Todos conhecem a extrema responsabilidade social
e devoção à Natureza dos cidadãos da República Federal das Batatas, e em
particular das suas empresas. Não é que não poluam como os mais, que não
explorem os escravos como os mais nem que não entrem em corrupções e falcatruas
como os mais mas fazem-no fora de portas e sempre tão eficientemente pela
calada que é extremamente difícil dar por ela. De entre os ecologistas ninguém
é mais ecologista que o pessoal da República Federal das Batatas. Não só tratam
melhor os animais do que os turcos… perdão, forasteiros, de acordo com o que já
dizia certo dirigente do tempo do Batata Podre, como se preocupam à séria com o
meio ambiente, lutando contra o nuclear, votando num partido verde que disputa
lugares com os mais votados do Parlamento batatense e passando a vida a pisar os
decisores para promulgarem leis que reduzam as emissões dos gases de aquecer
estufas, fumos de carros, águas sujas e por aí fora. Mas nada de confundir as
coisas: ecologia é ecologia e negócios são negócios, e se for possível juntar
os dois, tanto melhor. Quando não se pode… há guerra. E os batatenses, têm-no
provado ao longo da História, são uns ases p’rá batatada. Também se têm provado
uns ases na indústria química, em especial quando se trata de matar em barda, o
que tem as suas grandes vantagens na agricultura e na redução da população
mundial, como os dias do Batata Podre bem o provaram. Ora um destes dias os
políticos da União das Hortaliças, sedeados na Capital do Tacho/ Couve-de-Bruxelas
(depende de se lê em valão ou em queijo flamengo), decidiram proibir uns
quantos pesticidas que têm feito das boas a muita gente e em especial têm
provado a sua eficácia a matar abelhas em barda. Todos os ecologistas da União
se regozijaram com a proibição e desta vez a habitual desunião da União sumiu,
de leste a oeste, de norte a sul, todos aplaudiram a medida. As abelhas talvez
tivessem uma hipótese de sobreviver, e deste modo a produção agrícola. Por isso
grande foi o espanto quando a maior empresa química da República das Batatas
decidiu pôr em tribunal os deputados da União das Hortaliças por causa desta
nova lei. Normalmente é a União das Hortaliças que põe em tribunal toda a
gente, incluindo governos, em especial se forem aqueles rascas pedinchões lá do
sul, que ninguém compreende para que servem. Normalmente é a União das
Hortaliças que faz estas leis ambientais. Normalmente toda a gente tem de
obedecer às leis. Mas lá está, negócios são negócios e conhaque é conhaque. E a
grande Bye-Bye, que fabrica pesticidas e medicamentos pois de uma coisa à outra
a diferença não é muita, o que aliás pode explicar algumas mortes macacas onde
devia haver curas, sabe disso muito bem. A proibição dar-lhe-ia cabo dos muitos
milhões e milhões de carcanhóis de negócio e perder clientela no mundo todo. E
isso é uma coisa que nenhum respeitável cidadão batatense, menos ainda uma
grande empresa batatense, pode sofrer. Trata-se de uma questão de bom nome, de
uma questão de honra. Mas não devemos pensar que a Bye-Bye não é ecologista,
não senhor. São grandes amigos do ambiente. Aliás, a sua férrea oposição à
proibição destes pesticidas resulta da sua grande preocupação e
responsabilidade ambiental. Porque, assim o demonstram, o mundo está em
sobrecarga de consumo de recursos, excesso de população, excesso de poluição,
enfim excessos que destroem o ambiente. Combater esses excessos é vital. E
esses excessos vêm de onde? De haver demasiadas pessoas. Então, se se matarem
as abelhas todas, deixa de haver polinização, a menos a que se faça
artificialmente. Então coisas como a fruta, o trigo, o milho, o centeio, as
couves, essas coisas, passarão a ser muito mais caras. E quem for muito pobre
deixa de as poder comprar. Como há muitos milhões de pobres, estes acabaram por
morrer à fome e o problema do excesso de população desaparece, e com ele o
excesso de poluição e de consumo de recursos. O facto de com as abelhas
exterminadas os ecossistemas entrarem em colapso… bem, o mundo não é perfeito e
numa guerra existem sempre lamentáveis danos colaterais. Também partilhamos
esta visão profundamente ecologista da química Bye-Bye e por esse motivo
pusemos já a circular na Rede-de-Pesca um abaixo-assinado de apoio à missão
ecologista desta empresa, e esperamos a total adesão dos nossos subscritores e
já agora… tragam um amigo também, a Bye-Bye oferece, com desconto de 10% do
preço de marca, uns bonitos antibióticos genéricos para doenças que nunca irão
ter.Número total de visualizações de páginas
terça-feira, 10 de dezembro de 2013
Todos conhecem a extrema responsabilidade social
