Quer Suicidar-se e Ficar na História? Torne-se Jornalista!
Um
estudo sociológico alargado e de abrangência internacional revelou que a
profissão de jornalista possui a maior taxa de acidentes mortais em trabalho em
todo o mundo. Só no ano findo findaram-se 108 jornalistas, o que dá a bonita
média de 1 despachado para o Outro Mundo a cada 3 dias, ou mais exactamente 1 a
cada 81 horas. Intrigados com o facto de alguém querer abraçar uma profissão
com tais taxas de mortalidade profissional, os sociólogos decidiram estudar de
perto os repórteres e outros afins para lhe traçarem o perfil (também
contrataram a recibos verdes vários alunos de Belas-Artes para fazerem os tais
perfis) e concluíram que apenas um grupo muito especial de pessoas abraça esta
carreira de alto risco: são pessoas com um grande desejo de aventura, incapazes
de perceber que a verdade é por via de regra muito inconveniente e que aliás
nem existe, com uma necessidade compulsiva de dizerem ao mundo aquilo que
sabem/descobriram (o que convenhamos, é um grande erro), e acima de tudo com
uma tendência inconfessa e mal reconhecida de suicídio. Concluindo: um perigo
social à solta. Em face dos resultados destes estudos, e cientes do seu dever
em satisfazerem os anseios dos seus cidadãos, os governos de vários países
estão já a trocar entre si, à laia de informal Interpol, listas de jornalistas
abelhudos que por serem tão abelhudos estão mesmo a pedi-las. Por seu turno, os
grupos de terroristas, insurgentes e guerrilheiros já há muito tempo trocam
bases de dados sobre os jornalistas incómodos – não apenas os nomes e
fotografias actualizadas mas também os actuais paradeiros de pernoita e
roteiros de movimentação nos locais de reportagem – de modo a estoirá-los à
melhor oportunidade para que estes não revelem o que não convém nada ser
revelado. Assim, se está desgostoso da vida, tem credores, empresas de cobranças
difíceis à perna ou as contas em atraso no fisco e não sabe como
regularizá-las, se pensa que ir desta para outra é o seu melhor remédio,
inscreva-se numa escola de jornalismo (das que dão cursos ultra-rápidos, como certas
universidades que selam diplomas aos domingos, para assim fugir mais depressa a
quem lhe anda no encalço) e parta de imediato para o país em guerra mais acesa,
com maior taxa de atentados bombistas ou um desses exóticos locais onde o
dinheiro circula não se sabe muito bem de onde para onde mas só 0,1% da
população enriquece enquanto os restantes 99,9% mergulham na miséria mais
completa, e ponha-se a seguir o rasto do pilim. Verá que conseguirá o seu
objectivo em 2 tempos (os que um sniper
demora a premir o gatilho e a bala o/a atingir).


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