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sábado, 23 de novembro de 2013

O Fundo Mundial da Agiotagem, que vive num universo alternativo de gabinetes de luxo cheios de metais, cromados e puxadores dourados, com janelas panorâmicas para os centros arrumadinhos de grandes cidades mas apesar de viver nesse outro universo de ficção não tem qualquer óbice a dar palpites sobre a legislação civil, política, laboral e social dos países por ele afectados (estamos novamente com problemas no processador de texto, queríamos dizer: auxiliados) acaba de descobrir a forma de dar corda ao comércio e ressuscitar economias mortas e a caminhar para múmias. A fórmula consiste em levar as lojas de venda a retalho e de bairro à falência e depois mandá-las abrir ao público – mesmo sem empregados, patrão ou mercadoria – nos dias de descanso que consoante os países serão os domingos, sábados ou sextas-feiras ou, no País das Vacas Sagradas, de cada vez que há um feriado oficial ou um puja ou o dia que calhe ser o sagrado na religião do antigo lojista. A experiência, para ser implementada desde já com carácter de urgência na Democracia da Moussaka, que foi aliás escolhida para palco de interessantíssimas experiências económicas conduzidas pela Tripeça, a que pertence o Fundo, deixou muito surpreendidos os antigos lojistas, que também já estão a fazer as malas para emigrarem, pois na Moussaka só terão futuro a fazer de esqueletos, que é como quem diz, tijolo na Quinta das Tabuletas. E isto se as famílias tiverem pilim para o funeral. Mas os moussakenses são um povo habituado a dificuldades, empreendedor e criativo, apesar de muitos dizerem o contrário. De facto até empreenderam que tinham de ser independentes do Império dos Dervixes Rodopiantes quando todos os grandes impérios da actual União lhes diziam para aguentarem pianinho. E lá o conseguiram, razão porque agora, sempre que podem, fecham as portas nos narizes dos dervixes. Deixando as malas meio abertas, os moussakenses começaram a ir a casa dos vizinhos também lojistas (o negócio é desporto nacional na Moussaka) pois já nã’ há pilim p’ra telemóvel, e deram corda não apenas aos sapatos mas à imaginação. Houve reuniões destas em cada esquina, café, praça e bar de rebentiko, e para alegria dos dirigentes políticos moussakenses, os lojistas ergueram-se à altura do desafio patriótico. Assim, comunicaram de imediato ao Fundo Mundial da Agiotagem e à Tripeça a lista de novas mercadorias que pretendem pôr à disposição dos turistas (já que os nativos nem p’ás migalhas bolorentas têm cheta), solicitando a indicação das regras de acondicionamento e embrulho dos produtos, dimensão de cada unidade, mínimos de qualidade sanitária e taxas e impostos a incluir no preço de venda ao público, embora tivessem alguma dificuldade para decidir se deviam remeter a lista para a Cidade do Tacho/Couve-de-Bruxelas se para o planeta Vulcano, do Dr. Spok. Assim os novos produtos a vender como recordação turística são:
        Sonhos desfeitos – à peça ou por atacado, em todas as cores e tamanhos.
        Futuros mortos – com caixão devidamente decorado com motivos tradicionais de cada área típica do país.
        Ar (incluindo o ar-que-lhe-deu) – em formatos Poluição de Antenas, Fogos-de-Estio, Brisa Marinha, Perfume-de-Cicuta e outros aromas à escolha do freguês (não confundir com perfumes pois esses são exclusivo doutra República e não queremos cenas com direitos de autor); em caixas pequeninas, pequenas, médias grandes e XXXL (com desconto especial para os batatenses mais anafados).
        Buracos – nas solas, no estômago, nos ossos, na roupa. Em formatos típicos e ao gosto do cliente Também se bordam buracos com coloridos motivos tradicionais desde que o cliente traga as linhas e agulhas pois nós cá já as vendemos todas aos penhores p’ra pagar o pão dos catraios.
        Vazio – ao sabor da atmosfera de cada loja que quando estiver aberta só deverá ser capaz de se encher do dito, devidamente cercado pelas paredes e pelo tecto, e isto se estas ou o dito não tiverem eles próprios buracos ou não caírem em cima dos clientes por impossibilidade de manutenção.
        Pedra – mas o cliente tem de trazer a maconha pois já nã conseguimos fiado dos candongueiros.
        Amanhã vamos embora – por isso escusam de cá voltar. Vendemos suspiros de saudade a todo o turista que os queira, para pagarmos as meias solas p’ra cavar a salto p’ra qualquer sítio.