e devoção à Natureza dos cidadãos da República Federal das Batatas, e em
particular das suas empresas. Não é que não poluam como os mais, que não
explorem os escravos como os mais nem que não entrem em corrupções e falcatruas
como os mais mas fazem-no fora de portas e sempre tão eficientemente pela
calada que é extremamente difícil dar por ela. De entre os ecologistas ninguém
é mais ecologista que o pessoal da República Federal das Batatas. Não só tratam
melhor os animais do que os turcos… perdão, forasteiros, de acordo com o que já
dizia certo dirigente do tempo do Batata Podre, como se preocupam à séria com o
meio ambiente, lutando contra o nuclear, votando num partido verde que disputa
lugares com os mais votados do Parlamento batatense e passando a vida a pisar os
decisores para promulgarem leis que reduzam as emissões dos gases de aquecer
estufas, fumos de carros, águas sujas e por aí fora. Mas nada de confundir as
coisas: ecologia é ecologia e negócios são negócios, e se for possível juntar
os dois, tanto melhor. Quando não se pode… há guerra. E os batatenses, têm-no
provado ao longo da História, são uns ases p’rá batatada. Também se têm provado
uns ases na indústria química, em especial quando se trata de matar em barda, o
que tem as suas grandes vantagens na agricultura e na redução da população
mundial, como os dias do Batata Podre bem o provaram. Ora um destes dias os
políticos da União das Hortaliças, sedeados na Capital do Tacho/ Couve-de-Bruxelas
(depende de se lê em valão ou em queijo flamengo), decidiram proibir uns
quantos pesticidas que têm feito das boas a muita gente e em especial têm
provado a sua eficácia a matar abelhas em barda. Todos os ecologistas da União
se regozijaram com a proibição e desta vez a habitual desunião da União sumiu,
de leste a oeste, de norte a sul, todos aplaudiram a medida. As abelhas talvez
tivessem uma hipótese de sobreviver, e deste modo a produção agrícola. Por isso
grande foi o espanto quando a maior empresa química da República das Batatas
decidiu pôr em tribunal os deputados da União das Hortaliças por causa desta
nova lei. Normalmente é a União das Hortaliças que põe em tribunal toda a
gente, incluindo governos, em especial se forem aqueles rascas pedinchões lá do
sul, que ninguém compreende para que servem. Normalmente é a União das
Hortaliças que faz estas leis ambientais. Normalmente toda a gente tem de
obedecer às leis. Mas lá está, negócios são negócios e conhaque é conhaque. E a
grande Bye-Bye, que fabrica pesticidas e medicamentos pois de uma coisa à outra
a diferença não é muita, o que aliás pode explicar algumas mortes macacas onde
devia haver curas, sabe disso muito bem. A proibição dar-lhe-ia cabo dos muitos
milhões e milhões de carcanhóis de negócio e perder clientela no mundo todo. E
isso é uma coisa que nenhum respeitável cidadão batatense, menos ainda uma
grande empresa batatense, pode sofrer. Trata-se de uma questão de bom nome, de
uma questão de honra. Mas não devemos pensar que a Bye-Bye não é ecologista,
não senhor. São grandes amigos do ambiente. Aliás, a sua férrea oposição à
proibição destes pesticidas resulta da sua grande preocupação e
responsabilidade ambiental. Porque, assim o demonstram, o mundo está em
sobrecarga de consumo de recursos, excesso de população, excesso de poluição,
enfim excessos que destroem o ambiente. Combater esses excessos é vital. E
esses excessos vêm de onde? De haver demasiadas pessoas. Então, se se matarem
as abelhas todas, deixa de haver polinização, a menos a que se faça
artificialmente. Então coisas como a fruta, o trigo, o milho, o centeio, as
couves, essas coisas, passarão a ser muito mais caras. E quem for muito pobre
deixa de as poder comprar. Como há muitos milhões de pobres, estes acabaram por
morrer à fome e o problema do excesso de população desaparece, e com ele o
excesso de poluição e de consumo de recursos. O facto de com as abelhas
exterminadas os ecossistemas entrarem em colapso… bem, o mundo não é perfeito e
numa guerra existem sempre lamentáveis danos colaterais. Também partilhamos
esta visão profundamente ecologista da química Bye-Bye e por esse motivo
pusemos já a circular na Rede-de-Pesca um abaixo-assinado de apoio à missão
ecologista desta empresa, e esperamos a total adesão dos nossos subscritores e
já agora… tragam um amigo também, a Bye-Bye oferece, com desconto de 10% do
preço de marca, uns bonitos antibióticos genéricos para doenças que nunca irão
ter.segunda-feira, 9 de dezembro de 2013
![]() |
| fonte: sol.sapo.pt |
fonte: publico.pt
domingo, 8 de dezembro de 2013
Novo
Rasgar de Horizontes na Ciência: O Vazio está Cheio!
