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sábado, 14 de dezembro de 2013

Dr. Jekill & Mr. Hyde Voltam à Ribalta
Na Tripeça voltou a instalar-se o desconforto porque o Fundo Mundial da Agiotagem trocou mais uma vez de personalidade e regressou ao seu alter-ego de Dr. Jekill. São notícias perturbadoras para o Banco da União das Hortaliças, o segundo membro da Tripeça,pois se o Fundo Mundial da Agiotagem em vez de fazer agiotagem como consta dos seus estatutos, desatar a fazer caridade e a distribuir bodo e pão aos pobres, como é que os pobres bancos podem fazer os seus negócios com as margens de lucro habituais? É um perigoso risco de retrocesso da economia! Porque bem sabemos, dar bodo aos pobres incentiva-os a não trabalhar, e se isto se passa com as pessoas ainda mais é com os países, donde não se pode ser brando, é preciso reestruturar e cortar as gordurinhas, que isso é bom p’ró colistról e p’r´coraçãe. Por tais profundas razões a Tripeça decidiu tomar medidas e chamou um psiquiatra dos à antiga, que não se importa de usar coletes de força e jactos de agulheta hiper-fria para modificar os comportamentos dos malucos de serviço, embora haja lamechas que digam que estas práticas são tortura, mas não vale a pena preocuparmo-nos com isso, na Tripeça são todos pessoas de bem. Após apurada análise aos seus honorários e um lauto almoço com o seu paciente, o douto psiquiatra pôde tranquilizar as hostes da Tripeça. Não se tratava de problema psiquiátrico nenhum por parte do Fundo Mundial da Agiotagem mas uma simples questão de gestão de imagem. Tudo o que fora mandado fazer aos países em dieta de emagrecimento super-sónico da Top-Model na berra era para continuar a fazer; na verdade é até para fazer muito mais, cortando em tudo o que seja tecido e músculo social, sendo o objectivo a alcançar – sem negociações para baixar os índices – o de se verem livres de metade da população, quer por emigração para países ricos que procurem mão de obra ao preço da uva mijona, quer por alegres campanhas de extermínio chamadas com muito mau gosto de “guerras civis” pois o mercado do armamento tem também andado em crise, embora aos distraídos não pareça nada, e é de premente necessidade e urgência revitalizá-lo. Assim, é tudo para cortar (menos os juros muito baixinhos aos bancos e o seu resgate por parte dos contribuintes) e com ainda maior vigor do que antes para ver se o burro se habitua a viver sem comer, o que a ser alcançado resolverá o problema que já se avista ao longe e que será a falta global de alimentos. O emérito clínico assegurou aos meios de comunicação que o paciente está bem, como provou a fotografia em tamanho poster que mostrou às câmaras, e a sua loucura deve ser incentivada, sendo muito importante deixá-lo falar sobre erros de cálculo e de previsão sempre que lhe apetecer, pois de contrário a loucura pode tornar-se furiosa. Quanto às questões de imagem, aconselha-se apenas à Tripeça que mude de equipa pois os consultores Dr. Jekill & Mr. Hyde estão ultrapassados desde os tempos da Rainha Vitória.
fonte: pt.wikipedia.com
 

