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terça-feira, 10 de dezembro de 2013

Todos conhecem a extrema responsabilidade social e devoção à Natureza dos cidadãos da República Federal das Batatas, e em particular das suas empresas. Não é que não poluam como os mais, que não explorem os escravos como os mais nem que não entrem em corrupções e falcatruas como os mais mas fazem-no fora de portas e sempre tão eficientemente pela calada que é extremamente difícil dar por ela. De entre os ecologistas ninguém é mais ecologista que o pessoal da República Federal das Batatas. Não só tratam melhor os animais do que os turcos… perdão, forasteiros, de acordo com o que já dizia certo dirigente do tempo do Batata Podre, como se preocupam à séria com o meio ambiente, lutando contra o nuclear, votando num partido verde que disputa lugares com os mais votados do Parlamento batatense e passando a vida a pisar os decisores para promulgarem leis que reduzam as emissões dos gases de aquecer estufas, fumos de carros, águas sujas e por aí fora. Mas nada de confundir as coisas: ecologia é ecologia e negócios são negócios, e se for possível juntar os dois, tanto melhor. Quando não se pode… há guerra. E os batatenses, têm-no provado ao longo da História, são uns ases p’rá batatada. Também se têm provado uns ases na indústria química, em especial quando se trata de matar em barda, o que tem as suas grandes vantagens na agricultura e na redução da população mundial, como os dias do Batata Podre bem o provaram. Ora um destes dias os políticos da União das Hortaliças, sedeados na Capital do Tacho/ Couve-de-Bruxelas (depende de se lê em valão ou em queijo flamengo), decidiram proibir uns quantos pesticidas que têm feito das boas a muita gente e em especial têm provado a sua eficácia a matar abelhas em barda. Todos os ecologistas da União se regozijaram com a proibição e desta vez a habitual desunião da União sumiu, de leste a oeste, de norte a sul, todos aplaudiram a medida. As abelhas talvez tivessem uma hipótese de sobreviver, e deste modo a produção agrícola. Por isso grande foi o espanto quando a maior empresa química da República das Batatas decidiu pôr em tribunal os deputados da União das Hortaliças por causa desta nova lei. Normalmente é a União das Hortaliças que põe em tribunal toda a gente, incluindo governos, em especial se forem aqueles rascas pedinchões lá do sul, que ninguém compreende para que servem. Normalmente é a União das Hortaliças que faz estas leis ambientais. Normalmente toda a gente tem de obedecer às leis. Mas lá está, negócios são negócios e conhaque é conhaque. E a grande Bye-Bye, que fabrica pesticidas e medicamentos pois de uma coisa à outra a diferença não é muita, o que aliás pode explicar algumas mortes macacas onde devia haver curas, sabe disso muito bem. A proibição dar-lhe-ia cabo dos muitos milhões e milhões de carcanhóis de negócio e perder clientela no mundo todo. E isso é uma coisa que nenhum respeitável cidadão batatense, menos ainda uma grande empresa batatense, pode sofrer. Trata-se de uma questão de bom nome, de uma questão de honra. Mas não devemos pensar que a Bye-Bye não é ecologista, não senhor. São grandes amigos do ambiente. Aliás, a sua férrea oposição à proibição destes pesticidas resulta da sua grande preocupação e responsabilidade ambiental. Porque, assim o demonstram, o mundo está em sobrecarga de consumo de recursos, excesso de população, excesso de poluição, enfim excessos que destroem o ambiente. Combater esses excessos é vital. E esses excessos vêm de onde? De haver demasiadas pessoas. Então, se se matarem as abelhas todas, deixa de haver polinização, a menos a que se faça artificialmente. Então coisas como a fruta, o trigo, o milho, o centeio, as couves, essas coisas, passarão a ser muito mais caras. E quem for muito pobre deixa de as poder comprar. Como há muitos milhões de pobres, estes acabaram por morrer à fome e o problema do excesso de população desaparece, e com ele o excesso de poluição e de consumo de recursos. O facto de com as abelhas exterminadas os ecossistemas entrarem em colapso… bem, o mundo não é perfeito e numa guerra existem sempre lamentáveis danos colaterais. Também partilhamos esta visão profundamente ecologista da química Bye-Bye e por esse motivo pusemos já a circular na Rede-de-Pesca um abaixo-assinado de apoio à missão ecologista desta empresa, e esperamos a total adesão dos nossos subscritores e já agora… tragam um amigo também, a Bye-Bye oferece, com desconto de 10% do preço de marca, uns bonitos antibióticos genéricos para doenças que nunca irão ter.

