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segunda-feira, 6 de janeiro de 2014

Altas Tecnologias... São Sinais de Fumo
A República dos Fogos está em brasa pois um dos mais importantes serviços públicos – o de florestas e conservação da Natureza – está sem telefones desde o ano passado. Tal estado de coisas provoca grandes dores de cabeça aos cidadãos do braseiro, pois não os caçadores e pescadores furtivos, por exemplo, vêem-se impossibilitados de contactar este serviço para saber que espécies piscícolas ou cinegéticas é proibido pescar ou caçar, onde e quando e assim poderem planear as suas actividades sem problemas. Também as raposas estão a ter problemas com esta falha pois não conseguem saber onde andam os vigilantes da Natureza para fazerem coincidir com as deles as suas rondas venatórias a trabelos, musaranhos, gafanhotos, lebrachos e passarada em geral (OK, se toda esta bicharada estiver ainda em casa a ressacar do Ano Novo, então pilhe-se umas galinhas). Os lobos também se sentem afectados com este estado de coisas pois não sabem por onde se deverão meter no abocanhanço das ovelhas se não souberem onde andam os funcionários para registar os seus raides a rebanhos. Quanto aos linces, esses já fizeram saber pela sua associação sindical que, sem informações horárias sobre o paradeiro dos tais vigilantes e biólogos de serviço, não passearão no mato com vista ao seu esfumado avistamento. A questão é candente, como são todas as que se referem aos fogos e a este país em especial, porque os fogareiros são grandes aficionados das novas tecnologias, tendo normalmente cada um cerca de meia dúzia de novas geringonças, como por exemplo meia dúzia de smartphones, meia dúzia de tablets, meia dúzia de ipods, etc., sendo dos mais activos na utilização da Rede-de-Pesca, o que gerou todo um mercado de defesa dos outros internautas, as indispensáveis firewalls. Como não são um país especialmente quinado para andar nas bocas do mundo, nem para a publicidade, excepto por más razões, não são conhecidos por inventarem geringonças. No entanto inventam-nas e muitas com grande sucesso internacional, facto aproveitado por cidadãos de outros países para dizerem que foram eles os inventores e assim serem os nomes deles e não os dos fogareiros a entrarem na História. Inventaram por exemplo os sistemas e máquinas de multibanco, de inspecção de bagagens em aeroportos e várias outras pequenas coisas que fazem o quotidiano mais simples para toda a gente, mas seguem silenciosos, só chamando as atenções na altura do Verão, que é quando desatam a trabalhar em massa, pois os fogareiros o que gostam é do ar livre e de brasas na praia e na floresta. E porque a República dos Fogos está a arder com uma dívida pública tratada a esteróides, pensou-se que talvez a austeridade houvesse levado estes simpáticos nativos a abandonar os bites e os bytes. Porém nota acabada de sair da reunião de ministros dos Fogos veio esclarecer o equívoco. Não se trata do abandono das novas tecnologias mas sim de se manterem na vanguarda do conhecimento e resgatarem tecnologias revolucionárias que por o serem, e ainda mais no passado remoto em que foram descobertas, nunca puderam ser devidamente desenvolvidas. A ausência de telefones no serviço das florestas é assim, não uma falha austeritária mas o resultado de aturados estudos dos especialistas. E a nova tecnologia é… Sinais de fumo. Não, não se trata do nome dum livro nem duma editora mas dos verdadeiros, dos reais, absolutos, fumarentos… sinais de fumo. Lidos facilmente à distância, capazes de serem realizados até por um fogacho de colo (basta dar-lhe uns fósforos ou um isqueiro para as mãos e vocês vão ver…), entendíveis por humanos e bichos sem hesitações, estão a ser espalhados por todo o país, o que aliás se espera venha a abrir a actividade de verão ainda na época de Inverno. Como o Fogo-no-Palheiro, e presidente desta República disse aos jornalistas: se serviu para os romanos e índios americanos, também servirá para nós. Em resposta, a bicharada encavalitou-se no cimo dos montes para ver de onde vem o fogacho da capital e decidirem para onde fugir.
Cortei a Cabeça do Meu Tio?! Uups, Tiazinha, Desculpe  o Mau Jeito...
