Vai grande arruaça no quintal das
vacas da República dos Hambúrgueres. Tudo porque se descobriu que a folha de
Excel do merceeiro local, um certo senhor Madoff, estava com erros e falhas que,
curiosamente, o beneficiavam sempre. Além de merceeiro, o senhor Madoff tem
sido gestor de fundos de uma série de instituições não lucrativas de
beneficência. Tudo começou na semana passada quando ele não abriu a loja, o que
gerou, primeiro, uma fila de donas de casa aflitas para comprar leite para os
“piquenos, que têm de ir p’rá escola, ‘tadinhos e sem leitinho como é que vão
conseguir aguentar as exigências daqueles malvados professores!” Duas horas e
meio quilómetro de bicha mais tarde, eram as velhotas a juntarem-se às aflitas
mães, porque queriam beber a biquinha e cortar na vida alheia. Do senhor
Madoff, nem sombra. Cansadas de esperar, decidiram ir todas a casa do homem porque
“coitadinho, e se lhe deu alguma coisa, ele lá sozinho sem ninguém p’ra
ajudar”. Mas ao chegarem viram tudo muito fechadinho e foi a grande custo que
conseguiram persuadir a teimosa porteira a ir “até lá acima” abrir a porta.
Bom, na verdade o que a levou a subir as escadas foi o leve cheiro a possível
história gorda capaz de animar a má-língua durante dois meses no pacato
quintal, tão lerdo como as vacas que lhe dão o nome e no momento ruminavam
pasmadas, focinhos por cima da cerca de buxo, sem atinarem com a razão do
corrupio feminino. Entraram mas do senhor Madoff e dele nem pó! Tudo muito
arrumadinho, tudo muito limpinho mas népias, nada. A porteira, que sabe bem onde
ele esconde o cofre e até tem ido lá tirar umas fotografias para o filho vender
aos jornais da estranja sob pseudónimo, que isto a vida está difícil e tem de
se aproveitar o que calha de vir à mão, foi ao soalho arrancar as duas tábuas mas… adeus
cofre. Apenas uma nota para a porteira a dizer: “sua alcoviteira, fui-me embora
e a renda, pague-a você, que já ganhou bastante com as fotografias”. O resto do
mulherio quis saber a história das fotografias mas não soube porque a porteira
teve um conveniente desmaio, o que temporariamente atirou o bater d’asa do
senhor Madoff para segundo plano. Quando o dito filho chegou a casa, e como o
senhor Madoff tivesse deixado o computador para trás, decidiu vasculhá-lo. Após
limpeza de vírus e cavalos de Tróia, semeados nos ficheiros para punir abelhudos
(só que o rapaz conhecia a manha da besta e tratou de inutilizar as defesas
antes de se meter a espiar os segredos do inquilino fugido), espiolhou os
documentos todos e nem queria acreditar quando analisou a folha de cálculo do
homem. Estava errada! Não era que o homem, que defendia com todas as forças que
quando um cliente estava com calotes, a receita era fazer-lhe empréstimos para
pagar as mercadorias e exigir todo o dinheiro de volta com juros de 50%,
cortando-lhe no abastecimento de víveres até a dívida estar saldada, se esquecera
de somar várias parcelas? Essas somas em falta mostravam para quem quisesse ver
que a razão pela qual ele justificara durante anos a condenação dos pobres à fome
e levara o bairro e metade da cidade a emigrar em massa para outras paragens,
não tinha fundamento. Pior ainda, o filho da porteira descobriu contas secretas
cifradas… de fraudes financeiras descomunais. Chocado, o rapaz começou a
telefonar para a polícia e de seguida para as associações de caridade de que o
senhor Madoff fora gestor de fundos e… as associações nem sabiam que ele dera à
sola. Telefonema para cá e para lá, as associações descobriram que as contas
bancárias tinham sido todas limpas na véspera… e estavam afinal não com grandes
lucros mas com défices gigantescos. Porque fora a desviar os fundos de caridade
que o senhor Madoff subsidiara as suas luxuosas vivendas em 7 ilhas, uma extensa
frota de caros de luxo, 3 iates, várias inscrições em country clubs, cinco mansões de férias no estrangeiro e contas
secretas enormes no Cantão dos Queijos. “Logo ele, que parecia tão modesto!”
