Os Vizinhos do Sul, as Ilhas do
Nascer do Sol e o Império do Arroz têm andado aos arrufos por causa dos
direitos de ocupação do Mar do Arroz, o que tem levado a República dos
Hambúrgures a voos charter frequentes
na zona para os turistas poderem apanhar as primeiras fotos do eventual início
da zaragata, porque até ontem era de crer que mais cedo ou mais tarde o
desaguisado entre as três potências em causa iria dar molho pela certa. No
entanto, para não perder passageiros, nem irritar o Império do Arroz que é dono
de colossal fatia da dívida pública da República dos Hambúrgueres (julgavam que
os caloteiros eram só os países do sul da União das Hortaliças?), esta belicosa
República decidiu passar a informar o Império sempre que os seus aviões e
cidadãos vão ao Mar do Arroz tirar fotografias das hostilidades, de modo a que
os fiéis súbditos do Império possam preparar-se atempadamente para ficarem bem
na fotografia. Naturalmente serão pagos royalties
ao Império do Arroz – embora não aos seus cidadãos pois o contributo de cada um
para a economia não é do contribuinte mas do imperador do grande Império – e
espera-se que estas circulem abundantemente no canal Dois Tubos da
Rede-de-Pesca, mesmo que sejam em formato pirata. Entretanto, e como os três
países em questão estavam já a contar armas e um outsider – a Dinastia Democrática da Fome – anda a fazer das suas
aos Vizinhos do Sul, ameaçando partir para a lambada cada vez que o pequeno
imperador local tem dor de barriga, o presidente da República dos Hambúrgueres
começou a ver as coisas muito pretas e ainda mais escuras no que tocava aos
negócios, apesar do lobby das
espingardas, bazucas e outras armas de maior potência (a AAPPPum, na língua
local) tentar por tudo apaziguá-lo de que uma guerra entre aqueles países seria
óptimo para os negócios, decidiu o mesmo enviar o seu camareiro-mor para ver se
acalmava os rapazes e cessavam as hostilidades. Após numerosos voos entre os
países às turras, bonitos banquetes com ampla exibição das criativas
gastronomias locais – que levaram a um substancial aumento do consumo de comprimidos
de alívio da digestão – o camareiro-mor dos Hambúrgueres conseguiu estabelecer
um acordo entre as três partes que foi alegremente celebrado com fogo de
artifício e disparos de baterias de mísseis terra-ar com pequenas ogivas
nucleares para causar mais efeito ao atingirem os navios das marinhas
adversárias. A celebração instituiu um novo marco na resolução diplomática de
conflitos e veio incrementar as economias locais, já de si e por tradição muito
propenas ao jogo, tendo os súbditos das três nações corrido de imediato às
bancas dos apostadores e às casas de penhores para poderem continuar a jogar no
novo jogo. É que a partir de agora as disputas em torno da posse do Mar do
Arroz passam a ser resolvidas por meio de rifas, em que o primeiro sorteado tem
o direito de possuir o mar às 2ª e 3ª feiras, o segundo classificado às 4ª e 5ª
e o terceiro às sextas e sábados, ficando o domingo para a Dinastia Democrática
da Fome, a qual fez já saber que recusa a oferta pois não se irá corromper com
as práticas decadentes do mundo capitalista. Deste modo o domingo passa a ser
reservado para os peixes e para os chatos dos barcos Arco-Íris que passam a
vida a protestar por coisinhas de nada como plataformas petrolíferas à beirinha
do desastre total. Deve este jornal acrescentar que o acordo sofre já de
generalizada contestação por parte do lobby
dos AAPPPum e das companhias aéreas que, desde que se realizou o primeiro
sorteio, deixaram de ter passageiros para ir fotografar a guerra.Número total de visualizações de páginas
domingo, 15 de dezembro de 2013
Os Vizinhos do Sul, as Ilhas do
Nascer do Sol e o Império do Arroz têm andado aos arrufos por causa dos
direitos de ocupação do Mar do Arroz, o que tem levado a República dos
Hambúrgures a voos charter frequentes
na zona para os turistas poderem apanhar as primeiras fotos do eventual início
da zaragata, porque até ontem era de crer que mais cedo ou mais tarde o
desaguisado entre as três potências em causa iria dar molho pela certa. No
entanto, para não perder passageiros, nem irritar o Império do Arroz que é dono
de colossal fatia da dívida pública da República dos Hambúrgueres (julgavam que
os caloteiros eram só os países do sul da União das Hortaliças?), esta belicosa
República decidiu passar a informar o Império sempre que os seus aviões e
cidadãos vão ao Mar do Arroz tirar fotografias das hostilidades, de modo a que
os fiéis súbditos do Império possam preparar-se atempadamente para ficarem bem
na fotografia. Naturalmente serão pagos royalties
ao Império do Arroz – embora não aos seus cidadãos pois o contributo de cada um
para a economia não é do contribuinte mas do imperador do grande Império – e
espera-se que estas circulem abundantemente no canal Dois Tubos da
Rede-de-Pesca, mesmo que sejam em formato pirata. Entretanto, e como os três
países em questão estavam já a contar armas e um outsider – a Dinastia Democrática da Fome – anda a fazer das suas
aos Vizinhos do Sul, ameaçando partir para a lambada cada vez que o pequeno
imperador local tem dor de barriga, o presidente da República dos Hambúrgueres
começou a ver as coisas muito pretas e ainda mais escuras no que tocava aos
negócios, apesar do lobby das
espingardas, bazucas e outras armas de maior potência (a AAPPPum, na língua
local) tentar por tudo apaziguá-lo de que uma guerra entre aqueles países seria
óptimo para os negócios, decidiu o mesmo enviar o seu camareiro-mor para ver se
acalmava os rapazes e cessavam as hostilidades. Após numerosos voos entre os
países às turras, bonitos banquetes com ampla exibição das criativas
gastronomias locais – que levaram a um substancial aumento do consumo de comprimidos
de alívio da digestão – o camareiro-mor dos Hambúrgueres conseguiu estabelecer
um acordo entre as três partes que foi alegremente celebrado com fogo de
artifício e disparos de baterias de mísseis terra-ar com pequenas ogivas
nucleares para causar mais efeito ao atingirem os navios das marinhas
adversárias. A celebração instituiu um novo marco na resolução diplomática de
conflitos e veio incrementar as economias locais, já de si e por tradição muito
propenas ao jogo, tendo os súbditos das três nações corrido de imediato às
bancas dos apostadores e às casas de penhores para poderem continuar a jogar no
novo jogo. É que a partir de agora as disputas em torno da posse do Mar do
Arroz passam a ser resolvidas por meio de rifas, em que o primeiro sorteado tem
o direito de possuir o mar às 2ª e 3ª feiras, o segundo classificado às 4ª e 5ª
e o terceiro às sextas e sábados, ficando o domingo para a Dinastia Democrática
da Fome, a qual fez já saber que recusa a oferta pois não se irá corromper com
as práticas decadentes do mundo capitalista. Deste modo o domingo passa a ser
reservado para os peixes e para os chatos dos barcos Arco-Íris que passam a
vida a protestar por coisinhas de nada como plataformas petrolíferas à beirinha
do desastre total. Deve este jornal acrescentar que o acordo sofre já de
generalizada contestação por parte do lobby
dos AAPPPum e das companhias aéreas que, desde que se realizou o primeiro
sorteio, deixaram de ter passageiros para ir fotografar a guerra.
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