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Rasgar de Horizontes na Ciência: O Vazio está Cheio!
Para nos resgatar das tristezas –
credo, até aqui já precisamos de resgates! – a comunidade científica dos nabos,
que tem ganho inúmeros prémios internacionais (recordemo-nos só dos sucessos
quando eram governados por um Cabeça-de-Abóbora), pois nunca como agora tem a
nabice sido recompensada, acaba de dar mais uma alegria ao afanado patriotismo
nabense. Tudo sucedeu por mor de mais uma das medidas de contingência com que os
nabos são diariamente aterrorizados, de cada vez que vêm a mulher da hortaliça aparecer
no horizonte com a faca para levar mais uns nabos para o mercado. Desta vez a
medida nem suscitou polémica pois os nabos, como se sabe, adoram que os seus
cientistas ganhem prémios mas no resto do tempo nem percebem para que é que a
ciência serve nem para que se há-de desperdiçar conquilhas “nessa coisa” donde
no meio de tantos cortes de conquilhas aqui, ali e acolá, nem foi notícia
quando se anunciou que iria haver um corte de 100% nos fundos para as
universidades e centros de investigação pois já “é hora desses madraços irem
ganhar o deles”, como referiu o Ministro da Educação dos Nabos. O Ministro
contudo não estava informado (na república dos Nabos é normal) que as universidades
e centros de investigação há muito que lutam com cortes anuais de verbas e já
aprenderam a ir arranjar quem pague o papel higiénico (para pouco mais dá o que
amealham) e a ciência, a sério, é feita pelos próprios investigadores que pagam
quase tudo do seu bolso ou então entram em parcerias com os colegas
estrangeiros e é isso que os vai safando. Quando o ministro descobriu que mesmo
cortando os fundos a 100% aqueles nabos teimosos continuariam a fazer ciência,
decidiu então ir verificar de onde lhes vinham as conquilhas. E quando
descobriu fez promulgar uma ordem que “estão proibidos de andar em parcerias
com estrangeiros e/ou com privados nacionais ou de fora e à conta disso poderem
ter conquilhas para obter os equipamentos. Ou para os mais distraídos: estão
impedidos de arranjar conquilhas lá fora, ou cá dentro nos privados. Perceberam
agora, seus burros?” isto causou uma grande confusão entre os cientistas pois
eles, para começo, são nabos, não são burros. Depois, durante anos tinham
andado a receber a ordem “diversifiquem os fundos, diversifiquem os fundos” e
“emparelhem com os privados” e agora que tinham conseguido fazer isso mesmo o
Ministro amuava e nem lhes dava conquilhas nem lhes permitia irem buscá-las a
ouro lado. O pasmo deu lugar á revolta. E enquanto alguns mais humoristas
desenhavam grandes burros e nabos à escala, enviando emails para o Ministério
para poderem ver as diferenças entre um nabo e um burro, os chefes tribais das
universidades reuniram em concílio, cruzaram os braços e depois do habitual
fumo branco e “habemus quorum”
declararam-se em greve de apresentação de orçamentos ao Ministério, temos dito,
uhg! Os cientistas novatos, habituados a todas as dificuldades e mais algumas,
e não querendo baixar os braços, atiraram-se ao trabalho e de repente… surgiram
com um sacado de conquilhas fresquíssimas junto dos chefes. Interrogados sobre
onde tinham descoberto as conquilhas, acenaram modestamente para os bolsos
vazios, para o grande espaço sideral igualmente vazio na maior parte e
declararam “No vazio!”, passando a uma difícil explicação sobre matéria e
anti-matéria, trovoadas na alta-atmosfera, raios gama e singularidades cósmicas
que ninguém percebeu. O que se percebeu foi que o vazio afinal está cheio de
oportunidades… a nossa céptica correspondente científica, e a única a perceber
o arrazoado dos cientistas, jura porém a pés juntos que um dos novatos passou às
escondidas um papelinho ao chefe maior dos chefes, que sorriu perante o que lá
viu escrito. Não sabemos se terá alguma relação com as oportunidades de que
pelos vistos o vazio está cheio, mas as universidades estão a franquear
alegremente as suas salas e camaratas para as Universidades de Verão dos vários
partidos da República dos Nabos. As Universidades de Verão, que este ano estão
especialmente na moda, talvez porque a maioria dos políticos têm cursos
comprados ali na candonga da Feira da Esquina ou no botequim do Ti Naifadas e
precisam de mais alguns pontos para tornar os currículos verdadeiros, são uma
alegre confraternização entre políticos do mesmo clube, onde uns quantos se
treinam na arte do discurso enquanto os outros se especializam em sestas no
hemiciclo, e no final do dia vai tudo a banhos, copos, petiscos e umas noitadas
nas discotecas locais ou, se a universidade é muito no interior, ao arraial dos
nabos emigrantes que vêem ver as berças no Verão, aproveitando os momentos de
convívio para treinarem as suas técnicas de marketing e promoção de imagem.
Como são despesas de partidos, naturalmente não há registos de nada nem se
desconta para impostos, donde não se sabe se pagam ou não alguma coisa de
aluguer das salas e anfiteatros às universidades. Mas lá que os reitores e
cientistas das universidades eleitas para estes convívios andam muito felizes,
lá isso andam…

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