Na sequência da notícia anterior e do sururú que deu nos órgãos de
comunicação social do Nabal o facto de tanta gente, na altura mais difícil da
famosa crise, ter ficado sem rendimento de inserção social, nem emprego nem
nada de nada, a consciência cívica do super-hiper-ministro Paulo Ibn-Portões
foi desperta e este, após madura reflexão sobre o problema, que demorou 30
segundos, veio explicar que essas pessoas ficaram sem subsídio porque são
podres de ricas, têm mais de 100 000 brasas nas suas contas no banco, e
portanto não precisam de ajudas para nada. Confusos, mas eivados do dever
patriótico de informar as massas (quando mais não seja as da caixa de
esparguete lá de casa), o nosso jornal despachou para a rua o repórter,
Xoninhas Crédulo para ir indagar junto dos sem-abrigo e outros pobre
profissionais se é mesmo verdade que têm pipas de massa e estão podres de
dinheiro. E como o rapaz é bem mandado, foi… p’rá rua. Após entrevistar vários
sem-abrigo, famílias apertadas em barracas de cartão construídas debaixo das
pontes, que esperam a todo o momento demolição por buldozers pois não pagaram a
licença de edificação de barraca, e uma carga de pulgas e piolhos de todo o
tamanho – não pudémos deixá-lo entrar na redacção antes de se fumigar bem
fumigado com DDT – o nosso Xoninhas regressou com os frutos do seu labor, que
confirmam as duras palavras do grande excelentíssimo Paulo Ibn-Portões. Os
pobres são na verdade riquíssimos! As refeições que se “esquecem” de comer são
incontáveis, o cotão nos bolsos enche um cofre de um digno banco, os buracos
nas solas dos sapatos – os que ainda os têm – e na roupa somam a várias dezenas
de milhar. Também têm imensas molhas por mor dos buracos nos cartões dos
telhados das barracas ou porque a dormir ao relento apanha-se toda a chuva que
o céu descarrega, e essa ainda é grátis. Por enquanto. Muitos, tendo um grande
espírito de empreendedorismo, têm também fugas sem conta à frente da polícia
quando roubam comida no supermercado, e boa parte deles batem recordes de velocidade
todos os dias, pois todos os dias têm de fanar qualquer coisa para meter no
bucho. Também têm basta conta de dias em que têm de optar por ou comer ou tomar
os medicamentos para se manterem vivos ou tomarem os medicamentos e ficarem sem
comer, e são ainda mais numerosos os dias das suas contas em que nem para uma
coisa nem para outra. Também já perderam o conto às rendas de casa em atraso e
quanto a água, luz e gás, desapareceu das suas vidas há tanto tempo que já nem
sabem o que isso é. E de facto têm contas bancárias com mais de 100 000 brasas,
mas apenas que essas 100 mil são… saldo negativo. O nosso Xoninhas Crédulo foi
aos bancos investigar e com efeito, as referidas contas têm um sinal menos
antes do valor do saldo que o inefável e supremo ministro Sr. Paulo Ibn-Portões
não viu quando estava a conferir os dados para a conferência de imprensa.
Entretanto há grande agitação na rua ao saber-se como o Sr. Paulo Ibn-Portões
sofre com as suas contas bancárias de vários milhares, e estes com um sinal +
atrás, as comissões que vão passear até aos cofres de refrescantes ilhas
tropicais, e com os seus carros, gastando uma fortuna só apra pagar ao
motorista e ao mecânico para os manterem no ponto e prontos a transportá-lo
para qualquer sítio. Movidos por um desinteressado bem-querer ao seu próximo,
está já a circular entre os sem-abrigo e o pessoal das barracas um
abaixo-assinado em como estão dispostos a oferecer ao Sr. Paulo Ibn-Portões os
seus lugares de pernoita ao relento e embalos das chuvas pelas contas bancárias
(sem mexidelas de saldo de última hora) e carros do Sr. Ministro. “É um bom
negocio!” garantiu-nos Zé da Esquina “Quando o mercado recuperar, estes nossos
bocadinhos onde estendemos os cartões e jornais para dormir vão subir de preço
upa, upa! Que quer, é terreno urbano e mal o mercado imobiliário comece a
mexer… Nós somos patriotas e queremos ajudar os senhores ministros,
oferecendo-lhes as nossas riquezas, nem precisa de vir cá cobrar imposto, nós
damos-lhes tudo”.