Para nos resgatar das tristezas –
credo, até aqui já precisamos de resgates! – a comunidade científica dos nabos,
que tem ganho inúmeros prémios internacionais (recordemo-nos só dos sucessos
quando eram governados por um Cabeça-de-Abóbora), pois nunca como agora tem a
nabice sido recompensada, acaba de dar mais uma alegria ao afanado patriotismo
nabense. Tudo sucedeu por mor de mais uma das medidas de contingência com que os
nabos são diariamente aterrorizados, de cada vez que vêm a mulher da hortaliça aparecer
no horizonte com a faca para levar mais uns nabos para o mercado. Desta vez a
medida nem suscitou polémica pois os nabos, como se sabe, adoram que os seus
cientistas ganhem prémios mas no resto do tempo nem percebem para que é que a
ciência serve nem para que se há-de desperdiçar conquilhas “nessa coisa” donde
no meio de tantos cortes de conquilhas aqui, ali e acolá, nem foi notícia
quando se anunciou que iria haver um corte de 100% nos fundos para as
universidades e centros de investigação pois já “é hora desses madraços irem
ganhar o deles”, como referiu o Ministro da Educação dos Nabos. O Ministro
contudo não estava informado (na república dos Nabos é normal) que as universidades
e centros de investigação há muito que lutam com cortes anuais de verbas e já
aprenderam a ir arranjar quem pague o papel higiénico (para pouco mais dá o que
amealham) e a ciência, a sério, é feita pelos próprios investigadores que pagam
quase tudo do seu bolso ou então entram em parcerias com os colegas
estrangeiros e é isso que os vai safando. Quando o ministro descobriu que mesmo
cortando os fundos a 100% aqueles nabos teimosos continuariam a fazer ciência,
decidiu então ir verificar de onde lhes vinham as conquilhas. E quando
descobriu fez promulgar uma ordem que “estão proibidos de andar em parcerias
com estrangeiros e/ou com privados nacionais ou de fora e à conta disso poderem
ter conquilhas para obter os equipamentos. Ou para os mais distraídos: estão
impedidos de arranjar conquilhas lá fora, ou cá dentro nos privados. Perceberam
agora, seus burros?” isto causou uma grande confusão entre os cientistas pois
eles, para começo, são nabos, não são burros. Depois, durante anos tinham
andado a receber a ordem “diversifiquem os fundos, diversifiquem os fundos” e
“emparelhem com os privados” e agora que tinham conseguido fazer isso mesmo o
Ministro amuava e nem lhes dava conquilhas nem lhes permitia irem buscá-las a
ouro lado. O pasmo deu lugar á revolta. E enquanto alguns mais humoristas
desenhavam grandes burros e nabos à escala, enviando emails para o Ministério
para poderem ver as diferenças entre um nabo e um burro, os chefes tribais das
universidades reuniram em concílio, cruzaram os braços e depois do habitual
fumo branco e “habemus quorum”
declararam-se em greve de apresentação de orçamentos ao Ministério, temos dito,
uhg! Os cientistas novatos, habituados a todas as dificuldades e mais algumas,
e não querendo baixar os braços, atiraram-se ao trabalho e de repente… surgiram
com um sacado de conquilhas fresquíssimas junto dos chefes. Interrogados sobre
onde tinham descoberto as conquilhas, acenaram modestamente para os bolsos
vazios, para o grande espaço sideral igualmente vazio na maior parte e
declararam “No vazio!”, passando a uma difícil explicação sobre matéria e
anti-matéria, trovoadas na alta-atmosfera, raios gama e singularidades cósmicas
que ninguém percebeu. O que se percebeu foi que o vazio afinal está cheio de
oportunidades… a nossa céptica correspondente científica, e a única a perceber
o arrazoado dos cientistas, jura porém a pés juntos que um dos novatos passou às
escondidas um papelinho ao chefe maior dos chefes, que sorriu perante o que lá
viu escrito. Não sabemos se terá alguma relação com as oportunidades de que
pelos vistos o vazio está cheio, mas as universidades estão a franquear
alegremente as suas salas e camaratas para as Universidades de Verão dos vários
