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sábado, 7 de dezembro de 2013

A competição para os cargos de segurar na mangueira que neste momento incendeia a República dos
Nabos têm o condão de desorientar os nativos, que não sabem para onde virar as ramas, tantos são os borrifos que lhes chegam daqui e dali. O efeito é tão forte que até atinge nabos governantes. Estando o Nabal sob nova inspecção da Tripeça, que está a verificar como decorre o ajustamento nas dimensões do Nabal, e talvez arranque uns nabos para os levar para a sopa do jantar, alguns nabos governantes em campanha a apoiar os correligionários na corrida para as mangueiras, pensando que a distância não causava mossa, disseram que a Tripeça não é um triunvirato de Drs. Jekill e Mrs. Hyde mas um clube de Mrs. Hyde cruzados de Nosferatu, Drácula e Frankenstein. Os nabos que assistiam ao discurso ficaram muito surpreendidos e começaram logo a verificar os programas das festas pois talvez não estivessem num comício de mangueiras mas num dos numerosos ciclos de cinema de terror que abundam no nabal, tendo debandado em corrida para assistir à terceira sessão do Hotel X, que exibia um clássico de lobisomens, deixando os pobres nabos governantes a falar para as pombas, as quais não estavam interessadas em fitas mas nas migalhas do banquete com que estes se celebrariam a si próprios e ao sucesso da campanha. A Tripeça, que tem os seus espiões espalhados por todo o nabal, um por cada nabo residente, foi logo fazer queixinha ao ministro-chefe e este ficou muito irritado, na sua equipa não havia desertores, ora essa! Quem desertava levava guia de marcha para o mercado do Bulhão e acabava-se a festa. Para salvar a honra do convento – e sobretudo as suas ramas dado que a Tripeça lhe mandara vários trabalhos de casa para fazer que, como aluno cábula, não fez – o nabo ambientalista fez de arauto e leu em voz alta no adro do poço o édito de expulsão dos nabos-ministros rebeldes. É, dizia o édito, crime de lesa-majestade atacar a Tripeça quando ela cá está (podem ataca-la à vontade, o nabal é uma sociedade livre, mas façam-no apenas entre amigos e só depois de a vermos pelas costas), até porque não se atacam visitas quando as recebemos em casa, como podemos elevar as receitas do turismo se até ministros se portam como selvagens e ignoram as leis da hospitalidade? Ou ter-se-ão passado para a oposição? Por fim, e mesmo que considerandos civilizacionais possam ser ignorados, há um mínimo de dignidade nabal e que é a de ser amável com os ignorantes. Se a Tripeça já disse que afinal se enganou nas contas e se a nova equipa confessa que os colegas que agora substituem não lhes contaram nada sobre o que tinham andado a fazer, logo nada sabem do assunto, vai-se agora rebaixar em público os ignorantes? Por estas razões, conclui o édito, está desde agora iniciada a caça ao nabo dissidente. O nosso repórter na fronteira assinala que os dois nabos traidores acabaram de se passar para o Potentado da Paelha, seguidos por vários milhares de nabos normais. Estes nabos não perseguem os dois dissidentes mas estão antes a acautelar as ramas pois temem que se disserem mal do governo, nem que seja só quando estiverem bêbados ou a terem pesadelos na cama, possam também ser declarados dissidentes e lhes seja arrancada a rama, a pele e o miolo em evento de tortura pública para edificação dos outros nabos que possam estar com ideias. Vários canteiros ficaram quase vazios com este êxodo, o que terá bons reflexos económicos pois poderá reduzir-se o número de escolas, hospitais, professores, médicos e ajudantes, e em consequência o défice público das ramas.
