Universidades do Nabal Serão Aldeamentos Turísticos Para Estrangeiros Com Árvore Genealógica de Ouro de 24 Quilates e Folhas de Diamante
O Nabal, alcunha carinhosa da República Democrática dos Nabos, está a bater todos os records de inovação nas áreas pedagógicas da economia e do ensino, já sem contar na saúde, com a recém-promulgada licenciatura em Medicinas Tradicionais, leccionada pela Congregação de Bruxas, Adivinhos e Profissões Similares (CBAPS) e que tem tido uma tremenda aderência dado que não cobra propinas mas apenas exige que os alunos vivam paredes meias com o seu orientador nas misteriosas artes de curar com banha da cobra, baba de sapo, pele de salamandra, pêlos de bichos vários e pílulas de bocadinhos inconfessáveis de feras selvagens protegidas pela convenção CITES (mas quem quer saber de convenções, quando o mercado das partes de tigre e rinoceronte movimenta o carcanhol que movimenta?); além disso este curso permitirá aos licenciados exercerem a sua profissão em regime liberal a fugir aos impostos pois ninguém quer conjurar a ira da bruxa ou do bruxo da vizinhança por exigir recibo para entrar na tômbola semanal do sorteio do fisco. A nova inovação do Nabal acaba de ser atirada – porque foi de facto um tiro aos patos que acreditaram que podiam ter bolsas para estudar – pelo Buraco para a Investigação Científica (BCI) e consistiu em recusar os apoios financeiros a todos os projectos de investigação para doutoramento e pós-doutoramento, sendo que também já não aceita candidaturas para financiamento a projectos científicos desde o ano passado, pelo que a grande pergunta do momento é: para que é afinal precisa a BCI? Em resposta, e atento às dificuldades orçamentais, o governo decidiu extinguir a BCI e extinguir também os seus funcionários para que estes não viessem a dar com a língua nos dentes sobre a insólita decisão de chumbar todos os projectos de candidatura a estudos pós-graduação. Ao contrário do que se possa pensar esta não é uma estratégia suicida que impedirá o Nabal de se tornar competitivo nos anos futuros. De facto não há competição possível num mercado de trabalho que funcione segundo a lei do regime escravo mas onde os trabalhadores sejam em aparência livres… para trabalhar 20 horas por dia e nem terem tempo para se irem suicidar a casa (suicidando-se por isso no local de trabalho, como está a tornar-se tradição no Império do Arroz). Por esta razão se tem incentivado de todas as formas possíveis os nabos que contraíram a doença dos estudos e possuem agora licenciaturas, mestrados, doutoramentos e post-docs a emigrarem para outras paragens pois a sua doença é perigosa num Nabal que se quer escorreito e livre da funesta mania de pensar como dizia um célebre intelectual de antanho cujo nome o mundo fez o favor de esquecer. Os nabos com esta doença que teimem não ir arejar as ramas para outro lado, são increpados pelos nabos-governantes a buscarem emprego e financiamento nas indústrias e grandes grupos económicos dado que até agora nunca souberam “acrescentar valor”, de acordo com o Ministro da Deseducação que veio a público exigir um aumento da inovação, após saírem os resultados da Não Atribuição de bolsas da BCI. Inovação, entenda-se nos métodos de fugir do Nabal. Inovação, entenda-se em sobreviver sem comer, sem livros para estudar nem equipamentos para investigar e inovar, sem casa, roupa ou calçado pois as empresas do Nabal detestam gente com a doença dos estudos dado que, nas sábias palavras dum dos líderes da indústria local, “para apertar porcas numa linha de montagem não é preciso saber ler e escrever” logo só fornecem dinheiro para investigação se no momento estiverem apertados com os impostos e precisarem de se socorrer da Lei do Mecenato (embora ninguém saiba que é esse senhor Mecenato, é seguramente alguém que aprecia muito futebol e concertos pimba em festas de aldeia). Também, é claro, para plantar batatas não é preciso saber ler e escrever (o facto dos agricultores com sucesso e capacidade para exportar serem no geral aqueles com estudos não conta para esta história), razão pela qual a seguir serão fechadas as escolas que restarem. Esta estratégia é assim não um extermínio do futuro do país mas sim um revolucionário avanço em termos de sustentabilidade da Regra de Ouro da União das Hortaliças e que consiste no mirífico “défice 0”. Com efeito, em vez de inutilmente se gastar dinheiro com as Universidades e investigação – o que todos sabemos não serve para nada – estas irão ser agora transformadas em aldeamentos