Como para estas actividades se espera que todos os moussakenses compareçam nas lojas aos domingos e as igrejas fiquem por este modo desertas, para evitar o desemprego da classe sacerdotal, sugerimos que os popes ortodoxos de cada paróquia – e os de todos os outros cultos, já agora, que isto quando toca a desempregar todos contam – se auto-empreguem a polir as pratas dos ícones (entretanto substituídas por prata de caramelos de contrabando).
Fonte: artebizantina.blogspot.pt
 

sexta-feira, 22 de novembro de 2013

Acabamos de saber de fonte seguríssima (estava metido numa camisa-de-forças) que o nosso ex-ministro das finanças do nabal, e que conhecemos carinhosamente por Doido de Rilhafoles, acaba de realizar uma espectacular fuga do manicómio, tendo procurado refúgio nos braços dos seus padrinhos Professor Tímido e a excelentíssima Toutiço Despenteado (da República Federal das Batatas, não esquecer) ambos neste momento na Cidade-da-Couve-de-Bruxelas/do Tacho, dependendo de se lêem em valão ou queijo flamengo. Foi uma reunião muito emotiva, em que o querido Doido contou por entre lágrimas e soluços (e uma ou outra crise de dupla personalidade) as sevícias que lhe tinham feito no manicómio, em especial a horrível tortura de o impedirem de usa a sua folha de Excel para matar o tempo. A Toutiço Despenteado, famosa pela sua dureza face à fome dos “pedintes do sul”, mandando-os trabalhar, verteu abundantes lágrimas (o que só mostra como os batatenses até são boas pessoas e se preocupam com os estrangeiros) e prometeu que o iria ajudar embora, como é seu hábito, não tenha passado da declaração de boas intenções, remetendo-se à sua acção habitual que consiste em… não fazer nada e esperar que a maré acalme. O Professor Tímido, esse, sendo filho de um dos temperamentais povos do sul e tendo grande apreço pelo seu compatriota, deu-lhe uma bela refeição, vários cocktails para o manter quieto no mesmo sítio e pôr-se a fazer telefonemas para aqui e para ali. Após suar durante várias horas, pousou o telefone e a sua face resplandecia. “Resolvi-te o problema, Gaspinho”. O nosso querido Doido qui saber se o padrinho mandara a força que anda a vigiar a Ilha dos Mortos e a deixar afundar as barcas de estrangeiros mesmo ali à mão sem mexer uma palha para salvar os náufragos, fora enviada para afundar o manicómio. “Não, Gaspinho, muito melhor. Eu e aqui a tua querida madrinha e führerin achamos que a melhor terapia para ti é o trabalho” declaração que não agradou lá muito ao Gaspinho pois ele seria doido mas também não exagerássemos! “Vais trabalhar aqui num gabinete ao lado do meu, bem mobilado, bem alcatifado, com 5 secretárias com as medidas que tu gostas e uma vista panorâmica de penthouse sobre a cidade, o que achas?”. O Gaspinho desconfiou da fartura. Da última que lhe tinham prometido mundos e fundos ele acabara trancado em Rilhafoles. Mas o padrinho era suficientemente poderoso para mandar os de Rilhafoles virem-no buscar. “Oh, estou ansioso por começar, padrinho. O que tenho de fazer?” “O mesmo que fizeste no nabal, Gaspinho. Dar cabo de tudo. Vais tomar conta da taxação do comércio online, pois tens um especial talento para taxar. E nós estamos a ter cada vez mais súbditos a fazerem compras online, é um mercado em crescimento mas o que infelizmente não é boa notícia é que estes súbditos sem qualquer pingo de patriotismo vêm onde é mais barato e compram fora da União. Quero que ponhas um fim a isto. Que afundes definitivamente a economia online. És a nossa melhor arma na guerra contra aqueles intrometidos da República dos Hambúrgueres. Não fiques assim, Gaspinho” pois o padrinho percebeu que o jovem desejaria talvez uma coisa de maior vulto, quiçá no Banco Central da União “Por agora, e enquanto andam à tua procura por todo o lado, o melhor é manteres um low profile”. “As melhores armas numa guerra são aquelas que ninguém vê”, disse a madrinha. Gaspinho olhou para a Toutiço Despenteado, pensou c’os seus botões que os batatenses eram mesmo bons no que tocava a guerras e se afinal era duma guerra que se tratava, se ele era a arma secreta perfeita... “Aceito, padrinhos, muito obrigado!”, e lançou-se a eles, que tentaram fugir com receio dalgum ataque de loucura violenta, mas ele apenas os apertou com toda a força, muito comovido. Estava de volta! Após esta ternurenta cena só podemos concluir que o problema do desemprego não é afinal a economia estar a afundar a todo o vapor e as empresas, lojas e tudo o mais estar a fechar ou a abrir falência mas sim os desempregados não serem suficientemente doidos. Por esta razão, e para combater tal flagelo social, o Manicómio de Rilhafoles abriu já cursos de formação com contacto direito com a vida real (a dos internados) para criar novos malucos. Caso o projecto seja muito bem-sucedido, a República dos Nabos está já a estudar linhas de crédito para lançar o curso em todo o espaço da União.

