Os avanços científicos não param
de surpreender, com especial destaque nos últimos tempos para os avanços na
área da Economia, embora alguns discordem da classificação desta como ciência
dado que muitos dos seus princípios não se baseiam em grande investigação
prévia e uma vez adoptados não se procura a sua validação, instalando-se nos
livros pelo mesmo processo que uns ténis Adidas ou Nike conquistam os atletas:
mais publicidade do que propriamente provas dadas. Além disso, uma vez adoptada
a teoria, não importa qual, espera-se obstinadamente que seja a realidade a
conformar-se a esta (o que a teimosa realidade muitas vezes se nega a fazer,
sendo então ignorada pelos sábios), e não o processo inverso como nas demais
ciências. Seja como for, e apesar dos detractores, a Economia é uma ciência e
não tem parado de atordoar o incauto cidadão desde que a crise começou, ou
seja, para usar a colorida linguagem económica, desde que a bolha dos subprimes (ou créditos NINJA) rebentou.
Rebentou a bolha e as nossas poupanças e o nosso futuro mas adiante… A mais
recente descoberta veio por mão do sublime Ministro da Economia do Potentado da
Paelha. Disse o excelso sábio do alto da sua catedrática sabedoria que as
austeridades são boas para os preguiçosos países do sul, não especificando se
são as austeridades económicas se as austeridades que os velhos yoguis do
Oriente faziam para obterem dos deuses poderes especiais, tipo versão antiga do
Super-Homem. Partindo do princípio que se falasse da austeridade económica,
dada a audiência, pode deduzir-se que para recuperar uma economia basta apenas
seguir o mesmo raciocínio das senhoras que no Inverno engordaram uns quilitos
acima da conta e agora não conseguem entrar nos fatos de banho. Com efeito, a
austeridade permite ao estado em apuros eliminar a 100% os gastos sociais e em
desenvolvimento, ficando isso a cargo dos cidadãos, que por terem de pagar
tantos impostos e verem os seus salários cortados até ao size de amostras de modista, não terão com que investir. Também não
terão nada para meter no prato mas esse é o objectivo final. Porque tal como
para as senhoras em dieta o importante é adelgaçar a linha, também o mesmo o é
para as economias. Ou seja, a fome é o melhor remédio para toda e qualquer
crise. E portanto para a saúde dos cidadãos. Porque é que o é, não foi
esclarecido, nem aliás necessita de o ser, foi provado porque alguém o disse e
pronto. O facto de estar provado que a fome é o melhor remédio para a saúde,
suscitou já o interesse da Organização Mundial da Doença, que sua as estopinhas
para extinguir o problema da obesidade, diabetes e outras maleitas que roubam
as nações de divisas e promovem a calanzice entre os cidadãos que se dizem
afectados por elas. Não será assim necessário investir em vacinas para acabar
com epidemias, basta simplesmente sujeitar as populações a um apertado programa
de fome. Morrem os fracos e sobram os fortes (ou os espertalhaços que subornaram
as autoridades e meteram a mão a víveres no mercado negro), o que terá como
agradável consequência a redução de custos nos serviços estatais, que aliás
deverão ser reduzidos a 0, quer haja população ou não. A população, por seu
turno, terá encolhido para níveis toleráveis, com benefícios na redução do
consumo das matérias-primas, pressão sobre os ecossistemas e desemprego, pois
nessa altura todas as mãos serão necessárias, em especial as das crianças que podem
trabalhar por menos da quarta parte do salário dum adulto e não se meterão a
fazer greves pois basta ameaçá-las com um par de lambadas ou queixa aos pais. E
se os pais, sem outro entretenimento senão o de fazer meninos pois não terão
dinheiro para mais nada e a reprodução ainda não paga imposto, gerarem novo
excesso demográfico, a solução é simples: enfiam-se os catraios nas fábricas
insalubres (nessa altura não será preciso proteger o ambiente), deporta-se um
quarto da população para o estrangeiro e os que ficam serão sujeitos a novo
programa de fome. A Economia será então auto-regulável, os mercados caminharão
para o eterno óptimo e não haverá mais crises nem bolhas para rebentar. Para
garantir a infalibilidade da receita pode adicionar-se a gosto uma guerrazinha
de vez em quando.Número total de visualizações de páginas
quarta-feira, 20 de novembro de 2013
Os avanços científicos não param
de surpreender, com especial destaque nos últimos tempos para os avanços na
área da Economia, embora alguns discordem da classificação desta como ciência
dado que muitos dos seus princípios não se baseiam em grande investigação
prévia e uma vez adoptados não se procura a sua validação, instalando-se nos
livros pelo mesmo processo que uns ténis Adidas ou Nike conquistam os atletas:
mais publicidade do que propriamente provas dadas. Além disso, uma vez adoptada
a teoria, não importa qual, espera-se obstinadamente que seja a realidade a
conformar-se a esta (o que a teimosa realidade muitas vezes se nega a fazer,
sendo então ignorada pelos sábios), e não o processo inverso como nas demais
ciências. Seja como for, e apesar dos detractores, a Economia é uma ciência e
não tem parado de atordoar o incauto cidadão desde que a crise começou, ou
seja, para usar a colorida linguagem económica, desde que a bolha dos subprimes (ou créditos NINJA) rebentou.