turísticos com vista a captar as tão necessárias divisas para o Nabal pagar o que deve e os juros do que não deve mas faz de conta (afinal são precisas pequenas “lembranças” a oferecer aos futuros empregadores dos nabos-políticos quando estes deixarem funções). O governo do Nabal pretende internacionalizar as universidades de forma a darem dinheiro, e não no tipo de internacionalização que estas já fazem com fartura, como terem alunos estrangeiros ao abrigo de diversos programas de intercâmbio internacional, professores convidados e projectos de investigação com países de todos os continentes, mas sim aproveitando as naturais apetências do país e todos sabem que o Nabal é cada vez mais um destino turístico de eleição, dada a passividade e mansidão dos nabos e o bonito sol que ilumina a horta. Assim, as universidades e escolas serão a partir já deste Verão transformadas em aldeamentos turísticos de luxo, recebendo somente turistas que demonstrem de forma concreta possuírem árvore genealógica de ouro de 24 quilates e folhas de diamante de 10 carats e flawless. Tanto as folhas de diamante como o ouro serão testados em contraste e análise microscópica no momento em que os hóspedes fizerem o chek-in na Universidade/Aldeamento. Os candidatos a turistas que apresentem diamante ou ouro abaixo das classes acima indicadas ou tentem aldrabar a gerência com diamantes artificiais, zircões ou prata banhada de ouro serão corridos a pontapé até à fronteira pois só podem fazer pouco e/ou aldrabar os nabos os estrangeiros que tenham pedigree. Quanto aos filhos da gente fina do Nabal que queiram estudar p’ra doutor pois dá sempre jeito ter um bonito diploma pregado na parede do salão onde se recebem os outros magnatas e/ou onde se joga mini-golfe para manter em alta o ego do boss mesmo se as suas acções estiverem em baixa, o problema foi já resolvido com um acordo bilateral que promove a inscrição dos bebés nas Universidades da Ivy League, de modo a assegurar as futuras vagas, desde que os papás contribuam generosamente todos os anos para estas conceituadas Universidades da estranja pois os pedigrees hoje flutuam à conta dos negócios e num estalar de dedos um candidato com todas as referências pode ter de ser deitado borda fora porque deixou de cumprir os critérios de conta bancária.
O Nabal, alcunha carinhosa da República Democrática dos Nabos, está a bater todos os records de inovação nas áreas pedagógicas da economia e do ensino, já sem contar na saúde, com a recém-promulgada licenciatura em Medicinas Tradicionais, leccionada pela Congregação de Bruxas, Adivinhos e Profissões Similares (CBAPS) e que tem tido uma tremenda aderência dado que não cobra propinas mas apenas exige que os alunos vivam paredes meias com o seu orientador nas misteriosas artes de curar com banha da cobra, baba de sapo, pele de salamandra, pêlos de bichos vários e pílulas de bocadinhos inconfessáveis de feras selvagens protegidas pela convenção CITES (mas quem quer saber de convenções, quando o mercado das partes de tigre e rinoceronte movimenta o carcanhol que movimenta?); além disso este curso permitirá aos licenciados exercerem a sua profissão em regime liberal a fugir aos impostos pois ninguém quer conjurar a ira da bruxa ou do bruxo da vizinhança por exigir recibo para entrar na tômbola semanal do sorteio do fisco. A nova inovação do Nabal acaba de ser atirada – porque foi de facto um tiro aos patos que acreditaram que podiam ter bolsas para estudar – pelo Buraco para a Investigação Científica (BCI) e consistiu em recusar os apoios financeiros a todos os projectos de investigação para doutoramento e pós-doutoramento, sendo que também já não aceita candidaturas para financiamento a projectos científicos desde o ano passado, pelo que a grande pergunta do momento é: para que é afinal precisa a BCI? Em resposta, e atento às dificuldades orçamentais, o governo decidiu extinguir a BCI e extinguir também os seus funcionários para que estes não viessem a dar com a língua nos dentes sobre a insólita decisão de chumbar todos os projectos de candidatura a estudos pós-graduação. Ao contrário do que se possa pensar esta não é uma estratégia suicida que impedirá o Nabal de se tornar competitivo nos anos futuros. De facto não há competição possível num mercado de trabalho que funcione segundo a lei do regime escravo mas onde os trabalhadores sejam em aparência livres… para trabalhar 20 horas por dia e nem terem tempo para se irem suicidar a casa (suicidando-se por isso no local de trabalho, como está