espantavam-se as vizinhas, aglomeradas em casa da porteira, a verem sem
acreditar no que surgia no ecrã do computador. Decorre agora uma internacional
caça ao desaparecido, que mobiliza já os melhores espiões do mundo inteiro pois
não foi apenas no bairro que ele lixou as contas de quase toda a gente. Tudo
isto seria apenas um interessante tema de filme de
polícias-ladrões-espiões-romance-comédia, tipo Bollywood massala, se o Fundo Mundial da Agiotagem não tivesse apoiado as
suas políticas de financiamento a países em dificuldades precisamente na tese
do senhor Madoff sobre o auxílio a fregueses em apertos. Agora se compreende
porque as ajudas do Fundo levam sempre, qualquer que seja a estrutura social,
económica, dimensão ou contexto geopolítico do país ajudado, a que a sua economia
entre em recessão profunda, acabe na morgue e pelo menos metade da população
emigre. Claro que a defuntice das economias dos países ajudados é muito boa
para as empresas multinacionais, em especial as do grupo do senhor Madoff
(desconhecia-se até ontem que ele fosse um empresário de dimensão
multinacional) porque podem deslocalizar as suas fábricas para esses países
onde não há leis de protecção nem segurança no trabalho, inspecções médicas ou
de descargas de efluentes ainda menos, os operários não só têm de pagar para
trabalhar nas fábricas como morrem como tordos, as populações nas vizinhanças
idem, mas as empresas têm lucros como nunca se viu na História. Os países, é
claro, ficam cada vez mais poluídos, cada vez mais miseráveis, cada vez mais
ingovernáveis. Mas isso não importa pois hoje o mundo é global. Aliás, a
comprová-lo está a notícia acabada de chegar de que o senhor Madoff foi
localizado numa das suas mansões, calmamente a beber cocktails ao lado da
piscina, acompanhado dum harém de jovens escravas locais, angariadas para lhe
fornecerem prazeres. Ele não será repatriado pois o lugar não tem convénios de
extradição de criminosos para os seus países de origem. Espera-se agora que o
Fundo Mundial da Agiotagem venha prestar declarações sobre as suas políticas de
intervenção baseadas nas falsas contas deste
merceeiro-vigarista-empresário-apenas-quando-está-entediado. Irá o Fundo alterar
as suas políticas? Irá mantê-las como se o seu fundamento fosse incontestável
verdade? Aceitam-se apostas, faça a sua para o prédio vaca-malhada n.º 23 até
amanhã às 10 horas.Número total de visualizações de páginas
quinta-feira, 14 de novembro de 2013
Vai grande arruaça no quintal das
vacas da República dos Hambúrgueres. Tudo porque se descobriu que a folha de
Excel do merceeiro local, um certo senhor Madoff, estava com erros e falhas que,
curiosamente, o beneficiavam sempre. Além de merceeiro, o senhor Madoff tem
sido gestor de fundos de uma série de instituições não lucrativas de
beneficência. Tudo começou na semana passada quando ele não abriu a loja, o que
gerou, primeiro, uma fila de donas de casa aflitas para comprar leite para os
“piquenos, que têm de ir p’rá escola, ‘tadinhos e sem leitinho como é que vão
conseguir aguentar as exigências daqueles malvados professores!” Duas horas e
meio quilómetro de bicha mais tarde, eram as velhotas a juntarem-se às aflitas
mães, porque queriam beber a biquinha e cortar na vida alheia. Do senhor
Madoff, nem sombra. Cansadas de esperar, decidiram ir todas a casa do homem porque
“coitadinho, e se lhe deu alguma coisa, ele lá sozinho sem ninguém p’ra
ajudar”. Mas ao chegarem viram tudo muito fechadinho e foi a grande custo que
conseguiram persuadir a teimosa porteira a ir “até lá acima” abrir a porta.
Bom, na verdade o que a levou a subir as escadas foi o leve cheiro a possível
história gorda capaz de animar a má-língua durante dois meses no pacato
quintal, tão lerdo como as vacas que lhe dão o nome e no momento ruminavam
pasmadas, focinhos por cima da cerca de buxo, sem atinarem com a razão do
corrupio feminino. Entraram mas do senhor Madoff e dele nem pó! Tudo muito
arrumadinho, tudo muito limpinho mas népias, nada. A porteira, que sabe bem onde
ele esconde o cofre e até tem ido lá tirar umas fotografias para o filho vender
aos jornais da estranja sob pseudónimo, que isto a vida está difícil e tem de
se aproveitar o que calha de vir à mão, foi ao soalho arrancar as duas tábuas mas… adeus
cofre. Apenas uma nota para a porteira a dizer: “sua alcoviteira, fui-me embora
e a renda, pague-a você, que já ganhou bastante com as fotografias”. O resto do
mulherio quis saber a história das fotografias mas não soube porque a porteira
teve um conveniente desmaio, o que temporariamente atirou o bater d’asa do
senhor Madoff para segundo plano. Quando o dito filho chegou a casa, e como o
senhor Madoff tivesse deixado o computador para trás, decidiu vasculhá-lo. Após
limpeza de vírus e cavalos de Tróia, semeados nos ficheiros para punir abelhudos
(só que o rapaz conhecia a manha da besta e tratou de inutilizar as defesas
antes de se meter a espiar os segredos do inquilino fugido), espiolhou os
documentos todos e nem queria acreditar quando analisou a folha de cálculo do
homem. Estava errada! Não era que o homem, que defendia com todas as forças que
quando um cliente estava com calotes, a receita era fazer-lhe empréstimos para
pagar as mercadorias e exigir todo o dinheiro de volta com juros de 50%,
cortando-lhe no abastecimento de víveres até a dívida estar saldada, se esquecera
de somar várias parcelas? Essas somas em falta mostravam para quem quisesse ver
que a razão pela qual ele justificara durante anos a condenação dos pobres à fome
e levara o bairro e metade da cidade a emigrar em massa para outras paragens,
não tinha fundamento. Pior ainda, o filho da porteira descobriu contas secretas
cifradas… de fraudes financeiras descomunais. Chocado, o rapaz começou a
telefonar para a polícia e de seguida para as associações de caridade de que o
senhor Madoff fora gestor de fundos e… as associações nem sabiam que ele dera à
sola. Telefonema para cá e para lá, as associações descobriram que as contas
bancárias tinham sido todas limpas na véspera… e estavam afinal não com grandes
lucros mas com défices gigantescos. Porque fora a desviar os fundos de caridade
que o senhor Madoff subsidiara as suas luxuosas vivendas em 7 ilhas, uma extensa
frota de caros de luxo, 3 iates, várias inscrições em country clubs, cinco mansões de férias no estrangeiro e contas
secretas enormes no Cantão dos Queijos. “Logo ele, que parecia tão modesto!”
