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segunda-feira, 6 de janeiro de 2014

Nota da redacção: como os redactores deste jornal obedecem aos calendários celta, hindu, budista, xinto, maia, chinês, inca, judaico e muçulmano, o Ano Novo para nós, já era…

Reflexões de Ano Novo (como o presente jornalista é ateu, não obedece ao calendário)

E com o novo ano chegam as novas resoluções que nos farão sentir mal durante os próximos 12 meses porque… são como as previsões dos indicadores económico feitos por imensos especialistas: jamais se cumprem. O que nos leva a pensar que a previsão económica funciona segundo regras semelhantes ao Totobola ou Euromilhões. O que é particularmente confuso porque sempre nos têm dito que a Economia é uma ciência exacta. Estamos a falar da Economia com letra grande, a dos especialistas, dos génios financeiros, dos Nóbeis, dos craques de Wall Streekt e Frankfurth (ou da City) e não a que fazemos quando somamos as contas dos gastos com o nosso salário, embora os resultados de uns e outros venham a dar no mesmo: não acertam por mais que nos estiquemos no balanço… embora no caso deles os resultados colaterais (património e contas bancárias) cresçam e levedem qual milagre da panificadora da Malveira. Mas a Economia é, estejam tranquilos, uma ciência exacta e prevê sempre com exactidão o que vai acontecer. Por exemplo, não existem crashes de bolsa nem bolhas de subprime ou imobiliárias ou depressões económicas porque simplesmente as teorias económicas dizem que… não acontecem. E portanto, se a teoria diz que não acontece, a realidade tem é de se ajustar à teoria e não o contrário, como fazem todos os outros cientistas, que tentam adaptar as teorias em função da realidade que vão observando. É na verdade uma ciência tão exacta que nunca acerta na evolução dos índices económicos. Diz que baixar as taxas de juros na actual conjuntura vai fazer disparar a inflacção e a inflacção teimosamente não dispara, que vai aumentar o PIB e acabar a recessão em 6 meses e nem um sobe nem a outra morre, que se vai voltar ao crescimento e o crescimento teima em manter-se lá muito ao fundo mas isso tem uma razão óbvia: é por causa dos eventos meteorológicos… E esta fabulosa ciência é exacta porque os mercados são racionais porque as pessoas são racionais. As pessoas nunca entram em pânico se os mercados de investimentos entram em queda, não perdem as estribeiras e desatam a fazer idiotices como pregar uma estalada num polícia, apanhar uma bebedeira quando era preciso ter a cabeça fria para enfrentar um colapso relacional, subornar um tipo (que afinal é fiscal de subornos) ou enfiar-se em esquemas financeiros estranhos para ganhar algum por fora sem que se saiba muito bem como pois a ganância é mesmo uma coisa do mais racional que há. Portanto se uma bela manhã ao caminharem pela rua virem um tipo a correr todo nu não fiquem a pensar que o dito endoidou mas antes foram os vossos olhos que vos pregaram uma partida – ou são os restos da vossa farra de ontem – pois as pessoas são sempre racionais e não cometem disparates destes (ou já agora outros). Também, se num cenário em que já não temos nada nos bolsos, vos anunciarem que o aumento das taxas de juro e a imposição de medidas de austeridade irão levar as pessoas a gastar mais porque se sentem mais ricas, dado que fazem projecções das taxas de juro a 10 anos quando pensam em namorar um vestido ou um par de ténis, acreditem piamente! Pois a Fada dos Dentes, os Elfos, os Gnomos, o Pássaro Trovão, os Dragões Arco-Íris e os Elefantes Cor-de-Rosa, o Pai Natal e o Palhaço que foi com ele no comboio ao circo existem mesmo e até descem pelas chaminés e tudo. Assim, e embalados nesta ciência que nos fala de um mundo feliz de contos de fadas onde os imprevistos e os sobressaltos não existem, sabemos que o Novo Ano será um ano de prosperidade miraculosa e sem fim para toda a gente, onde o desemprego atingirá os 0% e a dívida voará dos 131% para os -5% e todos darão abraços e beijinhos e irão passar férias em ilhas de sonho. E porque não? Se acreditarmos que os mercados são racionais também podemos acreditar no Pai Natal e nas renas voadoras. Com a diferença que neste último caso de crença isso não se reflecte no défice orçamental nem no que nos resta nos bolsos ao fim do mês (cotão). Se não conseguirem acreditar nisto tudo, ao menos, como dizia o Solnado… façam o favor de (tentar) ser felizes.

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