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quarta-feira, 9 de abril de 2014
terça-feira, 8 de abril de 2014
Notícias que nos chegaram da Capital do Tacho/Couve-de-Bruxelas, do
gabinete de imprensa do presidente da União, o Sr. Eu Bem Te Avisei, dão-nos
conta de que o exilado de Rilhafoles (ou mais exactamente, fugitivo), tendo já
cumprido a sua tarefa de dar cabo do mercado de compras e vendas on-line e por
cartão de crédito, irá agora assumir novas responsabilidades, como
conselheiro-mor no Fundo Mundial da Agiotagem. As suas credenciais para o novo
cargo são de peso. Como o Fundo Mundial da Agiotagem se especializou em afundar
as economias dos países que vai “socorrer”, ao impor benemeritamente um
conjunto de cortes orçamentais e liquidação de planos governamentais que possam
tornar as suas economias competitivas nos mercados internacionais, o que é,
como se sabe, um péssimo caminho, os seus técnicos têm de possuir vasta
experiência em destruir economias e trabalhar com instrumentos financeiros
especulativos do grupo “tóxico” para que a morte das economias a intervencionar
seja fulminante e garantida. Ora como ainda se lembram os nabos, o Exilado de
Rilhafoles afundou a economia do Nabal em três tempos, a uma velocidade
estonteante que lhe valeu o registo no Livro de Recordes do Guinness, e sem por
uma vez levantar qualquer protesto contra os ultimatos deste Fundo e da União
das Hortaliças, sem sequer fazer amuo ou birra, como era de uso dos seus
homólogos nos demais países. O seu desejo de cooperar com o Fundo e de fazer
tudo o que diziam os ultimatadores, como um aluno bem aplicado, levou agora a
que dos numerosos candidatos ao cargo – que tem uma remuneração mensal de 23
mil brasas (isso mesmo 23 mil por mês) – ele tivesse sido o primeiro escolhido
e o júri de selecção até lhe haja tecido rasgado louvor e elogio. Até porque,
tendo ajudado a complicar as transacções na União das Hortaliças, seria um
candidato que poderia abrir ainda mais as portas da União ao Fundo que, quando
tiver acabado com a dita, terá levado não apenas a sua economia à morgue mas
também toda e qualquer antiga ideia de União. O nosso amado lingrinhas e
Exilado de Rilhafoles vai assim exercer um cargo de conselheiro, em que não se
faz grande coisa excepto dizer onde se deve cortar nos orçamentos e que medidas
de destruição da sociedade se devem exigir aos países sequestrados e em
necessidade urgente de resgate, funcionando a coisa tal e qual como no tempo
dos piratas. Dado o abnegado esforço do Fundo para resgatar os países não se
sabe muito bem de quem, estes têm de pagar ao Fundo pela sua benemérita acção.
