Exportações Imbatíveis
do Nabal: Analfabetos. É a Grande Hype dos Mercados
Os
jovens nabos da variedade amarela estão a lançar uma revolução na República
Democrática dos ditos (Nabos), pelo menos no que ao ensino concerne e que, como
a outra, promete fazer rolar cabeças. No caso as dos professores que calhem de
ficar sem emprego se as revolucionárias ideias destes jovens génios forem por
diante. Estes jovens idealistas propõem, com um sentido de visão de estado
heróica e iluminada o fim da escolaridade obrigatória, ou ao menos a redução
desta em pelo menos 3 anos pois no seu entender o excesso de escolaridade inibe
os patrões de contratar tamanhos pré-doutores e especialistas dos livros (ou do
cabulanço, tudo depende do candidato e da perspectiva). Aliás, embora ainda não
tenha sido sugerido, seria também aconselhável exterminar, perdão, dar uma
Solução Final a toda a população acima dos 35 anos, dado que nos anúncios de
emprego se declara com frequência que acima dos 35 anos não vale a pena
concorrer e naqueles onde o limite de idade não é apresentado, ele existe de
facto quando o prospectivo candidato a trabalhador se apresenta e no BI se
constata que ultrapassou essa irrevogável fasquia etária. Vê-se deste modo que
para os nabos-patrões o trabalhador ideal é um novato inexperiente e analfabeto
(pelo menos dos funcionais) pois não dá jeito nenhum um magarefe que até seja
capaz de ler e perceber leis ou as minudências dos contratos de trabalho e dos
recibos verdes; também não é nada útil que o jovem obreiro seja capaz de contar
as notas do salário porque quando for necessário fazer descontos extraordinários
e únicos à firma em que trabalha não irá dar por nada e não se meterá em
pavorosas greves e outras actividades de insurgentes. Além disso a redução dos
estudos tem a inda a vantagem adicional de melhorar a moral e bons costumes do
país; sendo que os nabos de maiores estudos não acreditam na justiça pois
puderam aprender a pensar e descobriram que esta é só para alguns e também não
acreditam na solidariedade pois o mesmo mau hábito pensante lhes mostrou que a
solidariedade tapará buracos mas não resolve os problemas que os originam, se o
nabal se tornar analfabeto, irá acreditar na justiça porque as injustiças serão
explicadas como sendo justiça “e o sô. dôtor é que sabe”; e acreditarão na
solidariedade pois calharam de ter a sorte de nessa manhã conseguirem entrar na
sopa dos pobres após 7 horas na bicha. Os últimos estudos também mostram que se
o Nabal encetar esta revolução pedagógica e reduzir ou eliminar a escolaridade
obrigatória, poderá a muito curto prazo exportar para o estrangeiro os seus
jovens nabos-analfabetos, bem apertadinhos em contentores para que o máximo de
mercadoria lá caiba. Após o sucesso na exportação de médicos, enfermeiros,
informáticos e outros quadros superiores poderão as próximas gerações
analfabetas continuar a contribuir para tapar o buraco da crise (cada vez
maior). Neste momento estão já a lançar-se no mercado de futuros contratos de
exportação de jovens nabas para lavar escritórios e casas de família na
estranja, para servirem em bares de alterne ou nas interessantes casinhas
recém-construídas na Terra dos Moinhos e dos Canais para acomodarem os clientes
do mercado mais antigo do mundo. Por seu turno os nabos-jovens a serem
beneficiados por esta redução da escolaridade obrigatória estão já a ser
vendidos no mesmo mercado de futuros para limparem ruas, desentupirem esgotos,
serem serventes, carregadores na estiva e nas mudanças de móveis ou como giggolos de baixa tarifa para as casas
de alegria desses países. Também se estão a vender os futuros nabos para
coveiros, remexedores de estrumes, apanhadores de ferro-velho e outros jobs
similares. Esta visionária iniciativa contra-iluminação dos catraios tornou-se
já viral e está a contagiar os restantes países da União das Hortaliças que
ponderam copiar a revolução anti-escolaridade alargada. Além disso, sendo uma
iniciativa anti-iluminação, ajudará com toda a certeza a reduzir a conta da
electricidade do Nabal.

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