A corte da Dinastia Democrática da Fome está tremebunda, em alvoroço e com insónias devido ao mais recente sarrabulho na sala da corte, que envolveu o Imperador e o seu tio e preceptor desde a pré-primária. Sem mais nem ontem, assim do dia para a noite, o tio favorito do Imperador, um dos poucos com direito na Democracia da Fome a passear ao estrangeiro, foi arrancado ao banquete que estava a dar nos seus aposentos do palácio imperial para ser levado para um tribunal. Embora ninguém soubesse a razão da ordem de prisão, logo houve conversas entre os serviçais, à boca muito pequenininha ou iriam fazer companhia ao preso, de que talvez o tio tivesse sido forreta nas prendas trazidas da estranja para o sobrinho ou andasse em manobras dos bastidores com o grande vizinho do sul, o Império do Arroz, para gamar as concubinas imperiais. Esta das concubinas deve ter o seu fundo de verdade pois uma das acusações ao tio malfeitor foi a de ser mulherengo, o que fez os eunucos do palácio suspirar de alívio pois pelo menos esse era um crime de que nunca poderiam ser acusados e muitos súbditos, surpreendidos pelo novo código penal, correram aos cirurgiões para também realizarem a operação. Até porque, uma vez sem esses apetrechos, talvez possam ingressar ao serviço do palácio, onde apesar de tudo se passa menos fome do que no resto do país. Já o crime seguinte na lista da acusação fez eunucos e muitos outros cortesãos estremecerem de receio pois a traição é na Democracia da Fome um conceito muito flexível e em evolução contínua pelo que o que hoje não é traição amanhã já o pode ser, razão pela qual os súbditos, quando conseguem enganar a ideia da fome, se apressam a ler a última edição do Livro do Líder, para estarem a par das novas evoluções traiçoeiras. A acusação de corrupção também não serenou os ânimos dos cortesãos embora fosse uma acusação inexplicável para os súbditos pois para estes, não tendo nada de nada para corromper nem que seja um bicho da seca, não fazem ideia do que seja tal verbo, embora as necessidades que o promovam, as tenham e em alta carrada. A esta altura dos eventos já a tia se encolhia na sua cama, escudada por numerosas aias, temerosa de ser fosse a próxima, dado que na Democracia da Fome quando um erra, todos comem por tabela, ou antes, a todos salta a tola, p’ra não deixarem cá semente. Mas o sobrinho demonstrou bom coração e até deu à tia um presente de núpcias para celebrar o matrimónio com o morto e ingressar ela própria como concubina no harém do sobrinho, o que a boa senhora terá agradecido bastante já que o esposo estava agora… muito ausente. E com carácter definitivo dado que após a prisão o tio fora logo levado a tribunal e despachado para o carrasco, tudo em apenas duas horitas pois na Dinastia da Fome os tribunais não perdem tempo em julgados e alegações, uma vez que já têm a sentença atribuída ainda antes de se cometer o crime, e o só há advogado de acusação para se poupar nas despesas, sendo que este também poupa pois existem formulários de alegações finais já tabelados por crime, sendo apenas necessário o advogado em questão puxar do modelo em causa (no caso o modelo 3 “estado contra verme humano por alta traição à pátria”). Prático, barato e eficiente e os países decadentes deveriam copiar o modelo, assim nos dizem os sábios da democracia da Fome. A morte do tio imperial teve, além de libertar o país do perigo de “venda ao estrangeiro” (não se sabe muito bem o quê pois não há nada para vender, os famintos já comeram tudo), o bom efeito de reduzir a taxa de desemprego. De facto deu até origem a uma nova carreira com grande futuro. Dado que o tio malvado foi também acusado de “não bater palmas com suficiente entusiasmo”, todos os cortesãos se inscreveram já em aulas para bem aplaudir, e numerosos súbditos, experientes batedores de palmas para se aquecerem pois a lenha foi