E para pagar salários destes é claro que os resgatados têm de pagar e com língua
de palmo. É por essa razão que no mais recente resgatado, a República
Democrática dos Nabos, se tirou agora a mais de 10 000 nabos os subsídios de
desemprego ou de inserção social, apesar de mais do que nunca haver desemprego
e os salários dos sortudos que trabalham terem deixado de dar para o mês
inteiro, o que se reflecte nos cortes de água e electricidade, que atingem já vários
milhares de lares por ano. O dinheiro que se tira a esta gente destina-se a
pagar o gesto benemérito do Fundo e, como este se chama Fundo Mundial da
Agiotagem, os pagamentos têm juros capazes de fazer corar de vergonha o mais
empedernido agiota. Assim, enquanto uns vêem desaparecer os seus empregos e os
seus salários, por causa da crise, outros têm salários de muitos milhares de
brasas para… criarem crises. Como vêem, há crise… e crise.segunda-feira, 7 de abril de 2014
E Este Tribunal Merece Ir Para o Guiness: Melhores Resultados, Só Numa
Guerra
Muito se tem falado nos últimos tempos da ineficácia dos tribunais que
tardam em aplicar a justiça, quando de todo esta chega sequer a ser aplicada
pois não houve tempo parta prescrever o processo, a validade das multas, os
réus ausentes ou os numerosos recursos interpostos até que o dito processo
caduque sem ir a julgado. Pois a República Democrática (às vezes) dos Papiros,
que nos tem presenteado nos últimos anos, com numerosas revoluções estilísticas
e linguísticas, acaba agora de inovar no campo da jurisprudência, fazendo-se de
novo grande entre as nações, para suprema alegria dos seus antepassados faraós
que a contemplam da estrela Sírius com renovado orgulho, como o nosso enviado
do caderno de ciência e parapsicologia bem pode asseverar na sua entrevista com
estas reais figuras, a ser publicada quando sair do manicómio. Pois o tribunal
supremo da república dos Papiros tornou-se hoje paradigma da eficiência
jurídica ao condenar à morte 530 e pessoas num processo que nem chegou a durar
2 horas, dado que o juiz de instrução, desejoso de melhorar o registo de
produtividade da sua sala de audiências, decidiu que não valia a pena ler o
processo e instrução – uma coisa ciclópica com mais de 3000 páginas – dado que
demoraria muito tempo a lê-lo, e ainda mais tempo a argumentar, chamar
testemunhas a esclarecer vários dos factos e por aí fora, quando em menos de 5
minutos podia ler o bilhetinho que o chefe da polícia local lhe escrevera e dar
a pena em conformidade com esse escrito. Considerando que foram 530 pessoas a
praticar um terrível acto que lhes valeu a condenação à morte fica-se com a
ideia de que terá sido um atentado terrorista, um golpe de estado falhado,
quiçá um pequeno genocídio entre vizinhos. Mas não. Afinal tratou-se de um
ataque a uma esquadra da polícia com a consequente morte de… 1 polícia. E aqui
começam as dúvidas para o ignorante cidadão comum. Seria o polícia um
super-homem que tivesse sido necessária a acção conjunta de mais de 500 tipos
para o matar? Seria este um perdido descendente de Sansão? Como terá sido
resolvido o problema de geometria que é: como conseguem 530 mecos chegar ao
toutiço de um tipo mais ou menos ao mesmo tempo? Ou seria que estas 530 eram o
quórum necessário para uma cerimónia vudú com bonecos e alfinetes para causar a
morte no infeliz servidor da lei? Todas estas dúvidas podiam surgir nas
sociedades decadentes do ocidente mas a República Democrática (às vezes) dos Papiros
é um paradigma de moral e bons costumes e para um honesto cidadão local o caso
não se pode afigurar mais claro: é que na nova lei por cada polícia morto,
cobra-se automaticamente uma taxa de 530 cidadãos passados a fio de bala (ou de
espada, se não houver dinheiro para as munições, o que aliás é uma execução
mais conforme aos usos da região). É claro que esta lei se aplica apenas a
civis. Porque no caso de serem polícias a matar civis seja em manifestações,
zaragatas de bairro ou o mulherio lá de casa, não há julgado pois se se aplicasse
a proporção de 530 condenados por um morto, o país ficava sem polícias. Já se
ficar sem população, isso não será problema. Assim, queridos polícias
papirenses, podem continuar a molhar a sopa à vontade e fazerem as mortes que
desejarem ou calharem de vir à foice, pois são legalmente inimputáveis.
Notícia de última hora: as polícias da União das Hortaliças, com especial destaque para a
República Democrática dos Nabos, o Potentado da Paelha e algumas outras que pretendem
manter o anonimato mas sabemos serem dos países mais a Norte, vieram já
solicitar à Cidade-do-Tacho/Couve-de-Bruxelas (conforme se leia em flamengo ou
valão) um similar tratamento jurídico para os seus quadros de modo a poderem
esmagar à vontade “as manifestações terroristas dos cidadãos que marcham nas
ruas sem partir nada nem agredir ninguém mas gritando que estão sem salário,
sem emprego, sem casa, sem comida”.
