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sexta-feira, 10 de janeiro de 2014

Quer que Lhe Perdoem as Dívidas? Cometa Um Pequeno (ou vários) Genocídiozinho(s) Caseiro(s)
É presidente de um país em dificuldades financeiras e descobre que a sua dívida externa é talvez impossível de pagar? O seu país tem importantes recursos naturais e uma vasta diversidade étnica?A sua quinta, perdão, o seu país está fora da União das Hortaliças (ou dentro mas lá p’rósulou oriente)? Se a sua resposta foi sim a estas três perguntas fale connosco, pois poderemos ajudá-lo a rescalonar a sua dívida soberana e quiçá a dissolvê-la no éter. Este foi o teor do anúncio publicado na Rede-de-Pesca no site oficial da Terra dos Moinhos e Canais, distinto e respeitável membro da União das Hortaliças, ou não fosse um país do norte, tão respeitado que acolhe nas suas principais cidades todos os empresários e empresas que desejem escapar aos impostos nos seus próprios países da União (e de fora também, que o dinheiro não tem raça) e não se importem de suportar o inconveniente de pagar algum aos moleiros. Chama-se a isto deslocalização e não pensem que é falcatrua. É absolutamente legal pois na União das Hortaliças impera a livre circulação de pessoas e bens desde que você não pertença ao Povo das Carroças nem a certos povos do Leste, os quais ainda estão para ter estatuto de pessoas. Porque a liberdade, como é bem de ver, é só para quem a pode pagar. A Terra dos Moinhos e Canais abraçou este interessante ramo de negócios de perdão de dívidas porque também entrou na moda dos emagrecimentos e precisa diversificar entradas de dinheiros, que o mesmo é dizer, criar novos negócios e carteira de clientes. O anúncio teve grande sucesso, arrecadando em 3 dias mais de 10 000 likes e registou uma sobrecargapelo elevado número de ditadores de todos os quadrantes que submeteram o seu port-folio no site. O primeiro seleccionado foi o Sultanato do Genocídio, familiarmente conhecido por Suadoiro, embora o seu maior oiro seja o preto e os minerais das novas tecnologias. O Sultanato tem-se distinguido na arena internacional pela multiplicidade de genocídios que tem cometido contra os diversos grupos étnicos espalhados pelas várias regiões do país, provando não ser necessárioinvadir territórios estrangeiros para matar em barda. De norte a sul e este a oeste, pois no que toca a matar o líder do Suadoiro é democrático, quem quer que não tenha a cor de pele certa e/ou teime em não aderir à religião do líder é de imediato posto na lista de abate. Também são inscritos nesta popular lista todos os súbditos suficientemente tolos para terem as suas aldeias e hortas em território a ser cedido às grandes companhias agro-industriais e mineiras, nacionais ou da estranja, pois neste caso nem sempre o que é nacional (os bancos locais e os nativos) é bom. A dívida soberana do Suadoiro à Terra dos Moinhos e Canais foi integralmente perdoada –países sem recursos naturais e/ou genocídios em actividade, não pensem que terão a mesma sorte – e há a esperança de que os assessores que esfumaram esta dívidaajudem a fazer desaparecer as outras à comunidade internacional. Este perdão irá manter a eficácia das campanhas militares e genocídio contra os súbditos infra-humanos e infiéis, pois como se sabe tanto a guerra como os genocídios são empreendimentos muito caros, mesmo se não se gastar em cercas de arame farpado e suaelectrificação, guardas, forcas, pelotões casamatas, câmaras de tortura e de gás e respectivo gás pois no Suadoiro o genocídio faz-se ao domicílio, por via aérea e terrestre. O perdão da dívida permitirá igualmente apoiar não a agricultura ou as importações de pão (actividades desnecessárias quando o objectivo é alcançar 100% de eficiência na matança) mas a conta bancária do chefe local, El-Basket (O Cesto, na língua local), que muito dela precisa para os assassinos… perdão, os seus soldados e conselheiros militares. Com efeito cerca de 20% da dívida soberana do Sultanato está segura e guardada nas contas do Cesto nos locais do costume assim como noutros destinos mais exóticos mas não menos sedutores, o que é sensato quando se tem de ter dinheiro em caixa para pagar a todos os conselheiros e oficiais de genocídio em campo, já que ficar com o dinheiro, as terras e as casas dos assassinados ou dos que ainda o não foram mas hão-de ser, não dá p’rás despesas quando se tem de genocidarumpaís como o Suadoiro. O facto de por acaso o Cesto ser réu no Tribunal Internacional dos Crimes é apenas infeliz coincidência que em nada afecta os negócios, ou os genocídios, como aliás foi considerado pelos sábios da Terra dos Moinhos e dos Canais. Assim, caros chefes de estado, se pretendem enriquecer depressa e o vosso país exibe uma linda dívida externa, tão alta como sequóia e tão antiga como teixo milenar, escolham entre os vossos súbditos um grupo que sirva de bode expiatório – por exemplo funcionários públicos – iniciem o seu genocídio eficiente e caso a vossa quinta, perdão, pátria, não possua recursos naturais, invadam ao mesmo tempo um país vizinho que os tenha e descansem em paz pois na Terra dos Moinhos e dos Canais todas as vossas dívidas serão perdoadas.

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