Na capital Cambalhota do
Protectorado dos Pés Para o Ar passou a partir de hoje a estar em vigor a nova
chave de classificação das direcções de empresas públicas, e foi já feita a sua
aplicação-piloto à Companhia de Carroças, Charretes e Outros Atrelados Muares. Com
efeito a direcção desta Companhia, serviço público de transportes colectivos
ligeiros e pesados – sendo que os passageiros pesados e/ou mercadoria acima do
peso e formato regulamentares pagam taxa adicional – foi hoje demitida em bloco
numa emotiva cerimónia de demissão, em que o Ministro da tutela fez rasgados
elogios aos demitidos. A direcção foi demitida, nas palavras do Ministro,
porque fora especialmente eficiente a gerir as contas e os activos imobiliários
da empresa, melhorando os lucros, apesar de não ter despedido trabalhadores nem
reduzido os seus salários e até ter implementado um sistema de reparações
periódicas das viaturas e alimentação às bestas de tracção, sem desequilibrar
os orçamentos pois embora tivesse ocorrido um aumento dos gastos, este mais do
que fora compensado com as receitas por os utentes terem passado a viajar mais
nos Transportes Muares, confiantes na melhoria dos serviços e estado luzidio
das alimárias. Mas segundo as exigências internacionais, tinha agora de se
demitir todas as equipas que fossem competentes e substituí-las pelas mais
incompetentes que se pudessem encontrar disponíveis. Apesar de no Protectorado
dos Pés Para o Ar, os imbecis serem agora muito difíceis de contratar a baixo
custo pois têm colocação mal saem da escola primária, o Ministro dos
Transportes expressou a sua esperança em que alguns idiotas profissionais se
candidatem aos cargos agora devolutos pois trata-se, disse, de um imperativo
nacional, até para agradar aos mercados. Não ficou explicado se seriam os
mercados de hortaliças, de peixe ou da carne de muares, ou de produtos exóticos
made in Aqui ao Lado, mas correspondendo
ao patriótico apelo já se candidataram várias equipas de pescadores à linha que
só apanham botas e sacos de plástico, jogadores com botas a menos apanhadas
pelos referidos pescadores, apanhadores de papéis e beatas, e uma equipa de
ladrões de porta-chaves conhecidos por “os skates da Linha” pois fogem sempre
em cima de skates, não tendo até agora sido capturados pelas autoridades apesar
de todos saberem onde moram, namoram e vão aos copos. Espera-se que a futura
equipa de ignorantes financeiros seja lesta a levar à falência a Companhia de
Carroças, Charretes e Outros Atrelados Muares, para alegria dos mercados e
apostadores no afundamento dos ratings,
incluindo os das cuecas dos pedolenses, conseguindo assim a extinção do último
e perniciosíssimo serviço público do mundo. A extinção do último serviço
público do mundo inaugurará uma nova época de prosperidade mundial, embora apenas
só para alguns. Os outros podem remeter-se à miséria medieva pois são apenas
trabalhadores, logo desnecessários pois quem aduba a economia são os especialistas
em sapos tóxicos, consultoria financeira sobre offshores e contabilidade criativa.Número total de visualizações de páginas
segunda-feira, 2 de dezembro de 2013
Na capital Cambalhota do
Protectorado dos Pés Para o Ar passou a partir de hoje a estar em vigor a nova
chave de classificação das direcções de empresas públicas, e foi já feita a sua
aplicação-piloto à Companhia de Carroças, Charretes e Outros Atrelados Muares. Com
efeito a direcção desta Companhia, serviço público de transportes colectivos
ligeiros e pesados – sendo que os passageiros pesados e/ou mercadoria acima do
peso e formato regulamentares pagam taxa adicional – foi hoje demitida em bloco
numa emotiva cerimónia de demissão, em que o Ministro da tutela fez rasgados
elogios aos demitidos. A direcção foi demitida, nas palavras do Ministro,
porque fora especialmente eficiente a gerir as contas e os activos imobiliários
da empresa, melhorando os lucros, apesar de não ter despedido trabalhadores nem
reduzido os seus salários e até ter implementado um sistema de reparações
periódicas das viaturas e alimentação às bestas de tracção, sem desequilibrar
os orçamentos pois embora tivesse ocorrido um aumento dos gastos, este mais do
que fora compensado com as receitas por os utentes terem passado a viajar mais
nos Transportes Muares, confiantes na melhoria dos serviços e estado luzidio
das alimárias. Mas segundo as exigências internacionais, tinha agora de se
demitir todas as equipas que fossem competentes e substituí-las pelas mais
incompetentes que se pudessem encontrar disponíveis. Apesar de no Protectorado
dos Pés Para o Ar, os imbecis serem agora muito difíceis de contratar a baixo
custo pois têm colocação mal saem da escola primária, o Ministro dos
Transportes expressou a sua esperança em que alguns idiotas profissionais se
candidatem aos cargos agora devolutos pois trata-se, disse, de um imperativo
nacional, até para agradar aos mercados. Não ficou explicado se seriam os
mercados de hortaliças, de peixe ou da carne de muares, ou de produtos exóticos
made in Aqui ao Lado, mas correspondendo
ao patriótico apelo já se candidataram várias equipas de pescadores à linha que
só apanham botas e sacos de plástico, jogadores com botas a menos apanhadas
pelos referidos pescadores, apanhadores de papéis e beatas, e uma equipa de
ladrões de porta-chaves conhecidos por “os skates da Linha” pois fogem sempre
em cima de skates, não tendo até agora sido capturados pelas autoridades apesar
de todos saberem onde moram, namoram e vão aos copos. Espera-se que a futura
equipa de ignorantes financeiros seja lesta a levar à falência a Companhia de
Carroças, Charretes e Outros Atrelados Muares, para alegria dos mercados e
apostadores no afundamento dos ratings,
incluindo os das cuecas dos pedolenses, conseguindo assim a extinção do último
e perniciosíssimo serviço público do mundo. A extinção do último serviço
público do mundo inaugurará uma nova época de prosperidade mundial, embora apenas
só para alguns. Os outros podem remeter-se à miséria medieva pois são apenas
trabalhadores, logo desnecessários pois quem aduba a economia são os especialistas
em sapos tóxicos, consultoria financeira sobre offshores e contabilidade criativa.
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