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terça-feira, 10 de dezembro de 2013

Todos conhecem a extrema responsabilidade social e devoção à Natureza dos cidadãos da República Federal das Batatas, e em particular das suas empresas. Não é que não poluam como os mais, que não explorem os escravos como os mais nem que não entrem em corrupções e falcatruas como os mais mas fazem-no fora de portas e sempre tão eficientemente pela calada que é extremamente difícil dar por ela. De entre os ecologistas ninguém é mais ecologista que o pessoal da República Federal das Batatas. Não só tratam melhor os animais do que os turcos… perdão, forasteiros, de acordo com o que já dizia certo dirigente do tempo do Batata Podre, como se preocupam à séria com o meio ambiente, lutando contra o nuclear, votando num partido verde que disputa lugares com os mais votados do Parlamento batatense e passando a vida a pisar os decisores para promulgarem leis que reduzam as emissões dos gases de aquecer estufas, fumos de carros, águas sujas e por aí fora. Mas nada de confundir as coisas: ecologia é ecologia e negócios são negócios, e se for possível juntar os dois, tanto melhor. Quando não se pode… há guerra. E os batatenses, têm-no provado ao longo da História, são uns ases p’rá batatada. Também se têm provado uns ases na indústria química, em especial quando se trata de matar em barda, o que tem as suas grandes vantagens na agricultura e na redução da população mundial, como os dias do Batata Podre bem o provaram. Ora um destes dias os políticos da União das Hortaliças, sedeados na Capital do Tacho/ Couve-de-Bruxelas (depende de se lê em valão ou em queijo flamengo), decidiram proibir uns quantos pesticidas que têm feito das boas a muita gente e em especial têm provado a sua eficácia a matar abelhas em barda. Todos os ecologistas da União se regozijaram com a proibição e desta vez a habitual desunião da União sumiu, de leste a oeste, de norte a sul, todos aplaudiram a medida. As abelhas talvez tivessem uma hipótese de sobreviver, e deste modo a produção agrícola. Por isso grande foi o espanto quando a maior empresa química da República das Batatas decidiu pôr em tribunal os deputados da União das Hortaliças por causa desta nova lei. Normalmente é a União das Hortaliças que põe em tribunal toda a gente, incluindo governos, em especial se forem aqueles rascas pedinchões lá do sul, que ninguém compreende para que servem. Normalmente é a União das Hortaliças que faz estas leis ambientais. Normalmente toda a gente tem de obedecer às leis. Mas lá está, negócios são negócios e conhaque é conhaque. E a grande Bye-Bye, que fabrica pesticidas e medicamentos pois de uma coisa à outra a diferença não é muita, o que aliás pode explicar algumas mortes macacas onde devia haver curas, sabe disso muito bem. A proibição dar-lhe-ia cabo dos muitos milhões e milhões de carcanhóis de negócio e perder clientela no mundo todo. E isso é uma coisa que nenhum respeitável cidadão batatense, menos ainda uma grande empresa batatense, pode sofrer. Trata-se de uma questão de bom nome, de uma questão de honra. Mas não devemos pensar que a Bye-Bye não é ecologista, não senhor. São grandes amigos do ambiente. Aliás, a sua férrea oposição à proibição destes pesticidas resulta da sua grande preocupação e responsabilidade ambiental. Porque, assim o demonstram, o mundo está em sobrecarga de consumo de recursos, excesso de população, excesso de poluição, enfim excessos que destroem o ambiente. Combater esses excessos é vital. E esses excessos vêm de onde? De haver demasiadas pessoas. Então, se se matarem as abelhas todas, deixa de haver polinização, a menos a que se faça artificialmente. Então coisas como a fruta, o trigo, o milho, o centeio, as couves, essas coisas, passarão a ser muito mais caras. E quem for muito pobre deixa de as poder comprar. Como há muitos milhões de pobres, estes acabaram por morrer à fome e o problema do excesso de população desaparece, e com ele o excesso de poluição e de consumo de recursos. O facto de com as abelhas exterminadas os ecossistemas entrarem em colapso… bem, o mundo não é perfeito e numa guerra existem sempre lamentáveis danos colaterais. Também partilhamos esta visão profundamente ecologista da química Bye-Bye e por esse motivo pusemos já a circular na Rede-de-Pesca um abaixo-assinado de apoio à missão ecologista desta empresa, e esperamos a total adesão dos nossos subscritores e já agora… tragam um amigo também, a Bye-Bye oferece, com desconto de 10% do preço de marca, uns bonitos antibióticos genéricos para doenças que nunca irão ter.

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