há muito desfeita em farripas para sopa, estão a aproveitar a oportunidade para ensinarem os familiares e amigos do Querido Líder. E como a nova profissão de professor de bater palmas tem um bom ordenado mensal, os médicos  estão também em grande procura pois os famintos professores, já desabituados de outra comida que não seja a lenha fervida, ao comerem migalhinhas de pão sofrem de imensas indigestões. O Querido Líder, aliás, pensando apenas no bem do seu amado povo, está a estudar a hipótese de declarar a profissão de professor de bater palmas uma profissão decadente e como tal perigosa para o país, sendo todos os seus profissionais decalrados traidores à pátria e portanto ficarem sem tola, o que será muito bom para combater a fome e as indigestões no país. Infelizmente, contam os mosquitos nossos infiltrados na corte, o grande imperador e Querido Líder acabou por desistir da ideia depois de ter morto os primeiros dez professores e verificado que nos festejos oficiais pela morte do querido papá a corte batia palmas com redobrado vigor e afinco mas infelizmente fora de compasso o que lhe deu uma terrível dor de cabeça (e como o carrasco estava perdido em parte incerta não foi possível decapitar os descompassados). Deste modo os professores de bater palmas voltaram a ser uma profissão muito popular, estando agora equiparados a Operários Heróicos da Democracia da Fome, com direito a raspas de troncos de bambu que deverão trocar por cupões de compra da fotografia do Querido Líder, a qual deverão colar na parede de casa (com cuspo pois o país não tem cola, essa terrível invenção do decadente ocidente), pois basta a visão do Querido Líder para tirar a fome a qualquer leal e dedicado súbdito.


Nota da redacção: como os redactores deste jornal obedecem aos calendários celta, hindu, budista, xinto, maia, chinês, inca, judaico e muçulmano, o Ano Novo para nós, já era…

Reflexões de Ano Novo (como o presente jornalista é ateu, não obedece ao calendário)

E com o novo ano chegam as novas resoluções que nos farão sentir mal durante os próximos 12 meses porque… são como as previsões dos indicadores económico feitos por imensos especialistas: jamais se cumprem. O que nos leva a pensar que a previsão económica funciona segundo regras semelhantes ao Totobola ou Euromilhões. O que é particularmente confuso porque sempre nos têm dito que a Economia é uma ciência exacta. Estamos a falar da Economia com letra grande, a dos especialistas, dos génios financeiros, dos Nóbeis, dos craques de Wall Streekt e Frankfurth (ou da City) e não a que fazemos quando somamos as contas dos gastos com o nosso salário, embora os resultados de uns e outros venham a dar no mesmo: não acertam por mais que nos estiquemos no balanço… embora no caso deles os resultados colaterais (património e contas bancárias) cresçam e levedem qual milagre da panificadora da Malveira. Mas a Economia é, estejam tranquilos, uma ciência exacta e prevê sempre com exactidão o que vai acontecer. Por exemplo, não existem crashes de bolsa nem bolhas de subprime ou imobiliárias ou depressões económicas porque simplesmente as teorias económicas dizem que… não acontecem. E portanto, se a teoria diz que não acontece, a realidade tem é de se ajustar à teoria e não o contrário, como fazem todos os outros cientistas, que tentam adaptar as teorias em função da realidade que vão observando. É na verdade uma ciência tão exacta que nunca acerta na evolução dos índices económicos. Diz que baixar as taxas de juros na actual conjuntura vai fazer disparar a inflacção e a inflacção teimosamente não dispara, que vai aumentar o PIB e acabar a recessão em 6 meses e nem um sobe nem a outra morre, que se vai voltar ao crescimento e o crescimento teima em manter-se lá muito ao fundo mas isso tem uma razão óbvia: é por causa dos eventos meteorológicos… E esta fabulosa ciência é