos vencedores, que
irão agora concorrer às eleições. O vencedor por muitos mortos e feridos é o
Meia-Tola, genial falsificador e agora homicida, que se apresenta com o mote de
campanha: “Sou o Presidente de Todos os Papirenses, Por Isso Estou no
Xilindró.” Como se vê, o futuro da República Democrática (às vezes) dos Papiros
está nas prisões.

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