espantavam-se as vizinhas, aglomeradas em casa da porteira, a verem sem
acreditar no que surgia no ecrã do computador. Decorre agora uma internacional
caça ao desaparecido, que mobiliza já os melhores espiões do mundo inteiro pois
não foi apenas no bairro que ele lixou as contas de quase toda a gente. Tudo
isto seria apenas um interessante tema de filme de
polícias-ladrões-espiões-romance-comédia, tipo Bollywood massala, se o Fundo Mundial da Agiotagem não tivesse apoiado as
suas políticas de financiamento a países em dificuldades precisamente na tese
do senhor Madoff sobre o auxílio a fregueses em apertos. Agora se compreende
porque as ajudas do Fundo levam sempre, qualquer que seja a estrutura social,
económica, dimensão ou contexto geopolítico do país ajudado, a que a sua economia
entre em recessão profunda, acabe na morgue e pelo menos metade da população
emigre. Claro que a defuntice das economias dos países ajudados é muito boa
para as empresas multinacionais, em especial as do grupo do senhor Madoff
(desconhecia-se até ontem que ele fosse um empresário de dimensão
multinacional) porque podem deslocalizar as suas fábricas para esses países
onde não há leis de protecção nem segurança no trabalho, inspecções médicas ou
de descargas de efluentes ainda menos, os operários não só têm de pagar para
trabalhar nas fábricas como morrem como tordos, as populações nas vizinhanças
idem, mas as empresas têm lucros como nunca se viu na História. Os países, é
claro, ficam cada vez mais poluídos, cada vez mais miseráveis, cada vez mais
ingovernáveis. Mas isso não importa pois hoje o mundo é global. Aliás, a
comprová-lo está a notícia acabada de chegar de que o senhor Madoff foi
localizado numa das suas mansões, calmamente a beber cocktails ao lado da
piscina, acompanhado dum harém de jovens escravas locais, angariadas para lhe
fornecerem prazeres. Ele não será repatriado pois o lugar não tem convénios de
extradição de criminosos para os seus países de origem. Espera-se agora que o
Fundo Mundial da Agiotagem venha prestar declarações sobre as suas políticas de
intervenção baseadas nas falsas contas deste
merceeiro-vigarista-empresário-apenas-quando-está-entediado. Irá o Fundo alterar
as suas políticas? Irá mantê-las como se o seu fundamento fosse incontestável
verdade? Aceitam-se apostas, faça a sua para o prédio vaca-malhada n.º 23 até
amanhã às 10 horas.quarta-feira, 13 de novembro de 2013
terça-feira, 12 de novembro de 2013
O Charco do Milho é um pequeno
país que, embora situado numa posição geográfica muito peculiar, responsável
pelo seu nome, em regra não recebe os holofotes noticiosos porque ali se pasa nada, amigo. Mas o pequeno e
pobre país decidiu ser campeão das novas tecnologias no sector da informação,
por incentivo do seu visionário líder, que anda de candeias às avessas com os jornais
locais, uns chatos que não calam a caixa sobre o bonito negócio de extracção de
pez (uma coisa malcheirosa mas de grande valor para fazer crescer as
conquilhas, em especial as dos viveiros no Cantão dos Queijos) na grande
floresta tropical onde, só para enervar os homens de bem, vivem uns selvagens importunos
que têm a mania de reivindicar como suas as terras onde já os seus
tetra-tetra-tetra-tetra-trisavós viviam. Ridícula pretensão pois se eles não
abatem a floresta para nela instalar malcheirosos campos de exploração de pez
nem para construírem estâncias turísticas para milionários, grandes condomínios
fechados, ou marinas para iates aproveitando o imponente rio que passar por lá,
quem lhes dá o direito de pensarem que aqueles baldios são seus? As terras são
de quem as apanha e com elas lucra, e tenho dito. Se as florestas ajudam a
combater as alterações climáticas isso não interessa, pois quando o mar subir
ou faltar a água, o glorioso líder e família terão as suas mansões, campos de
golfe e centros de compras em lugares muito recatados de todas as catástrofes e
a água virá dalgum canto onde se apinham miseráveis trabalhadores, que a verão fluir
docemente dos seus quintais através de canalizações à prova de bala e ramais
clandestinos para o lugar de remanso das pessoas importantes. O que levou às do
cabo o líder do muy típico Charco foi
o facto de que os protestos dos selvagens e terroristas que se atam a árvores
prestes a serem demolidas com motosserras chegaram ao resto do mundo. Os
colonialistas da União das Hortaliças assinaram até um manifesto contra a