exacta porque os mercados são racionais porque as pessoas são racionais. As pessoas nunca entram em pânico se os mercados de investimentos entram em queda, não perdem as estribeiras e desatam a fazer idiotices como pregar uma estalada num polícia, apanhar uma bebedeira quando era preciso ter a cabeça fria para enfrentar um colapso relacional, subornar um tipo (que afinal é fiscal de subornos) ou enfiar-se em esquemas financeiros estranhos para ganhar algum por fora sem que se saiba muito bem como pois a ganância é mesmo uma coisa do mais racional que há. Portanto se uma bela manhã ao caminharem pela rua virem um tipo a correr todo nu não fiquem a pensar que o dito endoidou mas antes foram os vossos olhos que vos pregaram uma partida – ou são os restos da vossa farra de ontem – pois as pessoas são sempre racionais e não cometem disparates destes (ou já agora outros). Também, se num cenário em que já não temos nada nos bolsos, vos anunciarem que o aumento das taxas de juro e a imposição de medidas de austeridade irão levar as pessoas a gastar mais porque se sentem mais ricas, dado que fazem projecções das taxas de juro a 10 anos quando pensam em namorar um vestido ou um par de ténis, acreditem piamente! Pois a Fada dos Dentes, os Elfos, os Gnomos, o Pássaro Trovão, os Dragões Arco-Íris e os Elefantes Cor-de-Rosa, o Pai Natal e o Palhaço que foi com ele no comboio ao circo existem mesmo e até descem pelas chaminés e tudo. Assim, e embalados nesta ciência que nos fala de um mundo feliz de contos de fadas onde os imprevistos e os sobressaltos não existem, sabemos que o Novo Ano será um ano de prosperidade miraculosa e sem fim para toda a gente, onde o desemprego atingirá os 0% e a dívida voará dos 131% para os -5% e todos darão abraços e beijinhos e irão passar férias em ilhas de sonho. E porque não? Se acreditarmos que os mercados são racionais também podemos acreditar no Pai Natal e nas renas voadoras. Com a diferença que neste último caso de crença isso não se reflecte no défice orçamental nem no que nos resta nos bolsos ao fim do mês (cotão). Se não conseguirem acreditar nisto tudo, ao menos, como dizia o Solnado… façam o favor de (tentar) ser felizes.
Ano Novo, Remodelação Nova
Podemos anunciar que uma grande revolução tecnológica nas artes governativas: os governos aderiram aos rituais do mundo da moda e do desporto e podem agora deliciar os seus constituintes com remodelações periódicas das suas formações, em função das estações do ano e dos inícios de campeonato de futebol, râguebi, desportos de inverno, hipismo, natação e Olímpicos. E se a República Democrática dos Nabos se decidiu a escrever segunda vez o seu nome no panteão do Guiness Book of Records (a última foi com o feito de ter servido um bando de comilões sobre a maior mesa montada em cima dum rio), está longe de ser caso único e há até já a tradição, espalhada por quase todo o mundo com a excepção de alguns teimosos orientais, da renovação geral das equipas governativas ao jeito dos craques de futebol a cada início de época, crise do clube ou combate eleitoral pelas presidências, que se designam por Eleições. Também nestas, tal como nos clubes, se vão buscar génios às grandes instituições, que serão devidamente exportados quando se revelam verdadeiros nabos, tal como os craque estrangeiros que não acertam senão na própria baliza e se despacham para o clube mais rasca da Liga dos Solteiros e Casados mal os sócios olham para o outro lado, só que no caso dos craques governativos a exportação é para outras similares instituições ou então uma devolução às mesmas embora nunca houvesse notícia de vales de devolução como nas mercadorias deficientes. Contudo o ritual das Eleições tem também parecenças com o efervescente mundo da moda pois que nestas, tal como nos fashion shows que abrem uma janela futurista para o que se vai usar 6 meses mais