quinta-feira, 21 de novembro de 2013

O caro ministro da Economia da República dos Nabos, que enlouqueceu e foi exilado para Rilhafoles para não causar ainda mais danos à economia local, embora sem grande efeito pois a dita cuja continua em coma e à beira de 2ª transfusão vampírica, conseguiu ontem por mercê duma falha na segurança, assenhorar-se do sistema de comunicação rádio do hospício e debitou para quem o calhou a ouvir uma palestra sobre a crise na União das Hortaliças. A palestra foi rapidamente interrompida pela irritada segurança mas ainda assim conseguiu chegar aos jornais e à Rede-de-Pesca, gerando preocupação e perplexidade entre os analistas e o desvario nos especuladores financeiros. Estes últimos, aliás, nunca estiveram tão bem desde que a crise começou porque, com a incerteza e o desaparecimento progressivo de leis de regulação dos mercados, dos direitos laborais e civis, nunca como agora está o ambiente bom para os negócios especulativos, quanto mais especulativos melhor, como nos informou um consultor deste tipo de negócios à saída da bolsa. Declarou ele que a moeda única da União das Hortaliças está cheia de bicho, pelo que as contas no Excel realizadas com esta divisa dão sempre erro. E que assim sendo, se devia mudar a moeda ou trocá-la por uma hortaliça nova, talvez os alhos, mas dos biológicos pois os de supermercado embora não apanhassem bicho, como é normal nos alhos, mesmo assim apodreciam. De seguida deu largas à sua revolta por as hortaliças periféricas terem a sua cotação dependente apenas dos humores financeiros e que não deviam ser preguiçosas, pois são elas as únicas responsáveis pela divergência nas taxas de juro e em consequência da crise que mina a União. Na verdade, tendo recebido uma protecção enorme das ramas das hortaliças centrais, e vário do adubo destinado a estas fora cedido a título de empréstimo às periféricas enquanto a rega-bofe durou, não se preocuparam com os juros nem com os défices na balança dos adubos que tal situação inevitavelmente criara. Ou seja, a crise é da absoluta responsabilidade das hortaliças periféricas, ou antes, da absoluta falta dela. E disse ainda, antes dos enfermeiros-seguranças lhe meterem a unha o levarem para o quarto de paredes acolchoadas, que havia uma demoníaca possessão nos mercados, que gerava a infernal espiral depressiva mundial que afundava países e fazia as alegrias das farmacêuticas devido à estratosférica subida na venda de para todas as idades. E que os veículos facilitadores dessas possessões, eram os governos, pois tinham-se endividado como malucos perante os bancos e agora que as coisas já não iam bem, eram os pobres dos bancos a serem apanhados na teia dos maus espíritos. Nesta altura os enfermeiros conseguiram enfiar-lhe o colete-de-forças e tapar-lhe a boca com uma ligadura, embora ainda se escutassem durante vários minutos nas ondas do éter os ruídos abafados da bulha para dominar o cliente. Os analistas políticos e económicos estão agora suspensos da explicação ao eventual ministério de como é que foram os governos os responsáveis pela crise se tudo começou por causa dos empréstimos subprime, falência do banco internacional Irmãos Limão, bombas financeiras com lucros ao melhor estilo casino só para alguns contra o interesse de longo prazo de todos, e as ajudas financeiras que os estados estão a receber serem não para sustentar a economia produtiva mas para apoiar os bancos e respectivos sapos e outra fauna tóxica. O mistério está a fazer com que numerosos doutorandos em economia estejam já a mudar os temas das suas teses para a questão: bancos faliram mas os governos são os culpados?