 

sexta-feira, 6 de dezembro de 2013

Vai um grande tumulto na União das Hortaliças e não é por causa dos tumultos financeiros (esses já não são notícia) nem sociais (esses é melhor nem falar sob pena de subversão) mas por causa da geologia. Sim, leram bem: Geologia. E não, não é por causa do vulcão Vijaiaiaiai na Ilha dos Gelos que decidiu lixar a vida aos turistas no Naytal. Trata-se de um tumulto mais profundo, mais global, enfim… mais tectónico. É que, inesperadamente, a tectónica de placas decidiu revolucionar-se a si mesma e começou a fazer coisas que nenhum geólogo louco – e acreditem em que vos escreve, é condição obrigatória ser-se louco para se ser geólogo – teria sido capaz sequer de sonhar. É que a zona de afundanço onde se situa a República do Nabal (os geólogos chamam-lhe subducção mas há quem lhe chame outras coisas) decidiu não afundar mais o país mas… catapultá-lo. E catapultou-o nem mais nem menos que para o centro da União, ali mesmo coladinho à fronteira da República Federal das Batatas, para grande júbilo dos nabos governantes que adoooram ser batatenses mas como não o são fazem tudo para agradar a estes e ver se os aceitam no clube, quais aldeões esforçados e muito ridículos que tentavam por tudo encaixar na sociedade da capital nos idos tempos do Fidalgo Aprendiz. Esta novidade tectónica, uma verdadeira revolução que atira p’ró canto a dos pássaros do revolucionário líder Maduro do Charco do Milho, está a causar graves perturbações escolares em toda a União pois agora os manuais geográficos, atlas e mapas estão desactualizados, incluindo os do Gooogluglu da Rede-de-pesca. Também está a causar graves perturbações nas operadoras aéreas e de comboios, espalhando o caos na ordenadíssima República Federal das Batatas que prima por ter os comboios sempre à tabela, com atrasos tabelados de exactos 5 minutos. É claro que esta novidade agradou sobremaneira às editoras, tradicionais e de ebooks, pois todos os encarregados de educação tiveram de ir a correr comprar novos manuais que… ainda não saíram das gráficas nem dos processadores de texto. Também muito contentes ficaram os turistas, em particular os batantenses, pois já não precisam de viajar de avião nem de comboio, bastando apenas uma bicicleta para chegarem aos resorts do sul ameno do Nabal, com óbvios benefícios para o meio ambiente e ainda mais para as bolsas destes afortunados cidadãos. Pois é, caros leitores, obedecendo aos desejos de líderes da oposição do Nabal que previam uma mudança de posição do país se se tornassem governo, nem foi preciso esperar pelas eleições, o Nabal mudou mesmo de posição e o secretário de estado Maçã Com Bicho já declarou às instâncias internacionais que agora sim, agora sente-se mais batatense, agora pode finalmente recusar a moussaka e pedir salsichas aos vizinhos do lado (este governante tem casa na fronteira). Esta revolução tectónica está também a ter repercusasões ao nível político dentro da União. A Democracia da Moussaka fez já saber que considera a mudança de posição do Nabal uma traição aos países que estão tão alagados quanto o Nabal (houve desmentido oficial do Nabal sobre o seu estado de alagamento, onde se afirmou enfaticamente que não será necessário um segundo resgate aéreo para os tirar do pântano) e a República Federal das Batatas, mais bruta e eficaz como é de sua tradição, enviou um ultimato ao Senhor dos Infernos, ameaçando que se ele não parasse de brincar com as placas tectónicas e repusesse o Nabal no seu lugar, a República Federal declarava guerra. Tanto quanto os nossos repórteres com residência cativa no Inferno puderam apurar, o Diabo-Mor mandou a Toutiço Despenteado para o… (têm de compreender, trata-se do pecador-mor, portanto a sua linguagem não é recomendável) e nem se deu ao trabalho de enviar resposta, dizendo apenas para os seus acólitos mais próximos: Quando eles para cá vierem, a gente ajusta contas.