tarde, aqui escolhe-se não só o chefe dos craques (ou costureiro mais na berra na saison) mas também a cor e o trajo legislativo por… se tudo correr bem… quatro anos. Se tudo correr mal não se preocupem porque pelo menos para alguém correu muito bem, quanto mais não seja para os designers das fatiotas legislativas. Mas como ir a eleições pode ser muito cansativo para os craques e para os criadores de design legislativo, e a verdade é que as equipas precisam de renovar o plantel a meio da época – quanto mais não seja para dar a oportunidade aos novatos de mostrar que afinal até podem servir as tais grandes instituições e tornar-se futuros nabos vestidos de génios, o que mais do que fica bem e é patriótico para alguém que haja nascido no Nabal – temos então as chamadas Remodelações. E as remodelações são coisa séria, que exige esforço, negociações aturadas com todos os interessados mesmo àqueles que não pertençam aos clubes mas que são os seus financiadores, ou, de acordo com a Lei de Mecenato, mecenas. O que é, convenhamos, um nome muito mais agradável, e com pedigree, do que padrinho… mesmo que funcione como um padrinho daqueles que têm sempre propostas irrecusáveis… como perguntar em Janeiro porque o caro Inb-Portões não é vice-manda-chuva e em Julho, após uma crise irrevogável, Ibn-Portões tornar-se mesmo vice-manda-chuva. E é aqui, entre crises, espirais recessivas versus milagres económicos, sugestões de aguentar, aguentar e propostas irrevogáveis que a República Democrática dos Nabos se apostou em bater todos os records e entrar não apenas no Guiness mas nos tops do novo desporto olímpico dos Olímpicos de Inverno: Remodelação Sincronizada de Alta Velocidade. Porque em apenas 2 anos o governo da república democrática dos Nabos já realizou 9 remodelações (quando os sócios e os adeptos dos clubes contrários estavam a olhar para o lado, como manda o eterno e ainda actual manual da Arte da Guerra) e está a trabalhar a todo o vapor para atingir as 10 ainda antes da abertura dos Olímpicos de Inverno de modo a chegar a esta competição de alto nível com o melhor handicap de todos os concorrentes ssim ganhar a medalha de ouro. Ouro esse muito necessário para pagar os 0,001% dos juros da dívida que, também concorrendo numa Olimpíada própria, sobem à mesma velocidade dos cogumelos após uma boa chuva. Temos assim nove, a caminho de 10 remodelações em apenas 2 anos, com cerca de 33 novas caras no total (pois o 33 é número de sólidas referências medicinais para economias semi-mortas) e 5 novos chefes de pelotão nesta vertiginosa mudança de figurinos, que os mais inventivos designam já por “Dança das Cadeiras”, número acrobático que a equipa do Nabal está a melhorar para a sua exibição final nos Olímpicos de Inverno. Com handicaps melhores que estes há apenas alguns concorrentes, como os países em feroz convulsão social e os que entretanto entraram em guerra civil. Porém estes últimos foram desclassificados dos Olímpicos porque metade ou a quase totalidade das suas equipas (o rácio de mortes dependendo da eficácia dos guerrilheiros) foram assassinadas nos confrontos e o comité olímpico, demonstrando um absurdo atavismo legislativo, não reconhece equipas com elementos substituídos à última hora porque “não é justo para as equipas cuja composição é já conhecida por todos os adversários”, o que aliás está em contradição com o próprio espírito da prova onde a surpresa e os golpes baixos deverão ser a regra base. Perante estes números – sim 33 novas caras, 5 novos chefes de pelotão e 9 remodelações – é impossível a República Democrática dos Nabos não ganhar qualquer coisa. Quanto mais não seja excelentes colocações para os seus craques governantes em grandes e generosas instituições internacionais que muito prezam a aquisição de nabos gordos pois são excelentes verbos de encher e ficam sempre bem na fotografia.