Rebentou a bolha e as nossas poupanças e o nosso futuro mas adiante… A mais
recente descoberta veio por mão do sublime Ministro da Economia do Potentado da
Paelha. Disse o excelso sábio do alto da sua catedrática sabedoria que as
austeridades são boas para os preguiçosos países do sul, não especificando se
são as austeridades económicas se as austeridades que os velhos yoguis do
Oriente faziam para obterem dos deuses poderes especiais, tipo versão antiga do
Super-Homem. Partindo do princípio que se falasse da austeridade económica,
dada a audiência, pode deduzir-se que para recuperar uma economia basta apenas
seguir o mesmo raciocínio das senhoras que no Inverno engordaram uns quilitos
acima da conta e agora não conseguem entrar nos fatos de banho. Com efeito, a
austeridade permite ao estado em apuros eliminar a 100% os gastos sociais e em
desenvolvimento, ficando isso a cargo dos cidadãos, que por terem de pagar
tantos impostos e verem os seus salários cortados até ao size de amostras de modista, não terão com que investir. Também não
terão nada para meter no prato mas esse é o objectivo final. Porque tal como
para as senhoras em dieta o importante é adelgaçar a linha, também o mesmo o é
para as economias. Ou seja, a fome é o melhor remédio para toda e qualquer
crise. E portanto para a saúde dos cidadãos. Porque é que o é, não foi
esclarecido, nem aliás necessita de o ser, foi provado porque alguém o disse e
pronto. O facto de estar provado que a fome é o melhor remédio para a saúde,
suscitou já o interesse da Organização Mundial da Doença, que sua as estopinhas
para extinguir o problema da obesidade, diabetes e outras maleitas que roubam
as nações de divisas e promovem a calanzice entre os cidadãos que se dizem
afectados por elas. Não será assim necessário investir em vacinas para acabar
com epidemias, basta simplesmente sujeitar as populações a um apertado programa
de fome. Morrem os fracos e sobram os fortes (ou os espertalhaços que subornaram
as autoridades e meteram a mão a víveres no mercado negro), o que terá como
agradável consequência a redução de custos nos serviços estatais, que aliás
deverão ser reduzidos a 0, quer haja população ou não. A população, por seu
turno, terá encolhido para níveis toleráveis, com benefícios na redução do
consumo das matérias-primas, pressão sobre os ecossistemas e desemprego, pois
nessa altura todas as mãos serão necessárias, em especial as das crianças que podem
trabalhar por menos da quarta parte do salário dum adulto e não se meterão a
fazer greves pois basta ameaçá-las com um par de lambadas ou queixa aos pais. E
se os pais, sem outro entretenimento senão o de fazer meninos pois não terão
dinheiro para mais nada e a reprodução ainda não paga imposto, gerarem novo
excesso demográfico, a solução é simples: enfiam-se os catraios nas fábricas
insalubres (nessa altura não será preciso proteger o ambiente), deporta-se um
quarto da população para o estrangeiro e os que ficam serão sujeitos a novo
programa de fome. A Economia será então auto-regulável, os mercados caminharão
para o eterno óptimo e não haverá mais crises nem bolhas para rebentar. Para
garantir a infalibilidade da receita pode adicionar-se a gosto uma guerrazinha
de vez em quando.
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