Altas Tecnologias... São Sinais de Fumo
A República dos Fogos está em brasa pois um dos mais importantes serviços públicos – o de florestas e conservação da Natureza – está sem telefones desde o ano passado. Tal estado de coisas provoca grandes dores de cabeça aos cidadãos do braseiro, pois não os caçadores e pescadores furtivos, por exemplo, vêem-se impossibilitados de contactar este serviço para saber que espécies piscícolas ou cinegéticas é proibido pescar ou caçar, onde e quando e assim poderem planear as suas actividades sem problemas. Também as raposas estão a ter problemas com esta falha pois não conseguem saber onde andam os vigilantes da Natureza para fazerem coincidir com as deles as suas rondas venatórias a trabelos, musaranhos, gafanhotos, lebrachos e passarada em geral (OK, se toda esta bicharada estiver ainda em casa a ressacar do Ano Novo, então pilhe-se umas galinhas). Os lobos também se sentem afectados com este estado de coisas pois não sabem por onde se deverão meter no abocanhanço das ovelhas se não souberem onde andam os funcionários para registar os seus raides a rebanhos. Quanto aos linces, esses já fizeram saber pela sua associação sindical que, sem informações horárias sobre o paradeiro dos tais vigilantes e biólogos de serviço, não passearão no mato com vista ao seu esfumado avistamento. A questão é candente, como são todas as que se referem aos fogos e a este país em especial, porque os fogareiros são grandes aficionados das novas tecnologias, tendo normalmente cada um cerca de meia dúzia de novas geringonças, como por exemplo meia dúzia de smartphones, meia dúzia de tablets, meia dúzia de ipods, etc., sendo dos mais activos na utilização da Rede-de-Pesca, o que gerou todo um mercado de defesa dos outros internautas, as indispensáveis firewalls. Como não são um país especialmente quinado para andar nas bocas do mundo, nem para a publicidade, excepto por más razões, não são conhecidos por inventarem geringonças. No entanto inventam-nas e muitas com grande sucesso internacional, facto aproveitado por cidadãos de outros países para dizerem que foram eles os inventores e assim serem os nomes deles e não os dos fogareiros a entrarem na História. Inventaram por exemplo os sistemas e máquinas de multibanco, de inspecção de bagagens em aeroportos e várias outras pequenas coisas que fazem o quotidiano mais simples para toda a gente, mas seguem silenciosos, só chamando as atenções na altura do Verão, que é quando desatam a trabalhar em massa, pois os fogareiros o que gostam é do ar livre e de brasas na praia e na floresta. E porque a República dos Fogos está a arder com uma dívida pública tratada a esteróides, pensou-se que talvez a austeridade houvesse levado estes simpáticos nativos a abandonar os bites e os bytes. Porém nota acabada de sair da reunião de ministros dos Fogos veio esclarecer o equívoco. Não se trata do abandono das novas tecnologias mas sim de se manterem na vanguarda do conhecimento e resgatarem tecnologias revolucionárias que por o serem, e ainda mais no passado remoto em que foram descobertas, nunca puderam ser devidamente desenvolvidas. A ausência de telefones no serviço das florestas é assim, não uma falha austeritária mas o resultado de aturados estudos dos especialistas. E a nova tecnologia é… Sinais de fumo. Não, não se trata do nome dum livro nem duma editora mas dos verdadeiros, dos reais, absolutos, fumarentos… sinais de fumo. Lidos facilmente à distância, capazes de serem realizados até por um fogacho de colo (basta dar-lhe uns fósforos ou um isqueiro para as mãos e vocês vão ver…), entendíveis por humanos e bichos sem hesitações, estão a ser espalhados por todo o país, o que aliás se espera venha a abrir a actividade de verão ainda na época de Inverno. Como o Fogo-no-Palheiro, e presidente desta República disse aos jornalistas: se serviu para os romanos e índios americanos, também servirá para nós. Em resposta, a bicharada encavalitou-se no cimo dos montes para ver de onde vem o fogacho da capital e decidirem para onde fugir.


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