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domingo, 24 de novembro de 2013

A nossa amada Toutiço Despenteado e doce mutti-führerin da República das Batatas acaba de receber mais um louvor na sua bem-sucedida carreira política, que é ao mesmo tempo uma perplexa novidade para a sua vida familiar. Com efeito foi-lhe atribuído o Prémio da Paz, segundo comunicado oficial do embaixador do Pais das Vacas Sagradas acreditado na capital dos Berlindes (Bolas de Berlim desde que o muro das traseiras caiu graças a descomunal farra batatense de um lado e de outro do mesmo). A delegação de Vacas Sagradas foi recebida no Parlamento, para lhe entregar o bilhete de avião até à sua capital Daqui-e-Dali (consoante a direcção que as vacas tomem no meio do trânsito local) para receber o galardão, pois os batatenses são uns forretas que contam os tostões todos e não se abrem com nenhum. A surpresa na vida pessoal da nossa amada führerin deve-se a que na lista de justificações para tão excelso prémio constar que os agraciados são irmãos da Madre Teresa. Ora, da última vez que consultara a Wikipédia, a Toutiço Despentado ficara com a ideia que a bondosa senhora era polaca e ela, batatense de gema, não tinha nada que ver com esses eslavos refilões do outro lado do Elba. Como um dos hobbies mais populares entre os batatenses é o de procurarem ramos e raminhos das suas árvores genealógicas e podarem aqueles que fazem má figura, remetendo-os para as amnésias da senhora História, a querida Toutiço passou também, nos intervalos da governação – paragem de 3 em 3 horas no caso de estar a trabalhar a um computador, de acordo com as leis laborais batatenses – a procurar nos vários sites da Rede-de-Pesca dedicados a famílias e genealogias, eventuais acidentes colaterais eslavos com vista a fazer desaparecer todos os registos, já que por enquanto não é possível fazer desaparecer os próprios porque ainda não foi declarada nenhuma guerra dentro da União das Hortaliças (cá fora, ao invés, há muitas). E foi por haver muitas guerras mas não na União que a Toutiço apanhou o Prémio da Paz. Sob a sua liderança determinadamente nim, a União das Hortaliças tem caminhado para o abismo e a maior turbulência de que há memória (se exceptuarmos os períodos de guerra) e no entanto não se deu ainda qualquer invasão militar dos membros mais fracos da União por parte dos mais fortes, embora as más-línguas digam que essa ocupação já se deu, devido à política financeira que a visionária Toutiço tem imposto voluntariamente a toda a União, quer o queiram quer não. Não há na História Mundial um único líder que tenha dominado não um mas todo um ramalhete de países da União sem gastar um único tiro mas promovendo na mesma uma tão espectacular destruição destes em termos económicos, demográficos, sociais e de direitos elementares, ao passo que o seu próprio país não é devastado por bombas, tiroteios, raides aéreos ou invasões. A querida führerin Toutiço Despenteado mete todos os generais num chinelo, conquistando país atrás de país, mesmo os seus
mais directos e ancestrais rivais como a República do Queijo Gruyère e do Amor, sem quaisquer gastos. E isto porque as suas intenções são boas e matriarcais: quer apenas pôr em ordem a casa dos outros, ensiná-los a ser poupadinhos e arrumados (se ficarem com comportamentos obsessivo-compulsivos nas finanças tanto melhor), levá-los ao trilho da virtude e ensinar-lhes as graças do trabalho, do engolir todas as exigências de cara alegre e serem enfim… bons alunos. E que comprem muitos produtos à sua tribo, que encham as casas com as coisas da sua tribo e, na continuação dos tempos, se tornem também uma espécie de batatenses de segunda leva já que batatenses de 1ª água, cuja grande superioridade moral, intelectual e cultural é a razão do seu sucesso (e não a ajuda e perdões vários que foram recebendo ao longo do tempo), infelizmente isso é algo que os poderes divinos só oferecem a quem nasça na superior raça da nossa querida líder. Acompanhámos Toutiço Despenteado até ao Pais das Vacas