Reportagem especial do nosso correspondente
desportivo na Metrópole do Tacho:
No estádio e sede da União das
Hortaliças decorre hoje a segunda fase do Campeonato da Culpa. Na primeira fase,
subordinada ao tema: “vocês estão mal mas a culpa é toda vossa, calões que
vivem acima das vossas possibilidades”, foram apurados a República Democrática
dos Nabos, a Democracia da Moussaka, com um destacado 1º lugar, a Ilha das
Cabras, a República dos Trevos, o Potentado da Paelha e a Monarquia dos
Raviolis, com o quase apuramento da Confederação dos Veados e os já recordistas
da crise: o Império dos Cavalos e a Federação Socialista do Goulash. Como se
vê, um campeonato muito concorrido e com políticas de jogo variadas, em que por
exemplo a Federação do Goulash varre os seus cidadãos para fora das fronteiras
e no Império dos Cavalos se fazem culpados os Ovos Estrelados, o Povo das
Carroças e estrangeiros em geral mesmo que já os tetra-avós tenham nascido no
país. Os árbitros desta primeira volta foram, como habitualmente, os chefes da
União das Hortaliças e o Fundo Mundial de Agiotagem, até porque é este último
quem paga a electricidade do estádio. Porém, no início da segunda fase os
árbitros desentenderam-se por causa das regras do jogo e começaram a disputar
um campeonato só deles, deixando as equipas pasmadas a olhar para os novos e
inesperados adversários. O Fundo Mundial de Agiotagem abriu os festejos, indo
ao meio campo, de dedo em riste para os chefes da União das Hortaliças,
atirando para jogo “vocês são os culpados de tudo! Nós dissemos para pararem
com o aperto do cinto às equipas! Agora admiram-se delas não conseguirem
correr” ao que a União das Hortaliças respondeu: “os culpados são vocês! Usaram
a tabela do merceeiro Madoff e quando souberam que ele é um troca-tintas e que
as contas eram falsas continuaram a impôr as mesmas regras, apesar de saberem
que estavam erradas!”, momento em que os árbitros teriam começado à canelada e
aos bofetões não fossem os meninos bonitos da República dos Nabos meterem-se de
permeio e pedirem, muito de mansinho: “por favor, posso ir aos balneários
trincar qualquer coisinha? É que estou cheínho de fome!” Isto bstou para que os
árbitros arregaçassem as mangas e ordenassem “não, senhor, não vais nada,
começa mas é a jogar como te mandamos”, o que é um pouco difícil, dada a
tremenda fraqueza de gâmbias de que os nabos sofrem desde o início do
campeonato e que se tem vindo a agravar. Nesta altura a claque da Moussaka já
uivava, gritava “fora os árbitros”, atirava cocktails molotovs e bombas
incendiárias para o relvado e nas bancadas ia dando cabeçadas aos fãs do
Goulash e molhavam a sopa nos adeptos da República das Batatas, que é quem anda
a subsidiar os jogos e a escrever as regras mas ninguém sabe e por isso parece
ser apenas mera e imparcial fiscal de linha. Ora isto caiu muito mal aos nabos,
que se enervaram e começaram a protestar por causa das regras de jogo mas
ninguém lhes ligou nenhuma pois todos sabem que vozes de nabos não chegam ao
céu. Os nabos afirmavam que se não os deixassem petiscar qualquer coisinha morreriam
de fome e depois sempre queriam ver como continuaria o campeonato. Os do Fundo
afinaram: “de acordo com os números que nos deste da tua pesagem, tu já comeste
e até demais”. Nessa altura a República das Batatas acenava frenética um fora
de jogo e cartão encarnado aos avançados de todas as equipas, evento estranho
dado que as equipas estavam no meio do relvado, mudas e quedas, a tentar
perceber quando é que os árbitros voltavam a arbitrar, com a excepção dos nabos,
que juravam terem dado a pesagem toda, o Fundo é que estava a fazer as contas
pela pesagem do início do campeonato, não pelos números actualizados. A União
das Hortaliças enfureceu-se e disparou para o Fundo “isto já devia estar a correr
de acordo com as regras mas afinal as tuas regras não ajudam nada, se aqui os lingrinhas
dos nabos não correm, a culpa é vossa, que não os deixam ir comer para os
balneários!” O Fundo da Agiotagem respondeu, ignorando os apitos da fiscal de
linha batatense, que estava a ficar muito marefada por não lhe ligarem nenhuma,
que os das Hortaliças é que eram o problema pois não arbitravam nem deixavam
arbitrar, o jogo estava naquela confusão só por causa deles. Estes não gostaram
e perguntaram aos do Fundo que raio de regra era aquela de fosse o jogador
gordo ou magro, grande ou pequeno, tinham todos de emagrecer exactamente o mesmo
e pesar exactamente o mesmo antes de entrarem em campo? Estava-se mesmo a ver
que os jogadores mais pequenos ficavam em desvantagem pois teriam de emagrecer
até ao osso, quem fora a luminária que tivera tal ideia, porventura a mesma que
impusera as tabelas de cálculo do merceeiro-charlatão Madoff? Os do Fundo atiraram-se
aos pescoços das Hortaliças e a fiscal de linha batatense, farta de apitar para
o boneco, meteu-se ao barulho e exigiu que cada um começasse a fazer aquilo
para que fora contratado: os árbitros para arbitrar e as equipas para jogar. As
atenções de todos centraram-se por fim na fiscal, calorosamente odiada pelos
moussakenses que não são parvos e já toparam o jogo dela à légua, e enquanto as
bancadas se envolviam à pancada desde os bancos junto ao relvado até lá acima
ao camarote presidencial, e as equipas imitavam em campo os seus adeptos, o
Fundo da Agiotagem e a União das Hortaliças atiraram-se para cima da fiscal,
acusando-a de fazer regras muito difíceis de cumprir e demasiado exigentes para
o tipo de atletas em campo. Os atletas não gostaram disto e se já andavam ao
soco uns aos outros, decidiram alargar o seu campo de acção e vá de malhar na
União e no Fundo e já agora também na fiscal de linha. Esta, esquivando-se a
dois socos, uma placagem e uma rasteira apontada às virilhas, gritou como no
passado o Batata Podre fizera nos estádios para multidões delirantes: “Eu não
quero saber do que vocês dizem, eu vou mas é convocar eleições para os corpos
gerentes desta chafarica e serão os meus todos que lá ficam a mandar porque só
as batatas é que são competentes, trabalhadoras e honestas!” Tal afirmação caiu
muito mal em campo, nas bancadas e em particular entre os árbitros. Em uníssono
ameaçaram-na de morte e esta corre agora os

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