 
 

quinta-feira, 5 de dezembro de 2013


fonte:vandrelan.worldpress
Na República Federal das Batatas comemora-se o perfeito matrimónio entre a querida Toutiço Despenteado e o amável Ponte-de-Pedra, mais conhecido por ‘Tão-a-Ver-o-Meu-Dedo?, embora para os amigos ele seja mais conhecido por Gosto-Tanto-dos-Pobrezinhos. É um evento que ficará na memória da República e dará aos batatenses uma nova e bonita tradição tipo Oktoberfest mas como será em Novembro chamar-se-á, muito apropriadamente, de Novemberfest e também terá cerveja a rodos e os primeiros cheirinhos dos bolos deliciosos que se costumam vender nas feiras de Natal daquele país. O contrato de casamento foi assinado esta tarde na casa dois deputados do país com numerosos padrinhos de ambas as famílias, todos gordinhos e sorridentes (em claro contraste com os cidadãos do sul da União das Hortaliças) e os noivos foram saudados com bandeirinhas e cartazes cor de laranja com o diminuitivo carinhosos de Angie quando surgiram à janela do palácio real. Na verdade o noivo ficou um pouco ofendido por todos estarem a aclamar o nome da esposa, dado que fora ele quem fizera mais concessões e entrara em cheio com o dote mas Kaiseriné Kaiserin e ninguém tira o título de imperatriz à nossa amada Angie, que mais uma vez fez o seu sorriso de pau e apresentou as mãos de diamante que tão bem a caracterizam (o cachucho também estava lá, na mão da dona, já perdoado da sua peregrina traição de também se ter candidatado às eleições, após o seu mudo sucesso no debate televisivo das legislativas). O amável, embora descuidado Ponte-de-Pedra conseguiu persuadir a esposa a estabelecer uma esmola mínima anual para os súbditos, coisa que esta não queria de maneira nenhuma pois isso iria torna-los preguiçosos mas ou aceitava ou teria de procurar outro noivo e a senhora já não estava a ficar mais nova, e era preciso assegurar a sucessão, pelo que muito contrariada e apenas após grandes pressões dos seus conselheiros, aceitou. Portanto, a vida vai correr ainda melhor para os súbditos batantenses enquanto o resto da União irá sofrer ainda mais, de modo a garantir que os bancos da República deixem de estar na falência depois das aventuras mirabolantes que andaram a fazer durante a “bolha” dos empréstimos. Mas a União das Hortaliças é para isso mesmo: solidariedade com responsabilidade, ou por outras palavras, nós podemos furar todos os tratados e directivas mas se vocês falham só uma vírgula, levam c’a moca. Espera-se agora que,  perante este exemplo civilizacional que nos chega da República Federal das Batatas, todos os outros países da União cancelem as suas esmolas mínimas anuais pois se estas existem num lado, é evidente, para efeitos de balanço, que têm de sair do outro pois na Economia nada se cria, tudo se transforma, tudo se perde. Mas se o agora kaiserPonte-de-Pedra conseguiu a esmola mínima, teve de deixar cair a ideia absurda da mutualização das dívidas da União. Porque, como bem disse a nossa admirável Toutiço, as dívidas de cada um são para ser pagas por cada um mas as dívidas dos nossos bancos têm de ser pagas por todos. No entanto, os nossos serviços de fofocas bem instalados no palácio real permitiram-nos descobrir por intermédio do camareiro pessoal do novo kaiser que este não estava muito preocupado com esta coisa da mutualização da dívida, mas tinha de ter algumas coisas a exigir para não pensarem que ele é um pusilânime. Para comemorar o feliz enlace, a República Federal das Batatas promulgou uma série de medidas que muito alegrarão os batatenses e ainda mais lhe elevarão o brio patriótico e rácico, para bem da civilização mundial. A primeira