sexta-feira, 13 de dezembro de 2013

Os mercados foram recentemente invadidos por bandos de queixinhas, para grande desconforto das vendedeiras do peixe e dos legumes, que já começaram a arrear a giga e estão a arregaçar as mangas para uma valente peixeirada. O tumulto deve-se não apenas ao facto da Micas da Faneca andar numas relações extra-conjugais com o home da Maria da Sardinha e o Tó dos Pêssegos andar a roubar nas facturas do Zé das Costeletas mas, e acima de tudo, pela promessa que o Chefe Paulo fizera de ir baixar o IVA nas vassouras e na água para lavar as bancadas. Só que o IVA não baixou e até há ameaços de que vá aumentar, taxando estes vitais produtos de limpeza do mercado como artigos ainda mais luxuosos que os de luxo. Já se sabia que a comida é um bem de luxo, e como tal assim taxado – pois só consegue arranjá-la quem ainda tem o luxo de possuir muitos carcanhóis no bolso, os outros ficam a vê-las nas montras, tal como aos relógios, roupas e outros acessórios – mas que os produtos de limpeza fossem considerados de luxo precisamente num mercado, que tem de cumprir as esterilizantes recomendações da ASAE… O Manel do Tinto, comerciante de carrascão e aguardente a martelo, tentou acalmar os ânimos lembrando que o Chefe Paulo sempre se atrapalhou com palavras grandes, lembrassem-se só da barafunda que fora a questão do irrevogável fecho do mercado, mas ninguém o ouviu. O Chefe Paulo teve de se trancar à pressa no gabinete da Direcção e neste momento encontram-se cá fora todos os comerciantes com banca no mercado, agitadíssimos, a proferir apupos, assobios e ameaças e também a dar manguitos às janelas sempre que os cabelinhos do Chefe Paulo aparecem no vidro. O Manel do Tinto, muito seguro de si e das suas convicções pacifistas, anda a fazer um negocião a vender penalties e copos de três, que isto duma pessoa ir p’ra uma manif faz sede. Para tentar proteger o chefe, alguns membros da Direcção vieram dar o corpo ao manifesto e queixar-se que a culpa não era do Chefe mas dos senhores estrangeiros que agora são donos do mercado, eles é que não deixaram baixar o IVA das vassouras e da água das limpezas. Também se queixaram de muitas outras coisas, como os senhores em questão teimarem no corte das rendas da electricidade e dos cutelos eléctricos do talho e que se não houver cortes, cortam eles a dita cuja e fica tudo às escuras, de que os vendedores e os fregueses do mercado não compreendem esta nova gestão e tentam sempre arrear na Direcção, que coitada não tem culpa nenhuma, que os fregueses não querem ver que estas novas medidas são para seu bem, para não desatarem a comprar à bruta e viverem acima das suas possibilidades, e depois começaram a queixar-se das canalhices que os outros faziam para ficarem com o cargo mais bem pago na Direcção do mercado e por aí fora, tal e qual como queixinhas do infantário. A coisa pegou com a Micas Faneca, que lhes vendeu o peixe todo a metade do preço (não faz mal porque ela recupera o lucro roubando no peso e aumentando o preço para os outros clientes) mas a Maria das Sardinhas, para contrariar a amásia do marido, voltou-se para o queixinhas que lhe pedia peixe sem IVA e fez-lhe um Bordalo: “Queres fiado, toma!”. Já a Lecas Florista, fina com’ó oiro, fez-se de surda e respondeu à pedinchice com “oh, meu filho, nã te oiço. Disseste qu’as eleições eram quando?” O Chefe Paulo, pelo sim, pelo não, continua trancado na casa de banho, aproveitando para desenvolver a sua cultura geral e linguística com os dísticos que tão castiçamente costumam decorar estes locais de recolhimento.


 