partidos da República dos Nabos. As Universidades de Verão, que este ano estão
especialmente na moda, talvez porque a maioria dos políticos têm cursos
comprados ali na candonga da Feira da Esquina ou no botequim do Ti Naifadas e
precisam de mais alguns pontos para tornar os currículos verdadeiros, são uma
alegre confraternização entre políticos do mesmo clube, onde uns quantos se
treinam na arte do discurso enquanto os outros se especializam em sestas no
hemiciclo, e no final do dia vai tudo a banhos, copos, petiscos e umas noitadas
nas discotecas locais ou, se a universidade é muito no interior, ao arraial dos
nabos emigrantes que vêem ver as berças no Verão, aproveitando os momentos de
convívio para treinarem as suas técnicas de marketing e promoção de imagem.
Como são despesas de partidos, naturalmente não há registos de nada nem se
desconta para impostos, donde não se sabe se pagam ou não alguma coisa de
aluguer das salas e anfiteatros às universidades. Mas lá que os reitores e
cientistas das universidades eleitas para estes convívios andam muito felizes,
lá isso andam…sábado, 7 de dezembro de 2013
A competição para os cargos de
segurar na mangueira que neste momento incendeia a República dos
Nabos têm o
condão de desorientar os nativos, que não sabem para onde virar as ramas,
tantos são os borrifos que lhes chegam daqui e dali. O efeito é tão forte que
até atinge nabos governantes. Estando o Nabal sob nova inspecção da Tripeça,
que está a verificar como decorre o ajustamento nas dimensões do Nabal, e
talvez arranque uns nabos para os levar para a sopa do jantar, alguns nabos
governantes em campanha a apoiar os correligionários na corrida para as
mangueiras, pensando que a distância não causava mossa, disseram que a Tripeça
não é um triunvirato de Drs. Jekill e Mrs. Hyde mas um clube de Mrs. Hyde
cruzados de Nosferatu, Drácula e Frankenstein. Os nabos que assistiam ao
discurso ficaram muito surpreendidos e começaram logo a verificar os programas
das festas pois talvez não estivessem num comício de mangueiras mas num dos
numerosos ciclos de cinema de terror que abundam no nabal, tendo debandado em corrida
para assistir à terceira sessão do Hotel X, que exibia um clássico de
lobisomens, deixando os pobres nabos governantes a falar para as pombas, as
quais não estavam interessadas em fitas mas nas migalhas do banquete com que
estes se celebrariam a si próprios e ao sucesso da campanha. A Tripeça, que tem
os seus espiões espalhados por todo o nabal, um por cada nabo residente, foi
logo fazer queixinha ao ministro-chefe e este ficou muito irritado, na sua
equipa não havia desertores, ora essa! Quem desertava levava guia de marcha
para o mercado do Bulhão e acabava-se a festa. Para salvar a honra do convento
– e sobretudo as suas ramas dado que a Tripeça lhe mandara vários trabalhos de
casa para fazer que, como aluno cábula, não fez – o nabo ambientalista fez de
arauto e leu em voz alta no adro do poço o édito de expulsão dos
nabos-ministros rebeldes. É, dizia o édito, crime de lesa-majestade atacar a
Tripeça quando ela cá está (podem ataca-la à vontade, o nabal é uma sociedade
livre, mas façam-no apenas entre amigos e só depois de a vermos pelas costas),
até porque não se atacam visitas quando as recebemos em casa, como podemos elevar
as receitas do turismo se até ministros se portam como selvagens e ignoram as
leis da hospitalidade? Ou ter-se-ão passado para a oposição? Por fim, e mesmo
que considerandos civilizacionais possam ser ignorados, há um mínimo de
dignidade nabal e que é a de ser amável com os ignorantes. Se a Tripeça já
disse que afinal se enganou nas contas e se a nova equipa confessa que os
colegas que agora substituem não lhes contaram nada sobre o que tinham andado a
fazer, logo nada sabem do assunto, vai-se agora rebaixar em público os
ignorantes? Por estas razões, conclui o édito, está desde agora iniciada a caça
ao nabo dissidente. O nosso repórter na fronteira assinala que os dois nabos
