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segunda-feira, 6 de janeiro de 2014

Acabámos de descobrir a estratégia subjacente à ideia-cartaz da União das Hortaliças “combater o desemprego jovem para resolver a crise”, graças à espionagem do nosso penetra nas reuniões restritas da União, onde de facto se decide o futuro de todos e não, como se julga, no Parlamento Geral das Hortaliças, Comissões e outros acessórios decorativos, perdão, governativos, da União. A estratégia é revolucionária e responde à pergunta que muitos se fazem que é a de porque razão a União está tão preocupada com o desemprego jovem e não se preocupa a mínima com o desemprego dos pais, que até poderão ter mais do que um filho a cargo mas que ainda não é jovem o bastante para entrar nas estatísticas do desemprego. Pois a resposta é muito simples: o desemprego jovem tem de ser combatido porque (1) é para não se ter uma geração perdida, (2) porque os jovens são uns anarquistas em potência e se ficarem muito zangados por não terem anda para fazer ainda podem armar uma revolução nas ruas como bem o mostraram nos países da Península das Areias e isso não é nada bem visto na União, (3) os jovens têm muito mais força e flexibilidade para vergar a mola, (4) como a maior parte deles não têm famílias a cargo podem ser atirados de um lado para o outro ou serem mantidos ad eternum em situação de precaridade. Resolvem-se assim vários problemas: acaba-se com o perigo da contestação nas ruas e erguimento de barricadas revolucionárias, mantêm-se os cachopos na linha e timoratamente obedientes aos chefes pois à mínima vão para a rua, evita-se que tenham tempo para pensar e desatarem talvez a questionar montes de coisas e mantêm-se os pais de bico calado e cabeça baixa, sem força ou voz para contestar seja o que for pois serão eles quem, vergonhosamente, serão sustentados pelos filhos. Esta estratégia aliás não é nova e teve grande popularidade no Nabal no tempo da Maria Cachucha, quando os filhos trabalhavam para os pais desde os 6 anos de idade em vez de andarem a perder tempo e a terem as cabeças cheias de más ideias na escola, entregando fielmente o dinheirinho na mão do chefe de família senão havia cachaporra. Por essa razão, e também porque não havia outros entretenimentos, os pais apostavam na produção em massa de filhos, tal e qual como hoje em dia em muitos países do mundo terceiro e quarto, pois quanto mais catraios tivessem mais braços tinham para alugar e o pecúlio arrecadado em casa talvez pudesse afastar a fome até ao mês seguinte. E tinham de produzir pirralhos em série porque os hospitais eram muito longe, caros e só para alguns, donde a pirralhada morria também em massa, obrigando à contínua renovação do stock. Com esta estratégia nunca havia envelhecimento da população, até porque a maior parte da população nem tinha tempo de envelhecer. Ora como a União das Hortaliças está a envelhecer – daí que nos últimos tempos as suas decisões tenham sido afectadas por um elevado grau de senilidade – esta iniciativa de fomentar o emprego jovem e ignorar completamente o desemprego dos mais velhos faça todo o sentido. Apenas lamentamos que não tenham ido mais longe e removido as leis que proíbem o trabalho infantil. Porque as crianças são a mão-de-obra ideal dado que nunca fazem greves e podem disciplinar-se facilmente com duas valentes lambadas nas fuças e uma carta a exigir correctivo mais forte aos pais quando os diabinhos entrarem em casa, tal e qual como antigamente. Portanto, caríssimo leitor, já sabe: se quer vencer a crise, ponha o seu puto a trabalhar e desista de gastar meias solas à procura de trabalho para si. E aproveite o tempo livre para tornar a sua desempregada esposa mais produtiva.

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