quinta-feira, 12 de dezembro de 2013

Realizaram-se hoje eleições autárquicas no Charco do Milho e o Camarada Presidente/ espírita em part-time, que fala com o Querido Líder encarnado em manchas de tinta, aves e mesa pé-de-galo, sofreu triste surpresa quando lhe anunciaram os resultados. Tão grande na verdade que pensou usar os seus novos poderes presidenciais para anular o sufrágio e decretar que nunca mais durante o seu tempo de vida se tornaria a ir às urnas no Charco. Foi porém impedido por duas razões de peso: a primeira, que apesar do país ser grande produtor de petróleo, não havia pitróilo para fazer funcionar as rádios nem já agora as rotativas – sim, leram bem, no Charco ainda se desconhecem as impressoras laser – ou o papel para imprimir o Diário do Governo com o dito decreto; a segunda foi a de que tantas visões deram tamanha fome ao Camarada Presidente que a sua cintura grácil passou à forma barril e quando conseguiu ser enfiado no carro, o assento afundou, abrindo um buraco na carroçaria, evento que de imediato explicou às televisões reunidas para filmarem o rombo como sendo mais um infame boicote dos inimigos da revolução. Assim, sem eleições anuladas para sempre por poder presidencial, os eleitores puderam seguir a evolução do escrutínio na TV e descobriram que, pelo menos nas zonas mais populosas, o Camarada Presidente levara uma abada das antigas. E isto apesar de ter deixado que a escolha do dia de Natal se fizesse pela popular “raspadinha” e introduzido curiosas inovações económicas como a dos lojistas pagarem aos clientes pelos produtos que estes levem e, em dias de saldos, até ofereçam mais três unidades além das levadas pelos fregueses. O Camarada Presidente, incapaz de deter o curso dos acontecimentos, começou a telefonar para as mesas de voto, querendo muito saber do destino dos votos que tinham sido introduzidos nas urnas à razão de 2 por eleitor, previamente à abertura das secções de voto, mas a resposta era sempre a mesma: “Camarada Presidente, o seu homem de mão deve ter-se enganado no saco dos votos – ou está do lado da oposição – porque não há nenhum desses por cá”. Desesperado, o Camarada Presidente, já a cair de maduro, mandou a polícia política atrás dos homens de mão faltosos mas estes juraram, mesmo após prolongada sessão de tortura, que eram fidelíssimos ao maduro e tinham colocado os votos todos tal como vinham nos sacos selados do Palácio Presidencial. Aqui havia um problema porque fora o próprio Camarada Presidente quem enchera os sacos. E foi então que uma voz conhecida lhe arrepiou a espinha. Virou-se e viu na TV o camarada pássaro-presidente a responder em directo, não apenas aos jornalistas mas também aos telespectadores, os quais nem precisavam de fazer a chamada telefónica de valor acrescentado que passava no rodapé das imagens pois sendo agora espírito, podia ligar-se telepaticamente a todos os seus súbditos. E antes que o Camarada Presidente a cair de maduro agarrasse no telefone – desta não ia pôr-se com avarias espíritas – o camarada pássaro-presidente respondeu, piscando-lhe o olho e erguendo a colorida popa da cabeça: Sei bem o que estás a pensar, meu grande maduro, mas aldrabar as eleições não é democrático. Se querias ganhar, não fosses um forreta com a alpista! E dito isto, levantou voo em direcção à floresta tropical, antes que ela desaparecesse de vez.
 

