Também na União das Hortaliças os
dicionários estão a ser revistos, ou mais exactamente, as directivas que
definem o que é um dicionário e quais as palavras que deve conter para cada uma
das 27 línguas oficiais (e mais algumas oficiosas, sem contar as dos escritos
das casas de banho). E isto por causa da inovação que a república Federal das
Batatas e real soberana dos 27 da União está a introduzir no princípio da livre
circulação de pessoas e bens, que é suposto ser um dos pilares da União. Ou
pelo menos assim foi apresentado aos seus distraídos cidadãos, quando foi
preciso levá-los a aprovar mais ou menos à força certos tratados. Assim, em
resultado do feliz casamento entre os dois maiores partidos desta República,
que pode agora atirar foguetes pois já tem governo, os não-batanteses vão
passar a pagar imposto por circularem nas auto-estradas desta República que,
como se sabe são verdadeiramente livres pois não se paga por lá andar e pode-se
acelerar até Mac 5 que não há problema, excepto para os outros automobilistas
que podem ser amassados pelo acelera sem sequer perceberem o que os atingiu.
Assim, à entrada das auto-estradas da República Federal das Batatas vão estar
além dos habituais separadores e faixas de aceleração, cabines tipo bilheteira
onde os automobilistas terão de parar para mostrarem os documentos, como em
qualquer normal e já quase esquecida fronteira dos velhos tempos da (des)União.
Os cidadãos da União que pertençam ao clube de 1ª (vizinhos ideológicos e
raciais dos batatenses) pagarão taxa reduzida de 2%, os cidadãos de 2ª da União
taxa moderada de 10%, os cidadãos de 3ª (países do Sul ainda não afundados pela
Tripeça) taxa de 40%, os de 4ª (filhos dos países do Sul para sempre
endividados à tripeça) taxa de 70% e proibição de circular nas faixas de alta
velocidade, os de 5ª categoria (países do Leste pobre) taxa de 90% e só poderão
circular na berma; finalmente quaisquer infra-humanos exteriores à União
pagarão taxa de 120% e serão terminantemente proibidos de entrar na
auto-estrada, sendo varridos para as estradas secundárias para não conspurcarem
o digno asfalto batatense, com excepção para os cidadãos do Império do Arroz,
da República dos Hambúrgueres e do Império dos ursos, mas estes últimos apenas
e só após prova de sólida fortuna pessoal e empresarial (aceitam-se empresas de
todo o tipo incluindo a de tráfico de pessoas e assassínio a soldo, desde que a
conta bancária tenha pelo menos 6 zeros à frente da unidade e um 5 na 7ª casa).
Esta medida, que teria feito as alegrias do Batata Podre se dela se houvesse
lembrado, foi já saudada com grandes manifestações de júbilo dos batatenses que
agitavam bandeirinhas laranja com os nomes de Angie e entoavam não o wenn alle untreu werden mas um simpático
estrangeiros vão circular para as vossas
estradas cantando em ritmada barcarola. Houve naturalmente protestos das
várias comunidades de emigrantes no país, calados à pedrada pelos bons rapazes
da cruz de pernas partidas, pois agora para irem para os empregos têm de perder tempo nas
filas dos controlos de passaportes e pagar as taxas tal e qual como se fossem
apenas turistas, mesmo os emigrantes que já nasceram nesta República visto que pela
lei local só é batatense quem nasceu de pais batatenses. Irritados com este “atentado
aos direitos dos seus turistas” o Império do Chá, casmurra ilha da União com a
mania das independências e que nunca foi muito bem com as batatas, decidiu
também no mesmo espírito ecuménico que alimenta o novo governo batatense,
promulgar leis no sentido de impedir a entrada de estrangeiros na ilha, tendo
para tal destacado patrulhas de Defesa Territorial e Anti-Aérea, para abater a
tiro todo e qualquer estrangeiro sem passaporte que apareça pela costa mesmo
que seja também membro da União. Foram aliás já distribuídos aos voluntários
civis destas patrulhas folhetos com descrições dos vários tipos de cidadãos da
União, surgindo em grande destaque as imagens representativas de membros do
Povo das Carroças (com lenços, castanholas, carroças coloridas e homens
barbudos de chapéus pretos), do Condado dos Morcegos (com os seus habitantes
agarrados a estacas e a pregar outros habitantes semi-transfigurados em
morcegos) e da Democracia do Canto Coral (em que os seus habitantes aparecem em
trajes muito garridos e abraçados uns aos outros a cantar em coro). A República
Federal das Batatas apresentou já um protesto ao Conselho dos Direitos Humanos
da União, não só porque o Império do Chá teve a ideia de colocar os batatenses
entre os estrangeiros a abater como, ainda pior, os apresentou segurando
grandes canecas de meio litro a transbordar de cerveja. Os outros países da
União não apresentaram queixa porque nem têm direito a isso. Deste modo os
dicionários da União estabelecem a partir de hoje que “livre circulação de
pessoas e bens” significa “livre circulação de mercadorias” porque as pessoas
há muito que não contam neste totobola. Número total de visualizações de páginas
quarta-feira, 11 de dezembro de 2013
Também na União das Hortaliças os
dicionários estão a ser revistos, ou mais exactamente, as directivas que
definem o que é um dicionário e quais as palavras que deve conter para cada uma
das 27 línguas oficiais (e mais algumas oficiosas, sem contar as dos escritos
das casas de banho). E isto por causa da inovação que a república Federal das
Batatas e real soberana dos 27 da União está a introduzir no princípio da livre
circulação de pessoas e bens, que é suposto ser um dos pilares da União. Ou
pelo menos assim foi apresentado aos seus distraídos cidadãos, quando foi
preciso levá-los a aprovar mais ou menos à força certos tratados. Assim, em
resultado do feliz casamento entre os dois maiores partidos desta República,
que pode agora atirar foguetes pois já tem governo, os não-batanteses vão
passar a pagar imposto por circularem nas auto-estradas desta República que,
como se sabe são verdadeiramente livres pois não se paga por lá andar e pode-se
acelerar até Mac 5 que não há problema, excepto para os outros automobilistas
que podem ser amassados pelo acelera sem sequer perceberem o que os atingiu.