Notícia de ultimíssima hora: o
nosso enviado especial na República Democrática (às vezes) dos Papiros avisa
que… amanhã haverá mais.domingo, 6 de abril de 2014
E Este Tribunal Não É Para Vocês
Na nova estratégia para ganhar o campeonato de caça à divisa que pôs
todos os países da União das Hortaliças em alvoroço e em competição
vale-tudo-incluindo-tirar-olhos para ver quem faz a maior mão baixa nos
mercados, a República Democrática dos Nabos decidiu tomar a ofensiva e criou
agora um Tribunal Gold para
Estrangeiros. Este tribunal julgará apenas cidadãos estrangeiros com vistos de
residência Gold, e Gold Platinium, sendo que os detentores de vistos Gold Para
Génios serão julgados em tribunais normais para os nabos cidadãos que são nabos
o bastante para não se desenvencilharem de processos com umas boas luvas por
debaixo da mesa. Com efeito, no que se refere aos génios, por muito que eles
façam avançar a ciência e as artes, bem, são uns pindéricos mal vestidos, não
podem ir sujar os tribunais especiais para os cidadãos Gold. E dado que estes
cidadãos Gold têm vasta experiência internacional em tribunais (sendo
geralmente as personagens centrais, dado que costumam ser os réus), prevê-se já
uma grande entrada de divisas e uma redução acentuada do desemprego pois prevê-se
uma expansão das ofertas de emprego temporário para polícias, investigadores,
telefonistas, carcereiros, oficiais de diligências e profissões correlativas. E
como se trata de clientes especiais da justiça local, os nabos estão já
activamente a trabalhar na alteração do código penal do Nabal, de modo a que
seja instituído uma jurisprudência exclusiva para estrangeiros Gold, mais
benigna do que a vigente para os nativos e, ao contrário do que se verifica
para estes, passível de ser contornada nos gabinetes de advocacia e esquadras
da polícia durante o processo de instrução criminal. Estas facilidades
permitirão aos futuros requerentes de vistos Gold e Gold Platinium não
necessitarem de temer as leis locais, podendo vir para o Nabal fazer todas as
coisas que estavam proibidos de obrar nos seus países de origem ou quaisquer
outros em que hajam procurado refúgio por a sua pátria ter esgotado a paciência
e ter estado prestes a engavetá-los. Além disso, o facto destes grandes vígaros
internacionais poderem ter residência no Nabal e este estatuto privilegiado,
dá-lhes livre acesso a todo espaço da União para implantarem as suas vigarices,
o que é óbvio, constitui uma possibilidade de investimento a não perder. Para
que estes cidadãos Gold se sintam à vontade caso tenham mesmo de enfrentar os
juízes do Nabal, está o já o governo dos nabos a constituir uma PPP para a
edificação de tribunais de luxo, com revestimento em mármore de Carrara,
alabastro das Índias, malaquites do País dos Sombreros e candeeiros de ametista
e diamante da Democracia do Bamboleio e Pontapé na Chincha. As portas serão
talhadas em puro mogno e pau sangue, sendo os puxadores e outros appliques em ouro de 24 quilates,
reforçado a titânio para evitar riscos e amolgaduras. Do mesmo modo, para que
os réus que eventualmente, por grande azar, venham a ser condenados ou o Nabal
seja obrigado a deter os ditos cujos por obediência a ordens de extradição
internacional, serão também construídas prisões VIP, onde os corredores serão
devidamente cobertos com tapeçarias persas, as grades serão em ouro de 20
quilates, a loiça do refeitório será em porcelana de Meissen com bordo banhado
a ouro e os ginásios para manutenção da forma serão equipados com os melhores e
mais modernos equipamentos, sendo também contratados instrutores para
estabelecerem programas personalizados de treino para cada um dos presos, num
rácio de 1 coaching por cada 2
detidos. As prisões Gold serão também devidamente equipadas com SPA, massagens
suecas, turcas e tailandesas, piscinas cobertas e climatizadas, assim como será
disponibilizado Wi-Fi para livre acesso dos presos à Intenret de modo a que
possma continuar a gerir os seus negócios calma e confortavelmente a partir da
prisão. As celas seão decoradas em função dos desejos de cada recluso tendo
apra esse efeito a prisão um contrato de exclusividade com as melhores equipas
de decoradores da União. Para tudo isto, e como o dinheiro não estica, serão
cortadas as verbas do ensino, dos programas de vacinação infantil, dos
hospitais públicos e da comparticipação de medicamentos aos nativos que passará
a partir de amanhã a ser de 0%, segundo portaria publicada hoje em Diário do
Desgoverno.sexta-feira, 4 de abril de 2014
Este Tribunal Lava Mais Branco!