quarta-feira, 11 de dezembro de 2013

Também na União das Hortaliças os dicionários estão a ser revistos, ou mais exactamente, as directivas que definem o que é um dicionário e quais as palavras que deve conter para cada uma das 27 línguas oficiais (e mais algumas oficiosas, sem contar as dos escritos das casas de banho). E isto por causa da inovação que a república Federal das Batatas e real soberana dos 27 da União está a introduzir no princípio da livre circulação de pessoas e bens, que é suposto ser um dos pilares da União. Ou pelo menos assim foi apresentado aos seus distraídos cidadãos, quando foi preciso levá-los a aprovar mais ou menos à força certos tratados. Assim, em resultado do feliz casamento entre os dois maiores partidos desta República, que pode agora atirar foguetes pois já tem governo, os não-batanteses vão passar a pagar imposto por circularem nas auto-estradas desta República que, como se sabe são verdadeiramente livres pois não se paga por lá andar e pode-se acelerar até Mac 5 que não há problema, excepto para os outros automobilistas que podem ser amassados pelo acelera sem sequer perceberem o que os atingiu. Assim, à entrada das auto-estradas da República Federal das Batatas vão estar além dos habituais separadores e faixas de aceleração, cabines tipo bilheteira onde os automobilistas terão de parar para mostrarem os documentos, como em qualquer normal e já quase esquecida fronteira dos velhos tempos da (des)União. Os cidadãos da União que pertençam ao clube de 1ª (vizinhos ideológicos e raciais dos batatenses) pagarão taxa reduzida de 2%, os cidadãos de 2ª da União taxa moderada de 10%, os cidadãos de 3ª (países do Sul ainda não afundados pela Tripeça) taxa de 40%, os de 4ª (filhos dos países do Sul para sempre endividados à tripeça) taxa de 70% e proibição de circular nas faixas de alta velocidade, os de 5ª categoria (países do Leste pobre) taxa de 90% e só poderão circular na berma; finalmente quaisquer infra-humanos exteriores à União pagarão taxa de 120% e serão terminantemente proibidos de entrar na auto-estrada, sendo varridos para as estradas secundárias para não conspurcarem o digno asfalto batatense, com excepção para os cidadãos do Império do Arroz, da República dos Hambúrgueres e do Império dos ursos, mas estes últimos apenas e só após prova de sólida fortuna pessoal e empresarial (aceitam-se empresas de todo o tipo incluindo a de tráfico de pessoas e assassínio a soldo, desde que a conta bancária tenha pelo menos 6 zeros à frente da unidade e um 5 na 7ª casa). Esta medida, que teria feito as alegrias do Batata Podre se dela se houvesse lembrado, foi já saudada com grandes manifestações de júbilo dos batatenses que agitavam bandeirinhas laranja com os nomes de Angie e entoavam não o wenn alle untreu werden mas um simpático estrangeiros vão circular para as vossas estradas cantando em ritmada barcarola. Houve naturalmente protestos das várias comunidades de emigrantes no país, calados à pedrada pelos bons rapazes da cruz de pernas partidas, pois agora para irem para os empregos têm de perder tempo nas filas dos controlos de passaportes e pagar as taxas tal e qual como se fossem apenas turistas, mesmo os emigrantes que já nasceram nesta República visto que pela lei local só é batatense quem nasceu de pais batatenses. Irritados com este “atentado aos direitos dos seus turistas” o Império do Chá, casmurra ilha da União com a mania das independências e que nunca foi muito bem com as batatas, decidiu também no mesmo espírito ecuménico que alimenta o novo governo batatense, promulgar leis no sentido de impedir a entrada de estrangeiros na ilha, tendo para tal destacado patrulhas de Defesa Territorial e Anti-Aérea, para abater a tiro todo e qualquer estrangeiro sem passaporte que apareça pela costa mesmo que seja também membro da União. Foram aliás já distribuídos aos voluntários civis destas patrulhas folhetos com descrições dos vários tipos de cidadãos da União, surgindo em grande destaque as imagens representativas de membros do Povo das Carroças (com lenços, castanholas, carroças coloridas e homens barbudos de chapéus pretos), do Condado dos Morcegos (com os seus habitantes agarrados a estacas e a pregar outros habitantes semi-transfigurados em morcegos) e da Democracia do Canto Coral (em que os seus habitantes aparecem em trajes muito garridos e abraçados uns aos outros a cantar em coro). A República Federal das Batatas apresentou já um protesto ao Conselho dos Direitos Humanos da União, não só porque o Império do Chá teve a ideia de colocar os batatenses entre os estrangeiros a abater como, ainda pior, os apresentou segurando grandes canecas de meio litro a transbordar de cerveja. Os outros países da União não apresentaram queixa porque nem têm direito a isso. Deste modo os dicionários da União estabelecem a partir de hoje que “livre circulação de pessoas e bens” significa “livre circulação de mercadorias” porque as pessoas há muito que não contam neste totobola.
 