destas medidas foi a exigência, a partir de agora, de pagamento de portagens e imposto de muares e de casco-fendido (este último é exclusivo para os filhos da tribo dos Ovos Estrelados) a todo o estrangeiro que se lembre de circular nas auto-estradas do país pois as auto-estradas são livres… para os batantenses. A cozinheira do palácio informou-nos aliás que esta medida é uma concessão de boa vontade da imperatriz que muito indispôs os seus parentes alpinos pois estes desejavam era que ela promulgasse a lei de que todos os países da União que tivessem dívidas a mais dum plafond de 1% (coisa que nenhum país conseguiu alguma vez alcançar) fossem expulsos do mercado das hortaliças…perdão, União. A Toutiço Despenteado teve uma enorme dificuldade em pôr na cabeça dos seus parentes que ela não podia promulgar uma lei na República que fosse por essa razão, e imediatamente, lei em toda a União, que esse tempo ainda não chegara, que quando a Cidade-da-Couve-de-Bruxelas fosse ocupada pelos gloriosos exércitos batantenses, então sim, podiam fazer isso. Os parentes protestaram e até ameaçaram boicotar o casamento mas o conselheiro real lembrou que se assim fosse, os outros países da União poderiam exigir também as leis boas da República, como sistemas de saúde a baixo preço, cobertura escolar para todos, reformas que permitissem ter uma vida tão boa que permitiam viajar até à Ilha dos Côcos e outros destinos exóticos, etc., etc., suas altesas achavam justo os semi-civilizados dos outros países terem direito a tais condições? Foi aí que as coisas acalmaram mas a Toutiço Despenteado teve de prometer outras medidas de limitação à cidadania dos estrangeiros quando retomasse o assento no trono. Por seu lado, o kaiser, apertado pelos amigos estrangeiros que tinham sido convidados para a festa, pelo facto de todas as promessas feitas em favor da melhoria das condições de vida dos outros países de que os convidados são nativos, terem ido por água abaixo, parece que este lhes respondeu enquanto o criado de quarto lhe apertava o fato nupcial cheio de berloques de ouro: sim, sim, prometi isso mas foi só para vos levar no embrulho, e apanhar as vossas prendas de casamento, meus tansos… sacudindo-os do quarto para fora com a mão, o que muito ofendeu os convidados. Contudo e apesar da felicidade geral, expressa em luminosos festejos e jantaradas em toda a República, onde se consumiu a produção de cerveja do ano, há descontentes. E não são poucos. Com efeito, o Clube das Suásticas, associação com franchisings em todos os países da União e que advoga o extermínio dos estrangeiros, incluindo os “estrangeiros” nascidos no país e a expulsão dos seus cadáveres para o mar, regista um grande aumento no número de novos sócios e tenciona já concorrer às eleições da União das Hortaliças, onde espera abarbatar pelo menos ¼ do mercado. Como? Concorrendo todos os franchisings juntos. Até ao momento isso não tem sido possível por causa da definição de "estrangeiro" que, como é óbvio, será estrangeiro num país mas é nacional no outro, pelo que as cúpulas não se entendiam sobre quais os povos que deviam exterminar Agora esse problema foi resolvido. Agora estrangeiros são todos os povos da União abaixo de 2ª categoria, o que inclui todos os povos do sul, os povos do leste, o Povo das Carroças, os Ovos Estrelados e muito em especial TODOS os povos exteriores à União. Como porém a sua mão-de-obra barata é necessária, serão devidamente encaixotados em campos de trabalho forçados chamados Gulagsno Leste e Lagers ou Acampamentos da Morte no Oeste, para contribuírem para a civilizada, harmoniosa, justa e bela sociedade da União.