Na República Democrática dos Nabos, por causa da crise, os funcionários
públicos têm agora que desempenhar cinco funções diferentes ao mesmo tempo,
raão pela qual os tribunais passaram a acumular as funções de lavandarias. E
têm demonstrado uma grande vocação para este segundo mêtier. Com efeito foram lavadas as eventuais culpas dum
interessante negócio com submarinos duma empresa da República federal das
Batatas. A coisa andava há anos aos tombos pelas diversas varas cívicas
nabenses enquanto na República das Batatas a coisa fora rápida e livre de
dúvidas: os grandes chefes da empresa tinham entrado m negócios pouco
recomendáveis, com cobertura de corrupção no bolo e como tal foram condenados.
Entretanto no pacífico Nabal um dos suspeitos locais no negócio chegou a
ministro e tudo e só depois dele estar quase a ser chefe da banda se fez o
julgado. Concluindo os meretíssimos que não houvera qualquer corrupção, fora
toda a gente muito honesta e sincera, e o facto dos nabos ficarem a arder com
vários milhões de brasas e promessas batatenses nunca cumpridas… tratou-se de
um infeliz acidente de percurso de que o mundo dos negócios não está livre.
Saíram assim limpos e ilibados os nabos locais e mais ministeriáveis do que
nunca. Tendo-se também concluído que se do lado batatense houvera corrupção e
do lado nabense não, então para dançar o tango só é necessário um. Entretanto a
honra e cadastro dum ínclito cidadão e só por acaso dono associado do Banco dos
Ratinhos tinha andado pelas bocas do mundo por causa de complicadas operações
financeiras que tinham feito montes de massa pegar em remos e navegar à bolina
para ilhas offshore, famosas pelas
suas belas praias e mulatas. Com estas fugitivas divisas à deriva o banco faliu
e embora o pobre investidor não haja tido qualquer culpa no caso, a mesquinha e
desinformada opinião pública não se cansava de maldizer o infeliz. Mas agora,
após o fim do período de validade do caso, limparam o pó e as teias de aranha
ao processo, lavaram as folhas e também limparam a folha de serviço do nobre
cidadão, que pôde sair de cena sem pagar culpas ou multas pagas pois “o
processo ultrapassou o prazo de validade, terá de ser devolvido à procedências”
que é como quem diz, ao caixote do lixo. Ficou a honra de tão egrégio cidadão
nabense limpa e os tribunais já avisaram que mais casos de limpeza se vão
seguir. Perante tão eficaz taxa de limpeza de honras, cadastros e acusações,
estão já os restantes países da União das Hortaliças a pensar contratar os
tribunais nabenses para limparem muitas nódoas teimosas e refractárias das suas
Histórias passadas e recentes, para se apresentarem perante a comunidade
internacional em alva candura e inocência comprovada por certificado. Para
obviar à crescente procura externa, o currículo académico de Direito na
República Democrática dos Nabos contempla agora estágios em lavandarias
chinesas e grupos de recolha de fundos da Máfia. Pretende-se com estas mais-valias
curriculares que os futuros advogados nabenses, tendo como única perspectiva
profissional emigrar (a menos que se colem a algum partido grande) exportem as
técnicas de lavagem do Nabal para o resto do globo, inaugurando uma era de
limpeza profunda, a secos e molhados, dos recursos mundiais.quarta-feira, 2 de abril de 2014
Não Têm Água? Bebam Champanhe!
