O Charco do Milho continua a oferecer ideias para a resolução da crise mundial (infelizmente, queixa-se o Querido Líder ‘Tás Mêmo Maduro, os imperialistas não nos ouvem nem deixam os povos oprimidos saber das nossas inovações). Desta vez é na área do combate à inflacção. Decidiu o Grande Líder T’ás Maduro, alcunha popular ‘Tá-lhe a Dar o Bicho, que agora as pessoas iriam às lojas exigindo saldos. Sim, estão a ouvir bem: não são as lojas que colocam nas montras as coloridas fitinhas com “Saldos” em formato 90, ou no caso do Charco do Milho “Rebajas” ou algum outro termo ainda mais castiço, e sim os clientes que, armados da tabela diária de preços publicada no Diário do Governo (com edições actualizadas das tabelas a cada 12 horas, pois para as outras notícias a mesma publicação serve para um mês inteiro), vão às lojas definir o valor do saldo para aquelas 12 horas. Se o preço de saldo for inferior ao preço de venda ao comerciante, este está obrigado a dar a diferença de dinheiro ou, caso não exista dinheiro em caixa, cupões de desconto para o próximo período de 12 horas de preços tabelados. Isto tem dado uma grande confusão nas contas e balanços de caixa das lojas e dos fornecedores mas a questão tem-se resolvido com o sistema de cupões de desconto. Infelizmente os cupões de desconto são já tantos e estão tão espalhados entre lojistas e clientes que neste momento já ninguém sabe muito bem quem é cliente e quem é dono da loja. Para apimentar o cenário, os exportadores internacionais estão a exigir o seu de volta e já esclareceram que não aceitam cupões, querem cash puro e duro, amarelo, em barra e de 24 quilates. Também os lojistas do Milho não teriam com que pagar em metal amarelo de 24 quilates porque a compra e venda de divisas no país está congelada (as transacções de divisas fazem-se em contentores-frigoríficos), pelo que os importadores do Charco do Milho apanharam valentes gripes e neste momento estão todos de cama, não podendo importar nem pagar coisa nenhuma. Deste modo, e perante a ameaça de ocupação das lojas por parte do Exército, que obedece às revolucionárias ideias do presidente ‘Tá c’o Bicho, perdão, T’as Mêmo Maduro, pois no Charco não há
putschs, os lojistas decidiram entregar as lojas aos clientes e foram dedicar-se à pesca à linha para os esgotos da cidade, que é “onde eles mordem mais e são mais gordos”. Foi assim resolvido o problema da inflacção: não há comércio… mas há peixe(irada).
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