Fonte:lacm.org.pt
 

quarta-feira, 20 de novembro de 2013

Os avanços científicos não param de surpreender, com especial destaque nos últimos tempos para os avanços na área da Economia, embora alguns discordem da classificação desta como ciência dado que muitos dos seus princípios não se baseiam em grande investigação prévia e uma vez adoptados não se procura a sua validação, instalando-se nos livros pelo mesmo processo que uns ténis Adidas ou Nike conquistam os atletas: mais publicidade do que propriamente provas dadas. Além disso, uma vez adoptada a teoria, não importa qual, espera-se obstinadamente que seja a realidade a conformar-se a esta (o que a teimosa realidade muitas vezes se nega a fazer, sendo então ignorada pelos sábios), e não o processo inverso como nas demais ciências. Seja como for, e apesar dos detractores, a Economia é uma ciência e não tem parado de atordoar o incauto cidadão desde que a crise começou, ou seja, para usar a colorida linguagem económica, desde que a bolha dos subprimes (ou créditos NINJA) rebentou. Rebentou a bolha e as nossas poupanças e o nosso futuro mas adiante… A mais recente descoberta veio por mão do sublime Ministro da Economia do Potentado da Paelha. Disse o excelso sábio do alto da sua catedrática sabedoria que as austeridades são boas para os preguiçosos países do sul, não especificando se são as austeridades económicas se as austeridades que os velhos yoguis do Oriente faziam para obterem dos deuses poderes especiais, tipo versão antiga do Super-Homem. Partindo do princípio que se falasse da austeridade económica, dada a audiência, pode deduzir-se que para recuperar uma economia basta apenas seguir o mesmo raciocínio das senhoras que no Inverno engordaram uns quilitos acima da conta e agora não conseguem entrar nos fatos de banho. Com efeito, a austeridade permite ao estado em apuros eliminar a 100% os gastos sociais e em desenvolvimento, ficando isso a cargo dos cidadãos, que por terem de pagar tantos impostos e verem os seus salários cortados até ao size de amostras de modista, não terão com que investir. Também não terão nada para meter no prato mas esse é o objectivo final. Porque tal como para as senhoras em dieta o importante é adelgaçar a linha, também o mesmo o é para as economias. Ou seja, a fome é o melhor remédio para toda e qualquer crise. E portanto para a saúde dos cidadãos. Porque é que o é, não foi esclarecido, nem aliás necessita de o ser, foi provado porque alguém o disse e pronto. O facto de estar provado que a fome é o melhor remédio para a saúde, suscitou já o interesse da Organização Mundial da Doença, que sua as estopinhas para extinguir o problema da obesidade, diabetes e outras maleitas que roubam as nações de divisas e promovem a calanzice entre os cidadãos que se dizem afectados por elas. Não será assim necessário investir em vacinas para acabar com epidemias, basta simplesmente sujeitar as populações a um apertado programa de fome. Morrem os fracos e sobram os fortes (ou os espertalhaços que subornaram as autoridades e meteram a mão a víveres no mercado negro), o que terá como agradável consequência a redução de custos nos serviços estatais, que aliás deverão ser reduzidos a 0, quer haja população ou não. A população, por seu turno, terá encolhido para níveis toleráveis, com benefícios na redução do consumo das matérias-primas, pressão sobre os ecossistemas e desemprego, pois nessa altura todas as mãos serão necessárias, em especial as das crianças que podem trabalhar por menos da quarta parte do salário dum adulto e não se meterão a fazer greves pois basta ameaçá-las com um par de lambadas ou queixa aos pais. E se os pais, sem outro entretenimento senão o de fazer meninos pois não terão dinheiro para mais nada e a reprodução ainda não paga imposto, gerarem novo excesso demográfico, a solução é simples: enfiam-se os catraios nas fábricas insalubres (nessa altura não será preciso proteger o ambiente), deporta-se um quarto da população para o estrangeiro e os que ficam serão sujeitos a novo programa de fome. A Economia será então auto-regulável, os mercados caminharão para o eterno óptimo e não haverá mais crises nem bolhas para rebentar. Para garantir a infalibilidade da receita pode adicionar-se a gosto uma guerrazinha de vez em quando.