 

quarta-feira, 4 de dezembro de 2013

fonte: associação do gado asininio de Miranda
A grande e sábia nação do Califado da Pedra e do Petróleo, especialista em assuntos financeiros e religiosos – uma coisa normalmente está ligada à outra – esclareceu ontem os interessados, pela voz de um dos seus mais respeitados líderes religiosos, sobre a razão única e absoluta para o Mundo estar agora muito mais perigoso e violento do que no passado: as mulheres passaram a conduzir automóveis. Sim, a razão da violência étnica, religiosa e económica resulta toda desse pecaminoso costume de as deixar sentar ao volante. Na verdade deixar as mulheres conduzir tem destruído as sociedades de todo o mundo, razão pela qual o Califado da Pedra e do Petróleo permanecerá o único país onde tal prática nunca se legalizará e pede o líder para por favor deixarem de falar no assunto pois este nem sequer está para futura discussão. O Califado da Pedra e do Petróleo leva muito a sério a protecção da sua sociedade, como país esclarecido que é, o que poderá justificar precisamente a elevadíssima taxa de acidentes rodoviários – e ainda bem que boa parte daquilo é deserto e muitos dos carros em vez de andar atascam na areia ou então nem os camelos se safavam – e tem várias importantes leis protectoras de similar calibre. De facto tem de se reconhecer que uma mulher conduzir o pai, o marido ou, pecado dos pecados, qualquer homem estranho ao hospital porque este está a ter uma crise de diabetes é um perigo tremendo para a sociedade. O certo é deixar que o dito tenha um desmaio ao volante e se estampe contra a primeira parede, o que muito poupa nos gastos com hospitais e reformas ou salários, apesar deste país não sofrer de problemas de défice. Também se uma mulher estiver sozinha em casa porque o marido foi onde teve de ir e entrar em trabalho de parto, não deverá conduzir, mas ter a criança em casa podendo até morrer no processo, como o Senhor destinou, em vez de pegar no carro e ir ao hospital, contrariando a vontade de Deus. É uma mãe a menos, um bando de miúdos órfãos a mais mas isso é bom para a sociedade pois ensina-nos a submeter-nos ao mandato divino. Também não põe ideias estranhas na cabeça das fêmeas como andarem a visitar-se umas às outras sem a companhia de um guardião masculino, quiçá em reuniões subversivas para reivindicar direitos cidadania e provocar tumultos desnecessários com as suas injustas reivindicações. Ou se forem vaidosas, como todas são, dar-lhes na cabeça de irem de carro até ao centro comercial e gastarem montes de dinheiro, o que é pecado. Também, se porventura estando em casa com o marido este tiver uma síncope cardíaca, será de bom tom que a esposa fique recatadamente em casa em vez de pegar no carro e ir com o marido ao hospital, o que aliás levaria a um outro pecado que é o de uma mulher falar com homens que não sejam seus parentes. Deste modo se garante que as ruas serão apenas para os homens, ou para os irmãos simpáticos que levem as irmãs a viajar nas avenidas do centro da cidade, à noite, para poderem trocar papelinhos com os rapazes que passam nos outros carros, com vista a futuros namoros. Há lá coisa mais bonita do que ver montes de rapazes jovens a disparar à desfilada pelas avenidas, com as cabeças de fora, uma mão esticada para apanhar os papelinhos dirigidos às irmãs? Haverá lá maior exercício de amor fraternal? Como poderemos abandonar esta tradição que reforça os laços entre os membros familiares da nossa sociedade? E como poderão os meninos, por exemplo, aprender os palavrões do pai, se este não conduzir sempre o carro? Como poderão depois os meninos serem adultos responsáveis sem esta tradição de conhecimento oral? Por esta razão, concluiu o clérigo, como os homens são um pouco brutos a conduzir e apesar dos amplos espaços do país há mortos em barda nas estradas, este sábio disse que o melhor para garantir a boa harmonia social e evitar lutos escusados, será proibir para sempre a condução automóvel e a importação de carros (excepto quando nos dermos a construí-los para os vender aos infiéis estrangeiros) e obrigar todos os cidadãos a andar de burro, com a excepção das famílias reais, que deverão adoptar o cavalo ou abraçar o camelo. O Ministro dos Negócios Estrangeiros do Califado da Pedra e do Petróleo, na sequência desta homilia, contactou já o Potentado da Paelha, a Democracia da Moussaka e a República Democrática dos Nabos para proceder à importação de burros. Na República dos Nabos este inesperado acontecimento levou já o governo a congratular-se com as suas medidas de gestão, pois burros é o que terão mais para exportar e será uma mercadoria em crescente produção assim que se implementarem as novas reformas no sistema de ensino.

