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quarta-feira, 13 de novembro de 2013

Na Monarquia dos Raviólis houve um novo sarrabulho, mais uma vez por causa o rei D. Cannelloni II, chefe da comunicação local desta monarquia e também Padrinho da sociedade local por mais de 20 anos e que mesmo em posição subalterna continua a mandar nos destinos da nação. Quer dizer… talvez tenha deixado de mandar, os sinais que chegam da capital dos Raviólis são muito confusos. Na sequência de trapaças várias em que D. Cannelloni II se acha envolvido, incluindo prostituição de esparguetinas menores e que, novidade jamais vista no reino, chegaram a tribunal para, pasmo ainda maior, aí serem condenadas, os conselheiros e chanceleres decidiram arrancar o amo do trono para que a pátria não sofra ainda mais má-fama nos fóruns internacionais. Estes pruridos são incompreensíveis em certos países como por exemplo a branda República dos Nabos onde os líderes têm absoluta liberdade para mentir e intrujar e a doce certeza de serem canonizados no final do mandato; porém, os Raviólis decidiram dar uma de Garibaldi e vá de avançarem para o despejo da real figura, até porque esta lhes garantira que se fosse condenado sairia calmamente de cena, sem deitar à fogueira da Inquisição o governo recém-criado após enormes trabalhos, abstinências, orações e peregrinação ao santuário local, por parte do seu chanceler-mor. Só que D. Cannelloni II é monarca de brios e quando viu que os conselheiros falavam a sério (mais uma vez os lorpas tinham-lhe acreditado na palavra) chamou os seus cavaleiros, dando-lhes ordem de prender despejantes e despejá-los nas masmorras. Os cavaleiros ficaram muito consternados não porque esperassem grande coisa do governo ou, já que falamos nisso, do futuro mas… então palavra de rei agora voltava atrás?! De acordo que se tratava de D. Cannelloni II, famoso por dar o dito por não dito (não tanto como certos políticos da República dos Nabos, apesar de tudo) mas era palavra de rei! Os cavaleiros mais novos entreolhavam-se e fitavam os mais velhos, que por experiência acumulada deviam saber o que fazer mas estes sentiam-se igualmente confusos. Quanto ao chefe da tropa, começou-se-lhe a ver um rubor subir de baixo para cima como se houvesse fornalha de ferreiro ali ao fundo do assento da armadura. Quando o rubor chegou aos cabelos e todos esperavam ver-lhe sair fumo pelas orelhas, o nobre cruzado cruzou os braços e disse: “Lamento, meu rei, mas hei dever de fazer cumprir a palavra de Sua Majestade, logo não prenderei os chanceleres.” O rei não gostou e fez ameaças. Quatro cavaleiros apressaram-se logo a obedecer mas os outros, talvez por serem novos e a abarrotar de ideias dos romances de gesta, outalvez cansados da eterna bagunça do reino (todas as conjecturas são possíveis visto estes terem recusado explicações aos nossos “plebeus” repórteres) puseram-se ao lado do cavaleiro-mor. Após longo braço-de-ferro ou antes, olhar-de-ferro entre rei e rebelde-chefe, o rei disse: OK, vamos a votos! Mandaram reunir as cortes e... as cortes votaram pela expulsão do rei, o qual deverá agora ser conduzido a casa, onde passará o tempo em doce prisão domiciliária, com todos os confortos, pois um rei que violou a lei é apesar de tudo um rei, mesmo se deposto, e não pode roçar costelas com presidiários normais, plebeus e republicanos, quiçá anarquistas. Até porque se corre o risco do real fora-da-lei ir ensinar muita coisa aos criminosos de delito comum que estes jamais sonharam obrar. Por enquanto o rei ainda não saiu do palácio pois anda à cata da sua boneca de borracha em tamanho real, dos chinelos de seda com pompons, do telemóvel secreto para continuar a gerir os negócios, incluindo os políticos, a partir da prisão caseira, e do seu ursinho de peluche. No reino vive-se entretanto em perplexidade por esta rebelião de caserna e nas tascas e poisos de pescadores à linha fazem-se apostas sobre qual dos cavaleiros rebeldes irá dar a volta às cortes e auto-coroar-se novo rei dos raviólis.

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