traidores acabaram de se passar para o Potentado da Paelha, seguidos por vários
milhares de nabos normais. Estes nabos não perseguem os dois dissidentes mas
estão antes a acautelar as ramas pois temem que se disserem mal do governo, nem
que seja só quando estiverem bêbados ou a terem pesadelos na cama, possam
também ser declarados dissidentes e lhes seja arrancada a rama, a pele e o
miolo em evento de tortura pública para edificação dos outros nabos que possam
estar com ideias. Vários canteiros ficaram quase vazios com este êxodo, o que
terá bons reflexos económicos pois poderá reduzir-se o número de escolas,
hospitais, professores, médicos e ajudantes, e em consequência o défice público
das ramas.sexta-feira, 6 de dezembro de 2013
Vai um grande tumulto na União
das Hortaliças e não é por causa dos tumultos financeiros (esses já não são
notícia) nem sociais (esses é melhor nem falar sob pena de subversão) mas por
causa da geologia. Sim, leram bem: Geologia. E não, não é por causa do vulcão
Vijaiaiaiai na Ilha dos Gelos que decidiu lixar a vida aos turistas no Naytal.
Trata-se de um tumulto mais profundo, mais global, enfim… mais tectónico. É
que, inesperadamente, a tectónica de placas decidiu revolucionar-se a si mesma
e começou a fazer coisas que nenhum geólogo louco – e acreditem em que vos
escreve, é condição obrigatória ser-se louco para se ser geólogo – teria sido
capaz sequer de sonhar. É que a zona de afundanço onde se situa a República do
Nabal (os geólogos chamam-lhe subducção mas há quem lhe chame outras coisas)
decidiu não afundar mais o país mas… catapultá-lo. E catapultou-o nem mais nem
menos que para o centro da União, ali mesmo coladinho à fronteira da República
Federal das Batatas, para grande júbilo dos nabos governantes que adoooram ser
batatenses mas como não o são fazem tudo para agradar a estes e ver se os
aceitam no clube, quais aldeões esforçados e muito ridículos que tentavam por
tudo encaixar na sociedade da capital nos idos tempos do Fidalgo Aprendiz. Esta
novidade tectónica, uma verdadeira revolução que atira p’ró canto a dos
pássaros do revolucionário líder Maduro do Charco do Milho, está a causar
graves perturbações escolares em toda a União pois agora os manuais
geográficos, atlas e mapas estão desactualizados, incluindo os do Gooogluglu da
Rede-de-pesca. Também está a causar graves perturbações nas operadoras aéreas e
de comboios, espalhando o caos na ordenadíssima República Federal das Batatas
que prima por ter os comboios sempre à tabela, com atrasos tabelados de exactos
5 minutos. É claro que esta novidade agradou sobremaneira às editoras,
tradicionais e de ebooks, pois todos
os encarregados de educação tiveram de ir a correr comprar novos manuais que…
ainda não saíram das gráficas nem dos processadores de texto. Também muito
contentes ficaram os turistas, em particular os batantenses, pois já não
precisam de viajar de avião nem de comboio, bastando apenas uma bicicleta para
chegarem aos resorts do sul ameno do
Nabal, com óbvios benefícios para o meio ambiente e ainda mais para as bolsas
destes afortunados cidadãos. Pois é, caros leitores, obedecendo aos desejos de
líderes da oposição do Nabal que previam uma mudança de posição do país se se
tornassem governo, nem foi preciso esperar pelas eleições, o Nabal mudou mesmo
de posição e o secretário de estado Maçã Com Bicho já declarou às instâncias
internacionais que agora sim, agora sente-se mais batatense, agora pode
finalmente recusar a moussaka e pedir salsichas aos vizinhos do lado (este
governante tem casa na fronteira). Esta revolução tectónica está também a ter
repercusasões ao nível político dentro da União. A Democracia da Moussaka fez
já saber que considera a mudança de posição do Nabal uma traição aos países que
estão tão alagados quanto o Nabal (houve desmentido oficial do Nabal sobre o
seu estado de alagamento, onde se afirmou enfaticamente que não será necessário