Da República dos Hambúrgueres
chegaram-nos notícias sobre a possibilidade de Maria Antonieta ter reencarnado
como CEO da internacional marca de productos lácteos e franchising no mercado das águas, a Ninhozinho e Natas Piupiu,
sedeada no Cantão dos Queijos, que tem embalado meninos e meninas há pelo menos
90 anos. A revelação ocorreu precisamente por causa do negócio da água que esta
empresa detem a nível mundial e que consiste em extrair a água de aquíferos no
mundo inteiro a preço reduzido ou mesmo nulo, em especial nos países menos
desenvolvidos e onde por esse motivo a regulação é menos exigente ou de todo
não existe e não é necessário estar-se a preocupar com sustentabilidades de
recursos e essas coisas que só danificam os lucros. Às vezes há pequenos
problemas colaterais, como os nativos ficarem sem água nos seus poços, quer
para beber quer para as suas hortas de subsistência mas podem sempre trabalhar
nos furos de captação da Ninhozinho, embora os salários sejam tão diminutos que
seria preferível não os ter mas ao menos os poços familiares estarem cheios.
Como se vê, um negócio muito carinhoso, em acordo com o emblema e nome do
Ninhozinho. É claro, compreenderão os leitores, que água de marca tem de ser
como a roupa de marca: só quem tem o bastante para se destacar da multidão a
deve poder comprar. E fácil é de ver que só quando a água e os aquíferos
tiverem donos específicos, como a Ninhozinho, é que o desenvolvimento alcançará
os nativos que, privados da água que sempre haviam tido (se o aquífero é
privado, eles não poderão lá fazer poços mas apenas a empresa que é dona da
coisa) terão de emigrar para as cidades, onde poderão trabalhar na reciclagem
de lixos despejados nas lixeiras e que têm de esgravatar à mão contra a
competição de abutres, chacais, macacos, onças e o excitante jogo de fuga ao
atropelamento e esmagamento por parte dos camiões despejadores da lixarada.
Podem até, maravilha das maravilhas, construir as suas barracas no próprio
local de trabalho, com lixos recolhidos no local, podendo usufruir dos aromas
da lixeira e da companhia da mosquitada. As crianças, essas, poderão brincar
aos carrinhos de choque ou ajudar os pais desde bebés na labuta de procurar
lixo vendável algures, até serem distraidamente soterradas pela montanha de
lixo despejada pelo camião mais próximo. Como se vê, a Ninhozinho pensa no
futuro destas pessoas, como empresa ética e que leva muito a sério as suas
responsabilidades sociais. Tanto assim é que quando um destes dias o CEO desta
companhia foi abordado por extremistas que o acusavam, e à empresa que dirige,
de violar direitos humanos dado que a água, no ver destes desmiolados, é um
direito humano, o bom senhor ficou muito chocado. Jamais imaginara que pudesse
existir tamanho extremismo no mundo! Onde é que a água era um direito humano? A
água era simplesmente uma mercadoria, como outra qualquer, quem tem pastel para
a comprar compra, quem não tem… e foi aqui que o caro CEO demonstrou a sua
compaixão para com os pobres, dizendo: “oh, mas se não podem comprar água,
porque não compram champanhe?” Na sequência deste episódio, as famílias reais
da República do Amor e do Queijo Gruyère e do Império das Valsas, contactaram
já médiuns e psiquiatras para efectuarem testes ao benemérito gestor, de modo a
averiguar se este será de facto a alma reencarnada da infeliz Maria Antonieta.
Por seu lado, os mais perigosos revolucionários da República do Amor e do
Queijo Gruyère, que se manifestaram no passado sábado pelas ruas da capital,
com cavalos e guilhotinas, pretendem ir imediatamente ao Cantão dos Queijos
usar uma das guilhotinas para, no entender do seu líder “concluir o trabalho
que ficou incompleto durante o período do Grande Terror”. A Ninhozinho,
preocupada com a segurança dos seus trabalhadores, providenciou segurança
reforçada e imediata aos seus gestores, tendo por isso de poupar na prevenção
de acidentes na perfuração de furos de captação de água e fábricas de
engarrafamento (houve já 100 acidentes de trabalho, o que permitiu renovar a
frota de trabalhadores). Também forneceu amostras de ADN às famílias reais, com
o compromisso de que, se se provar a reencarnação, o senhor em causa não poderá
usar vestidos mas será livre de envergar ceptro, coroa e anel de brasão nas
reuniões de administração da companhia.