Acabámos de descobrir a estratégia subjacente à ideia-cartaz da União das Hortaliças “combater o desemprego jovem para resolver a crise”, graças à espionagem do nosso penetra nas reuniões restritas da União, onde de facto se decide o futuro de todos e não, como se julga, no Parlamento Geral das Hortaliças, Comissões e outros acessórios decorativos, perdão, governativos, da União. A estratégia é revolucionária e responde à pergunta que muitos se fazem que é a de porque razão a União está tão preocupada com o desemprego jovem e não se preocupa a mínima com o desemprego dos pais, que até poderão ter mais do que um filho a cargo mas que ainda não é jovem o bastante para entrar nas estatísticas do desemprego. Pois a resposta é muito simples: o desemprego jovem tem de ser combatido porque (1) é para não se ter uma geração perdida, (2) porque os jovens são uns anarquistas em potência e se ficarem muito zangados por não terem anda para fazer ainda podem armar uma revolução nas ruas como bem o mostraram nos países da Península das Areias e isso não é nada bem visto na União, (3) os jovens têm muito mais força e flexibilidade para vergar a mola, (4) como a maior parte deles não têm famílias a cargo podem ser atirados de um lado para o outro ou serem mantidos ad eternum em situação de precaridade. Resolvem-se assim vários problemas: acaba-se com o perigo da contestação nas ruas e erguimento de barricadas revolucionárias, mantêm-se os cachopos na linha e timoratamente obedientes aos chefes pois à mínima vão para a rua, evita-se que tenham tempo para pensar e desatarem talvez a questionar montes de coisas e mantêm-se os pais de bico calado e cabeça baixa, sem força ou voz para contestar seja o que for pois serão eles quem, vergonhosamente, serão sustentados pelos filhos. Esta estratégia aliás não é nova e teve grande popularidade no Nabal no tempo da Maria Cachucha, quando os filhos trabalhavam para os pais desde os 6 anos de idade em vez de andarem a perder tempo e a terem as cabeças cheias de más ideias na escola, entregando fielmente o dinheirinho na mão do chefe de família senão havia cachaporra. Por essa razão, e também porque não havia outros entretenimentos, os pais apostavam na produção em massa de filhos, tal e qual como hoje em dia em muitos países do mundo terceiro e quarto, pois quanto mais catraios tivessem mais braços tinham para alugar e o pecúlio arrecadado em casa talvez pudesse afastar a fome até ao mês seguinte. E tinham de produzir pirralhos em série porque os hospitais eram muito longe, caros e só para alguns, donde a pirralhada morria também em massa, obrigando à contínua renovação do stock. Com esta estratégia nunca havia envelhecimento da população, até porque a maior parte da população nem tinha tempo de envelhecer. Ora como a União das Hortaliças está a envelhecer – daí que nos últimos tempos as suas decisões tenham sido afectadas por um elevado grau de senilidade – esta iniciativa de fomentar o emprego jovem e ignorar completamente o desemprego dos mais velhos faça todo o sentido. Apenas lamentamos que não tenham ido mais longe e removido as leis que proíbem o trabalho infantil. Porque as crianças são a mão-de-obra ideal dado que nunca fazem greves e podem disciplinar-se facilmente com duas valentes lambadas nas fuças e uma carta a exigir correctivo mais forte aos pais quando os diabinhos entrarem em casa, tal e qual como antigamente. Portanto, caríssimo leitor, já sabe: se quer vencer a crise, ponha o seu puto a trabalhar e desista de gastar meias solas à procura de trabalho para si. E aproveite o tempo livre para tornar a sua desempregada esposa mais produtiva.
Sucesso Editorial de Contos de Natal Governamentais
