Número total de visualizações de páginas

quinta-feira, 5 de dezembro de 2013


fonte:vandrelan.worldpress
Na República Federal das Batatas comemora-se o perfeito matrimónio entre a querida Toutiço Despenteado e o amável Ponte-de-Pedra, mais conhecido por ‘Tão-a-Ver-o-Meu-Dedo?, embora para os amigos ele seja mais conhecido por Gosto-Tanto-dos-Pobrezinhos. É um evento que ficará na memória da República e dará aos batatenses uma nova e bonita tradição tipo Oktoberfest mas como será em Novembro chamar-se-á, muito apropriadamente, de Novemberfest e também terá cerveja a rodos e os primeiros cheirinhos dos bolos deliciosos que se costumam vender nas feiras de Natal daquele país. O contrato de casamento foi assinado esta tarde na casa dois deputados do país com numerosos padrinhos de ambas as famílias, todos gordinhos e sorridentes (em claro contraste com os cidadãos do sul da União das Hortaliças) e os noivos foram saudados com bandeirinhas e cartazes cor de laranja com o diminuitivo carinhosos de Angie quando surgiram à janela do palácio real. Na verdade o noivo ficou um pouco ofendido por todos estarem a aclamar o nome da esposa, dado que fora ele quem fizera mais concessões e entrara em cheio com o dote mas Kaiseriné Kaiserin e ninguém tira o título de imperatriz à nossa amada Angie, que mais uma vez fez o seu sorriso de pau e apresentou as mãos de diamante que tão bem a caracterizam (o cachucho também estava lá, na mão da dona, já perdoado da sua peregrina traição de também se ter candidatado às eleições, após o seu mudo sucesso no debate televisivo das legislativas). O amável, embora descuidado Ponte-de-Pedra conseguiu persuadir a esposa a estabelecer uma esmola mínima anual para os súbditos, coisa que esta não queria de maneira nenhuma pois isso iria torna-los preguiçosos mas ou aceitava ou teria de procurar outro noivo e a senhora já não estava a ficar mais nova, e era preciso assegurar a sucessão, pelo que muito contrariada e apenas após grandes pressões dos seus conselheiros, aceitou. Portanto, a vida vai correr ainda melhor para os súbditos batantenses enquanto o resto da União irá sofrer ainda mais, de modo a garantir que os bancos da República deixem de estar na falência depois das aventuras mirabolantes que andaram a fazer durante a “bolha” dos empréstimos. Mas a União das Hortaliças é para isso mesmo: solidariedade com responsabilidade, ou por outras palavras, nós podemos furar todos os tratados e directivas mas se vocês falham só uma vírgula, levam c’a moca. Espera-se agora que,  perante este exemplo civilizacional que nos chega da República Federal das Batatas, todos os outros países da União cancelem as suas esmolas mínimas anuais pois se estas existem num lado, é evidente, para efeitos de balanço, que têm de sair do outro pois na Economia nada se cria, tudo se transforma, tudo se perde. Mas se o agora kaiserPonte-de-Pedra conseguiu a esmola mínima, teve de deixar cair a ideia absurda da mutualização das dívidas da União. Porque, como bem disse a nossa admirável Toutiço, as dívidas de cada um são para ser pagas por cada um mas as dívidas dos nossos bancos têm de ser pagas por todos. No entanto, os nossos serviços de fofocas bem instalados no palácio real permitiram-nos descobrir por intermédio do camareiro pessoal do novo kaiser que este não estava muito preocupado com esta coisa da mutualização da dívida, mas tinha de ter algumas coisas a exigir para não pensarem que ele é um pusilânime. Para comemorar o feliz enlace, a República Federal das Batatas promulgou uma série de medidas que muito alegrarão os batatenses e ainda mais lhe elevarão o brio patriótico e rácico, para bem da civilização mundial. A primeira destas medidas foi a exigência, a partir de agora, de pagamento de portagens e imposto de muares e de casco-fendido (este último é exclusivo para os filhos da tribo dos Ovos Estrelados) a todo o estrangeiro que se lembre de circular nas auto-estradas do país pois as auto-estradas são livres… para os batantenses. A cozinheira do palácio informou-nos aliás que esta medida é uma concessão de boa vontade da imperatriz que muito indispôs os seus parentes alpinos pois estes desejavam era que ela promulgasse a lei de que todos os países da União que tivessem dívidas a mais dum plafond de 1% (coisa que nenhum país conseguiu alguma vez alcançar) fossem expulsos do mercado das hortaliças…perdão, União. A Toutiço Despenteado teve uma enorme dificuldade em pôr na cabeça dos seus parentes que ela não podia promulgar uma lei na República que fosse por essa razão, e imediatamente, lei em toda a União, que esse tempo ainda não chegara, que quando a Cidade-da-Couve-de-Bruxelas fosse ocupada pelos gloriosos exércitos batantenses, então sim, podiam fazer isso. Os parentes protestaram e até ameaçaram boicotar o casamento mas o conselheiro real lembrou que se assim fosse, os outros países da União poderiam exigir também as leis boas da República, como sistemas de saúde a baixo preço, cobertura escolar para todos, reformas que permitissem ter uma vida tão boa que permitiam viajar até à Ilha dos Côcos e outros destinos exóticos, etc., etc., suas altesas achavam justo os semi-civilizados dos outros países terem direito a tais condições? Foi aí que as coisas acalmaram mas a Toutiço Despenteado teve de prometer outras medidas de limitação à cidadania dos estrangeiros quando retomasse o assento no trono. Por seu lado, o kaiser, apertado pelos amigos estrangeiros que tinham sido convidados para a festa, pelo facto de todas as promessas feitas em favor da melhoria das condições de vida dos outros países de que os convidados são nativos, terem ido por água abaixo, parece que este lhes respondeu enquanto o criado de quarto lhe apertava o fato nupcial cheio de berloques de ouro: sim, sim, prometi isso mas foi só para vos levar no embrulho, e apanhar as vossas prendas de casamento, meus tansos… sacudindo-os do quarto para fora com a mão, o que muito ofendeu os convidados. Contudo e apesar da felicidade geral, expressa em luminosos festejos e jantaradas em toda a República, onde se consumiu a produção de cerveja do ano, há descontentes. E não são poucos. Com efeito, o Clube das Suásticas, associação com franchisings em todos os países da União e que advoga o extermínio dos estrangeiros, incluindo os “estrangeiros” nascidos no país e a expulsão dos seus cadáveres para o mar, regista um grande aumento no número de novos sócios e tenciona já concorrer às eleições da União das Hortaliças, onde espera abarbatar pelo menos ¼ do mercado. Como? Concorrendo todos os franchisings juntos. Até ao momento isso não tem sido possível por causa da definição de "estrangeiro" que, como é óbvio, será estrangeiro num país mas é nacional no outro, pelo que as cúpulas não se entendiam sobre quais os povos que deviam exterminar Agora esse problema foi resolvido. Agora estrangeiros são todos os povos da União abaixo de 2ª categoria, o que inclui todos os povos do sul, os povos do leste, o Povo das Carroças, os Ovos Estrelados e muito em especial TODOS os povos exteriores à União. Como porém a sua mão-de-obra barata é necessária, serão devidamente encaixotados em campos de trabalho forçados chamados Gulagsno Leste e Lagers ou Acampamentos da Morte no Oeste, para contribuírem para a civilizada, harmoniosa, justa e bela sociedade da União.
 

Sem comentários:

Enviar um comentário