terça-feira, 10 de dezembro de 2013

Todos conhecem a extrema responsabilidade social e devoção à Natureza dos cidadãos da República Federal das Batatas, e em particular das suas empresas. Não é que não poluam como os mais, que não explorem os escravos como os mais nem que não entrem em corrupções e falcatruas como os mais mas fazem-no fora de portas e sempre tão eficientemente pela calada que é extremamente difícil dar por ela. De entre os ecologistas ninguém é mais ecologista que o pessoal da República Federal das Batatas. Não só tratam melhor os animais do que os turcos… perdão, forasteiros, de acordo com o que já dizia certo dirigente do tempo do Batata Podre, como se preocupam à séria com o meio ambiente, lutando contra o nuclear, votando num partido verde que disputa lugares com os mais votados do Parlamento batatense e passando a vida a pisar os decisores para promulgarem leis que reduzam as emissões dos gases de aquecer estufas, fumos de carros, águas sujas e por aí fora. Mas nada de confundir as coisas: ecologia é ecologia e negócios são negócios, e se for possível juntar os dois, tanto melhor. Quando não se pode… há guerra. E os batatenses, têm-no provado ao longo da História, são uns ases p’rá batatada. Também se têm provado uns ases na indústria química, em especial quando se trata de matar em barda, o que tem as suas grandes vantagens na agricultura e na redução da população mundial, como os dias do Batata Podre bem o provaram. Ora um destes dias os políticos da União das Hortaliças, sedeados na Capital do Tacho/ Couve-de-Bruxelas (depende de se lê em valão ou em queijo flamengo), decidiram proibir uns quantos pesticidas que têm feito das boas a muita gente e em especial têm provado a sua eficácia a matar abelhas em barda. Todos os ecologistas da União se regozijaram com a proibição e desta vez a habitual desunião da União sumiu, de leste a oeste, de norte a sul, todos aplaudiram a medida. As abelhas talvez tivessem uma hipótese de sobreviver, e deste modo a produção agrícola. Por isso grande foi o espanto quando a maior empresa química da República das Batatas decidiu pôr em tribunal os deputados da União das Hortaliças por causa desta nova lei. Normalmente é a União das Hortaliças que põe em tribunal toda a gente, incluindo governos, em especial se forem aqueles rascas pedinchões lá do sul, que ninguém compreende para que servem. Normalmente é a União das Hortaliças que faz estas leis ambientais. Normalmente toda a gente tem de obedecer às leis. Mas lá está, negócios são negócios e conhaque é conhaque. E a grande Bye-Bye, que fabrica pesticidas e medicamentos pois de uma coisa à outra a diferença não é muita, o que aliás pode explicar algumas mortes macacas onde devia haver curas, sabe disso muito bem. A proibição dar-lhe-ia cabo dos muitos milhões e milhões de carcanhóis de negócio e perder clientela no mundo todo. E isso é uma coisa que nenhum respeitável cidadão batatense, menos ainda uma grande empresa batatense, pode sofrer. Trata-se de uma questão de bom nome, de uma questão de honra. Mas não devemos pensar que a Bye-Bye não é ecologista, não senhor. São grandes amigos do ambiente. Aliás, a sua férrea oposição à proibição destes pesticidas resulta da sua grande preocupação e responsabilidade ambiental. Porque, assim o demonstram, o mundo está em sobrecarga de consumo de recursos, excesso de população, excesso de poluição, enfim excessos que destroem o ambiente. Combater esses excessos é vital. E esses excessos vêm de onde? De haver demasiadas pessoas. Então, se se matarem as abelhas todas, deixa de haver polinização, a menos a que se faça artificialmente. Então coisas como a fruta, o trigo, o milho, o centeio, as couves, essas coisas, passarão a ser muito mais caras. E quem for muito pobre deixa de as poder comprar. Como há muitos milhões de pobres, estes acabaram por morrer à fome e o problema do excesso de população desaparece, e com ele o excesso de poluição e de consumo de recursos. O facto de com as abelhas exterminadas os ecossistemas entrarem em colapso… bem, o mundo não é perfeito e numa guerra existem sempre lamentáveis danos colaterais. Também partilhamos esta visão profundamente ecologista da química Bye-Bye e por esse motivo pusemos já a circular na Rede-de-Pesca um abaixo-assinado de apoio à missão ecologista desta empresa, e esperamos a total adesão dos nossos subscritores e já agora… tragam um amigo também, a Bye-Bye oferece, com desconto de 10% do preço de marca, uns bonitos antibióticos genéricos para doenças que nunca irão ter.