terça-feira, 19 de novembro de 2013

hypesicence.com
O Instituto de Profissões Alternativas, apresentou os resultados dum estudo que realizou a nível mundial, com vista a descobrir novos nichos de mercado para os desempregados, a começar para os cientistas e estatísticos desempregados que conduziram o referido estudo. Embora as oportunidades variem significativamente entre áreas geográficas, existe uma profissão que está no topo de todas as preferências: a de micróbio patogénico. Com efeito, se no meado do século passado esta profissão estava em franca regressão e até ameaçada de extinção nalgumas variantes, graças às novas políticas económicas impostas no mundo e aos desentendimentos geopolíticos, sem contar com o abate de antigas florestas em que micróbios ancestrais e muito envergonhados – porque muito letais – se escondem, a recuperação desta profissão foi fulgurante e promete hoje um futuro radioso a quem a abrace (ou beije, ou troque seringas ou…) Talvez um dos melhores locais para se ser micróbio neste momento seja o País das Flautas, sito na zona montanhosa do Continente das Frutas. Neste país que passou por várias guerrilhas locais e internacionais, o Fundo Mundial da Agiotagem veio consertar as contas furadas pelas guerras, usando as políticas do costume. Descobrindo que os nativos tinham hábitos de desperdício de água, o Fundo chamou uma empresa amiga, da União das Hortaliças, para resolver o problema a preços de mercado e promover a poupança, pois a água é um recurso escasso. A empresa em questão fez de facto um trabalho meritório: abriu valas para os canos, instalou torneiras e caixinhas muito engraçadas tipo contador, enfim, luxos que os selvagens flautistas nunca tinham visto na vida e talvez nem mereçam. É verdade que em muitos casos as valas foram deixadas abertas e nunca levaram canos mas, ao contrário do que dizem os ingratos flautistas, estas não são um risco de vida e sim uma interessante mais-valia para a paisagem, pois permitem que as crianças caiam lá dentro e joguem às escondidas e que os adultos melhorem a sua robustez física saltando por cima delas quando regressam do trabalho, isto se quiserem chegar a casa. Ginástica diária e gratuita, o que querem vocês mais? Mas os flautistas, esses ingratos, protestam que abrem as torneiras e a água não sai. A empresa, incansável benemérita, explicou já que para haver água é preciso pagar. E como está sedeada na União das Hortaliças, os preços são ao valor de mercado do país mais rico da União, o que é justo. Afinal a pobre empresa não tem culpa se os flautistas ganham em 3 anos o que se exige por metro cúbico de água na União. Este investimento produziu vários e excelentes resultados: sem direito a água, nunca os flautistas pouparam como agora, tendo-se atingido uma poupança média de 100% por agregado familiar, ocupando-se as mulheres a irem buscar água ao rio inundado de esgotos, sito a 20 kms de distância das suas casas. O facto de em termos nacionais não se registar qualquer poupança (os relvados e piscinas dos senhores importantes do país necessitam de muita água) é um fenómeno que ainda não está devidamente esclarecido. Mas o melhor resultado ocorreu ao nível da taxa de emprego. Sem água para os ameaçar, os micróbios entraram em massa no país, desatando a matar a torto e a direito. Com grande parte da população morta, os que restaram puderam encontrar trabalho e a taxa de ocupação está agora nos 50% dado que os outros 50 ou estão muito ocupados a morrer ou são velhotes e crianças demasiado pequenas para vergarem a mola na estiva. A produtividade do país também cresceu imenso pois nunca como agora se constroem e vendem caixões de todos os tamanhos e feitios. Os micróbios estão já a chamar amigos e parentes do mundo inteiro, transformando este pequeno e atrasado cantinho num lar cosmopolita onde se morre em todas as línguas. O País das Flautas tornou-se a meca de todos os desempregados com iniciativa suficiente para abandonarem as suas inúteis profissões de antanho e se reciclarem em micróbios. Caso falhem a reciclagem, ou não tenham iniciativa, sempre podem aí morrer com doença à sua escolha. Deste modo a economia mundial será sanada do seu mais terrível flagelo: os queixinhas que dizem que não têm trabalho.

