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segunda-feira, 6 de janeiro de 2014

O Pupú Abraça Calorosamente (e por acidente estrangula) os Seus Friorentos Vizinhos
Com a chegada do Natal o calor e a amizade reinam em força a leste da União das Hortaliças. E a competição chega a ser feroz para os convidados da ceia de natal e que o diga a Planície dos Cossacos, dividida que está entre o convite para se juntar à festa que lhe foi estendido pela doce mão do querido Pupú, líder incontestado do Império dos Ursos, que agora anda cheio do espírito natalício, dando-se até a libertar antigos inimigos políticos e os engraçadinhos – no caso, as mascaradas engraçadinhas – que se lembram de dizer mal dele nas igrejas, embora os inimigos (qual é o grande homem que os não têm?) digam que é uma operação de cosmética para que os Jogos das Castanhas de Inverno que ele está a organizar no seu Império não sejam um fiasco de bilheteira por falta de assistência e de competidores. Nada pode estar mais longe da verdade, que o nosso Pupú é muito homem e não tolera cá desviados nem indecisos, como bem provam as suas mais recentes leis contra tais indecisos ou baralhados sexos. Como se não fosse suficiente um convite natalício, eis que havia já uma espécie de pré-compromisso para vir para a pancadaria de Natal… bem, para a ceia seguida de pancadaria na altura de distribuir os presentes, na casa da União das Hortaliças. Naturalmente, quando soube do convite, o Pupú achou que tinha de fazer alguma coisa para assegurar a presença da Planície à mesa pois de outro modo corria o risco de ter apenas 13 convidados para a ceia e todos sabemos o que isso dá. E decidiu, para fazer decidir o indeciso candidato, dar uns presentinhos de apresentação às vantagens da sua lauta ceia na toca dos Ursos, isto é, na imperial mesa, que isto de Imperadores é outra loiça, não se medem às peças com deputados eleitos por pindéricos papelinhos. A União, pelo contrário, como é um clube selecto, apesar de ser o clube dos tais deputados eleitos por pindéricos papelinhos, queria os Cossacos na mesa da consoada mas exigia algumas contrapartidas, no caso uma lista de prendas aí com mais dum metro de comprido, pois que isto cear no clube das Hortaliças é outra fina, não se compara com ceias aborrecidas e cheias de etiqueta na pindérica mesa dos Imperadores, sejam eles ursos ou não. Mas fazia também promessas. Se viesse à ceia, com os todos os presentes da lista para dar aos anfitriões, a União prometia confusão, pancadaria de toso os estilos e calibres e uma barafunda geral na casa que ninguém poderia prever quando acabaria, a Planície dos Cossacos era muito bem-vinda para a malhação, até porque era famosa pela sua queda para a pancada, frio não lhe chegaria de certeza, tanto seria o exercício. Infelizmente, o líder dos cossacos não gosta muito de confusões (já não se fazem cossacos como antigamente, suspiraram os mais velhos da Planície…), e preferiu os braços abertos do líder dos Ursos, o qual em vez de lhe exigir persentes até já lhos estava a enviar ainda sem os Cossacos terem aceite o convite (o que acontecerá aos convidados uma vez entrados no covil do Urso, só o urso o saberá). Infelizmente também, desde que o czar foi levado num ar que lhe deu que os cossacos abraçaram a mania das repúblicas e já não obedecem cegamente ao líder. Os outros cossacos queriam ir à ceia da União pois estavam todos contentes já a treinar os punhos para a pancadaria, para se ocidentalizarem contribuindo o melhor possível para o arraial que já está armado na Capital do Tacho/Couve-de-bruxelas e em todas as outras capitais do mercado das verduras. Os outros cossacos não confiavam lá muito nas boas intenções do Pupú, pois ainda se lembravam bem de como haviam sido os tempos quando pertenciam ao Império dos Ursos e não queriam repetir a dose. E porque este ano vai frio e os tempos de obedecer e calar já eram, os cossacos pegaram no seu aguerrido espírito e vieram todos para a rua aquecer-se e cantar em coro “não, não vamos! Não, não vamos!”. Também aqueceram em coro com os rapazes do líder que lhes vão dando no lombo para eles não enregelarem nem perderem o ânimo. E porque são todos uns rapazes muito entusiastas – e querem mostrar à União o que perde por exigir prendas em vez de as dar para eles irem à pancadaria após a ceia – vá de derrubarem estátuas e outros adereços natalícios, para mostrarem como são especialistas em demolições. Do lado de lá da fronteira o chefe dos ursos abriu as torneiras do gás e baixou os preços, para que os cossacos não congelem e continuem a aquecer-se ao ar livre, para bem do brilho e espírito natalício. E estes retribuíram o favor, aquecendo-se agora nas ruas à força de traulitada, fogaréus vários e cânticos natalícios cujas castiças letras não descrevem noites de paz nem estrelas de Belém ou prendas dadas durante os 12 dias do Natal mas simplesmente “vai-te embora, oh melga”, que certamente copia o cântico dos pastores em Belém, quando tentavam afastar os mosquitos e moscardos das ovelhas e da manjedoura do Menino.  


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