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quarta-feira, 20 de novembro de 2013

Os avanços científicos não param de surpreender, com especial destaque nos últimos tempos para os avanços na área da Economia, embora alguns discordem da classificação desta como ciência dado que muitos dos seus princípios não se baseiam em grande investigação prévia e uma vez adoptados não se procura a sua validação, instalando-se nos livros pelo mesmo processo que uns ténis Adidas ou Nike conquistam os atletas: mais publicidade do que propriamente provas dadas. Além disso, uma vez adoptada a teoria, não importa qual, espera-se obstinadamente que seja a realidade a conformar-se a esta (o que a teimosa realidade muitas vezes se nega a fazer, sendo então ignorada pelos sábios), e não o processo inverso como nas demais ciências. Seja como for, e apesar dos detractores, a Economia é uma ciência e não tem parado de atordoar o incauto cidadão desde que a crise começou, ou seja, para usar a colorida linguagem económica, desde que a bolha dos subprimes (ou créditos NINJA) rebentou. Rebentou a bolha e as nossas poupanças e o nosso futuro mas adiante… A mais recente descoberta veio por mão do sublime Ministro da Economia do Potentado da Paelha. Disse o excelso sábio do alto da sua catedrática sabedoria que as austeridades são boas para os preguiçosos países do sul, não especificando se são as austeridades económicas se as austeridades que os velhos yoguis do Oriente faziam para obterem dos deuses poderes especiais, tipo versão antiga do Super-Homem. Partindo do princípio que se falasse da austeridade económica, dada a audiência, pode deduzir-se que para recuperar uma economia basta apenas seguir o mesmo raciocínio das senhoras que no Inverno engordaram uns quilitos acima da conta e agora não conseguem entrar nos fatos de banho. Com efeito, a austeridade permite ao estado em apuros eliminar a 100% os gastos sociais e em desenvolvimento, ficando isso a cargo dos cidadãos, que por terem de pagar tantos impostos e verem os seus salários cortados até ao size de amostras de modista, não terão com que investir. Também não terão nada para meter no prato mas esse é o objectivo final. Porque tal como para as senhoras em dieta o importante é adelgaçar a linha, também o mesmo o é para as economias. Ou seja, a fome é o melhor remédio para toda e qualquer crise. E portanto para a saúde dos cidadãos. Porque é que o é, não foi esclarecido, nem aliás necessita de o ser, foi provado porque alguém o disse e pronto. O facto de estar provado que a fome é o melhor remédio para a saúde, suscitou já o interesse da Organização Mundial da Doença, que sua as estopinhas para extinguir o problema da obesidade, diabetes e outras maleitas que roubam as nações de divisas e promovem a calanzice entre os cidadãos que se dizem afectados por elas. Não será assim necessário investir em vacinas para acabar com epidemias, basta simplesmente sujeitar as populações a um apertado programa de fome. Morrem os fracos e sobram os fortes (ou os espertalhaços que subornaram as autoridades e meteram a mão a víveres no mercado negro), o que terá como agradável consequência a redução de custos nos serviços estatais, que aliás deverão ser reduzidos a 0, quer haja população ou não. A população, por seu turno, terá encolhido para níveis toleráveis, com benefícios na redução do consumo das matérias-primas, pressão sobre os ecossistemas e desemprego, pois nessa altura todas as mãos serão necessárias, em especial as das crianças que podem trabalhar por menos da quarta parte do salário dum adulto e não se meterão a fazer greves pois basta ameaçá-las com um par de lambadas ou queixa aos pais. E se os pais, sem outro entretenimento senão o de fazer meninos pois não terão dinheiro para mais nada e a reprodução ainda não paga imposto, gerarem novo excesso demográfico, a solução é simples: enfiam-se os catraios nas fábricas insalubres (nessa altura não será preciso proteger o ambiente), deporta-se um quarto da população para o estrangeiro e os que ficam serão sujeitos a novo programa de fome. A Economia será então auto-regulável, os mercados caminharão para o eterno óptimo e não haverá mais crises nem bolhas para rebentar. Para garantir a infalibilidade da receita pode adicionar-se a gosto uma guerrazinha de vez em quando.

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