Em sintonia com o espírito solidário da época decidiu o governo da República Democrática dos Nabos oferecer aos seus sacrificados cidadãos alguns momentos de felicidade, oferecendo gratuitamente aos seus nabos cidadãos um conto de Natal cheio de prendinhas e finais felizes para elfos, anões e hobbits da Terra Média e afastando de vez o malvado Senhor de Mordor. Isto foi uma novidade que fez as delícias dos nabos miúdos e graúdos pois as ofertas governamentais há muito que são a pagar e com rama de palmo. Com efeito, no bonito conto que se destinou a dar esperança e um Natal um pouco menos vermelho, que é a cor dos contestatários (o Pai natal é, fiquem a saber, um perigoso extremista, basta olhar para aquelas roupas vermelhas), o desemprego dos nabos jovens foi reduzindo ao longo do ano, embora a realidade a maioria dos nabos jovens que escutavam o conto do Nabo-Mor ficassem muito confusos pois estavam na sua larga maioria desempregados, dado que o desemprego dos jovens, se desceu durante a época de verão, disparou de novo no final do ano e está agora acima dos valores do ano anterior, situando-se no bonito número dos 2,2%. Houve também grande felicidade entre os nabos quando lhes foi dito no conto que batendo-se contra os malvados orcs e trolls do Exército do Desemprego Global de Mordor se mataram mais de 120 mil malvados apesar de na realidade apenas se terem morto cerca de 21 mil, e isto se não se contarem com as baixas do lado dos elfos ao longo do ano inteiro em que durou a batalha por causa do Anel. Assim sendo, no mundo da Terra Média as coisas estavam a ir bastante bem, em oposição à realidade que os nabos bem conhecem e que se cifra por um abandono maciço do nabal idêntico ao do período da grande guerra ou pelo número crescente de nabos que, não tendo emprego há mais de 1 ano se lhe acabaram por secar as ramas e deste modo passaram a nabos inactivos e desapareceram das estatísticas, ou dos nabos que sabem que nem vale a pena inscreverem-se para as estatísticas pois nunca irão encontrar emprego e como tal também desaparecem das estatísticas, razão que leva já a União das Hortaliças a considerar o Nabal um fenómeno astrofísico de grande valor pois deste modo o Nabal converteu-se no único buraco negro que não suga a matéria à sua volta mas se contenta em sugar apenas a sua própria massa crítica. Os nabos ficaram também muito felizes quando souberam que afinal os elfos (que na moral da história se identificam com os nabos ouvintes) estão a produzir muito mais do que todos os outros povos da Terra Média, e que o seu PIB ultrapassou todos os records. O facto da realidade ser um bocadinho diferente e mostrar que no Nabal o PIB face ao ano anterior foi de -2% (1º trimestre) e -1% (2º trimestre), o que é significativamente pior do que os resultados da União das Hortaliças, em que tais variações foram apenas de -0,1% e 0,1%, faz parte do artifício narrativo dum bom Conto de Natal. Reconfortados por esta feliz narrativa os nabos que não conseguiram arranjar consoada na Sopa dos Pobres por excesso de clientes da dita Sopa, tiveram forças para enfrentar a fria noite natalícia que, para melhorar as festas, teve vento e chuva quanto bastasse para causar o caos em diversos locais, E animados por tão bonita história – e pelos berros das crianças que queriam ouvir outra vez o “Tio Coelho” a contar a história dos elfos – houve uma corrida geral dos nabos às livrarias em busca do livro de Contos do Tio Coelho. O sucesso de vendas foi tão grande que ultrapassou as melhores expectativas do governo do Nabal – e sabemos que tais expectativas são sempre muito avantajadas – e o Tio Coelho tenciona já lançar no mercado internacional o seu livro de Contos, tendo como primeiros alvos de marketing os dirigentes políticos da União das Hortaliças. Assim, foram já enviados para distribuição dentro desta campanha de pré-lançamento mundial livros, CD’s, DVDs Bluerrays, files no Teus Tubos e página na Carlas-Larocas da Rede-de-Pesca. Em breve sairá o filme, com o Brad Pitt como protagonista Tio Coelho e crachás, bonés, T-shirts, camisolas, blusões e calças estão também já em fabricação nas fábricas de mão-de-obra escrava do Império do Arroz e País dos Alagados Bangla-Esh-Esh. Espera-se que o sucesso de vendas seja no mínimo tão estrondoso a nível mundial como o foi dentro do Nabal, pois pode ser que assim o défice e a dívida externa diminuam, já que, e contos de natal aparte, os impostos taxados sobre todos os nabos não deram senão para reduzir o dito défice em apenas 0,2%. Feliz Natal e não se esqueçam de comprar os Contos do Tio Coelho para os vossos sobrinhos, afilhados e netos (não se aconselham estas histórias hard-core para os vossos filhos). O Tio Coelho agradece pois o défice continua em alta e por essas e outras talvez tenha de em breve mudar de emprego.
