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O Gabinete de Governação da União das Hortaliças, sito na Capital do Tacho/Couve-de-Bruxelas, acaba de abrir concurso para líderes da União das Hortaliças. São carreiras muito exigentes, e que por isso mesmo têm um importante incentivo salarial, fora ajudas de custo e representação… e gabinetes, carros e alojamentos a condizer. Têm o atractivo de permitirem imensas deslocações ao estrangeiro sem custos para o viajante, que terá sempre lugares em executiva cinco estrelas (ou pelo menos as que vir quando apanhar um soco da hospedeira por se estar a armar aos cucos e fazer por isso perigar o voo da aeronave). Requer-se uma imensa força de carácter – ser cego como um morcego pode ser condição alternativa – para não ver os erros, por mais colossais que sejam, e teimar em manter o rumo das políticas apesar de todos, incluindo até os parceiros no negócio dos empréstimos virem a cada quinze dias dizer que estão erradas. Também é necessária uma grande paz de espírito para não se perturbar com as notícias de rixas na via pública, apupos e bandeiras a serem queimadas nas fuças, ou suportarem com um sorriso a intervenção abrupta do exército de seguranças quando o retirarem dum parlamento ou cimeira por invasão de campo de manifestantes furiosos que desatam a partir tudo, na ânsia de chegarem ao líder para lhe demonstrar as vantagens da energia muscular no aquecimento dos corpos e formação de nódoas negras. Terão de ser certificadamente casmurros a cair para o autista, com taxa nunca inferior a 70%, para não reagirem a todos os sinais de desastre eminente e não arrepiarem caminho do rumo traçado. Deverão ser diplomados em Atirar-as-Culpas-Para-Cima-do-Outro em escola superior certificada da União (diplomas obtidos nos outros continentes ou Uniões similares não serão considerados por não serem suficientemente avançados no nível de especialização em atirar culpas para cima do vizinho). Também será importante um mestrado em obstinação, sendo preferidas as teses que desenvolvam o tema “Eu É Que Tenho Razão” e desenvolvam metodologias eficazes para ignorar os dados da realidade mesmo quando esta estilhaça as janelas com pedradas de manifestantes e entra pelos olhos dentro com algum soco ou fumo de cocktail molotov. Não é necessária qualquer experiência governativa embora se dê preferência a candidatos que hajam demonstrado completa, total e indubitável incompetência nos parlamentos e governos dos respectivos países. Não é necessário qualquer conhecimento de línguas estrangeiras, caso o candidato seja dos países do Norte da União, onde medra a couve e a batata de semente, devendo no entanto dominar todas as 27 línguas das hortaliças caso seja do sul. Não é necessário que conheça a fundo os dossiers da União ou a etiqueta das negociações de corredor e de hall de entrada – as de suite de hotel são sempre fora das horas de serviço – mas deverá ser um talento nato para negociação fora dos radares da opinião pública, dando-se preferência a quem já tem actividade estabelecida na vermelhinha e nos negócios de candonga e a fugir à polícia, exigindo-se que nunca haja sido apanhado nem sequer o seu nome ao de leve aflorado nos jornais e Rede-de-Pesca em ligação com comércios escusos. Os candidatos serão seleccionados por ordem de classificação nos vários items acima descritos sendo requisito obrigatório terem carreira de maquinistas de comboio com certificação em pelo menos 20 desastres de estampanço das composições contra paredes, muros e pontes (ou em alternativa barcos-draga que calhem de ir a passar por debaixo das ditas) apesar de terem tido todas as oportunidades de desviarem ou travarem a locomotiva antes do estampanço.
O Gabinete de Governação da União das Hortaliças, sito na Capital do Tacho/Couve-de-Bruxelas, acaba de abrir concurso para líderes da União das Hortaliças. São carreiras muito exigentes, e que por isso mesmo têm um importante incentivo salarial, fora ajudas de custo e representação… e gabinetes, carros e alojamentos a condizer. Têm o atractivo de permitirem imensas deslocações ao estrangeiro sem custos para o viajante, que terá sempre lugares em executiva cinco estrelas (ou pelo menos as que vir quando apanhar um soco da hospedeira por se estar a armar aos cucos e fazer por isso perigar o voo da aeronave). Requer-se uma imensa força de carácter – ser cego como um morcego pode ser condição alternativa – para não ver os erros, por mais colossais que sejam, e teimar em manter o rumo das políticas apesar de todos, incluindo até os parceiros no negócio dos empréstimos virem a cada quinze dias dizer que estão erradas. Também é necessária uma grande paz de espírito para não se perturbar com as notícias de rixas na via pública, apupos e bandeiras a serem queimadas nas fuças, ou suportarem com um sorriso a intervenção abrupta do exército de seguranças quando o retirarem dum parlamento ou cimeira por invasão de campo de manifestantes furiosos que desatam a partir tudo, na ânsia de chegarem ao líder para lhe demonstrar as vantagens da energia muscular no aquecimento dos corpos e formação de nódoas negras. Terão de ser certificadamente casmurros a cair para o autista, com taxa nunca inferior a 70%, para não reagirem a todos os sinais de desastre eminente e não arrepiarem caminho do rumo traçado. Deverão ser diplomados em Atirar-as-Culpas-Para-Cima-do-Outro em escola superior certificada da União (diplomas obtidos nos outros continentes ou Uniões similares não serão considerados por não serem suficientemente avançados no nível de especialização em atirar culpas para cima do vizinho). Também será importante um mestrado em obstinação, sendo preferidas as teses que desenvolvam o tema “Eu É Que Tenho Razão” e desenvolvam metodologias eficazes para ignorar os dados da realidade mesmo quando esta estilhaça as janelas com pedradas de manifestantes e entra pelos olhos dentro com algum soco ou fumo de cocktail molotov. Não é necessária qualquer experiência governativa embora se dê preferência a candidatos que hajam demonstrado completa, total e indubitável incompetência nos parlamentos e governos dos respectivos países. Não é necessário qualquer conhecimento de línguas estrangeiras, caso o candidato seja dos países do Norte da União, onde medra a couve e a batata de semente, devendo no entanto dominar todas as 27 línguas das hortaliças caso seja do sul. Não é necessário que conheça a fundo os dossiers da União ou a etiqueta das negociações de corredor e de hall de entrada – as de suite de hotel são sempre fora das horas de serviço – mas deverá ser um talento nato para negociação fora dos radares da opinião pública, dando-se preferência a quem já tem actividade estabelecida na vermelhinha e nos negócios de candonga e a fugir à polícia, exigindo-se que nunca haja sido apanhado nem sequer o seu nome ao de leve aflorado nos jornais e Rede-de-Pesca em ligação com comércios escusos. Os candidatos serão seleccionados por ordem de classificação nos vários items acima descritos sendo requisito obrigatório terem carreira de maquinistas de comboio com certificação em pelo menos 20 desastres de estampanço das composições contra paredes, muros e pontes (ou em alternativa barcos-draga que calhem de ir a passar por debaixo das ditas) apesar de terem tido todas as oportunidades de desviarem ou travarem a locomotiva antes do estampanço.

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