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sexta-feira, 20 de dezembro de 2013

Reportagem especial do nosso correspondente desportivo na Metrópole do Tacho:
No estádio e sede da União das Hortaliças decorre hoje a segunda fase do Campeonato da Culpa. Na primeira fase, subordinada ao tema: “vocês estão mal mas a culpa é toda vossa, calões que vivem acima das vossas possibilidades”, foram apurados a República Democrática dos Nabos, a Democracia da Moussaka, com um destacado 1º lugar, a Ilha das Cabras, a República dos Trevos, o Potentado da Paelha e a Monarquia dos Raviolis, com o quase apuramento da Confederação dos Veados e os já recordistas da crise: o Império dos Cavalos e a Federação Socialista do Goulash. Como se vê, um campeonato muito concorrido e com políticas de jogo variadas, em que por exemplo a Federação do Goulash varre os seus cidadãos para fora das fronteiras e no Império dos Cavalos se fazem culpados os Ovos Estrelados, o Povo das Carroças e estrangeiros em geral mesmo que já os tetra-avós tenham nascido no país. Os árbitros desta primeira volta foram, como habitualmente, os chefes da União das Hortaliças e o Fundo Mundial de Agiotagem, até porque é este último quem paga a electricidade do estádio. Porém, no início da segunda fase os árbitros desentenderam-se por causa das regras do jogo e começaram a disputar um campeonato só deles, deixando as equipas pasmadas a olhar para os novos e inesperados adversários. O Fundo Mundial de Agiotagem abriu os festejos, indo ao meio campo, de dedo em riste para os chefes da União das Hortaliças, atirando para jogo “vocês são os culpados de tudo! Nós dissemos para pararem com o aperto do cinto às equipas! Agora admiram-se delas não conseguirem correr” ao que a União das Hortaliças respondeu: “os culpados são vocês! Usaram a tabela do merceeiro Madoff e quando souberam que ele é um troca-tintas e que as contas eram falsas continuaram a impôr as mesmas regras, apesar de saberem que estavam erradas!”, momento em que os árbitros teriam começado à canelada e aos bofetões não fossem os meninos bonitos da República dos Nabos meterem-se de permeio e pedirem, muito de mansinho: “por favor, posso ir aos balneários trincar qualquer coisinha? É que estou cheínho de fome!” Isto bstou para que os árbitros arregaçassem as mangas e ordenassem “não, senhor, não vais nada, começa mas é a jogar como te mandamos”, o que é um pouco difícil, dada a tremenda fraqueza de gâmbias de que os nabos sofrem desde o início do campeonato e que se tem vindo a agravar. Nesta altura a claque da Moussaka já uivava, gritava “fora os árbitros”, atirava cocktails molotovs e bombas incendiárias para o relvado e nas bancadas ia dando cabeçadas aos fãs do Goulash e molhavam a sopa nos adeptos da República das Batatas, que é quem anda a subsidiar os jogos e a escrever as regras mas ninguém sabe e por isso parece ser apenas mera e imparcial fiscal de linha. Ora isto caiu muito mal aos nabos, que se enervaram e começaram a protestar por causa das regras de jogo mas ninguém lhes ligou nenhuma pois todos sabem que vozes de nabos não chegam ao céu. Os nabos afirmavam que se não os deixassem petiscar qualquer coisinha morreriam de fome e depois sempre queriam ver como continuaria o campeonato. Os do Fundo afinaram: “de acordo com os números que nos deste da tua pesagem, tu já comeste e até demais”. Nessa altura a República das Batatas acenava frenética um fora de jogo e cartão encarnado aos avançados de todas as equipas, evento estranho dado que as equipas estavam no meio do relvado, mudas e quedas, a tentar perceber quando é que os árbitros voltavam a arbitrar, com a excepção dos nabos, que juravam terem dado a pesagem toda, o Fundo é que estava a fazer as contas pela pesagem do início do campeonato, não pelos números actualizados. A União das Hortaliças enfureceu-se e disparou para o Fundo “isto já devia estar a correr de acordo com as regras mas afinal as tuas regras não ajudam nada, se aqui os lingrinhas dos nabos não correm, a culpa é vossa, que não os deixam ir comer para os balneários!” O Fundo da Agiotagem respondeu, ignorando os apitos da fiscal de linha batatense, que estava a ficar muito marefada por não lhe ligarem nenhuma, que os das Hortaliças é que eram o problema pois não arbitravam nem deixavam arbitrar, o jogo estava naquela confusão só por causa deles. Estes não gostaram e perguntaram aos do Fundo que raio de regra era aquela de fosse o jogador gordo ou magro, grande ou pequeno, tinham todos de emagrecer exactamente o mesmo e pesar exactamente o mesmo antes de entrarem em campo? Estava-se mesmo a ver que os jogadores mais pequenos ficavam em desvantagem pois teriam de emagrecer até ao osso, quem fora a luminária que tivera tal ideia, porventura a mesma que impusera as tabelas de cálculo do merceeiro-charlatão Madoff? Os do Fundo atiraram-se aos pescoços das Hortaliças e a fiscal de linha batatense, farta de apitar para o boneco, meteu-se ao barulho e exigiu que cada um começasse a fazer aquilo para que fora contratado: os árbitros para arbitrar e as equipas para jogar. As atenções de todos centraram-se por fim na fiscal, calorosamente odiada pelos moussakenses que não são parvos e já toparam o jogo dela à légua, e enquanto as bancadas se envolviam à pancada desde os bancos junto ao relvado até lá acima ao camarote presidencial, e as equipas imitavam em campo os seus adeptos, o Fundo da Agiotagem e a União das Hortaliças atiraram-se para cima da fiscal, acusando-a de fazer regras muito difíceis de cumprir e demasiado exigentes para o tipo de atletas em campo. Os atletas não gostaram disto e se já andavam ao soco uns aos outros, decidiram alargar o seu campo de acção e vá de malhar na União e no Fundo e já agora também na fiscal de linha. Esta, esquivando-se a dois socos, uma placagem e uma rasteira apontada às virilhas, gritou como no passado o Batata Podre fizera nos estádios para multidões delirantes: “Eu não quero saber do que vocês dizem, eu vou mas é convocar eleições para os corpos gerentes desta chafarica e serão os meus todos que lá ficam a mandar porque só as batatas é que são competentes, trabalhadoras e honestas!” Tal afirmação caiu muito mal em campo, nas bancadas e em particular entre os árbitros. Em uníssono ameaçaram-na de morte e esta corre agora os 10 000 metros barreiras para as eleições da República Federal, que se espera venha a vencer e com novo record mundial. Se for eleita, já ameaçou que dará meia volta e cairá em cima de todos com um daqueles chicotes especiais do tempo do Batata Podre pois “está na hora de enfiar estas hortaliças na linha!” declarou em corrida para os órgãos de informação da sua República. Estas declarações não serão veiculadas para o exterior, por receio da imagem das batatas ficar outra vez tão de rastos como no tempo do Batata Podre mas serão para fazer escola no mercado de futuros. Entretanto, dentro e fora do estádio, o Campeonato da Culpa foi temporariamente substituído pelo Campeonato das Fuças Partidas. Aconselhamos os próximos loucos que queiram inscrever-se nesta Liga a apresentarem-se em campo com equipamento completo da Polícia Anti-Motim.
 

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