a tornar-se tradição no Império do Arroz). Por esta razão se tem incentivado de todas as formas possíveis os nabos que contraíram a doença dos estudos e possuem agora licenciaturas, mestrados, doutoramentos e post-docs a emigrarem para outras paragens pois a sua doença é perigosa num Nabal que se quer escorreito e livre da funesta mania de pensar como dizia um célebre intelectual de antanho cujo nome o mundo fez o favor de esquecer. Os nabos com esta doença que teimem não ir arejar as ramas para outro lado, são increpados pelos nabos-governantes a buscarem emprego e financiamento nas indústrias e grandes grupos económicos dado que até agora nunca souberam “acrescentar valor”, de acordo com o Ministro da Deseducação que veio a público exigir um aumento da inovação, após saírem os resultados da Não Atribuição de bolsas da BCI. Inovação, entenda-se nos métodos de fugir do Nabal. Inovação, entenda-se em sobreviver sem comer, sem livros para estudar nem equipamentos para investigar e inovar, sem casa, roupa ou calçado pois as empresas do Nabal detestam gente com a doença dos estudos dado que, nas sábias palavras dum dos líderes da indústria local, “para apertar porcas numa linha de montagem não é preciso saber ler e escrever” logo só fornecem dinheiro para investigação se no momento estiverem apertados com os impostos e precisarem de se socorrer da Lei do Mecenato (embora ninguém saiba que é esse senhor Mecenato, é seguramente alguém que aprecia muito futebol e concertos pimba em festas de aldeia). Também, é claro, para plantar batatas não é preciso saber ler e escrever (o facto dos agricultores com sucesso e capacidade para exportar serem no geral aqueles com estudos não conta para esta história), razão pela qual a seguir serão fechadas as escolas que restarem. Esta estratégia é assim não um extermínio do futuro do país mas sim um revolucionário avanço em termos de sustentabilidade da Regra de Ouro da União das Hortaliças e que consiste no mirífico “défice 0”. Com efeito, em vez de inutilmente se gastar dinheiro com as Universidades e investigação – o que todos sabemos não serve para nada – estas irão ser agora transformadas em aldeamentos turísticos com vista a captar as tão necessárias divisas para o Nabal pagar o que deve e os juros do que não deve mas faz de conta (afinal são precisas pequenas “lembranças” a oferecer aos futuros empregadores dos nabos-políticos quando estes deixarem funções). O governo do Nabal pretende internacionalizar as universidades de forma a darem dinheiro, e não no tipo de internacionalização que estas já fazem com fartura, como terem alunos estrangeiros ao abrigo de diversos programas de intercâmbio internacional, professores convidados e projectos de investigação com países de todos os continentes, mas sim aproveitando as naturais apetências do país e todos sabem que o Nabal é cada vez mais um destino turístico de eleição, dada a passividade e mansidão dos nabos e o bonito sol que ilumina a horta. Assim, as universidades e escolas serão a partir já deste Verão transformadas em aldeamentos turísticos de luxo, recebendo somente turistas que demonstrem de forma concreta possuírem árvore genealógica de ouro de 24 quilates e folhas de diamante de 10 carats e flawless. Tanto as folhas de diamante como o ouro serão testados em contraste e análise microscópica no momento em que os hóspedes fizerem o chek-in na Universidade/Aldeamento. Os candidatos a turistas que apresentem diamante ou ouro abaixo das classes acima indicadas ou tentem aldrabar a gerência com diamantes artificiais, zircões ou prata banhada de ouro serão corridos a pontapé até à fronteira pois só podem fazer pouco e/ou aldrabar os nabos os estrangeiros que tenham pedigree. Quanto aos filhos da gente fina do Nabal que queiram estudar p’ra doutor pois dá sempre jeito ter um bonito diploma pregado na parede do salão onde se recebem os outros magnatas e/ou onde se joga mini-golfe para manter em alta o ego do boss mesmo se as suas acções estiverem em baixa, o problema foi já resolvido com um acordo bilateral que promove a inscrição dos bebés nas Universidades da Ivy League, de modo a assegurar as futuras vagas, desde que os papás contribuam generosamente todos os anos para estas conceituadas Universidades da estranja pois os pedigrees hoje flutuam à conta dos negócios e num estalar de dedos um candidato com todas as referências pode ter de ser deitado borda fora porque deixou de cumprir os critérios de conta bancária.

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