
Na Monarquia dos Raviólis houve
um novo sarrabulho, mais uma vez por causa o rei D. Cannelloni II, chefe da
comunicação local desta monarquia e também Padrinho da sociedade local por mais
de 20 anos e que mesmo em posição subalterna continua a mandar nos destinos da
nação. Quer dizer… talvez tenha deixado de mandar, os sinais que chegam da
capital dos Raviólis são muito confusos. Na sequência de trapaças várias em que
D. Cannelloni II se acha envolvido, incluindo prostituição de esparguetinas
menores e que, novidade jamais vista no reino, chegaram a tribunal para, pasmo
ainda maior, aí serem condenadas, os conselheiros e chanceleres decidiram arrancar
o amo do trono para que a pátria não sofra ainda mais má-fama nos fóruns
internacionais. Estes pruridos são incompreensíveis em certos países como por
exemplo a branda República dos Nabos onde os líderes têm absoluta liberdade
para mentir e intrujar e a doce certeza de serem canonizados no final do
mandato; porém, os Raviólis decidiram dar uma de Garibaldi e vá de avançarem
para o despejo da real figura, até porque esta lhes garantira que se fosse
condenado sairia calmamente de cena, sem deitar à fogueira da Inquisição o
governo recém-criado após enormes trabalhos, abstinências, orações e
peregrinação ao santuário local, por parte do seu chanceler-mor. Só que D. Cannelloni
II é monarca de brios e quando viu que os conselheiros falavam a sério (mais
uma vez os lorpas tinham-lhe acreditado na palavra) chamou os seus cavaleiros,
dando-lhes ordem de prender despejantes e despejá-los nas masmorras. Os cavaleiros
ficaram muito consternados não porque esperassem grande coisa do governo ou, já
que falamos nisso, do futuro mas… então palavra de rei agora voltava atrás?! De
acordo que se tratava de D. Cannelloni II, famoso por dar o dito por não dito
(não tanto como certos políticos da República dos Nabos, apesar de tudo) mas
era palavra de rei! Os cavaleiros mais novos entreolhavam-se e fitavam os mais
velhos, que por experiência acumulada deviam saber o que fazer mas estes sentiam-se
igualmente confusos. Quanto ao chefe da tropa, começou-se-lhe a ver um rubor
subir de baixo para cima como se houvesse fornalha de ferreiro ali ao fundo do
assento da armadura. Quando o rubor chegou aos cabelos e todos esperavam
ver-lhe sair fumo pelas orelhas, o nobre cruzado cruzou os braços e disse:
“Lamento, meu rei, mas hei dever de fazer cumprir a palavra de Sua Majestade,
logo não prenderei os chanceleres.” O rei não gostou e fez ameaças. Quatro
cavaleiros apressaram-se logo a obedecer mas os outros, talvez por serem novos
e a abarrotar de ideias dos romances de gesta, outalvez cansados da eterna
bagunça do reino (todas as conjecturas são possíveis visto estes terem recusado
explicações aos nossos “plebeus” repórteres) puseram-se ao lado do
cavaleiro-mor. Após longo braço-de-ferro ou antes, olhar-de-ferro entre rei e rebelde-chefe,
o rei disse: OK, vamos a votos! Mandaram reunir as cortes e... as cortes
votaram pela expulsão do rei, o qual deverá agora ser conduzido a casa, onde
passará o tempo em doce prisão domiciliária, com todos os confortos, pois um
rei que violou a lei é apesar de tudo um rei, mesmo se deposto, e não pode
roçar costelas com presidiários normais, plebeus e republicanos, quiçá
anarquistas. Até porque se corre o risco do real fora-da-lei ir ensinar muita
coisa aos criminosos de delito comum que estes jamais sonharam obrar. Por
enquanto o rei ainda não saiu do palácio pois anda à cata da sua boneca de borracha
em tamanho real, dos chinelos de seda com pompons, do telemóvel secreto para
continuar a gerir os negócios, incluindo os políticos, a partir da prisão
caseira, e do seu ursinho de peluche. No reino vive-se entretanto em
perplexidade por esta rebelião de caserna e nas tascas e poisos de pescadores à
linha fazem-se apostas sobre qual dos cavaleiros rebeldes irá dar a volta às
cortes e auto-coroar-se novo rei dos raviólis.

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