um segundo resgate aéreo para os tirar do pântano) e a República Federal das
Batatas, mais bruta e eficaz como é de sua tradição, enviou um ultimato ao
Senhor dos Infernos, ameaçando que se ele não parasse de brincar com as placas
tectónicas e repusesse o Nabal no seu lugar, a República Federal declarava
guerra. Tanto quanto os nossos repórteres com residência cativa no Inferno
puderam apurar, o Diabo-Mor mandou a Toutiço Despenteado para o… (têm de
compreender, trata-se do pecador-mor, portanto a sua linguagem não é recomendável)
e nem se deu ao trabalho de enviar resposta, dizendo apenas para os seus
acólitos mais próximos: Quando eles para cá vierem, a gente ajusta contas.quinta-feira, 5 de dezembro de 2013
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| fonte:vandrelan.worldpress |
Toutiço Despenteado teve uma enorme dificuldade em pôr na cabeça dos seus parentes que ela não podia promulgar uma lei na República que fosse por essa razão, e imediatamente, lei em toda a União, que esse tempo ainda não chegara, que quando a Cidade-da-Couve-de-Bruxelas fosse ocupada pelos gloriosos exércitos batantenses, então sim, podiam fazer isso. Os parentes protestaram e até ameaçaram boicotar o casamento mas o conselheiro real lembrou que se assim fosse, os outros países da União poderiam exigir também as leis boas da República, como sistemas de saúde a baixo preço, cobertura escolar para todos, reformas que permitissem ter uma vida tão boa que permitiam viajar até à Ilha dos Côcos e outros destinos exóticos, etc., etc., suas altesas achavam justo os semi-civilizados dos outros países terem direito a tais condições? Foi aí que as coisas acalmaram mas a Toutiço Despenteado teve de prometer outras medidas de limitação à cidadania dos estrangeiros quando retomasse o assento no trono. Por seu lado, o kaiser, apertado pelos amigos estrangeiros que tinham sido convidados para a festa, pelo facto de todas as promessas feitas em favor da melhoria das condições de vida dos outros países de que os convidados são nativos, terem ido por água abaixo, parece que este lhes respondeu enquanto o criado de quarto lhe apertava o fato nupcial cheio de berloques de ouro: sim, sim, prometi isso mas foi só para vos levar no embrulho, e apanhar as vossas prendas de casamento, meus tansos… sacudindo-os do quarto para fora com a mão, o que muito ofendeu os convidados. Contudo e apesar da felicidade geral, expressa em luminosos festejos e jantaradas em toda a República, onde se consumiu a produção de cerveja do ano, há descontentes. E não são poucos. Com efeito, o Clube das Suásticas, associação com franchisings em todos os países da União e que advoga o extermínio dos estrangeiros, incluindo os “estrangeiros” nascidos no país e a expulsão dos seus cadáveres para o mar, regista um grande aumento no número de novos sócios e tenciona já concorrer às eleições da União das Hortaliças, onde espera abarbatar pelo menos ¼ do mercado. Como? Concorrendo todos os franchisings juntos. Até ao momento isso não tem sido possível por causa da definição de "estrangeiro" que, como é óbvio, será estrangeiro num país mas é nacional no outro, pelo que as cúpulas não se entendiam sobre quais os povos que deviam exterminar Agora esse problema foi resolvido. Agora estrangeiros são todos os povos da União abaixo de 2ª categoria, o que inclui todos os povos do sul, os povos do leste, o Povo das Carroças, os Ovos Estrelados e muito em especial TODOS os povos exteriores à União. Como porém a sua mão-de-obra barata é necessária, serão devidamente encaixotados em campos de trabalho forçados chamados Gulagsno Leste e Lagers ou Acampamentos da Morte no Oeste, para contribuírem para a civilizada, harmoniosa, justa e bela sociedade da União.quarta-feira, 4 de dezembro de 2013
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| fonte: associação do gado asininio de Miranda |
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