Ano Novo, Remodelação Nova
Podemos anunciar que uma grande revolução tecnológica nas artes governativas: os governos aderiram aos rituais do mundo da moda e do desporto e podem agora deliciar os seus constituintes com remodelações periódicas das suas formações, em função das estações do ano e dos inícios de campeonato de futebol, râguebi, desportos de inverno, hipismo, natação e Olímpicos. E se a República Democrática dos Nabos se decidiu a escrever segunda vez o seu nome no panteão do Guiness Book of Records (a última foi com o feito de ter servido um bando de comilões sobre a maior mesa montada em cima dum rio), está longe de ser caso único e há até já a tradição, espalhada por quase todo o mundo com a excepção de alguns teimosos orientais, da renovação geral das equipas governativas ao jeito dos craques de futebol a cada início de época, crise do clube ou combate eleitoral pelas presidências, que se designam por Eleições. Também nestas, tal como nos clubes, se vão buscar génios às grandes instituições, que serão devidamente exportados quando se revelam verdadeiros nabos, tal como os craque estrangeiros que não acertam senão na própria baliza e se despacham para o clube mais rasca da Liga dos Solteiros e Casados mal os sócios olham para o outro lado, só que no caso dos craques governativos a exportação é para outras similares instituições ou então uma devolução às mesmas embora nunca houvesse notícia de vales de devolução como nas mercadorias deficientes. Contudo o ritual das Eleições tem também parecenças com o efervescente mundo da moda pois que nestas, tal como nos fashion shows que abrem uma janela futurista para o que se vai usar 6 meses mais tarde, aqui escolhe-se não só o chefe dos craques (ou costureiro mais na berra na saison) mas também a cor e o trajo legislativo por… se tudo correr bem… quatro anos. Se tudo correr mal não se preocupem porque pelo menos para alguém correu muito bem, quanto mais não seja para os designers das fatiotas legislativas. Mas como ir a eleições pode ser muito cansativo para os craques e para os criadores de design legislativo, e a verdade é que as equipas precisam de renovar o plantel a meio da época – quanto mais não seja para dar a oportunidade aos novatos de mostrar que afinal até podem servir as tais grandes instituições e tornar-se futuros nabos vestidos de génios, o que mais do que fica bem e é patriótico para alguém que haja nascido no Nabal – temos então as chamadas Remodelações. E as remodelações são coisa séria, que exige esforço, negociações aturadas com todos os interessados mesmo àqueles que não pertençam aos clubes mas que são os seus financiadores, ou, de acordo com a Lei de Mecenato, mecenas. O que é, convenhamos, um nome muito mais agradável, e com pedigree, do que padrinho… mesmo que funcione como um padrinho daqueles que têm sempre propostas irrecusáveis… como perguntar em Janeiro porque o caro Inb-Portões não é vice-manda-chuva e em Julho, após uma crise irrevogável, Ibn-Portões tornar-se mesmo vice-manda-chuva. E é aqui, entre crises, espirais recessivas versus milagres económicos, sugestões de aguentar, aguentar e propostas irrevogáveis que a República Democrática dos Nabos se apostou em bater todos os records e entrar não apenas no Guiness mas nos tops do novo desporto olímpico dos Olímpicos de Inverno: Remodelação Sincronizada de Alta Velocidade. Porque em apenas 2 anos o governo da república democrática dos Nabos já realizou 9 remodelações (quando os sócios e os adeptos dos clubes contrários estavam a olhar para o lado, como manda o eterno e ainda actual manual da Arte da Guerra) e está a trabalhar a todo o vapor para atingir as 10 ainda antes da abertura dos Olímpicos de Inverno de modo a chegar a esta competição de alto nível com o melhor handicap de todos os concorrentes ssim ganhar a medalha de ouro. Ouro esse muito necessário para pagar os 0,001% dos juros da dívida que, também concorrendo numa Olimpíada própria, sobem à mesma velocidade dos cogumelos após uma boa chuva. Temos assim nove, a caminho de 10 remodelações em apenas 2 anos, com cerca de 33 novas caras no total (pois o 33 é número de sólidas referências medicinais para economias semi-mortas) e 5 novos chefes de pelotão nesta vertiginosa mudança de figurinos, que os mais inventivos designam já por “Dança das Cadeiras”, número acrobático que a equipa do Nabal está a melhorar para a sua exibição final nos Olímpicos de Inverno. Com handicaps melhores que estes há apenas alguns concorrentes, como os países em feroz convulsão social e os que entretanto entraram em guerra civil. Porém estes últimos foram desclassificados dos Olímpicos porque metade ou a quase totalidade das suas equipas (o rácio de mortes dependendo da eficácia dos guerrilheiros) foram assassinadas nos confrontos e o comité olímpico, demonstrando um absurdo atavismo legislativo, não reconhece equipas com elementos substituídos à última hora porque “não é justo para as equipas cuja composição é já conhecida por todos os adversários”, o que aliás está em contradição com o próprio espírito da prova onde a surpresa e os golpes baixos deverão ser a regra base. Perante estes números – sim 33 novas caras, 5 novos chefes de pelotão e 9 remodelações – é impossível a República Democrática dos Nabos não ganhar qualquer coisa. Quanto mais não seja excelentes colocações para os seus craques governantes em grandes e generosas instituições internacionais que muito prezam a aquisição de nabos gordos pois são excelentes verbos de encher e ficam sempre bem na fotografia.

Sem comentários:
Enviar um comentário