Escolas de Condução Mudam Equipamentos para Alforges, Cabrestos, Ceirões e Palha
Para fazer face à crise crescente – embora os
optimistas da Cidade do Tacho/Couve-de-Bruxelas, nome dependente de se se fala
valão ou flamengo, anunciarem que já acabou – as escolas de condução da
República dos Nabos vão mudar o seu equipamento de ensino, abandonando os
batidos automóveis por viaturas mais interactivas e com personalidade, a saber:
cavalos (para os alunos VIP), mulas (para a classe média apeada) e burros (para
a demais clientela). Resulta esta mudança de paradigma da necessidade de
acomodar as limitações financeiras em termos de combustível e, sobretudo, das
limitações de logística dos inspectores destas escolas e não, como andam a
dizer as más-línguas, das exortações do líder religiosos do Califado das Areias
que declarou há uns meses não deverem as mulheres conduzir para bem da saúde,
embora não explicasse de quem atendendo à violência com que os machos locais –
os únicos com direito a volante – conduzem por aquelas amplas vias. A medida
foi já saudada com palmas e assobios de incentivo aos animais-viatura a beberem
a água que lhes enfiam no balde, tanto à esquerda como à direita da estrada. O
Ministro da Agricultura nabense, que pensa que os ovos nascem assim mesmo em
caixinhas, disse que esta ideia revolucionária irá colocar o Nabal na senda do
crescimento económico pois poderá passar a exportar muita poia para a
agricultura ecológica dos demais países da União das Hortaliças (que é em
estufas e com pesticidas). Por seu turno os criadores do Burro das Mirandas
respiraram de alívio pois finalmente os seus mulos já não estarão em extinção e
poderão obter mais algum rendimento dado que o subsídio da União nem chega para
pagar ao ferrador quando este vem aparar os cascos às alimárias. Por seu turno
o Ministros dos Negócios Estrangeiros Machadada, famoso por resolver conflitos
diplomáticos com a elegância dum elefante com cio numa loja de porcelanas, está
eufórico e mostrou até aos jornalistas a capa do mais recente New York Times
onde o Nabal é comparado a um burro… em cima dum vai-vem espacial. Para o
excelso ministro, o facto do vai-vem espacial estar estacionado num canto do
aeródromo, já prontinho para a sucata dada a descontinuação, isto é, extinção,
do programa espacial com estes veículos, é apenas uma pequenina nota de rodapé.
O porquê desta mudança de motores turbo para alimárias turbulentas tem a sua origem
no facto de que, estando integrada na União das Hortaliças, a República
Democrática dos Nabos tem de realizar normas e inspecções periódicas a tudo,
incluindo as casas de banho (tópico que trataremos noutra notícia) e reportar à
Cidade do Tacho nos prazos estipulados. E como a crise fez com que os
inspectores das escolas de condução não dispusessem de viaturas nem de
combustível para realizarem as inspecções como normalmente, tentaram
realizá-las a pé; só que mesmo azelhas e a tentar acertar com a embraiagem e a
caixa de velocidades no tempo correcto, os formandos conseguiam andar muito
mais depressa que os respectivos inspectores apeados e a coisa terminava sempre
com um inspector no meio da avenida, sem fôlego e a gesticular, pedindo boleia
(que nunca recebia pois sabe-se lá quem é o maluco que vai a correr atrás do
carro da frente), e anotando no caderno a única coisa que conseguira
inspecionar: a matrícula. Os relatórios da inspecção, apesar de justificadas as
limitações nos dados, eram sempre chumbados na Cidade do
Tacho/Couve-de-Bruxelas e as escolas de condução corriam já o risco de fechar
por incumprimento das normas comunitárias. Foi assim que as escolas decidiram
mudar o estilo de viatura e de condução no Nabal. Agora anda tudo de cavalo p’ra
burro e ao inspector basta apenas acenar com uma cenoura ou um suculento molho
de folhas de couve para as alimárias pararem e ele poder inspeccionar o aperto
das cilhas, a justeza dos alforges, o tamanho do cabresto e do cabeção, a
largura dos estribos, o estado de desgaste das ferraduras (uma ferradura
“careca” dá direto a multa e apreensão da carta de condução de quadrúpedes no
novo Código da Estrada) e o aparamento dos cascos. As melhorias para o turismo
serão imediatas dado que o pitoresco do novo quadro rodoviário trará ao Nabal
multidões de turistas que achavam que os burros eram coisa lá do 4º Mundo. Os
ecologistas esses, estão divididos: é verdade que as emissões dos gases de efeito
de estufa vindos da combustão do petróleo diminuirão de forma radical mas
infelizmente quando os quadrúpedes libertam gases, num processo de combustão
pré-turbo e que pode dar coice, não só os arredores são inebriados dum pungente
fedor como infelizmente um monte de metano se liberta para a atmosfera. Irão os
burros salvar-nos das alterações climáticas... ou não?

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