sábado, 16 de novembro de 2013

O Charco do Milho acaba de revolucionar as ciências médicas e também as espirituais (profissionais do esotérico, apressem-se a fazer pós-docs. no Charco do Milho, que isto de ser doutor e professor astrólogo-vidente já foi chão que deu uvas). Depois da morte do Querido Líder vários fenómenos paranormais têm ocorrido, a começar pelo colapso económico, que gerou falta de carne, arroz e manteiga, já para não falar do papel para os jornais (mas quem precisa deles senão para embrulhar o peixe?) e que o novo líder sabiamente identificou como sendo manobras contra-revolucionárias e não o resultado de que as pessoas não têm dinheiro para comprar o necessário para produzir o que precisam de produzir. Porém o mais extraordinário fenómeno, ainda mais extraordinário porque recorrente, é a aparição do defunto Querido Líder nas formas mais variadas, desde manchas de bolor e de tinta nas paredes – uma boa justificação para a degradação das pinturas dos prédios, por falta de dinheiro para pagar as tintas e os pintores – a torradas e bolos cujos erros de cozedura oferecem agora fotografias do Querido Líder, como em outros países sucede com a Virgem. O novo líder, aliás, é mais um destes fenómenos pois está sempre a revelá-los, e a explicá-los aos súbditos embasbacados que não sabem bem se é verdade o que estão a ouvir ou se os ouvidos estão com alucinações já que alvitrar em público que o Sr. Presidente está gagá, é… um tanto ou quanto perigoso. Seja como for, o novo líder, se não for capaz de dirigir o país, tem futuro certo como líder dos fiéis do Dr. Kardek. Com efeito, há 3 dias atrás, ele chamou todos os órgãos de informação nacional (pagando-lhes o táxi até ao palácio presidencial já que estes nem têm verba para fotocópias na tabacaria da esquina, menos ainda para pagar às tipografias) e também convidou para o importante evento algumas noticiosas de países amigos ou que pelo menos não dizem coisas feias sobre ele. Tinha uma importantíssima declaração a fazer ao mundo: acabara de encontrar um varredor no metro que lhe confidenciara ser o falecido Querido Líder. E com efeito, disse o novo líder, era mesmo ele, tinha-o reconhecido logo. Haviam-se abraçado efusivamente, cheios de saudades, e o novo líder quis saber como era o Outro Mundo O camarada presidente-varredor disse-lhe maravilhas da vida comunitária no Paraíso onde toda a gente é igual, essa conversa de santos e filhos favoritos à direita do pai é conversa obscurantista dos imperialistas. Não foi dito mas soubemos por confidência de amigos íntimos, que o novo líder cortara abruptamente a conversa sobre as comunitárias maravilhas celestiais quando o varredor lhe confessou ao ouvido que fora expulso do Paraíso por tentar fazer uma revolução para depor o Pai, e agora encarnado como varredor tinha dez filhos famintos na barraca, o camarada presidente não faria o favor de lhe dar alguns trocos? Não sabemos o que o novo líder lhe disse mas soubemos que nessa mesma noite uma carrinha sem matrícula apareceu no bairro da lata e levou o pedincholas para destino desconhecido pois no feliz Charco do Milho é anti-revolucionário andar a pedir p’rá caridade. Quem tem fome, procure nas sarjetas. Talvez perturbado por este evento, o novo líder discursava hoje num comício, à plena torreira do sol já por mais de quatro horas quando subitamente a voz se lhe entaramelou, os olhos se lhe vidraram de lágrimas – os médicos de serviço acorreram ao palanque prontos a tratar uma insolação – e o novo líder aponta para um pássaro no céu, que acabava de lhe deixar cair uma poia no alto do toutiço e com voz arrasada pela emoção, declarou aos fiéis: “vejam, irmãos… perdão, camaradas! Vejam! Eis o nosso Querido Líder que voltou! Ei-lo ali, livre, a voar como a nossa revolução! Ei-lo ali sob a forma desse lindo pássaro!” (o que foi uma tristeza para os maduros que já apontavam as espingardas para meterem o bicho no prato). Após este avistamento, o Querido Líder já reencarnou como gato vadio, cão fraldiqueiro, cavalo coxo e boi desencabrestado. Espera-se que, para honrar o mito de Taliesin, reencarne ainda sob a forma de peixe e de bago de milho. Os miúdos de rua já disseram que estão a dar o litro para encontrar o peixe e se apanharem o bago de milho o transformam em pipoca.
 


