![]() |
| fonte: pt.io.gov.mo |
Pois desta vez a notícia surge do
Economato das Seringas (antigamente era República mas com os cortes no
orçamento agora não passa dum serviço de economato dum país credor da União das
Hortaliças). E é uma ruptura fulgurante com o passado e a forma de pensar sobre
a utilidade dos hospitais. É que embora não tenha ainda sido aprovado em
decreto, a necessidade de apresentar contas bem magrinhas aos credores levou as
chefes das seringas a injectar nos hospitais uma dose reforçada de cortes nos
gastos, pelo que se tornou muito pouco rentável cuidar de doentes cujas doenças
só podem piorar no futuro. Porque, como têm de à força reconhecer, tudo neste
mundo é negócio e por acaso a prestação de cuidados de saúde (ou doença) é um
dos melhores mercados que pode haver para desenvolver negócios. E portanto se a
coisa não dá lucros, abandona-se. Se porventura os doentes deixarem de poder
ser curados ah, lamentamos mas são apenas baixas colaterais nesta terrível
guerra contra as dívidas soberanas. Mas filosofias àparte, os hospitais do
Economato das Seringas têm manado embora doentes que os procuram e têm doenças
crónicas como cancro, hepatites, sidas, e afins porque… se gasta muito dinheiro
e os tipos, são os teimosos, não se curam, explicou o director ao nosso
repórter. Ora como se tem de reportar à União das Hortaliças as taxas de
produtividade de tudo, incluindo as fraldas para bebés, um hospital que receba
muitos doentes que não se curam, é pouco produtivo e portanto tem de ser
encerrado. Por este motivo os hospitais estão agora activamente a tentar
diversificar os seus serviços, oferecendo a quem tem dinheiro e gosto para isso
serviços de restaurante em ambiente de bloco operatório e aulas práticas de
anatomia, instalações para treino de corridas de obstáculos em que as pistas
são os corredores e salas de espera e os obstáculos os doentes e as macas com
ou sem ocupação (recebem-se mais pontos se o atleta passar por cima de maca com
doente a dar as últimas ou cercado por um batalhão de estagiários a substituir
em serviço de turno os médicos que não foram contratados, cursos de arranjos
florais para funerais e visitantes a mamãs acabadas de o ser, tabacarias e
papelarias lux nas antigas salas de triagem, lojas de modas e trajes académicos
nas antigas dispensários farmacêuticos e salas de enfermaria com vista para os
átrios cheios de doentes com teias de aranha por mor das listas de espera,
entre outras futuras oportunidades de diversificação de receitas. Por este
motivo, também não se pode perder espaço com doentes crónicos ou terminais,
pelo que estes estão a ser enxotados para a rua por impacientes e musculados
seguranças que têm ordens expressas para não os deixar entrar. As enfermarias
onde dantes poderiam ser acomodados durante os períodos mais críticos da
doenças são necessárias para estas outras actividades acima referidas. Mas como
a produtividade também se mede pelo número de clientes, perdão, doentes que se
atendem, mesmo aqueles que são enxotados p’ra rua, os hospitais começaram a
distribuir senhas de espera para a morgue a estes teimosos doentes crónicos que
insistem em depauperar as finanças da república/ economato com as suas doenças.
Assim, aos lucros obtidos por todo o outro mechandising
e actividades económicas no espaço hospitalar, poderão acrescer-se também as
taxas de mortos atendidos na morgue. Enquanto não morrem, lavam e limpam as
instalações, colocam etiquetas nos que mais patrioticamente os precederam,
confortam as famílias enlutadas, arquivam e registam os objectos pessoais dos
mortos para devolução futura, fazem coroas para os caixões e tratam de toda a
burocracia com as funerárias. Evidentemente, até no Economato das Seringas há
sempre os malfadados descontentes e revolucionários que estão do contra. Sem
surpresa, os supositórios, que são uns penetras de todo o tamanho, já vieram
contestar as novas práticas pois perderão muitas oportunidades para penetrar e
andam já, subversivos!, a congeminar pelos becos esconsos, formas de boicotar
esta nova e tão louvável política das suas colegas seringas.


Sem comentários:
Enviar um comentário