terça-feira, 1 de abril de 2014
Numa entrevista ao jornal Economia
Arrebenta-Arrebenta o CEO do banco Balaclava Doces e Especiarias Lda., expôs a
nova estratégia deste empório financeiro para o novo milénio e os novos
desafios após estampanço da economia mundial contra as matracas e
estrelas-lâminas dos NINJAS. Trata-se nem mais nem menos que de uma
revolucionária visão de fazer negócios e chama-se “Fuga aos Impostos”. Os
impostos, como explicam várias escolas de economia, são um terrível flagelo contra
o desenvolvimento (dos lucros). Em especial se forem cobrados nos locais onde
as empresas têm fábricas de mão-de-obra servil, isto é, nos países de 3ª, 4ª e
5ª categoria, os quais não devem sequer ter veleidades em cobrar impostos a
grandes companhias ou investidores, devem é ficar satisfeitos por alguém
investir neles e até deviam pagar para isso, como referiu o entrevistado. O
banco Balaclava Doces e Especiarias Lda. tem sido um dos mais activos
inovadores financeiros, estando envolvido em experiências de manipulação
genética de activos, taxas de juro e cambiais de referência e foi grande
criador de derivados como os Cocós, os CDS (vulgo swaps) e outros jogos de
roleta russa, com reais tiros à bolsa e às vidas dos jogadores e muito em
especial dos não jogadores que se vêem agora a pagar à força os calotes destes
empreendedores batoteiros… perdão, inovadores. Este banco tem também
desenvolvido os Altos Padrões de Planeamento de Impostos, destinados ao melhor
e mais eficiente uso de offshores e
buracos nas leis dos países acima referidos para que as companhias e outros
grandes investidores possam sem dificuldade fugir aos perniciosos impostos, com
especial destaque se as bases de negócio se localizarem no negro Continente
Apagado. Para o processo decorrer na mais total opacidade, como é de boa
prática nestes casos, o cliente tem aconselhamento especializado, fornecido
pelo serviço de Offshore Empresarial do referido banco. De acordo com este
serviço, cria-se a favor do investidor uma sede fictíca na Ilha dos Lémures
para onde seguem os lucros do empreendimento no negro continente – que de
facto, por estas e outras está cada vez mais Apagado – e como os Lémures
desconhecem o que sejam impostos, os lucros podem chegar ao investidor sem
qualquer retenção na fonte, IRCs e outras trapalhadas similares. Deste modo o
Balaclava Doces e Especiarias Lda. irá alargar a sua carteira de clientes e
também os seus lucros, muito necessários para pagar as multas que tem sobre si
por manipulação de taxas de electricidades e malabarismos com as taxas
Bora-Bora e seguramente trará a felicidade aos seus dilectos clientes. Esta
engenharia financeira deverá fazer sair do Continente cerca de 3 vezes mais
fundos do que os recebidos em ajuda internacional e acabará de vez com saúde e
educação pública local mas essas são também despesas escusadas, dado que os
curandeiros locais bastarão às necessidades da população e saber ler e escrever
não é importante para quem irá passar toda a santa vida agarrado a uma arma, a
uma picareta ou a uma maquineta numa fábrica. Aliás, não valerá a pena investir
em hospitais e escolas para gente que morrerá demasiado cedo, se não por
acidentes no local de trabalho ou uma mina soterrada, morrerá pela certa graças
aos envenenamentos ambientais causados por todos estes investimentos pois neste
Continente não há dores de cabeça a cumprir normas ambientais que são cumpridas
nos países de origem dos investidores. Instado a comentar o facto de se estes
impostos em fuga serem 3 vezes superiores à ajuda dada ao Continente e se isso
se enquadra nos Altos Padrões de Planeamento de Impostos criados pelo banco e muito
publicitados, o CEO do Balaclava Doces e Especiarias Lda. afirmou que sim, pois
estes Altos Padrões devem defender os interesses do cliente a todo o custo. No
final da entrevista e tendo-lhe sido perguntado se considerava honesto usar offshores para fugir aos impostos o
genial CEO disse: “Bem, honesto, honesto, não será mas a honestidade é para os
românticos e nós… nós somos pragmáticos”.