terça-feira, 3 de dezembro de 2013

Agora que está na União das Hortaliças na Capitla do Tacho/Cidade da Couve-de-Bruxelas, o nosso exilado de Rilhafoles e ex-ministro das finanças do Nabal não tem mãos a medir. Mal foi posto a chefiar a comissão para a desintegração do comércio online, perdão, regulação do comércio online, o seu antigo banco, o Banco Regulador do Nabal, enviou-lhe encarecidamente um pedido de socorro pois não encontravam no canteiro nabo mais apanhado da rama e furado do bicho para desempenhar funções de meditação filosófica sobre o futuro. Embora possa ser estranho para os nossos leitores, estudos psico-neurológicos profundos (pelo menos quanto à bebedeira dos cientistas), demonstraram que apenas um louco encartado tem o raciocínio criativo suficiente para prever o futuro, apesar de certamente não acertar em nada mas os economistas também não, pelo que isso não constitui problema. Assim o Banco dos Nabos, quando mudam este … de processador de texto?! Banco do Nabal ofereceu ao nosso caro doido de Rilhafoles a presidência da comissão que dentro do Banco irá meditar sobre os desafios futuros da economia do Nabal – o maior deles, sem dúvida, o de decidir se se mata de vez ou se se deixa em estado de animação suspensa – e ao mesmo tempo definir o perfil do futuro chefe da equipa encarregue de polir as moedas únicas que circularão na União pois a crise será tão grande que apenas haverá uma moeda por país, pelo que, dado o seu grande uso, deverá esta ser polida a intervalos regulares de 6 meses. Não estranhem os leitores que o nosso doido de Rilhafoles, estando a chefiar uma comissão na Cidade do Tacho fique também a chefiar uma comissão para pensar no Banco dos Nabos… irra! Nabal, sito no Poço das Osgas e capital do Nabal, pois além da Rede-de-Pesca e da sua inestimável rede social Caras-Larocas, os doidos têm capacidades telepáticas (conforme revela o mesmo estudo dos cientistas c’os copos, que o estão para não sentirem o frio que vai nos laboratórios pois não há guito para aquecimento). De facto, e graças ao nosso hacker de serviço que dá um bailinho a qualquer Snowden que apareça por aí (razão porque é o único com salário, pois o chefe tem receio de que este lhe descubra coisas…), o perfil do futuro chefe dos polidores começou já a ser traçado e foi definido até ao momento que deverá ser a 3/4, meio corpo, a cores e sem retoques de Photoshop. As discussões são intensas quanto a se se deverá preferir cabelos louros a castanhos, olhos azuis a escuros, patilhas ou escanhoadela perfeita, barba ou bigode (problema que está a enfurecer os membros femininos da equipa pois segundo elas só a Ti Esquina, a Manola dos Anzóis e a Micas do Caxiné poderiam candidatar-se), cabelo à escovinha, à yuppie dos anos 90, à eurocéptico, à meio careca responsável ou cabeça rapada à Clube das Suásticas. Estão naturalmente excluídos do perfil, cabeleiras à hippie e barbas à Guevara. Também há grande discussão sobre o estilo admissível de bigodes: se à kaiser, à Batata-Podre, à Zé dos Frangos, à marujo, à marialva, à polícia montada republicana ou simplesmente farfalhudo. Cremos, na nossa ignorância, que tão acesa discussão é basilar para o futuro do país dado que, quando chegar a altura de polir a moeda e dada a falta crónica de dinheiro, não existirão panos de camurça para o acto e o bigode do chefe terá de servir.