Sagradas, o tal que acaba de legalizar a violação, taxando o acto com 5% de modo a repor as moedas nos cofres estaduais (medida que muito interessou a nossa amada líder, que pediu ao seu quartel-general para estudar opções de aplicação desta medida à sua República) e anotámos as passagens mais significativas do seu discurso de agradecimento, antes dela se debulhar em lágrimas, supomos que de alegria embora também pudesse ter sido pelo aroma da vaca que investiu pela sala nesse momento. Toutiço Despenteado declarou estar muito sensibilizada pela atribuição do prémio, que a consolava de todas as maldades que sobre si dizem os povos a quem apenas deseja ajudar, contribuindo para a sua elegância física e promoção das felicidades da vida espartana e recusam entender as suas boas intenções. Disse também que continuaria a fazer tudo para que a União se baralhasse cada vez mais e deste modo não podesse pensar em agressões, que ajudaria os inúmeros exércitos desavindos por esses mundo fora, fornecendo-os de material para as suas importantes actividades pois não dar às pessoas com que trabalhar é uma maldade muito grande. Lamentou que na União as pessoas não compreendam estas grandes visões de futuro e só espera que seja possível construir uma União em que todos remem para o mesmo lado, com os do sul a trabalhar no duro nas fábricas e empresas agrícolas dos do Norte, de modo a aproveitar os recursos tal e qual como a Divina Providência determinou (a vaca sacudiu a cabeça à invocação da Divina Providência, confirmando aos habitantes deste exótico país a sua sacralidade e espetando uma cornada no embaixador batatense acreditado no país). E compreendia os receios por minorias étnicas e religiosas estarem a ser varridas para fora de vários países da União apesar de serem cidadãos desta União – em teoria – mas quando se fazem bolos é sempre necessário partir alguns ovos (onde é que alguém no passado batatense já dissera isto?). Para bem da União é necessário que essas minorias passem a portar-se como batatenses de 5ª categoria e se disso não forem capazes, bem, a União não pode no actual quadro de desafios, servir de asilo a inúteis (o embaixador do País dos Ovos Estrelados mexeu-se muito, como se tivesse pulgas, o que talvez se devesse a estar mesmo ao lado da vaca). Que enfim não via problema algum nas novas forças políticas que surgiam na União, a renovação fazia parte da grandeza democrática – aplausos dos cidadãos das vacas enquanto a vaca propriamente dita metia o dente nas grinaldas de flores que decoravam os pescoços da comitiva batatense – e do seu ponto de vista o medo de ver a União cheia de ditadores extremistas todos entretidos a pôr os seus súbditos na linha era um extremismo absurdo, afinal não havia mal algum no que estava a acontecer na República do Goulash ou no bando dos rapazes exaltados na ágora da Democracia da Moussaka que coreografam os bailados favoritos do velho Batata Podre, pois isso só demonstra o seu conhecimento da História, ou que os partidos que batem nas minorias, advogam a sua deportação e até já andam a treinar, matando aqui e ali, se estejam a organizar para dar uma abada nas eleições da União. Do ponto de vista dela, uma União cheia de Hitlerzinhos capazes de pôr os comboios a circular a horas (e sobretudo a transportarem deportados para a sua morada final mesmo no meio duma guerra, gritou o embaixador dos Ovos Estrelados, já de cabeça perdida) e… não sabemos o que aconteceu a seguir porque a vaca, ao ouvir os Hitlerzinhos, avançou furiosa até ao palanque e o nosso operador de câmara e som (a crise levou-nos a cortar no pessoal) que odeia touradas, se viu de repente em cima dos cornos da bicha, ao melhor estilo de líder dos forcados ali da Golegã. Sabemos apenas que a nossa adorada Toutiço declarou, ainda a tremer, ao descer do avião na sua pacífica capital das Bolas de Berlim, que nunca mais na vida poria os pés num país de bárbaros que deixavam feras selvagens participar em eventos de Estado.
 

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