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domingo, 22 de dezembro de 2013

fonte: jequiereporter.br
Na República Democrática (às vezes) dos Papiros o cargo presidencial tem agora atributos ao total arrepio da tradição. Agora para se ser Presidente é necessário ter passado pela prisão e sido presente a Tribunal por crime de traição à pátria. Pode-se estranhar mas esta República pretende emular os exemplos que lhe chegam da União das Hortaliças, em que os dirigentes dos respectivos países, com a excepção de para aí uns 2 ou 3, tudo fazem para atraiçoar quem os elegeu e de passagem também os que os não elegeram e até aqueles que se recusam a participar em eleições seja porque o dia esteve frio, choveu, deu o futebol com o Ronaldo na TV ou estão numa de boicote ao Carnaval. Neste momento são dois os antigos presidentes deste país em julgamento por traição à pátria, embora o segundo seja um veterano, dado que estava na prisão antes de ter sido eleito presidente. Para comparação, vejam o que aconteceu ao nosso enjeitado camaleão da Naifa que, pretendendo concorrer a presidente de canteiro do Nabal mesmo estando preso, foi impedido de concorrer por… estar preso. Aliás o caro Camaleão da Naifa deu já uma longa entrevista ao jornal da esquina da sua prisão, onde disserta sobre a muito mais evoluída Democracia dos Papiros, onde até os presidiários são respeitados nos seus direitos cívicos, incluindo o de estarem à frente dos destinos dum país mesmo que supostamente sejam uns vigaristas de primeira ou uns traidores de segunda. Neste momento esta exótica Democracia (às vezes) tem nem mais nem menos do que dois presidentes no tribunal: o que já era e quase olvidado Marado da Tola e o Nã ‘T’ás Bom da Tola, que insiste ser ainda o presidente e por esse motivo não tem nada de responder em tribunal por um cabaz de acusações totalmente fabricadas. Diz ele. Diz ele e dizem os seus apoiantes, que continuam a vir para a rua levar traulitada e a mostrar que sabem pelo menos contar até 4. Por esta razão, e talvez para salvaguardar o futuro, o novo homem forte do regime, o Perdeu a Tola, decidiu introduzir diversas alterações à lei constitucional do país e, já que estava com as mãos na massa, também sobre as leis de reunião e manifestação. Assim e no que se refere à lei sobre reunião, estão proibidos os ajuntamentos de mais de 3 pessoas. Isto irá causar sérios problemas à vida familiar dos papirenses, dado que são um povo adepto das grandes famílias, pelo que as casas serão acrescentadas de alguns pisos, para poderem obedecer à lei. Esta expansão da actividade construtora irá melhorar as contas falidas dos Papiros, prevendo-se contudo a extinção das amas, por falta de espaço nas reuniões familiares a três: filhos distribuídos pelos vários pisos da casa, pais e o catraio mais novo reunidos no andar de baixo. Para acudir às necessidades da família serão necessários ascensores de cozinha de modo a que as refeições possam ser servidas ao mesmo tempo nos diferentes pisos, para felicidade dos profissionais deste ramo. As crianças estão radiantes com estas novidades pois poderão brincar à vontade com a comida e interromper a ceia sempre que lhes apeteça sem terem os adultos a chatear. No entanto como a grande maioria dos papirenses é pobre como Job, será de prever que a maior parte das famílias, incapazes de acrescentar pisos novos às suas casas, acabem presas por violação da lei, o que muito beneficiará a ordem e economia do país, uma vez que insurgentes não poderão vir para as ruas protestar; ao mesmo tempo a taxa de desemprego baixará pois os presos não entram nas estatísticas. Haverá apenas um pequeno óbice a resolver. É que, de acordo com a nova Constituição, para aceder ao cargo de Presidente, é necessário ter estado e/ou estar no xadrez e o risco de um destes insurgentes ser eleito é significativo. Porém, não é necessário temer o futuro porque, após acesos debates por todas as prisões do país, decididos pelas armas criadas pela imaginação e capacidade de improviso dos debatentes, foram já conhecidos os candidatos vencedores, que irão agora concorrer às eleições. O vencedor por muitos mortos e feridos é o Meia-Tola, genial falsificador e agora homicida, que se apresenta com o mote de campanha: “Sou o Presidente de Todos os Papirenses, Por Isso Estou no Xilindró.” Como se vê, o futuro da República Democrática (às vezes) dos Papiros está nas prisões.
 

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