segunda-feira, 2 de dezembro de 2013

Na capital Cambalhota do Protectorado dos Pés Para o Ar passou a partir de hoje a estar em vigor a nova chave de classificação das direcções de empresas públicas, e foi já feita a sua aplicação-piloto à Companhia de Carroças, Charretes e Outros Atrelados Muares. Com efeito a direcção desta Companhia, serviço público de transportes colectivos ligeiros e pesados – sendo que os passageiros pesados e/ou mercadoria acima do peso e formato regulamentares pagam taxa adicional – foi hoje demitida em bloco numa emotiva cerimónia de demissão, em que o Ministro da tutela fez rasgados elogios aos demitidos. A direcção foi demitida, nas palavras do Ministro, porque fora especialmente eficiente a gerir as contas e os activos imobiliários da empresa, melhorando os lucros, apesar de não ter despedido trabalhadores nem reduzido os seus salários e até ter implementado um sistema de reparações periódicas das viaturas e alimentação às bestas de tracção, sem desequilibrar os orçamentos pois embora tivesse ocorrido um aumento dos gastos, este mais do que fora compensado com as receitas por os utentes terem passado a viajar mais nos Transportes Muares, confiantes na melhoria dos serviços e estado luzidio das alimárias. Mas segundo as exigências internacionais, tinha agora de se demitir todas as equipas que fossem competentes e substituí-las pelas mais incompetentes que se pudessem encontrar disponíveis. Apesar de no Protectorado dos Pés Para o Ar, os imbecis serem agora muito difíceis de contratar a baixo custo pois têm colocação mal saem da escola primária, o Ministro dos Transportes expressou a sua esperança em que alguns idiotas profissionais se candidatem aos cargos agora devolutos pois trata-se, disse, de um imperativo nacional, até para agradar aos mercados. Não ficou explicado se seriam os mercados de hortaliças, de peixe ou da carne de muares, ou de produtos exóticos made in Aqui ao Lado, mas correspondendo ao patriótico apelo já se candidataram várias equipas de pescadores à linha que só apanham botas e sacos de plástico, jogadores com botas a menos apanhadas pelos referidos pescadores, apanhadores de papéis e beatas, e uma equipa de ladrões de porta-chaves conhecidos por “os skates da Linha” pois fogem sempre em cima de skates, não tendo até agora sido capturados pelas autoridades apesar de todos saberem onde moram, namoram e vão aos copos. Espera-se que a futura equipa de ignorantes financeiros seja lesta a levar à falência a Companhia de Carroças, Charretes e Outros Atrelados Muares, para alegria dos mercados e apostadores no afundamento dos ratings, incluindo os das cuecas dos pedolenses, conseguindo assim a extinção do último e perniciosíssimo serviço público do mundo. A extinção do último serviço público do mundo inaugurará uma nova época de prosperidade mundial, embora apenas só para alguns. Os outros podem remeter-se à miséria medieva pois são apenas trabalhadores, logo desnecessários pois quem aduba a economia são os especialistas em sapos tóxicos, consultoria financeira sobre offshores e contabilidade criativa.
 

domingo, 1 de dezembro de 2013

Animem-se caros nabos concidadãos, a crise não é o monstro que por aí pintam, a crise é uma oportunidade d’oiro para dar corda à criatividade, à nobre arte do desenrrascanso, ao conhecimento de outros países, ficando lá para sempre, e às fintas ao Fisco (esta só para quem tenha muitas conquilhas). Nunca como desde o nascimento da crise anda a República dos Nabos tão nas bocas do mundo como agora, o que é para nos encher dum g’anda orgulho, isto ‘ind’é melhor que sermos derrotados no apuramento p’ró Mundial da Redondinha. E qual a razão, perguntareis vós, para o contentamento deste vosso nabo escrevedor? É que um dos nossos génios descobriu a solução para a falta de carcanhóis para a ciência, que é como sabem de importância estratégica para o desenvolvimento do nabal, daí que os ditos carcanhóis dêem cada vez mais aos pedais, ninguém sabe muito bem para onde. Nas Universidades e afins já é normal não haver sabão – mesmo do marado azul e branco carrascão – nem