Após o tremendo sucesso da empresa Cábulas e Amigos do Tinto Somos Nós no seu trabalho pericial extremamente aprofundado e apresentado como um Guião da Reforma do Estado do nabal, o filão das reformas do estado (sugerimos que não seja com valores de reformas douradas) e reestruturação das empresas está em plena expansão, tendo caído em cima dele um verdadeiro enxame de garimpeiros, mais denso do que os das borboletas monarca nas suas árvores de invernada no México. Tradicionalmente as reestruturações das empresas (isto é, fecho, despedimento em massa de operários, agora chamados de colaboradores para não dar uma imagem de forte relação contratual ao assalariado, desvio das contas bancárias para offshore/paraíso fiscal e relocalização de fábricas no 3º mundo com recrutamento local de mão-de-obra escrava) davam grandes sobressaltos e mobilizavam os sindicatos para acções de protesto que tinham por mau hábito abrirem os telejornais. Mas desde que a Cábulas e Amigos do Tinto Somos Nós apresentou o seu Guião de Reforma do Estado que deu origem a uma gargalhada geral no nabal e pôs todos os alunos dos liceus locais a partir os vidros e a rasgar os pneus dos carros dos professores, em protesto por serem estes “demasiado exigentes na questão da treta das referências bibliográficas”,toda a gente passou a encarar a questão da reforma e reestruturação de instituições de modo muito mais científico. E de imediato houve uma corrida aos especialistas, com especial destaque para o CEO da “Cábulas e Amigos do Tinto”,o brilhante professor-doutor Portas Ibn-Portões. Contudo, como o bom génio não pode acudir a todos os fogos (nem a todos os pipos de tinto), nos últimos dias o serviço de atendimento da “Cábulas e Amigos do Tinto” recebe os potenciais clientes coma mensagem “pedimos desculpa por não podermos atender à sua solicitação, faça o favor de contactar… (por razões legais relativas a publicidade não podemos publicar as alternativas sugeridas por este atendimento automático). Em breve será notificado para pagamento por Multibanco da despesa referente a esta nossa informação”. Não será assim de espantar que a segunda maior consultora neste ramo seja de amigos e colegas de faculdade e já na altura companheiros de copos do professor-doutor Portas Ibn-Portões, os quais estão precisamente a elaborar um… Guião de Reforma do Estado. Isto poderá surpreender pois após o excelso Guião de Reforma do Estado do professor-doutor, o nabo mais distraído poderá perguntar-se para quê a necessidade de outro. Podemos desde já esclarecer que este guião é muito diferente: está a ser realizado com visitas dos consultores às tascas de todo o nabal, assim como a todas as filas de candidatos para castings da próxima telenovela e visitas aos mercados de peixe, onde se têm armado interessantes peixeiradas após os seus inquéritos; além disso em vez de ser apresentado em papel A4 vulgar, será submetido a apreciação em papel couchécom marca de água exclusiva, devidamente encadernado em carneira, com lombadas repuxadas, relevos na capa, título a letras góticas douradas e iluminuras nos interiores das mesmas. Mas como nem todos podem pagar estes luxos e o nabal é um alfobre de empreendedores, várias outras consultorias têm aparecido como cogumelos após chuva de Outono, e das quais destacamos:
1) Meia-Leca Palma Carteiras Consultores: está a realizar o guião de reforma das polícias.
2) Especialistas de Mercado Negro, Contrafacção de Vinhos e Pastéis de Bacalhau: tem em mãos os guiões da reforma da ASAE, reforma da legislação de higiene e segurança em restaurantes, tascas, bares e similares, reforma das empresas de vinho a martelo incluindo a legislação regulamentadora desta actividade, etc.
3) Júlia dos Caracóis: guião da reforma dos cabeleireiros e barbearias.
4) Tó Fateixa Associados: guião da reforma dos assaltos a casas, lojas, joalharias e automóveis incluindo a legislação que até ao momento tanto tem dificultado esta actividade económica.
5) Becas Bum Bum: não, não faz revisão das bundas mas sim o guião da reforma das regras de segurança a instalações de Multibanco (gasta-se bué a fanar botijas de gás e explosivos p’ra rebentar co’uma destas coisas, p’ra óspois um gajo só pilhar notas sarapintadas, confessou este especialista).
6) Andorinha Avoa-Avoa: consultoria e guião de reforma das viagens e despesas de representação e deslocação de figuras públicas relevantes, familiares e amigos, com vista a que as próximas visitas ao estrangeiro (ou nacionais) destes figurões possam incluir umas retemperantes passagens por praias tropicais, pois que isto de ir a todas cansa muito.