O Pupú Abraça Calorosamente (e por acidente estrangula) os Seus Friorentos Vizinhos
Com a chegada do Natal o calor e a amizade reinam em força a leste da União das Hortaliças. E a competição chega a ser feroz para os convidados da ceia de natal e que o diga a Planície dos Cossacos, dividida que está entre o convite para se juntar à festa que lhe foi estendido pela doce mão do querido Pupú, líder incontestado do Império dos Ursos, que agora anda cheio do espírito natalício, dando-se até a libertar antigos inimigos políticos e os engraçadinhos – no caso, as mascaradas engraçadinhas – que se lembram de dizer mal dele nas igrejas, embora os inimigos (qual é o grande homem que os não têm?) digam que é uma operação de cosmética para que os Jogos das Castanhas de Inverno que ele está a organizar no seu Império não sejam um fiasco de bilheteira por falta de assistência e de competidores. Nada pode estar mais longe da verdade, que o nosso Pupú é muito homem e não tolera cá desviados nem indecisos, como bem provam as suas mais recentes leis contra tais indecisos ou baralhados sexos. Como se não fosse suficiente um convite natalício, eis que havia já uma espécie de pré-compromisso para vir para a pancadaria de Natal… bem, para a ceia seguida de pancadaria na altura de distribuir os presentes, na casa da União das Hortaliças. Naturalmente, quando soube do convite, o Pupú achou que tinha de fazer alguma coisa para assegurar a presença da Planície à mesa pois de outro modo corria o risco de ter apenas 13 convidados para a ceia e todos sabemos o que isso dá. E decidiu, para fazer decidir o indeciso candidato, dar uns presentinhos de apresentação às vantagens da sua lauta ceia na toca dos Ursos, isto é, na imperial mesa, que isto de Imperadores é outra loiça, não se medem às peças com deputados eleitos por pindéricos papelinhos. A União, pelo contrário, como é um clube selecto, apesar de ser o clube dos tais deputados eleitos por pindéricos papelinhos, queria os Cossacos na mesa da consoada mas exigia algumas contrapartidas, no caso uma lista de prendas aí com mais dum metro de comprido, pois que isto cear no clube das Hortaliças é outra fina, não se compara com ceias aborrecidas e cheias de etiqueta na pindérica mesa dos Imperadores, sejam eles ursos ou não. Mas fazia também promessas. Se viesse à ceia, com os todos os presentes da lista para dar aos anfitriões, a União prometia confusão, pancadaria de toso os estilos e calibres e uma barafunda geral na casa que ninguém poderia prever quando acabaria, a Planície dos Cossacos era muito bem-vinda para a malhação, até porque era famosa pela sua queda para a pancada, frio não lhe chegaria de certeza, tanto seria o exercício. Infelizmente, o líder dos cossacos não gosta muito de confusões (já não se fazem cossacos como antigamente, suspiraram os mais velhos da Planície…), e preferiu os braços abertos do líder dos Ursos, o qual em vez de lhe exigir persentes até já lhos estava a enviar ainda sem os Cossacos terem aceite o convite (o que acontecerá aos convidados uma vez entrados no covil do Urso, só o urso o saberá). Infelizmente também, desde que o czar foi levado num ar que lhe deu que os cossacos abraçaram a mania das repúblicas e já não obedecem cegamente ao líder. Os outros cossacos queriam ir à ceia da União pois estavam todos contentes já a treinar os punhos para a pancadaria, para se ocidentalizarem contribuindo o melhor possível para o arraial que já está armado na Capital do Tacho/Couve-de-bruxelas e em todas as outras capitais do mercado das verduras. Os outros cossacos não confiavam lá muito nas boas intenções do Pupú, pois ainda se lembravam bem de como haviam sido os tempos quando pertenciam ao Império dos Ursos e não queriam repetir a dose. E porque este ano vai frio e os tempos de obedecer e calar já eram, os cossacos pegaram no seu aguerrido espírito e vieram todos para a rua aquecer-se e cantar em coro “não, não vamos! Não, não vamos!”. Também aqueceram em coro com os rapazes do líder que lhes vão dando no lombo para eles não enregelarem nem perderem o ânimo. E porque são todos uns rapazes muito entusiastas – e querem mostrar à União o que perde por exigir prendas em vez de as dar para eles irem à pancadaria após a ceia – vá de derrubarem estátuas e outros adereços natalícios, para mostrarem como são especialistas em demolições. Do lado de lá da fronteira o chefe dos ursos abriu as torneiras do gás e baixou os preços, para que os cossacos não congelem e continuem a aquecer-se ao ar livre, para bem do brilho e espírito natalício. E estes retribuíram o favor, aquecendo-se agora nas ruas à força de traulitada, fogaréus vários e cânticos natalícios cujas castiças letras não descrevem noites de paz nem estrelas de Belém ou prendas dadas durante os 12 dias do Natal mas simplesmente “vai-te embora, oh melga”, que certamente copia o cântico dos pastores em Belém, quando tentavam afastar os mosquitos e moscardos das ovelhas e da manjedoura do Menino.