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terça-feira, 21 de janeiro de 2014

Criado Cinto de Castidade Inviolável Para o Segredo de Justiça
Cansada das fugas de informação e violação do segredo de justiça, a Procuradoria-Geral do Principado da Casa dos Segredos, decidiu fazer uma autoria interna como está agora na moda, para descobrir de onde vinham as fugas na canalização e procurar resolver o problema sem necessidade de canalizadores, que isto o orçamento anda apertado, ou de adoptar o original método dum candidato às autárquicas locais que aparecia nos cartazes com um penso rápido a colar-lhe a boca. E esta auditoria surgiu com a solução mais eficaz: não tentar conter o segredo na fonte mas impedir os malvados jornalistas de a publicarem, apesar de, pelo menos em teoria, serem pagos precisamente para… noticiarem. Mas lá está, há notícias e notícias e as notícias que o príncipe e senhor do reino não gosta ou não quer que se saibam, não são notícia e os jornalistas deveriam ser ensinados sobre essa pequenina e subtil diferença entre o que é notícia e o que não é. Não é notícia revelar que a princesa andou a fazer negócios especulativos com o dinheiro… dos impostos dos cidadãos e não com o dela que continua muito bem seguro no Cantão dos Queijos. Mas já é notícia mostrar os cueiros do principezinho e a loja de marca onde estes foram comprados, com extensas entrevistas ao gerente a dissertar sobe a cor da moda e os tecidos exclusivos para a casa real. Assim, o relatório da auditoria sugeriu que para combater o segredo de justiça, fosse a ele aplicado um… Cinto de Castidade. E como a arte de fabricação destes cintos ficou perdida nas trevas da Idade Média, constitui-se uma comissão de Preparação do Cinto de Castidade e Suas Normas de Uso, como é de tradição no Principado sempre que há casos bicudos ou/e que metam negócio. Ainda não se sabe como ou quem irá tomar as medidas às partes íntimas do Segredo de Justiça nem quem irá ter a seu cargo a tarefa de o forjar, brunir, polir, decorar e enfiar-lhe a chave mas as regras da sua utilização estão já estabelecidas e são as seguintes: 1) serão efectuadas escutas telefónicas aleatórias a todos os jornalistas recorrendo à mesma tecnologia da NSA (já está em preparação o acordo de prestação de serviços com esta grande multinacional), 2) serão recolhidas informações detalhadas incluindo as relativas aos usos e costumes mais íntimos dos jornalistas por parte dos espiões com carteira profissional e outros amadores, vulgo “bufos”, que queiram ajudar o príncipe a manter virgem o Segredo de Justiça, após a devida operação para lhe restaurar a virgindade, 3) também ao abrigo de cooperação com a NSA serão vigiados os computadores, gravadores, pens e blocos de notas dos jornalistas, mesmo os que não sejam usados nas suas actividades profissionais, de modo a detectar violações ao Segredo de Justiça e outras actividades insurgentes e subversivas, 4) serão realizadas buscas às casas dos jornalistas e chefes de redacção, aleatórias e escolhidas por aplicação dum algoritmo baseado no sorteio semanal do euromilhões (ou em alternativa do sorteio semanal do fisco), 5) serão também realizadas buscas aleatórias, definidas pelo mesmo procedimento do anterior, mas modificando o grau da variável no caso de jornais com a mania de publicarem notícias inconvenientes, 6) no caso do jornalista ter falado com alguém ao telefone, na paragem do autocarro, em mesas de café, nas bichas da Segurança social ou do Instituto dos Desempregados, por email em chats ou redes sociais da Rde-de-Pesca, será tanto ele como o falante multados com multas milionárias 8que se não forem pagas darão cadeia, esperando-se assim que toda a classe jornal esteja na prisa em apenas 3 meses após a entrada deste código em vigor, pois falar com um jornalista é a partir de agora crime equivalente a tráfico de droga e crime organizado (o tráfico de armas e de escravos humanos foi legalizado para evitar prejuízos aos mafiosos), 7) caso o jornalista vigiado seja um subversivo (é considerado subversivo tudo o que desminta ou contrarie a narrativa oficial do príncipe) será feito rebentar adequadamente com uma bomba no carro ou na casa, em conformidade com os requisitos internacionais, ou em alternativa levado para uma prisão secreta onde os serviços de segurança aniquilarão a ameaça, 8) serão apreendidos todos os materiais escritos, em papel ou suporte digital, fotográficos e vídeos na posse dos jornalistas segundo o sorteio semanal para confiscação de material de informação ou sempre que alguém diga que estes estiveram com a vizinha, 9) o material apreendido não se restringirá apenas aos materiais noticiosos mas a toda e qualquer possível forma de disseminação de notícias ou de informação, mesmo que sejam apenas os filmes do Bambi ou do Rei Leão que o jornalista calhou de alugar na Blockbuster (OK, na Rede-de-Pesca pois a Buster foi… busted) para o filho e os que alugou ali à sorrelfa na loja da esquina cheia de luzinhas vermelhas, 10) o jornalista que for apanhado a saltar a cancela será imediatamente despojado da sua carteira profissional e proibido de exercer toda e qualquer profissão, para que possa emigrar ou morrer de fome, isto se a bomba ou a prisão secreta não resolveu antes o problema, 11) o cinto só poderá ser aberto e o Segredo de Justiça violado sempre que tal for conveniente à consolidação do poder do Príncipe. Estas regras foram já enviadas à ditadura mais totalitária do planeta – a República Democrática da Fome – para avaliação, correcção e aposição do certificado “Regras do Estado Totalitário, Medalha de Ouro (pois as botas são para o outro)”.
  

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