segunda-feira, 9 de dezembro de 2013

fonte: sol.sapo.pt
O Charco do Milho continua a dar-nos surpreendentes revoluções filosóficas e sociais. Como por lá o dinheiro é pouco e poderá mesmo não chegar até ao fim do ano (do lado de cá do mar os nabos enfrentam o mesmo exacto problema) foi decidido, para bem das contas públicas e défice orçamental, mudar algumas datas no calendário social, religioso e fiscal para que o dinheiro chegue, mesmo se à justa, até ao fim do ano e os balanços de deve e haver batam certo, sendo que no eficientíssimo Charco estes ainda se fazem em agenda de merceeiro e com lápis vermelho e azul, cuja ponta se põe a funcionar pelo imortal processo da lambidela. Ora como existem vários calendários, cada um para sua comunidade no Charco e como cada calendário tem vários feriados, para não ofender as susceptibilidades religiosas de ninguém, e porque a maioria é a da religião das cruzes e cruzamentos, foi deliberado em reunião parlamentar que seria sobre estes que incidira a alteração das datas, os outros ficariam a ver navios nos seus habituais locais na folhinha. Mas como o pessoal dos cruzamentos é também muito festeiro, como se pode ver nos aglomerados de celebrantes em frente às portas de supermercados e mercearias sempre que se anuncia a chegada de raro carrego de óleo ou de margarina mesmo que feita a martelo, e que acaba por receber sempre de braços abertos os polícias e soldados que não hajam sido inicialmente convidados para a balbúrdia mas apareçam para dar o seu contributo ao caos geral, tem no seu calendário uma enorme quantidade de feriados e dias santos. Ora a possibilidade de mudar as datas de todos eles daria uma enorme confusão que paralisaria ainda mais o já paralisado Charco e poria a Grande Revolução em marcha à ré, já que p’rá frente deixou de andar há muito tempo, até os caracóis já a ultrapassaram. Deste modo fez-se a lista de feriados e dias santos, por ordem alfabética, e levou-se a plenário para votação. O feriado que congregou maior número de votos foi o Natal já que todos estão ansiosos por receber o eventual quimérico subsídio com que possam pagar os calotes no merceeiro e o fiado na padaria, já que para calar os miúdos que berram desde o ano passado pois querem a nova Playstation, não será possível, o eventual, hipotético subsídio não chega p’ra tanto. Uma vez escolhido o Natal como eleito para alteração e exterminados todos os outros feriados nacionais para agradar à Tripeça e aos homens de negócios da República Federal das Batatas, concluiu-se que, para obedecer ao espírito popular da Revolução, o soberano povo teria de ser consultado sobre as novas datas. Só que uma inspecção aos cofres revelou não haver dinheiro para comprar o papel para os boletins de voto e ainda menos para encomendar as urnas, nem que estas fossem o modelo económico fornecido pelas funerárias locais e com desconto por ser encomenda de muitas unidades. O novo Grande Líder decidiu então ir até ao jardim do Palácio Presidencial interrogar todos os pássaros, na esperança e de algum deles poder ser o Querido Líder já aviado por uma das funerárias em causa. Mas desta vez o avatar alado do Querido Líder não estava lá para iluminar o Grande Líder na transcendente matéria da mudança da data do Natal. Preocupado, o Grande Líder sentou-se a fumar uma boa dose de ganza de 1ª categoria especial para chefes de estado, esperando que a moca assim apanhada lhe revelasse a solução. De madrugada entrou pelo quarto do seu Ministro da Economia – valeu estar ainda co’uma g’anda moca e nem percebeu que a garina descascada na cama do ministro era a sua própria esposa – e declarou que a data do Natal seria decidida por sufrágio directo e universal. O ministro, habituado a estas interrupções, só disse, pianinho, enquanto empurrava discretamente a companheira para debaixo da cama “camarada presidente, não há dinheiro p’ra isso”. “Mas quem te disse que estou a falar de eleições?” havia qualquer coisa naquela tímida garina, onde é que já a vira antes? “Vamos decidir por Raspadinha. O povo não passa a vida a raspar para ver se lhe calha algum? Pois desta, em vez de rasparem p’rós cobres, raspam para p’ró jackpot da data. A que tiver mais raspas é escolhida e os que rasparem três vezes ganham um perú de Natal, que te parece?” Ao ministro pareceu bem pois não estava em posição de regatear e porque uns cálculos por alto, considerando o imposto que todos os jogadores pagam por se rasparem, sugeriam que talvez se juntasse q.b. para tapar os buracos do Palácio. Saudamos desde já esta iniciativa de democracia directa e ao consumidor, esperando que a moda pegue para que possamos demitir uns quantos maduros e ainda ganharmos sonantes prémios de consolação. Está na altura do mundo pôr os olhos no Charco do Milho, que provou sem espinhas que de facto o Natal é quando um homem quiser… no caso, o Grande Líder.
fonte: publico.pt
 