destruição da floresta e receberam com honras de primeira página um dos chefes
selvagens (como se o Charco do Milho fosse uma terra atrasada, veja-se a
afronta!), privando o excelso líder dos fabulosos lucros que, perdão, privando
o Charco do Milho dos fracos lucros (o mercado do pez está em crise, como sabem)
decorrentes da exploração deste seu precioso recurso A companhia do pez, cheia
de tefe-tefe, só irá para a floresta se os pagamentos por debaixo da mesa ao
grande líder do Charco receberem um corte de 50% e o exército for destacado
para proteger as operações dos perigosíssimos selvagens, que combatem com
temíveis pedras e ainda mais aterradores arcos e flechas pré-históricos. O
glorioso líder do Charco resignou-se a receber menos conquilhas no seu cofre
secreto do Cantão dos Queijos e concordou com as exigências. Neste momento o
exército avança já sobre a floresta, juntamente com grosso esquadrão de
sapos-boi voluntários, extremamente violentos e recrutados nas cadeias de todo
o continente, e rãs mercenárias conhecidas pela sua extrema toxicidade mal
entram em contacto com o inimigo. O objectivo primeiro e único é exterminar os
selvagens, tornando deste modo a selva muitíssimo mais segura. Quando estiver
segura ao ponto de se poder passear por ela, ou seja quando metade das suas
árvores e espécies animais tiverem também sido exterminadas pela desflorestação
e pelas actividades das companhias de pez, poder-se-á instalar complexos
turísticos para a elite financeira mundial, devidamente servidos com
prostitutas locais, de preferência selvagens dos países vizinhos pois os
turistas gostam muito de conhecer o exotismo destas paragens. Só que os malditos
jornais voltaram a agitar os cidadãos do Charco contra estes acontecimentos, ou
não estivessem eles ao serviço das perigosas forças colonialistas estrangeiras,
nas palavras do glorioso líder em brilhante discurso de 12 horas, onde deu a
conhecer o seu novo projecto de reforma da comunicação social. É tempo, disse o
divino líder, do Charco do Milho acompanhar a evolução tecnológica. Assim,
declarou entre muitos rolares de olhos, simulação de faltas de ar, esbracejares
furiosos, apoplexias, espasmos e tremores para galvanizar as hostes, a partir daquele
momento os jornais do país estavam todos encerrados. De facto nessa altura as
tropas estavam a partir à bazuca todos os escritórios e tipografias e a
eliminar a tiro todos os jornalistas, que são uma cáfila de traidores (aplauso,
aplauso, aplauso das claques pré-contratadas e muito bem ensaiadas pela equipe
do Ministério da Propaganda). Se os milhenses quiserem ler jornais terão agora
de o fazer na Rede-de-Pesca. Claro que todas as ligações aos sites
jornalísticos locais serão controladas por password,
a ser obtida no Ministério da Propaganda após averiguação de todas as
actividades do requerente desde o nascimento, incluindo a pesagem dos seus
excedentes fisiológicos nas fraldas. Só os milhenses devidamente certificados
até à 4ª geração de não serem subversivos nem permeáveis a qualquer
subversividade terão direito à password.
Sempre que um milhense se ligar aos sites dos jornais, a sua actividade será integralmente
monitorizada pela Polícia de Defesa e Vigilância do Charco (a PDVCaca). Será
bloqueada toda e qualquer tentativa de acesso à imprensa estrangeira seja pela
Rede-de-Pesca ou por jornais em papel traficados nas fronteiras. A qualquer
instante, e sem aviso, poderá a PDVCaca ou o Ministério da Propaganda bloquear
o aceso aos jornais online, e já
agora a toda a Rede-de-Pesca, caso se considere que o conteúdo destes desagrade
ao grande líder. Como castigo, o site
será imediatamente encerrado. Os felizardos com password encontrarão em lugar das notícias um interessante desenho
animado dum milhense todo roto, a abrir buracos, e uma tarjeta por cima anunciando:
“Estamos a Trabalhar para a Glória do Charco, Ajude-nos com o seu Contributo”.
Em alternativa poder-se-á fornecer ligação a missas campais, serviços de
apostas em combates de galos ou ao último jogo de futebol a contar para a Taça.
Deste modo, concluiu o glorioso líder ao fim das 12 horas e do mais espetacular
espasmo tremebundo que levou os presentes ao êxtase, o Charco do Milho entrará
na ilustre era digital. O facto de só a família do glorioso líder e poucos
amigos terem dinheiro para computadores e astronómicas taxas de ligação à
Rede-de-Pesca, não constituirá decerto entrave a tão revolucionário
empreendimento.
