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sexta-feira, 17 de janeiro de 2014

Bilhete de Identidade e Registo do Acidente São Novo e Compulsivo Meio de Diagnóstico
No Califado dos Turbantes Voadores a medicina acaba de alcançar mais um avanço que permitirá melhorar a velocidade de diagnósticos e assim reduzir a pressão nas urgências dos hospitais de todo o mundo, com evidentes benefícios para os orçamentos e para os mercados (embora não necessariamente para os pacientes – porque é preciso muita paciência – desses serviços). O diagnóstico é feito agora exigindo ao doente o Bilhete de Identidade e o registo de Acidentes com a indicação de onde foi ganha a contusão, pois estes dois documentos serão os que decidirão do prognóstico e do tratamento a ser dispensado. Assim, se o acidentado tiver partido os ossos todos porque se estampou de carro ou motoreta contra uma parede ou outro veículo, será guiado para os serviços de Traumatismos para lhe consertarem as fracturas. Se é uma mulher e ficou toda partida porque levou um enxerto de porrada do marido ou outro homem da família, será varrida para casa e com ordem para se curar com a pele do mesmo dono. Se abriu um buraco no crânio porque teve de saltar às pressas de casa ou loja que assaltou, será tratado e condecorado com um crachá que o lhe dará direito a ser levado imediatamente à polícia para receber segundo britanço de ossos, mal o buraco na cabeça haja sito suturado. Para aqueles energúmenos que tenham sido amassados pelas forças de segurança nas manifs contra o primeiro-ministro e suas ideias descabeladas de construir centros comerciais em actuais jardins públicos, os seus BI serão confiscados e o tratamento será um chuto no traseiro e aviso imediato para o exército vir buscar o “insurgente”, não se perdendo tempo a tratar do perigoso rebelde. Assim as urgências dos hospitais passarão a estar disponíveis para atender motoristas desencabrestados e suas vítimas, ladrões e foras-da-lei vários que hajam sido feridos no exercício das suas funções, que são quem precisa de tratamento e mais ninguém. Esta medida trará diversos benefícios à sociedade em geral e aos doentes em particular: permitirá atender os traumatizados mais rapidamente, será poupada uma pipa de massa em medicamentos, electricidade e subsídios de doença pois será reduzido o número de clientes atendidos e, o mais importante, permitirá rastrear e identificar os rebeldes perigosos que pensam que vivem em democracia e têm o direito a decidirem mais que já fazem de 4 em 4 anos, quando botam os votos nas urnas e já é bem bom. Aliás, só lhes será concedido esse especial direito enquanto continuarem a votar no primeiro-ministro. No dia em que por loucura influência do oeste ou de outros inimigos do Estado decidirem votar noutro que não o primeiro-ministro, então verão para que serve o exército e os votos. Os médicos que desobedecerem e recusarem utilizar este novo método de diagnóstico serão punidos com multas e confisco de todos os bens, incluindo a comida que tiverem no frigorífico, levarão um ensaio de porrada nos locais de trabalho à frente de doentes e acompanhantes para edificação da moral pública e bons costumes e serão de imediato conduzidos à prisão sem necessidade de julgamento por tribunal ou correlativo, sendo que, por passarem a fazer parte do número dos rebeldes também não receberão qualquer tratamento pelo enxerto de pancada. Será assim conseguido uma significativa poupança em honorários dos médicos e pessoal de enfermagem apresado, sendo também eficazmente abandonado o pagão e não menos arcaico Juramento de Hipócrates. Por seu turno o povão que assistir ao espancamento e detenção dos médicos passará a ter juízo e a não contestar o líder mesmo que este mande todos os habitantes do país vestirem-se como na Idade Média e regresse às mesmas medievas punições mesmo se todos estiverem contra pois democracia é todos concordarem com o líder até mesmo durante os sonhos. 

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