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domingo, 8 de dezembro de 2013

Novo Rasgar de Horizontes na Ciência: O Vazio está Cheio!
Para nos resgatar das tristezas – credo, até aqui já precisamos de resgates! – a comunidade científica dos nabos, que tem ganho inúmeros prémios internacionais (recordemo-nos só dos sucessos quando eram governados por um Cabeça-de-Abóbora), pois nunca como agora tem a nabice sido recompensada, acaba de dar mais uma alegria ao afanado patriotismo nabense. Tudo sucedeu por mor de mais uma das medidas de contingência com que os nabos são diariamente aterrorizados, de cada vez que vêm a mulher da hortaliça aparecer no horizonte com a faca para levar mais uns nabos para o mercado. Desta vez a medida nem suscitou polémica pois os nabos, como se sabe, adoram que os seus cientistas ganhem prémios mas no resto do tempo nem percebem para que é que a ciência serve nem para que se há-de desperdiçar conquilhas “nessa coisa” donde no meio de tantos cortes de conquilhas aqui, ali e acolá, nem foi notícia quando se anunciou que iria haver um corte de 100% nos fundos para as universidades e centros de investigação pois já “é hora desses madraços irem ganhar o deles”, como referiu o Ministro da Educação dos Nabos. O Ministro contudo não estava informado (na república dos Nabos é normal) que as universidades e centros de investigação há muito que lutam com cortes anuais de verbas e já aprenderam a ir arranjar quem pague o papel higiénico (para pouco mais dá o que amealham) e a ciência, a sério, é feita pelos próprios investigadores que pagam quase tudo do seu bolso ou então entram em parcerias com os colegas estrangeiros e é isso que os vai safando. Quando o ministro descobriu que mesmo cortando os fundos a 100% aqueles nabos teimosos continuariam a fazer ciência, decidiu então ir verificar de onde lhes vinham as conquilhas. E quando descobriu fez promulgar uma ordem que “estão proibidos de andar em parcerias com estrangeiros e/ou com privados nacionais ou de fora e à conta disso poderem ter conquilhas para obter os equipamentos. Ou para os mais distraídos: estão impedidos de arranjar conquilhas lá fora, ou cá dentro nos privados. Perceberam agora, seus burros?” isto causou uma grande confusão entre os cientistas pois eles, para começo, são nabos, não são burros. Depois, durante anos tinham andado a receber a ordem “diversifiquem os fundos, diversifiquem os fundos” e “emparelhem com os privados” e agora que tinham conseguido fazer isso mesmo o Ministro amuava e nem lhes dava conquilhas nem lhes permitia irem buscá-las a ouro lado. O pasmo deu lugar á revolta. E enquanto alguns mais humoristas desenhavam grandes burros e nabos à escala, enviando emails para o Ministério para poderem ver as diferenças entre um nabo e um burro, os chefes tribais das universidades reuniram em concílio, cruzaram os braços e depois do habitual fumo branco e “habemus quorum” declararam-se em greve de apresentação de orçamentos ao Ministério, temos dito, uhg! Os cientistas novatos, habituados a todas as dificuldades e mais algumas, e não querendo baixar os braços, atiraram-se ao trabalho e de repente… surgiram com um sacado de conquilhas fresquíssimas junto dos chefes. Interrogados sobre onde tinham descoberto as conquilhas, acenaram modestamente para os bolsos vazios, para o grande espaço sideral igualmente vazio na maior parte e declararam “No vazio!”, passando a uma difícil explicação sobre matéria e anti-matéria, trovoadas na alta-atmosfera, raios gama e singularidades cósmicas que ninguém percebeu. O que se percebeu foi que o vazio afinal está cheio de oportunidades… a nossa céptica correspondente científica, e a única a perceber o arrazoado dos cientistas, jura porém a pés juntos que um dos novatos passou às escondidas um papelinho ao chefe maior dos chefes, que sorriu perante o que lá viu escrito. Não sabemos se terá alguma relação com as oportunidades de que pelos vistos o vazio está cheio, mas as universidades estão a franquear alegremente as suas salas e camaratas para as Universidades de Verão dos vários partidos da República dos Nabos. As Universidades de Verão, que este ano estão especialmente na moda, talvez porque a maioria dos políticos têm cursos comprados ali na candonga da Feira da Esquina ou no botequim do Ti Naifadas e precisam de mais alguns pontos para tornar os currículos verdadeiros, são uma alegre confraternização entre políticos do mesmo clube, onde uns quantos se treinam na arte do discurso enquanto os outros se especializam em sestas no hemiciclo, e no final do dia vai tudo a banhos, copos, petiscos e umas noitadas nas discotecas locais ou, se a universidade é muito no interior, ao arraial dos nabos emigrantes que vêem ver as berças no Verão, aproveitando os momentos de convívio para treinarem as suas técnicas de marketing e promoção de imagem. Como são despesas de partidos, naturalmente não há registos de nada nem se desconta para impostos, donde não se sabe se pagam ou não alguma coisa de aluguer das salas e anfiteatros às universidades. Mas lá que os reitores e cientistas das universidades eleitas para estes convívios andam muito felizes, lá isso andam…
 

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