segunda-feira, 9 de dezembro de 2013

fonte: sol.sapo.pt
O Charco do Milho continua a dar-nos surpreendentes revoluções filosóficas e sociais. Como por lá o dinheiro é pouco e poderá mesmo não chegar até ao fim do ano (do lado de cá do mar os nabos enfrentam o mesmo exacto problema) foi decidido, para bem das contas públicas e défice orçamental, mudar algumas datas no calendário social, religioso e fiscal para que o dinheiro chegue, mesmo se à justa, até ao fim do ano e os balanços de deve e haver batam certo, sendo que no eficientíssimo Charco estes ainda se fazem em agenda de merceeiro e com lápis vermelho e azul, cuja ponta se põe a funcionar pelo imortal processo da lambidela. Ora como existem vários calendários, cada um para sua comunidade no Charco e como cada calendário tem vários feriados, para não ofender as susceptibilidades religiosas de ninguém, e porque a maioria é a da religião das cruzes e cruzamentos, foi deliberado em reunião parlamentar que seria sobre estes que incidira a alteração das datas, os outros ficariam a ver navios nos seus habituais locais na folhinha. Mas como o pessoal dos cruzamentos é também muito festeiro, como se pode ver nos aglomerados de celebrantes em frente às portas de supermercados e mercearias sempre que se anuncia a chegada de raro carrego de óleo ou de margarina mesmo que feita a martelo, e que acaba por receber sempre de braços abertos os polícias e soldados que não hajam sido inicialmente convidados para a balbúrdia mas apareçam para dar o seu contributo ao caos geral, tem no seu calendário uma enorme quantidade de feriados e dias santos. Ora a possibilidade de mudar as datas de todos eles daria uma enorme confusão que paralisaria ainda mais o já paralisado Charco e poria a Grande Revolução em marcha à ré, já que p’rá frente deixou de andar há muito tempo, até os caracóis já a ultrapassaram. Deste modo fez-se a lista de feriados e dias santos, por ordem alfabética, e levou-se a plenário para votação. O feriado que congregou maior número de votos foi o Natal já que todos estão ansiosos por receber o eventual quimérico subsídio com que possam pagar os calotes no merceeiro e o fiado na padaria, já que para calar os miúdos que berram desde o ano passado pois querem a nova Playstation, não será possível, o eventual, hipotético subsídio não chega p’ra tanto. Uma vez escolhido o Natal como eleito para alteração e exterminados todos os outros feriados nacionais para agradar à Tripeça e aos homens de negócios da República Federal das Batatas, concluiu-se que, para obedecer ao espírito popular da Revolução, o soberano povo teria de ser consultado sobre as novas datas. Só que uma inspecção aos cofres revelou não haver dinheiro para comprar o papel para os boletins de voto e ainda menos para encomendar as urnas, nem que estas fossem o modelo económico fornecido pelas funerárias locais e com desconto por ser encomenda de muitas unidades. O novo Grande Líder decidiu então ir até ao jardim do Palácio Presidencial interrogar todos os pássaros, na esperança e de algum deles poder ser o Querido Líder já aviado por uma das funerárias em causa. Mas desta vez o avatar alado do Querido Líder não estava lá para iluminar o Grande Líder na transcendente matéria da mudança da data do Natal. Preocupado, o Grande Líder sentou-se a fumar uma boa dose de ganza de 1ª categoria especial para chefes de estado, esperando que a moca assim apanhada lhe revelasse a solução. De madrugada entrou pelo quarto do seu Ministro da Economia – valeu estar ainda co’uma g’anda moca e nem percebeu que a garina descascada na cama do ministro era a sua própria esposa – e declarou que a data do Natal seria decidida por sufrágio directo e universal. O ministro, habituado a estas interrupções, só disse, pianinho, enquanto empurrava discretamente a companheira para debaixo da cama “camarada presidente, não há dinheiro p’ra isso”. “Mas quem te disse que estou a falar de eleições?” havia qualquer coisa naquela tímida garina, onde é que já a vira antes? “Vamos decidir por Raspadinha. O povo não passa a vida a raspar para ver se lhe calha algum? Pois desta, em vez de rasparem p’rós cobres, raspam para p’ró jackpot da data. A que tiver mais raspas é escolhida e os que rasparem três vezes ganham um perú de Natal, que te parece?” Ao ministro pareceu bem pois não estava em posição de regatear e porque uns cálculos por alto, considerando o imposto que todos os jogadores pagam por se rasparem, sugeriam que talvez se juntasse q.b. para tapar os buracos do Palácio. Saudamos desde já esta iniciativa de democracia directa e ao consumidor, esperando que a moda pegue para que possamos demitir uns quantos maduros e ainda ganharmos sonantes prémios de consolação. Está na altura do mundo pôr os olhos no Charco do Milho, que provou sem espinhas que de facto o Natal é quando um homem quiser… no caso, o Grande Líder.
fonte: publico.pt
 

