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quarta-feira, 22 de janeiro de 2014

Quer Suicidar-se e Ficar na História? Torne-se Jornalista!

Um estudo sociológico alargado e de abrangência internacional revelou que a profissão de jornalista possui a maior taxa de acidentes mortais em trabalho em todo o mundo. Só no ano findo findaram-se 108 jornalistas, o que dá a bonita média de 1 despachado para o Outro Mundo a cada 3 dias, ou mais exactamente 1 a cada 81 horas. Intrigados com o facto de alguém querer abraçar uma profissão com tais taxas de mortalidade profissional, os sociólogos decidiram estudar de perto os repórteres e outros afins para lhe traçarem o perfil (também contrataram a recibos verdes vários alunos de Belas-Artes para fazerem os tais perfis) e concluíram que apenas um grupo muito especial de pessoas abraça esta carreira de alto risco: são pessoas com um grande desejo de aventura, incapazes de perceber que a verdade é por via de regra muito inconveniente e que aliás nem existe, com uma necessidade compulsiva de dizerem ao mundo aquilo que sabem/descobriram (o que convenhamos, é um grande erro), e acima de tudo com uma tendência inconfessa e mal reconhecida de suicídio. Concluindo: um perigo social à solta. Em face dos resultados destes estudos, e cientes do seu dever em satisfazerem os anseios dos seus cidadãos, os governos de vários países estão já a trocar entre si, à laia de informal Interpol, listas de jornalistas abelhudos que por serem tão abelhudos estão mesmo a pedi-las. Por seu turno, os grupos de terroristas, insurgentes e guerrilheiros já há muito tempo trocam bases de dados sobre os jornalistas incómodos – não apenas os nomes e fotografias actualizadas mas também os actuais paradeiros de pernoita e roteiros de movimentação nos locais de reportagem – de modo a estoirá-los à melhor oportunidade para que estes não revelem o que não convém nada ser revelado. Assim, se está desgostoso da vida, tem credores, empresas de cobranças difíceis à perna ou as contas em atraso no fisco e não sabe como regularizá-las, se pensa que ir desta para outra é o seu melhor remédio, inscreva-se numa escola de jornalismo (das que dão cursos ultra-rápidos, como certas universidades que selam diplomas aos domingos, para assim fugir mais depressa a quem lhe anda no encalço) e parta de imediato para o país em guerra mais acesa, com maior taxa de atentados bombistas ou um desses exóticos locais onde o dinheiro circula não se sabe muito bem de onde para onde mas só 0,1% da população enriquece enquanto os restantes 99,9% mergulham na miséria mais completa, e ponha-se a seguir o rasto do pilim. Verá que conseguirá o seu objectivo em 2 tempos (os que um sniper demora a premir o gatilho e a bala o/a atingir).



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