O Pais dos Turbantes, a braços
com uma guerra civil que não há meio de abrandar apesar da razia que tem
provocado nos seus habitantes, a ponto do chefe de governo Turbante Teimoso,
estar a enviar convites aos cidadãos de países com gente a mais, não exigindo
quaisquer competências, apenas a disponibilidade para serem mortos no fogo
cruzado entre facções rivais mas oferecendo salário e entrada na Função Pública
local se comprovarem ter recebido treino prévio em guerra santa, pois é a que
se pratica entre os Turbantes. A proposta é tentadora pois a Função Pública
local tem apenas uma tarefa a cumprir – andar à trolha, o que nos tempos que
correm até uma criança é capaz de fazer, como provam os exércitos de putos com kalashnikovs e granadas verdadeiras, que
são muito mais educativas que as de brincar – e apresenta grandes oportunidades
de avanço na carreira pois caso se tenha nascido c’o rabo virado para a lua
(símbolo sagrado na região) pode beneficiar-se da elevadíssima taxa de
renovação dos seus quadros. Nos últimos convites que foram endereçados “a quem
possa interessar” ofereciam-se cargos de especialistas em tortura de bebés,
para acções de formação no território, exigindo-se a apresentação de
certificado de especialização em escola superior de Guerra Santa. A razão desta
procura específica de técnicos prende-se com o facto de que estes têm sofrido
algumas baixas não tanto devido à guerra que cerca os centros de formação mas
antes porque os formandos, contestando os métodos de ensino ou as
interpretações dos versículos religiosos que entoam no início e fim das aulas,
“despacham os formadores com a técnica da “prancha” ou mais rapidamente com um
tiro na nuca.
Além disso tem-se verificado uma acentuada procura neste tipo de
formadores no mercado internacional, dada a urgente necessidade de torturadores
de gabarito nos vários conflitos espalhados pelo Globo, sendo especialmente
solicitados pela Não-Democracia Genocídio e Afins e pela República Bem ao
Centro, do Continente A Coisa ‘Tá Preta. Os cursos terão 100% de aulas
práticas, leccionadas em todas as cidades e aldeias do país, com especial
relevo para a Grande Aleppo, sendo o material de curso constituído pelos bebés
e crianças da população civil, ocasionalmente com o extra de algumas mães para
os formandos mais aplicados.
Além disso tem-se verificado uma acentuada procura neste tipo de
formadores no mercado internacional, dada a urgente necessidade de torturadores
de gabarito nos vários conflitos espalhados pelo Globo, sendo especialmente
solicitados pela Não-Democracia Genocídio e Afins e pela República Bem ao
Centro, do Continente A Coisa ‘Tá Preta. Os cursos terão 100% de aulas
práticas, leccionadas em todas as cidades e aldeias do país, com especial
relevo para a Grande Aleppo, sendo o material de curso constituído pelos bebés
e crianças da população civil, ocasionalmente com o extra de algumas mães para
os formandos mais aplicados.
O curso garante empregabilidade total, viagens a
rodos e contacto profundo com culturas estrangeiras, sendo de grande futuro nos
posteriores teatros de guerra a fundar na região ou em qualquer outra, pois um
torturador não precisa de saber línguas, para isso estão lá os assistentes e
responsáveis pelos inquéritos aos insurgentes. No final do curso e após exame
prático intensivo supervisionado por especialistas na matéria, serão dados aos
torturadores recém-licenciados, de curso com discriminação detalhada das
matérias frequentadas e respectivas classificações finais, assim com diplomas
de curso devidamente certificados pelas instâncias internacionais. Esta é uma
profissão de imenso futuro. Tanto mais que a guerra está para durar.
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