papel para as mãos (e a Comissão das Limpezas proíbe a intemporal toalha) nem já agora para o resto e quanto a limpeza das instalações, são os investigadores que trazem as pás, vassouras e esfregonas, baldes e detergentes, para que corredores e laboratórios se não transformem em centros de compostagem e criação de minhocas, baratas e outros lindos bichinhos. Ainda ia havendo p’ró pitroil, que era racionado pelas candeias à luz das quais os investigadores trabalhavam, escreviam as suas teses e artigos científicos, pasmando a comunidade internacional como mesmo assim conseguiam arrebatar prémios em Medicina e Biotecnologias. Na Economia ainda os nabos não se tinham destacado, embora se destacassem muito à frente de bancos VIP internacionais e na posse de cofres no Cantão dos Queijos, ombreando com alguns magnatas da Península das Areias, que é rica c’mó milho. Pois bem, essa grave lacuna acaba de ser preenchida. O desconhecido economista Nabo-P’rá-Lua, encontrou a solução para o desafio lançado pelo governo do nabal, o qual em vez de fornecer carcanhóis, como no passado, exige é que sejam as universidades a darem-lhos. Ora a sua Faculdade de Economia já não tinha economias para sequer mandar cantar o cego que costuma estar ao fundo das escadas a criar música ambiente, apesar das propinas subirem em disparada inflação e se terem realizado campanhas de saldos “Vem e traz outro amigo também”, slogan mal escolhido pois lembrou aos candidatos uma antiga cantiga do tempo dos pais, levando-os a pensar ser a Uni uma espécie de rave-party com 9 meses de duração e temática “retro”. Perante a eminência de irem fazer concorrência ao cantor das escadas – e a desagradável possibilidade de serem processados pelo Fisco por exercerem actividade clandestina e sem inscrição no site de declaração do IRS – os investigadores-economistas reuniram-se mas não chegaram a solução alguma, como aliás é norma dos economistas. Deprimido com a reunião, Nabo-Pr’á-Lua foi dar de beber à dor com uns bagaços mamados da garrafa ali na tasca da Trombuda, pensando que tinha de pôr os calcantes à estrada e ir conhecer outros países, como recomenda o governo para alargar os horizontes dos seus eleitores. De repente deu um estalo na testa que assustou os outros bêbados e saiu aos baldões para a rua, a gritar “Eureka”, tendo sido informado por um passante que o nabal ainda não era a Grécia. Porque se esbofeteou o Nabo lunático? Porque acabara de encontrar a solução dos problemas da Faculdade, a saber: 1. Fecha-se a Universidade no Verão. Quem tiver teses ou projectos de investigação a terminar irrevogavelmente durante Agosto (e aqui não é o irrevogável do nosso caro MQQSPM), não os faz e chumba na tese ou devolve os carcanhóis do financiamento do projecto. 2. Elimina-se a distracção de dar aulas, a Universidade não é para entreter ambiciosos em alargar sabedorias ou decididos ravistas, que no bom espírito rave andam pielas entre uma Queima das Fitas e a seguinte. 3. Alugam-se as salas para habitação económica, os laboratórios para armazéns de explosivos e fazem-se cubículos nos corredores, escadas, átrios e casas de banho, para habitação social. 4. Aproveitam-se os inúteis espaços verdes para pasto de vacas, ovelhas, coelhos e galinhas dos moradores do ponto 3. uso esse a ser arrendado aos preços de mercado; em alternativa, mais rentável e por isso preferível, transformar estes espaços em campos de golfe, pistas de equitação, alojamentos de turistas à boleia ou habitações para a classe média/agora proletária. A originalidade das propostas chamou a atenção dos génios do Fundo Mundial da Agiotagem que já contratou o jovem Nabo-P’rá Lua. No contrato este compromete-se a ceder a título gratuito os direitos de autor pois não tendo carcanhol para registar tais direitos, só lhe resta doá-los sem protesto. O jovem ficou muito contente com o contrato, apesar de no Fundo só servir cafés pois os cidadãos do nabal apenas podem ser criados-escravos. O Fundo espera ganhar somas astronómicas com estas inovadoras ideias, quando as impuser aos próximos países desvalidos que lhes caiam nas garras.