sexta-feira, 15 de novembro de 2013

Vote em Nós para o Guinness (não é a cerveja) da Grande Lata. Oferecemos um Ano de Petromaxes a Preços de Mercado
Dada a importância cada vez maior da responsabilidade ecológica e também social das empresas, foi criado um prémio internacional, uma espécie de Nobel desportivo, chamado Guiness das Empresas Socialmente e Ecologicamente Preocupadas, vulgo Guiness da Grande Lata, mas por favor, assim nos escrevem da Ilha dos Trevos também à brocha com a crise, não confundam esta Guiness com a famosa cerveja celta que já dava que falar no tempo do Asterix. Ao invés dos Nobel, que têm um secreto conclave de decisores para atribuírem anualmente o prémio, neste Guiness a votação está aberta a toda a gente – incluindo os aficionados da bebedeira em caneca – por votação on-line na Rede-de-Pesca. São vários os concorrentes de peso desde a Hambúrgueres R’ Us, que concorre com medidas de apoio às florestas tropicais e campanhas contra a obesidade infantil, ao mesmo tempo que carrega no sal, nos molhos e nos óleos da cozinha, à Bonnet-Todas-As-Cores, que promove campanhas de publicidade contra as condições de insalubridade laboral, tendo fábricas no País dos Alagados sem saídas de emergência em caso de terramoto ou incêndio e os operários são trancados nas salas de confecção para não fugirem sempre que lhes dá na bolha, de cada vez que há um fogo na fábrica ou uma derrocada das instalações e também promete mas nunca dá compensações às famílias das vítimas. A mais recente candidata ao prémio é a ED-Pisca-Pisca, o que muito honra a República dos Nabos e ainda mais o investidor do Império do Arroz, que aliás tem arroz suficiente para subornar os gestores do concurso e colocar esta empresa na lista dos finalistas. Concorre a ED-Pisca-Pisca na modalidade “Oh p’ra Mim, Salvei uma Vida!”, resultado da sua campanha “Quem Não Paga Vive Apagado”. A campanha decorreu na passada semana tendo todo o nabal sido percorrido por técnicos da empresa, apetrechados com alicates e lacres e acompanhados por uma simpática assistente que ia lendo as moradas dos clientes que por óbvia falta de dinheiro (incluindo o necessário para provarem que são indigentes) não conseguem pagar as normalmente astronómicas contas da luz mesmo que já façam quase toda a sua vida à luz de candeia de óleo Fula, que nem p’ró azeite têm pilim. O acto benemérito da ED-Pisca-Pisca ocorreu quando os técnicos do apagão chegaram a uma casa que já conhecera melhores dias mas agora está inteiramente despida de todo o recheio, pois os donos tiveram de o ir vendendo para pagar as contas, dado que estão os 6 há 1 ano e meio a bater a todas as portas para lhes darem um emprego e só recebem negas e também já esqueceram o que é um subsídio de desemprego, porque madraços que não achem trabalho no vasto período de seis meses, deixam de ter direito seja ao que for, para não alimentar vícios. Os únicos móveis eram uns cartões no chão onde se esticava um dos residentes, ligado a um ventilador, com toda a certeza dos de fingir pois os indigentes são craques neste tipo de trapaças. Ora enquanto a boa assistente, mestre em 5 artes marciais, despachava à trancada os outros que suplicavam pela vida do falso doente, o colega foi ao quadro e zás, luz desligada e ventilador também. Foi aí que as coisas se precipitaram: o doente pôs-se a arfar sem aviso e com grande ruído, fez-se roxo e esticou a perna. A família desatou aos uivos, aquilo era assassínio. O homem dos alicates só queria saber onde ficava o freguês que se seguia mas não soube porque a assistente estava muito ocupada a malhar nos uivadores e foi ele quem teve de telefonar para a central, onde o mandaram ir mas era trabalhar ou ainda lhe cortavam o ordenado, a luz e o pio. só que não foi porque os vizinhos lhe deitaram a unha. A assistente, essa continuava a distribuir pantufadas até uma lata de tinta de 30 kg lhe acertar involuntariamente nos queixos. Veio a brigada da polícia e a seguir foi um vai-e-vem de telefonemas entre a esquadra e o chefe de piquete e deste pela hierarquia de chefes acima até aos manda-chuvas do marketing e director geral. Uma hora de brandys mais tarde chegou a ordem para ligarem o ventilado à tomada de emergência pois se esse idiota morrer fará muito estrago à nossa imagem. É claro que o idiota já estava morto e ligá-lo à máquina não lhe mudou o estado civil mas deu para umas lindas fotografias, devidamente editadas no Photoshop para lhe tirar o verdete. De seguida, como o morto já estava morto, desligaram de vez a electricidade pois já não fazia falta. As fotos foram por sua vez publicadas nos jornais online da Rede-de-Pesca, tendo sido ampliadas e melhoradas para serem a abertura dos telejornais, com o grande chefe da ED-Pisca-Pisca em grande plano à sua frente, oferecendo o seu treinado sorriso feliz de pessoa benenmérita iluminado por aura de santidade (embora as más línguas dissessem ser luzes de palco) explicando para sossego dos próximos desligados que: “Somos uma empresa com sensibilidade social. Quando ao desligar o contador numa casa em que não pagavam a luz, sem haver justificação para o facto, pois o certificado de indigência é inválido por ter o carimbo 3 milímetros abaixo do prescrito, e vimos este pobre ligado ao ventilador, não o tirámos da corrente, apenas o direccionámos para uma tomada sem ligação de terra, esperando que a Divina Providência, na próxima trovoada, resolva o assunto”. Daqui saudamos a ED-Pisca-Pisca pela sua benevolente consciência social e invectivamos todos os nossos leitores a serem patriotas e a votarem nela para os Guiness da Grande Lata. A cada votante a ED-Pisca-Pisca oferece um petromax de borla durante um ano (sem petróleo).