Fonte: Wikipedia
segunda-feira, 11 de novembro de 2013
![]() |
| Fonte: www.aloprando.com |
No Condado do Gamanço as novas
leis estatutárias da profissão de ladrão estão a apanhar desprevenidos os seus
cidadãos. Neste Condado existem duas castas: os ladrões e os roubados, embora
estes últimos tentem de vez em quando furar o esquema e fazer umas gatunagens
por conta própria e sem descontos para a Segurança Social. Acontece que muito
recentemente as leis de protecção à esforçada classe dos ladrões sofreram alterações
mas estas não foram ainda publicadas em edital colado nas paredes das tabernas
e casas de banho públicas, onde normalmente se afixam ou escrevem todas as
novidades do condado, garantindo deste modo a sua ampla audiência e divulgação.
O mais recente exemplo dos erros de desinformação está agora em juízo e trata
dum sr. ladrão, profissional com larga experiência no ramo que, assaltando uma
casa de bolos (estava a precisar dum “reforço” entre duas acções de formação de
que sou monitor, explicou o visado) foi agredido pelo dono da casa porque
pilhado em pleno desempenho das suas funções. Sucede que a nova legislação,
valorizando a segurança profissional dos amigos do alheio, estabelece muito
claramente no novo decreto que quando alguém descobrir um ladrão a tomar posse
dos seus bens deverá deixá-lo trabalhar pacatamente, sendo até recomendado que
lhe ofereça chá e cigarrilhas ou, no caso do gatuno ser de baixa craveira, uns
charros ou um grande penalty. Como a lei do Condado do Gamanço procede por
casos anteriores, está esta fundamentada no exemplo do rabi Zalman que, tendo
chegado a casa e dado com uns atrevidos a roubarem-lhe o que lá tinha, declarou
ser tudo pertença dos gatunos para evitar que estes fossem castigados por Deus.
Deste modo o dono da pastelaria, agora em tribunal por agressão ao honesto sr.
ladrão, apesar de argumentar com o desconhecimento da nova lei, será
seguramente punido com pena suspensa – não se lhe vá dar na ideia de surrar
outro que lá vá à loja fanar doces – e dois anos de trabalho comunitário em que
fornecerá bolos, chá e cafés à discrição a todos os ladrões que operem na sua
área de residência, no horário de trabalho da gatunagem, incluindo horas
extraordinárias. Fora deste horário poderá vender doces e salgados mas a metade
do preço de tabela a todo o ladrão que apresente carteira profissional no acto
da compra.
domingo, 10 de novembro de 2013
Na Capital dos Lagos de Gelo
(descongelados devido às alterações climáticas) do Reino das Renas foi hoje
conhecido o nome do vencedor do Nobel dos Ditadores de Sucesso deste ano.
Trata-se nem mais nem menos do que o carismático líder do Império dos Ursos. Com
efeito, após ter sido atribuído postumamente ao Batata-de-Semente e outros
exterminadores particularmente bem-sucedidos no seu mister de assassinar
milhões, o galardão decidiu mudar um pouco de rumo e premiar ditadores menos
sanguinários mas nem por isso menos eficientes a eliminar adversários e grupos
sociais do seu especial desagrado. Coube assim a inauguração deste novo ciclo
ao eterno chefe dos destinos dos Ursos, o qual é tão adorado na sua pátria que
até vai ter lugar cativo nos mausoléus do futuro. Foi o líder do Império dos
Ursos escolhido pelo Comité dos Nobel, pelas suas grandes conquistas no sentido
do aumento da repressão no mundo e em particular no seu país, sem que por isso
haja perdido o poder, a guerra ou a cabeça. Raros são os líderes deste calibre
que conseguem arrumar as botas descansadamente e dar a alma ao Criador no tempo
previsto pelo dito, em vez da sua partida lhes ser apressada por inimigos
externos ou internos. O Pupu, nome afectuoso com que é conhecido entre os Ursos,
tem o muito invejável palmarés abaixo descrito. Iniciou carreira na mais infame
polícia política do estado, antes do regime ter metido os pés pelas mãos e
mudado de fatiota. Com a lata dos sobreviventes e um pouco de arrivista a
temperar o caldo, fez-se eleger deputado e depois substituiu o amado Camarada
dos Copos na liderança do país. Uma vez aí chegado, e sem jamais esquecer as
lições aprendidas no início de carreia, atirou-se aos súbditos da etnia dos
turbantes que tentavam tornar as suas montanhas independentes da Grande Mãe
Pátria. Foi uma guerra cheia de sucessos, onde limpou sistematicamente os
rebeldes, dando aos seus homens livre mão para violarem todas as chatas
declarações de direitos humanos, que só servem para atrapalhar os exércitos que
precisem dar no toutiço a insurgentes e aliás, de passagem, violou também um
monte de mulheres e mais uma série doutras regras de regras e convenções de
guerra, incluindo algumas que ainda não tinham passado pela cabeça dos
legisladores. Esta actuação foi uma grande lição para os dos turbantes, os
quais não conseguiram a independência mas exportaram as táticas recém-aprendidas