Assim, à entrada das auto-estradas da República Federal das Batatas vão estar
além dos habituais separadores e faixas de aceleração, cabines tipo bilheteira
onde os automobilistas terão de parar para mostrarem os documentos, como em
qualquer normal e já quase esquecida fronteira dos velhos tempos da (des)União.
Os cidadãos da União que pertençam ao clube de 1ª (vizinhos ideológicos e
raciais dos batatenses) pagarão taxa reduzida de 2%, os cidadãos de 2ª da União
taxa moderada de 10%, os cidadãos de 3ª (países do Sul ainda não afundados pela
Tripeça) taxa de 40%, os de 4ª (filhos dos países do Sul para sempre
endividados à tripeça) taxa de 70% e proibição de circular nas faixas de alta
velocidade, os de 5ª categoria (países do Leste pobre) taxa de 90% e só poderão
circular na berma; finalmente quaisquer infra-humanos exteriores à União
pagarão taxa de 120% e serão terminantemente proibidos de entrar na
auto-estrada, sendo varridos para as estradas secundárias para não conspurcarem
o digno asfalto batatense, com excepção para os cidadãos do Império do Arroz,
da República dos Hambúrgueres e do Império dos ursos, mas estes últimos apenas
e só após prova de sólida fortuna pessoal e empresarial (aceitam-se empresas de
todo o tipo incluindo a de tráfico de pessoas e assassínio a soldo, desde que a
conta bancária tenha pelo menos 6 zeros à frente da unidade e um 5 na 7ª casa).
Esta medida, que teria feito as alegrias do Batata Podre se dela se houvesse
lembrado, foi já saudada com grandes manifestações de júbilo dos batatenses que
agitavam bandeirinhas laranja com os nomes de Angie e entoavam não o wenn alle untreu werden mas um simpático
estrangeiros vão circular para as vossas
estradas cantando em ritmada barcarola. Houve naturalmente protestos das
várias comunidades de emigrantes no país, calados à pedrada pelos bons rapazes
da cruz de pernas partidas, pois agora para irem para os empregos têm de perder tempo nas
filas dos controlos de passaportes e pagar as taxas tal e qual como se fossem
apenas turistas, mesmo os emigrantes que já nasceram nesta República visto que pela
lei local só é batatense quem nasceu de pais batatenses. Irritados com este “atentado
aos direitos dos seus turistas” o Império do Chá, casmurra ilha da União com a
mania das independências e que nunca foi muito bem com as batatas, decidiu
também no mesmo espírito ecuménico que alimenta o novo governo batatense,
promulgar leis no sentido de impedir a entrada de estrangeiros na ilha, tendo
para tal destacado patrulhas de Defesa Territorial e Anti-Aérea, para abater a
tiro todo e qualquer estrangeiro sem passaporte que apareça pela costa mesmo
que seja também membro da União. Foram aliás já distribuídos aos voluntários
civis destas patrulhas folhetos com descrições dos vários tipos de cidadãos da
União, surgindo em grande destaque as imagens representativas de membros do
Povo das Carroças (com lenços, castanholas, carroças coloridas e homens
barbudos de chapéus pretos), do Condado dos Morcegos (com os seus habitantes
agarrados a estacas e a pregar outros habitantes semi-transfigurados em
morcegos) e da Democracia do Canto Coral (em que os seus habitantes aparecem em
trajes muito garridos e abraçados uns aos outros a cantar em coro). A República
Federal das Batatas apresentou já um protesto ao Conselho dos Direitos Humanos
da União, não só porque o Império do Chá teve a ideia de colocar os batatenses
entre os estrangeiros a abater como, ainda pior, os apresentou segurando
grandes canecas de meio litro a transbordar de cerveja. Os outros países da
União não apresentaram queixa porque nem têm direito a isso. Deste modo os
dicionários da União estabelecem a partir de hoje que “livre circulação de
pessoas e bens” significa “livre circulação de mercadorias” porque as pessoas
há muito que não contam neste totobola.
Subscrever:
Enviar feedback (Atom)

Sem comentários:
Enviar um comentário