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segunda-feira, 13 de janeiro de 2014


Estatísticas P’ró Menino e P’rá Menina
Na República Democrática dos Nabos a fúria austeritária, alcunhada de “a crise”, acaba de chegar às estatísticas. O que já não era sem tempo pois quando a crise ataca é suposto ser para todos (embora seja para alguns mais do que para outros pois já lá dizia o outro: “todos são iguais mas há uns mais iguais do que outros”). Como os nabo-governantes não conseguem descobrir qual a utilidade das estatísticas, que ainda por cima teimam e com frequência furar a pompa dos discursos tão esforçadamente escritos e ensaiados e é preciso cortar-se em mais alguma coisa e já pouco resta para cortar (é claro que não se pode cortar nos carros nem nos dez motoristas por cabeça coroada, perdão, gabinetável, pois a sua necessidade é óbvia), calhou agora a vez do pessoal das estatísticas levar com a machadada no orçamento. Os funcionários dos números argumentaram e apresentaram números aos tecnocráticos nabos-governantes, pois estes adoram tabelas, gráficos e números mas nada feito, do outro lado a incompreensão foi geral. Confundidos com a obtusa resposta da sua audiência os homens dos números explicaram que com tais cortes seria impossível manter os serviços e enviar os dados e análises exigidas para a sede dos estatísticos da União, na Cidade do Tacho/Couve-de-Bruxelas. Os nabos do governo da República do Nabal perguntaram aos estatísticos o que precisavam eles para desempenhar as suas funções e estes, espantados pela pergunta após todo o seu esforço na apresentação e explicação dos gráficos e números em powerpoints muito coloridos para serem claros para não especialistas, responderam: “dinheiro”. E os governantes responderam que em tempo de crise tem de se ser criativo e empreendedor e antever e criar novas oportunidades, portanto fossem para casa ser criativos e criadores de novas oportunidades e novos mercados, para poderem pagar impostos pois era só para isso que os nabos serviam desde que o Nabal se tornara independente, na sequência duma briga de família por causa de heranças. Que olhassem para a História do nabal e buscassem inspiração para resolver os problemas de caixa e não usassem isso como desculpa para se esquivarem aos seus compromissos com a União pois os nabos pagam sempre as suas contas à estranja e ponto final. Os estatísticos foram para casa puxar pela criatividade e os resultados estão à vista. Desde ontem que o site dos estatísticos nabos na Rede-de-Pesca oferece originais serviços a todos os internautas por cobrança duma modesta fee, que é como quem diz, pagamento à cabeça e sem pantominices de cartões de crédito falsos, caducados ou sem saldo. Estes serviços incluem: estatísticas para adivinhar o brinquedo favorito do puto de 3 anos, em função do tamanho da cabeça dele, da papa preferida e do orçamento dos pais, estatísticas com base no tamanho da cuequinha da sua namorada sober as incompatibilidades e compatibilidades matrimoniais (mais exacto que os prognósticos dos astros e do Mestre Davos Que Lê nos Búzios e noMolho dos caracóis), avaliação do carácter do seu namorado em função da distribuição dos salpicos na parede, definição das multas que tem por pagar em função do diâmetro e grau de carequice cós pneus do seu carro, e quais as noites mais favoráveis para umas facadinhas no matrimónio em função do tamanho da sua casa, carro e medidas de alfaiate. Também se realizam estatísticas mais especializadas para chefes de holdings internacionais que não estão registadas em lado nenhum e quem têm por uso chamar-se tríades e afins. O site está a ter grande aderência e a carteira de clientes só no primeiro dia promete já fazer entrar com o pastel que o governo do Nabal cortou neste orçamento para este Instituto do Estado. Em face deste sucesso outros serviços estatais consideram usar a mesma estratégia, e pelo menos o SNS abriu já no seu Facebook um inquérito de preferências dos clientes quanto a camas e lençóis que pretende tratar estatisticamente para saber se deve colocar lençóis com ursinhos ou às riscas tipo fato de presidiário, a serem comprados na feira das tangas e bolsa de valores de contrabandistas, trapaceiros e outros caloteiros.

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