para outros campos de conflito no estrangeiro. Ao mesmo tempo, e para não
deixar que o moral dos seus governados baixasse durante a guerra, o que é uma
traição de lesa-pátria, mandou os seus antigos colegas da polícia limparem o
sebo e documentação de todos os jornalistas que porventura se lembrassem de
denunciar as violações e atrocidades cometidas na guerra. A limpeza de sebo a jornalistas
tornou-se desde essa altura, e mesmo com a guerra acabada há décadas, um
desporto nacional muito apoiado pelo governo, com subsídios atribuídos aos
melhores limpadores. A seguir, e guerra acabada, virou-se para o seu quintal e
pôs-se a instaurar processos e a condenar todos os que o criticavam ou se
armassem em seus adversários políticos pois a democracia no Império dos Ursos
também é diferente das outras: aqui todos os cidadãos são livres… para
concordarem com o Pupu. Quem se desse à fantasia de criticar as suas políticas
e fosse suficientemente rico era acusado de corrupção e atentado à segurança
nacional, ia para a prisa e os seus bens eram confiscados e dados a amigos do
Pupu com currículo comprovado em corrupção, ligações à máfia local e tráfico de
influências. Os pobres eram simplesmente condenados por vandalismo e ala para a
grelha. Os tolos que porventura se lembrassem, e lembrem ainda pois os ursos
são notórios pela falta de memória, de concorrer a eleições locais contra os
amigos do Pupu são levados a tribunal acusados de fraude, corrupção, cedência
de segredos de estado a potências estrangeiras e outras ilegalidades (o código
penal do Império é muito criativo nesta matéria) e as suas sedes de campanha são
criteriosamente assaltadas, vasculhadas e vandalizadas. Assim foram-se
eliminando os adversários pois ninguém de juízo se atreve a desafiar o Pupu;
até porque aqueles que se julgam espertos e fogem para o estrangeiro onde
depois desatam a dar com a língua dos dentes também são eliminados com
injecções de tálio devidamente dadas com a ponta de guarda-chuvas. De seguida,
e porque o Pupu é um rapaz atilado que não gosta de bagunças, caçou uns
ambientalistas que protestavam por causa do petróleo acusando-os de...
pirataria. No Império dos Ursos só pode ser pirata quem tiver dinheiro bastante
para pagar a carta de corso… perdão as concessões de exploração petrolífera, no
mar ou na tundra gelada. Compreende-se, porque isto de ser pirata só dá se
forem poucos ou o saque deixa de ser interessante. Infelizmente ainda enfrenta
alguns problemas na tundra gelada pois vivem por lá uns povos da Idade da Pedra
que protestam por lhe estarem a poluir os rios onde sempre foram buscar água e
lhes impedirem as suas transumâncias milenares de renas. Como tal, o Pupu
permite que os afectados pelos protestos usem a força para amouchar os
protestantes e, no caso dos mais reivindicativos, promulgou um decreto que
proíbe as associações dos primitivos, as quais são, segundo a lei, um perigo
para a segurança do estado. Também tem sido fonte de inspiração e apoio a
outros fortes líderes formados na mesma escola, como o do País dos Turbantes, embrulhado
já há dois anos numa guerra doméstica e a quem o Pupu fornece dinheiro, armas e
outras necessidades básicas, desde que satisfaça todas essas necessidades
comprando-as ao Império dos Ursos. E o bom afilhado tem sido mui zeloso no
contrato, pelo que a guerra segue o seu produtivo curso, limpando o país de
habitantes, esperando-se para breve que só lá fiquem os zaragateiros. E porque
tanta actividade mereceu alguns reparos da comunidade internacional, o Pupu foi
recuperar a velha tradição da corrida às armas, usando para isso o ancestral
receio dos seus súbditos face aos estrangeiros (que normalmente só lá iam para
dar cacetada). Deste modo será promovida uma corrida mundial ao armamento, o
que terá substanciais efeitos benéficos na economia global, tanto por aumentar
as encomendas às fábricas de armas como, ao alimentar as guerras, baixar
colateralmente as taxas de desemprego. Por fim, e dando resposta a um chefe de
estado que na última reunião da Organização das Nações Desunidas declarou serem
os praticantes de sexo em modalidades que não o papá-mamã o pior perigo para a
sobrevivência da Humanidade (as alterações climáticas, guerras, fome,
epidemias, poluição, colapso de ecossistemas não existem neste cenário),
decidiu o amado Pupu proibir todas as associações destes “praticantes de sexo
ilegal”, tendo lavrado em lei o que é o sexo legal, devidamente acompanhado,
para benefício dos mais distraídos, de ilustrações elucidativas (as quais geraram
uma anormal venda do diário oficial). O mesmo decreto-lei legalizou o
espancamento, perseguição, violação, roubo, atropelamento, apedrejamento,
linchamento ou assassinato (opção facultativa) dos “anormais” por parte dos
“normais”, assim como o assalto, devassa, pilhagem, destruição e fogo posto às
casas e demais propriedades dos primeiros. Tão carismático líder, possuidor de