domingo, 8 de dezembro de 2013

Novo Rasgar de Horizontes na Ciência: O Vazio está Cheio!
Para nos resgatar das tristezas – credo, até aqui já precisamos de resgates! – a comunidade científica dos nabos, que tem ganho inúmeros prémios internacionais (recordemo-nos só dos sucessos quando eram governados por um Cabeça-de-Abóbora), pois nunca como agora tem a nabice sido recompensada, acaba de dar mais uma alegria ao afanado patriotismo nabense. Tudo sucedeu por mor de mais uma das medidas de contingência com que os nabos são diariamente aterrorizados, de cada vez que vêm a mulher da hortaliça aparecer no horizonte com a faca para levar mais uns nabos para o mercado. Desta vez a medida nem suscitou polémica pois os nabos, como se sabe, adoram que os seus cientistas ganhem prémios mas no resto do tempo nem percebem para que é que a ciência serve nem para que se há-de desperdiçar conquilhas “nessa coisa” donde no meio de tantos cortes de conquilhas aqui, ali e acolá, nem foi notícia quando se anunciou que iria haver um corte de 100% nos fundos para as universidades e centros de investigação pois já “é hora desses madraços irem ganhar o deles”, como referiu o Ministro da Educação dos Nabos. O Ministro contudo não estava informado (na república dos Nabos é normal) que as universidades e centros de investigação há muito que lutam com cortes anuais de verbas e já aprenderam a ir arranjar quem pague o papel higiénico (para pouco mais dá o que amealham) e a ciência, a sério, é feita pelos próprios investigadores que pagam quase tudo do seu bolso ou então entram em parcerias com os colegas estrangeiros e é isso que os vai safando. Quando o ministro descobriu que mesmo cortando os fundos a 100% aqueles nabos teimosos continuariam a fazer ciência, decidiu então ir verificar de onde lhes vinham as conquilhas. E quando descobriu fez promulgar uma ordem que “estão proibidos de andar em parcerias com estrangeiros e/ou com privados nacionais ou de fora e à conta disso poderem ter conquilhas para obter os equipamentos. Ou para os mais distraídos: estão impedidos de arranjar conquilhas lá fora, ou cá dentro nos privados. Perceberam agora, seus burros?” isto causou uma grande confusão entre os cientistas pois eles, para começo, são nabos, não são burros. Depois, durante anos tinham andado a receber a ordem “diversifiquem os fundos, diversifiquem os fundos” e “emparelhem com os privados” e agora que tinham conseguido fazer isso mesmo o Ministro amuava e nem lhes dava conquilhas nem lhes permitia irem buscá-las a ouro lado. O pasmo deu lugar á revolta. E enquanto alguns mais humoristas desenhavam grandes burros e nabos à escala, enviando emails para o Ministério para poderem ver as diferenças entre um nabo e um burro, os chefes tribais das universidades reuniram em concílio, cruzaram os braços e depois do habitual fumo branco e “habemus quorum” declararam-se em greve de apresentação de orçamentos ao Ministério, temos dito, uhg! Os cientistas novatos, habituados a todas as dificuldades e mais algumas, e não querendo baixar os braços, atiraram-se ao trabalho e de repente… surgiram com um sacado de conquilhas fresquíssimas junto dos chefes. Interrogados sobre onde tinham descoberto as conquilhas, acenaram modestamente para os bolsos vazios, para o grande espaço sideral igualmente vazio na maior parte e declararam “No vazio!”, passando a uma difícil explicação sobre matéria e anti-matéria, trovoadas na alta-atmosfera, raios gama e singularidades cósmicas que ninguém percebeu. O que se percebeu foi que o vazio afinal está cheio de oportunidades… a nossa céptica correspondente científica, e a única a perceber o arrazoado dos cientistas, jura porém a pés juntos que um dos novatos passou às escondidas um papelinho ao chefe maior dos chefes, que sorriu perante o que lá viu escrito. Não sabemos se terá alguma relação com as oportunidades de que pelos vistos o vazio está cheio, mas as universidades estão a franquear alegremente as suas salas e camaratas para as Universidades de Verão dos vários partidos da República dos Nabos. As Universidades de Verão, que este ano estão especialmente na moda, talvez porque a maioria dos políticos têm cursos comprados ali na candonga da Feira da Esquina ou no botequim do Ti Naifadas e precisam de mais alguns pontos para tornar os currículos verdadeiros, são uma alegre confraternização entre políticos do mesmo clube, onde uns quantos se treinam na arte do discurso enquanto os outros se especializam em sestas no hemiciclo, e no final do dia vai tudo a banhos, copos, petiscos e umas noitadas nas discotecas locais ou, se a universidade é muito no interior, ao arraial dos nabos emigrantes que vêem ver as berças no Verão, aproveitando os momentos de convívio para treinarem as suas técnicas de marketing e promoção de imagem. Como são despesas de partidos, naturalmente não há registos de nada nem se desconta para impostos, donde não se sabe se pagam ou não alguma coisa de aluguer das salas e anfiteatros às universidades. Mas lá que os reitores e cientistas das universidades eleitas para estes convívios andam muito felizes, lá isso andam…