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terça-feira, 14 de janeiro de 2014

Exportações Imbatíveis do Nabal: Analfabetos. É a Grande Hype dos Mercados
Os jovens nabos da variedade amarela estão a lançar uma revolução na República Democrática dos ditos (Nabos), pelo menos no que ao ensino concerne e que, como a outra, promete fazer rolar cabeças. No caso as dos professores que calhem de ficar sem emprego se as revolucionárias ideias destes jovens génios forem por diante. Estes jovens idealistas propõem, com um sentido de visão de estado heróica e iluminada o fim da escolaridade obrigatória, ou ao menos a redução desta em pelo menos 3 anos pois no seu entender o excesso de escolaridade inibe os patrões de contratar tamanhos pré-doutores e especialistas dos livros (ou do cabulanço, tudo depende do candidato e da perspectiva). Aliás, embora ainda não tenha sido sugerido, seria também aconselhável exterminar, perdão, dar uma Solução Final a toda a população acima dos 35 anos, dado que nos anúncios de emprego se declara com frequência que acima dos 35 anos não vale a pena concorrer e naqueles onde o limite de idade não é apresentado, ele existe de facto quando o prospectivo candidato a trabalhador se apresenta e no BI se constata que ultrapassou essa irrevogável fasquia etária. Vê-se deste modo que para os nabos-patrões o trabalhador ideal é um novato inexperiente e analfabeto (pelo menos dos funcionais) pois não dá jeito nenhum um magarefe que até seja capaz de ler e perceber leis ou as minudências dos contratos de trabalho e dos recibos verdes; também não é nada útil que o jovem obreiro seja capaz de contar as notas do salário porque quando for necessário fazer descontos extraordinários e únicos à firma em que trabalha não irá dar por nada e não se meterá em pavorosas greves e outras actividades de insurgentes. Além disso a redução dos estudos tem a inda a vantagem adicional de melhorar a moral e bons costumes do país; sendo que os nabos de maiores estudos não acreditam na justiça pois puderam aprender a pensar e descobriram que esta é só para alguns e também não acreditam na solidariedade pois o mesmo mau hábito pensante lhes mostrou que a solidariedade tapará buracos mas não resolve os problemas que os originam, se o nabal se tornar analfabeto, irá acreditar na justiça porque as injustiças serão explicadas como sendo justiça “e o sô. dôtor é que sabe”; e acreditarão na solidariedade pois calharam de ter a sorte de nessa manhã conseguirem entrar na sopa dos pobres após 7 horas na bicha. Os últimos estudos também mostram que se o Nabal encetar esta revolução pedagógica e reduzir ou eliminar a escolaridade obrigatória, poderá a muito curto prazo exportar para o estrangeiro os seus jovens nabos-analfabetos, bem apertadinhos em contentores para que o máximo de mercadoria lá caiba. Após o sucesso na exportação de médicos, enfermeiros, informáticos e outros quadros superiores poderão as próximas gerações analfabetas continuar a contribuir para tapar o buraco da crise (cada vez maior). Neste momento estão já a lançar-se no mercado de futuros contratos de exportação de jovens nabas para lavar escritórios e casas de família na estranja, para servirem em bares de alterne ou nas interessantes casinhas recém-construídas na Terra dos Moinhos e dos Canais para acomodarem os clientes do mercado mais antigo do mundo. Por seu turno os nabos-jovens a serem beneficiados por esta redução da escolaridade obrigatória estão já a ser vendidos no mesmo mercado de futuros para limparem ruas, desentupirem esgotos, serem serventes, carregadores na estiva e nas mudanças de móveis ou como giggolos de baixa tarifa para as casas de alegria desses países. Também se estão a vender os futuros nabos para coveiros, remexedores de estrumes, apanhadores de ferro-velho e outros jobs similares. Esta visionária iniciativa contra-iluminação dos catraios tornou-se já viral e está a contagiar os restantes países da União das Hortaliças que ponderam copiar a revolução anti-escolaridade alargada. Além disso, sendo uma iniciativa anti-iluminação, ajudará com toda a certeza a reduzir a conta da electricidade do Nabal.

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