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quinta-feira, 30 de janeiro de 2014

Escolas de Condução Mudam Equipamentos para Alforges, Cabrestos, Ceirões e Palha

Para fazer face à crise crescente – embora os optimistas da Cidade do Tacho/Couve-de-Bruxelas, nome dependente de se se fala valão ou flamengo, anunciarem que já acabou – as escolas de condução da República dos Nabos vão mudar o seu equipamento de ensino, abandonando os batidos automóveis por viaturas mais interactivas e com personalidade, a saber: cavalos (para os alunos VIP), mulas (para a classe média apeada) e burros (para a demais clientela). Resulta esta mudança de paradigma da necessidade de acomodar as limitações financeiras em termos de combustível e, sobretudo, das limitações de logística dos inspectores destas escolas e não, como andam a dizer as más-línguas, das exortações do líder religiosos do Califado das Areias que declarou há uns meses não deverem as mulheres conduzir para bem da saúde, embora não explicasse de quem atendendo à violência com que os machos locais – os únicos com direito a volante – conduzem por aquelas amplas vias. A medida foi já saudada com palmas e assobios de incentivo aos animais-viatura a beberem a água que lhes enfiam no balde, tanto à esquerda como à direita da estrada. O Ministro da Agricultura nabense, que pensa que os ovos nascem assim mesmo em caixinhas, disse que esta ideia revolucionária irá colocar o Nabal na senda do crescimento económico pois poderá passar a exportar muita poia para a agricultura ecológica dos demais países da União das Hortaliças (que é em estufas e com pesticidas). Por seu turno os criadores do Burro das Mirandas respiraram de alívio pois finalmente os seus mulos já não estarão em extinção e poderão obter mais algum rendimento dado que o subsídio da União nem chega para pagar ao ferrador quando este vem aparar os cascos às alimárias. Por seu turno o Ministros dos Negócios Estrangeiros Machadada, famoso por resolver conflitos diplomáticos com a elegância dum elefante com cio numa loja de porcelanas, está eufórico e mostrou até aos jornalistas a capa do mais recente New York Times onde o Nabal é comparado a um burro… em cima dum vai-vem espacial. Para o excelso ministro, o facto do vai-vem espacial estar estacionado num canto do aeródromo, já prontinho para a sucata dada a descontinuação, isto é, extinção, do programa espacial com estes veículos, é apenas uma pequenina nota de rodapé. O porquê desta mudança de motores turbo para alimárias turbulentas tem a sua origem no facto de que, estando integrada na União das Hortaliças, a República Democrática dos Nabos tem de realizar normas e inspecções periódicas a tudo, incluindo as casas de banho (tópico que trataremos noutra notícia) e reportar à Cidade do Tacho nos prazos estipulados. E como a crise fez com que os inspectores das escolas de condução não dispusessem de viaturas nem de combustível para realizarem as inspecções como normalmente, tentaram realizá-las a pé; só que mesmo azelhas e a tentar acertar com a embraiagem e a caixa de velocidades no tempo correcto, os formandos conseguiam andar muito mais depressa que os respectivos inspectores apeados e a coisa terminava sempre com um inspector no meio da avenida, sem fôlego e a gesticular, pedindo boleia (que nunca recebia pois sabe-se lá quem é o maluco que vai a correr atrás do carro da frente), e anotando no caderno a única coisa que conseguira inspecionar: a matrícula. Os relatórios da inspecção, apesar de justificadas as limitações nos dados, eram sempre chumbados na Cidade do Tacho/Couve-de-Bruxelas e as escolas de condução corriam já o risco de fechar por incumprimento das normas comunitárias. Foi assim que as escolas decidiram mudar o estilo de viatura e de condução no Nabal. Agora anda tudo de cavalo p’ra burro e ao inspector basta apenas acenar com uma cenoura ou um suculento molho de folhas de couve para as alimárias pararem e ele poder inspeccionar o aperto das cilhas, a justeza dos alforges, o tamanho do cabresto e do cabeção, a largura dos estribos, o estado de desgaste das ferraduras (uma ferradura “careca” dá direto a multa e apreensão da carta de condução de quadrúpedes no novo Código da Estrada) e o aparamento dos cascos. As melhorias para o turismo serão imediatas dado que o pitoresco do novo quadro rodoviário trará ao Nabal multidões de turistas que achavam que os burros eram coisa lá do 4º Mundo. Os ecologistas esses, estão divididos: é verdade que as emissões dos gases de efeito de estufa vindos da combustão do petróleo diminuirão de forma radical mas infelizmente quando os quadrúpedes libertam gases, num processo de combustão pré-turbo e que pode dar coice, não só os arredores são inebriados dum pungente fedor como infelizmente um monte de metano se liberta para a atmosfera. Irão os burros salvar-nos das alterações climáticas... ou não?

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