tão ampla visão de futuro tem garantidamente o seu lugar na História e com
efeito assim é. Neste momento estão a reescrever-se os manuais de História do
Império, que conta talvez com mais de 2000 anos se se considerarem os períodos
ante-imperiais. Embora não se conheça ainda o índice do seu conteúdo, sabe-se
já que terá todo um capítulo dedicado à acção do Pupu, apesar dele estar no
poleiro há bem menos tempo do que os ditadores anteriores (os raríssimos
líderes democráticos do país não foram incluídos na cronologia). Convenhamos, o
Pupu merece. O Pupu merece até, não 1 mas 3 Prémios Nobel dos Ditadores de
Sucesso.sábado, 9 de novembro de 2013
Em tese post-doc obtida por
créditos concedidos em função da sua vasta experiência profissional e escrita
não pelo próprio mas por um seu subalterno que deseja muito ser promovido num
futuro próximo, o muito bem sucedido gestor e agora Ministro das Trapalhadas
Estrangeiras do principado das Miragens (ou pelo menos, bem sucedido no que se
refere às suas contas bancárias pessoais porque dos bancos e fundações que
geriu já não se pode dizer o mesmo) foi revelado o segredo dos gestores de
sucesso. O post-doc foi integralmente baseado na experiência do candidato e não
mais do que essa, abarcando o ambiente profissional muito sui-géneris em que
decorreu a sua carreira, aliás analisada em forma laudatória pelo escravo que
escreveu a tese. Trata-se assim de uma tese baseada num universo de amostragem
constituído por um único indivíduo e em condições laborais que só muito por
acaso intersectam a realidade do comum dos mortais. Mas como o tesante é
ministro, a tese foi naturalmente classificada como de excepcional relevância e
as suas conclusões deverão ser implementadas universalmente. Assim o segredo do
gestor de sucesso é… o dom da ubiquidade. Porque o gestor de sucesso tem de
fazer tudo para pertencer aos conselhos de administração de 15 bancos, 10
parcerias público-privadas e exercer em 5 escritórios de advocacia concorrentes
entre si, que defendam e representam grandes magnatas internacionais, de
preferência com altos cargos políticos nos países de origem ou para onde se
tenham mudado por incompatibilidades com os sistemas jurídicos da terra natal. Ora
como é fisicamente impossível dar conta do recado de tantos cargos, ou sequer
comparecer às reuniões a estes associadas, já para não falar do trabalho
eventualmente associado, o gestor de sucesso tem de se apoiar em comprovadas
estratégias que assentam em três pilares:
1º - Ficar confortavelmente em
casa e praticar meditação transcendental até desenvolver plenamente as suas
capacidades de projecção astral e dom da ubiquidade. Tal deverá ser realizado
durante os anos de curso e antes de se candidatar a qualquer cargo de direcção.
O universitário que mergulhe neste tipo de treino deverá somente deixar o
aconchego do seu quarto durante a noite, para ir beber uns copos, pois é bem
conhecido como as pielas facilitam as projecções astrais (e as outras).
2º - Dominadas estas técnicas e
conseguidos os cargos (não é necessário ter concluído o curso universitário,
embora dê jeito) deverá o gestor permanecer em casa, ou no bar, nos copos,
exercendo as suas capacidades ubíquas e de projecção astral. Se nunca tiver
passado do nível um da “ubiquidade para totós” e ser um desastre em projecções,
o gestor pode sempre contratar um ou mais sósias, a contrato temporário para
não se porem de repente com ideias…
3 – Se por azar alguns dos
múltiplos cargos caçados tiverem algum trabalho real associado, o gestor deverá
contratar a curto prazo um estagiário sobredotado mas parolo no que respeita a
contas, para fazer o trabalho a custo zero. Caso haja sido necessário contratar
sósias, deverão estes ser multiusados para fazer o trabalho em questão, sem
aumento de salário pois as multitarefas são uma condição sine qua non para qualquer aspirante a um posto de trabalho hoje em
dia. Naturalmente, os salários destes cargos serão pagos não ao estagiário nem
ao(s) sósia(s) mas ao gestor em questão.
Os gurus da economia do
principado pretendem exportar este modelo, com a cobrança dos devidos royalties aos países parolos que queiram
ir no bote, assim como, de passagem, a todos os gestores para o resto do mundo
(dado o desastre local que têm sido a gerir até mesmo um simples negócio de
carrinho de cachorros e salsichas na brasa). A sua eventual incompetência não é
óbice ao seu emprego e exportação pois na economia de mercado franca e aberta,
os mercados e os seus actores são 100% racionais, logo o mercado auto-regula-se
por muito disparatadas que sejam as decisões efectuadas, desde que, é evidente,
não se apliquem quaisquer regulações aos mesmos. O facto, de desde que foram
desregulados, os mercados terem passado a rebentar a cada 10 anos, é simples
coincidência ou, mais inisidiosamente, manobra sabotadora da oposição.
