Sucesso Editorial de Contos de Natal Governamentais
Em sintonia com o espírito solidário da época decidiu o governo da República Democrática dos Nabos oferecer aos seus sacrificados cidadãos alguns momentos de felicidade, oferecendo gratuitamente aos seus nabos cidadãos um conto de Natal cheio de prendinhas e finais felizes para elfos, anões e hobbits da Terra Média e afastando de vez o malvado Senhor de Mordor. Isto foi uma novidade que fez as delícias dos nabos miúdos e graúdos pois as ofertas governamentais há muito que são a pagar e com rama de palmo. Com efeito, no bonito conto que se destinou a dar esperança e um Natal um pouco menos vermelho, que é a cor dos contestatários (o Pai natal é, fiquem a saber, um perigoso extremista, basta olhar para aquelas roupas vermelhas), o desemprego dos nabos jovens foi reduzindo ao longo do ano, embora a realidade a maioria dos nabos jovens que escutavam o conto do Nabo-Mor ficassem muito confusos pois estavam na sua larga maioria desempregados, dado que o desemprego dos jovens, se desceu durante a época de verão, disparou de novo no final do ano e está agora acima dos valores do ano anterior, situando-se no bonito número dos 2,2%. Houve também grande felicidade entre os nabos quando lhes foi dito no conto que batendo-se contra os malvados orcs e trolls do Exército do Desemprego Global de Mordor se mataram mais de 120 mil malvados apesar de na realidade apenas se terem morto cerca de 21 mil, e isto se não se contarem com as baixas do lado dos elfos ao longo do ano inteiro em que durou a batalha por causa do Anel. Assim sendo, no mundo da Terra Média as coisas estavam a ir bastante bem, em oposição à realidade que os nabos bem conhecem e que se cifra por um abandono maciço do nabal idêntico ao do período da grande guerra ou pelo número crescente de nabos que, não tendo emprego há mais de 1 ano se lhe acabaram por secar as ramas e deste modo passaram a nabos inactivos e desapareceram das estatísticas, ou dos nabos que sabem que nem vale a pena inscreverem-se para as estatísticas pois nunca irão encontrar emprego e como tal também desaparecem das estatísticas, razão que leva já a União das Hortaliças a considerar o Nabal um fenómeno astrofísico de grande valor pois deste modo o Nabal converteu-se no único buraco negro que não suga a matéria à sua volta mas se contenta em sugar apenas a sua própria massa crítica. Os nabos ficaram também muito felizes quando souberam que afinal os elfos (que na moral da história se identificam com os nabos ouvintes) estão a produzir muito mais do que todos os outros povos da Terra Média, e que o seu PIB ultrapassou todos os records. O facto da realidade ser um bocadinho diferente e mostrar que no Nabal o PIB face ao ano anterior foi de -2% (1º trimestre) e -1% (2º trimestre), o que é significativamente pior do que os resultados da União das Hortaliças, em que tais variações foram apenas de -0,1% e 0,1%, faz parte do artifício narrativo dum bom Conto de Natal. Reconfortados por esta feliz narrativa os nabos que não conseguiram arranjar consoada na Sopa dos Pobres por excesso de clientes da dita Sopa, tiveram forças para enfrentar a fria noite natalícia que, para melhorar as festas, teve vento e chuva quanto bastasse para causar o caos em diversos locais, E animados por tão bonita história – e pelos berros das crianças que queriam ouvir outra vez o “Tio Coelho” a contar a história dos elfos – houve uma corrida geral dos nabos às livrarias em busca do livro de Contos do Tio Coelho. O sucesso de vendas foi tão grande que ultrapassou as melhores expectativas do governo do Nabal – e sabemos que tais expectativas são sempre muito avantajadas – e o Tio Coelho tenciona já lançar no mercado internacional o seu livro de Contos, tendo como primeiros alvos de marketing os dirigentes políticos da União das Hortaliças. Assim, foram já enviados para distribuição dentro desta campanha de pré-lançamento mundial livros, CD’s, DVDs Bluerrays, files no Teus Tubos e página na Carlas-Larocas da Rede-de-Pesca. Em breve sairá o filme, com o Brad Pitt como protagonista Tio Coelho e crachás, bonés, T-shirts, camisolas, blusões e calças estão também já em fabricação nas fábricas de mão-de-obra escrava do Império do Arroz e País dos Alagados Bangla-Esh-Esh. Espera-se que o sucesso de vendas seja no mínimo tão estrondoso a nível mundial como o foi dentro do Nabal, pois pode ser que assim o défice e a dívida externa diminuam, já que, e contos de natal aparte, os impostos taxados sobre todos os nabos não deram senão para reduzir o dito défice em apenas 0,2%. Feliz Natal e não se esqueçam de comprar os Contos do Tio Coelho para os vossos sobrinhos, afilhados e netos (não se aconselham estas histórias hard-core para os vossos filhos). O Tio Coelho agradece pois o défice continua em alta e por essas e outras talvez tenha de em breve mudar de emprego.

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