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quinta-feira, 26 de dezembro de 2013


fonte: pt.io.gov.mo
Pois desta vez a notícia surge do Economato das Seringas (antigamente era República mas com os cortes no orçamento agora não passa dum serviço de economato dum país credor da União das Hortaliças). E é uma ruptura fulgurante com o passado e a forma de pensar sobre a utilidade dos hospitais. É que embora não tenha ainda sido aprovado em decreto, a necessidade de apresentar contas bem magrinhas aos credores levou as chefes das seringas a injectar nos hospitais uma dose reforçada de cortes nos gastos, pelo que se tornou muito pouco rentável cuidar de doentes cujas doenças só podem piorar no futuro. Porque, como têm de à força reconhecer, tudo neste mundo é negócio e por acaso a prestação de cuidados de saúde (ou doença) é um dos melhores mercados que pode haver para desenvolver negócios. E portanto se a coisa não dá lucros, abandona-se. Se porventura os doentes deixarem de poder ser curados ah, lamentamos mas são apenas baixas colaterais nesta terrível guerra contra as dívidas soberanas. Mas filosofias àparte, os hospitais do Economato das Seringas têm manado embora doentes que os procuram e têm doenças crónicas como cancro, hepatites, sidas, e afins porque… se gasta muito dinheiro e os tipos, são os teimosos, não se curam, explicou o director ao nosso repórter. Ora como se tem de reportar à União das Hortaliças as taxas de produtividade de tudo, incluindo as fraldas para bebés, um hospital que receba muitos doentes que não se curam, é pouco produtivo e portanto tem de ser encerrado. Por este motivo os hospitais estão agora activamente a tentar diversificar os seus serviços, oferecendo a quem tem dinheiro e gosto para isso serviços de restaurante em ambiente de bloco operatório e aulas práticas de anatomia, instalações para treino de corridas de obstáculos em que as pistas são os corredores e salas de espera e os obstáculos os doentes e as macas com ou sem ocupação (recebem-se mais pontos se o atleta passar por cima de maca com doente a dar as últimas ou cercado por um batalhão de estagiários a substituir em serviço de turno os médicos que não foram contratados, cursos de arranjos florais para funerais e visitantes a mamãs acabadas de o ser, tabacarias e papelarias lux nas antigas salas de triagem, lojas de modas e trajes académicos nas antigas dispensários farmacêuticos e salas de enfermaria com vista para os átrios cheios de doentes com teias de aranha por mor das listas de espera, entre outras futuras oportunidades de diversificação de receitas. Por este motivo, também não se pode perder espaço com doentes crónicos ou terminais, pelo que estes estão a ser enxotados para a rua por impacientes e musculados seguranças que têm ordens expressas para não os deixar entrar. As enfermarias onde dantes poderiam ser acomodados durante os períodos mais críticos da doenças são necessárias para estas outras actividades acima referidas. Mas como a produtividade também se mede pelo número de clientes, perdão, doentes que se atendem, mesmo aqueles que são enxotados p’ra rua, os hospitais começaram a distribuir senhas de espera para a morgue a estes teimosos doentes crónicos que insistem em depauperar as finanças da república/ economato com as suas doenças. Assim, aos lucros obtidos por todo o outro mechandising e actividades económicas no espaço hospitalar, poderão acrescer-se também as taxas de mortos atendidos na morgue. Enquanto não morrem, lavam e limpam as instalações, colocam etiquetas nos que mais patrioticamente os precederam, confortam as famílias enlutadas, arquivam e registam os objectos pessoais dos mortos para devolução futura, fazem coroas para os caixões e tratam de toda a burocracia com as funerárias. Evidentemente, até no Economato das Seringas há sempre os malfadados descontentes e revolucionários que estão do contra. Sem surpresa, os supositórios, que são uns penetras de todo o tamanho, já vieram contestar as novas práticas pois perderão muitas oportunidades para penetrar e andam já, subversivos!, a congeminar pelos becos esconsos, formas de boicotar esta nova e tão louvável política das suas colegas seringas.
 

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