sexta-feira, 8 de novembro de 2013
O Fundo Mundial da Agiotagem está
de novo nas bocas do mundo e nos emails das redacções. Desta feita não por mor
de mais empréstimo agiotário que atirou para a morgue com a economia de outro
país “em salvação”, visto que tal não poderá ser notícia de um Fundo de
Agiotagem, de mais a mais com a experiência confirmada de atirar economias ao
fundo mais depressa do que os submarinos num jogo de batalha naval. Desta vez,
a notícia resulta de mais um erro nas famosas folhas de cálculo usadas por todo
o bicho-careta que quer dar uma de economista, mesmo que seja apenas o
economista de trazer-por-casa que soma os deves e haveres do ordenado a cada
final de semana, desporto radical responsável pelas subidas dominicais de ataques
cardíacos, conforme demonstram as estatísticas dos Serviços Nacionais de Doença
de metade dos países do clube da União das Hortaliças. Sucede que se veio a
descobrir na informática folha de cálculo que os dados com que o Fundo Mundial
da Agiotagem calculava índices e rácios, ou melhor, índices e taxas para saber
quanto deveria reduzir os salários da República dos Nabos estavam com dados em
falta. Na verdade o governo da República dos Nabos, para honrar a fama de
nabice dos seus concidadãos, esquecera-se de rever as contas dos salários que
já tinham sido cortados no ano anterior. Compreende-se. Os dignos governantes
tinham estado na desbunda da festa do Ti Nabo-Porro, candidato às eleições da
mão na mangueira e que seria posto na prisão no dia seguinte por desfalque e
desvio de água para o canteiro dos seus nabos favoritos, e a despedida de
liberdade – uma recente voga nesta República mas que parece vir a tornar-se
tradição – não pudera ser mais regada, cheia de brasas e com comes e trocas de
chamadas, fotos e mensagens vídeo nos mais recentes smartphones dos convivas. Donde, tendo a festa acabado às 7:30 da
matina e os convidados ido para os escritórios às 11 da manhã, briosos em
cumprirem os seus deveres (o cidadão comum tem de estar no trabalho às 9), estavam
sem cabeça para reverem contas, e enviaram o que lhes tinham posto em cima da
mesa. Resultado: mais de 50% dos cortes de salários do ano anterior não
entraram nas folhas de cálculo do Fundo Mundial, pelo que este, confiando nos
dados governamentais, concluiu que se teria de cortar os salários a toda a
gente em cerca de 95%. O que deu como resultado que pelo menos 2% da população
empregada se visse não apenas sem salário mas de facto a ter de pagar aos seus
empregadores pois como se sabe, tudo o que se corta para além do zero é
negativo, o que em economia quer dizer que nos sai do bolso, nada mais simples.
Agora vai uma imensa fúria nos gabinetes do Fundo Mundial de Agiotagem pois
culpam o governo dos nabos pela péssima imagem que os nativos têm do Fundo e
que expressam em manifestações e apedrejamentos quando os revisores do Fundo
vêm ao país ver em que param as modas, provar os últimos sucessos culinários e
os bons vinhos da região, conhecer nabiças giras e em pé de página ver como
andam a cumprir as suas ordens. O governo dos nabos diz que não senhor, que
enviou os dados todos que possuía e se surgiram novos elementos foi por
sabotagem de alguns funcionários públicos que foram já despedidos, tiveram
todos os bens confiscados e foram para a prisão que, tendo por este motivo
ficado sobrelotada, procedeu à amnistia total e integral do senhor Nabo-Porro
que pode agora vencer as eleições e ficar mais uns tempos de mão na mangueira a
regar os amigos. Porque, afirmação dos Ministro das Barafundas no Estrangeiro,
“na República do Nabal não se brinca com a hortaliça!”. Neste momento não se
saber se o Fundo irá exigir compensações monetárias pela delapidação da sua
imagem junto dos nabos e cidadãos de outros países mas pode-se garantir que não
foram minimamente alteradas as metas de reduções de salários exigidas pelo
Fundo, e que foram calculadas com os tais dados deficitários. Ou, como nos
disse em segredo uma das economistas do Fundo, e responsável pelos cálculos: “não
vamos emendar nada, enganámo-nos mas é segredo!” Comparações feitas nesta
redacção pela nossa coscuvilheira-mor (e porteira em todos os minutinhos livres
para ganhar algum com que pagar os grelos e obter informações fidedignas para
os seus artigos de jornalismo de investigação) revelaram que as metas de
redução de salários para a República dos Nabos são afinal idênticas às exigidas
para a Democracia da Moussaka, o Ilhéu das Cabras, a Grande Ilha dos Gnomos e o
Potentado da Paelha, que também estão sob “salvação” do Fundo, apesar destes
quatro países terem população, dinâmicas económicas e sociais bastante
distintas das da República dos Nabos. Será outro erro que não se deve divulgar?
Nota
da redacção: Aguardamos ansiosamente as novas contas da nossa
coscuvilheira-mor, que está já a fazer previsões com a folha de cálculo do
Fundo (fanada por um portal hacker) para a Floresta dos Veados, a Ilha dos
Cavaleiros, a Monarquia dos Raviolis, a VII República do Amor e Gruyère e a
Confederação dos Moinhos porque de crise em crise, o Fundo há-de chegar a
todos.
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