domingo, 8 de dezembro de 2013

Novo Rasgar de Horizontes na Ciência: O Vazio está Cheio!
Para nos resgatar das tristezas – credo, até aqui já precisamos de resgates! – a comunidade científica dos nabos, que tem ganho inúmeros prémios internacionais (recordemo-nos só dos sucessos quando eram governados por um Cabeça-de-Abóbora), pois nunca como agora tem a nabice sido recompensada, acaba de dar mais uma alegria ao afanado patriotismo nabense. Tudo sucedeu por mor de mais uma das medidas de contingência com que os nabos são diariamente aterrorizados, de cada vez que vêm a mulher da hortaliça aparecer no horizonte com a faca para levar mais uns nabos para o mercado. Desta vez a medida nem suscitou polémica pois os nabos, como se sabe, adoram que os seus cientistas ganhem prémios mas no resto do tempo nem percebem para que é que a ciência serve nem para que se há-de desperdiçar conquilhas “nessa coisa” donde no meio de tantos cortes de conquilhas aqui, ali e acolá, nem foi notícia quando se anunciou que iria haver um corte de 100% nos fundos para as universidades e centros de investigação pois já “é hora desses madraços irem ganhar o deles”, como referiu o Ministro da Educação dos Nabos. O Ministro contudo não estava informado (na república dos Nabos é normal) que as universidades e centros de investigação há muito que lutam com cortes anuais de verbas e já aprenderam a ir arranjar quem pague o papel higiénico (para pouco mais dá o que amealham) e a ciência, a sério, é feita pelos próprios investigadores que pagam quase tudo do seu bolso ou então entram em parcerias com os colegas estrangeiros e é isso que os vai safando. Quando o ministro descobriu que mesmo cortando os fundos a 100% aqueles nabos teimosos continuariam a fazer ciência, decidiu então ir verificar de onde lhes vinham as conquilhas. E quando descobriu fez promulgar uma ordem que “estão proibidos de andar em parcerias com estrangeiros e/ou com privados nacionais ou de fora e à conta disso poderem ter conquilhas para obter os equipamentos. Ou para os mais distraídos: estão impedidos de arranjar conquilhas lá fora, ou cá dentro nos privados. Perceberam agora, seus burros?” isto causou uma grande confusão entre os cientistas pois eles, para começo, são nabos, não são burros. Depois, durante anos tinham andado a receber a ordem “diversifiquem os fundos, diversifiquem os fundos” e “emparelhem com os privados” e agora que tinham conseguido fazer isso mesmo o Ministro amuava e nem lhes dava conquilhas nem lhes permitia irem buscá-las a ouro lado. O pasmo deu lugar á revolta. E enquanto alguns mais humoristas desenhavam grandes burros e nabos à escala, enviando emails para o Ministério para poderem ver as diferenças entre um nabo e um burro, os chefes tribais das universidades reuniram em concílio, cruzaram os braços e depois do habitual fumo branco e “habemus quorum” declararam-se em greve de apresentação de orçamentos ao Ministério, temos dito, uhg! Os cientistas novatos, habituados a todas as dificuldades e mais algumas, e não querendo baixar os braços, atiraram-se ao trabalho e de repente… surgiram com um sacado de conquilhas fresquíssimas junto dos chefes. Interrogados sobre onde tinham descoberto as conquilhas, acenaram modestamente para os bolsos vazios, para o grande espaço sideral igualmente vazio na maior parte e declararam “No vazio!”, passando a uma difícil explicação sobre matéria e anti-matéria, trovoadas na alta-atmosfera, raios gama e singularidades cósmicas que ninguém percebeu. O que se percebeu foi que o vazio afinal está cheio de oportunidades… a nossa céptica correspondente científica, e a única a perceber o arrazoado dos cientistas, jura porém a pés juntos que um dos novatos passou às escondidas um papelinho ao chefe maior dos chefes, que sorriu perante o que lá viu escrito. Não sabemos se terá alguma relação com as oportunidades de que pelos vistos o vazio está cheio, mas as universidades estão a franquear alegremente as suas salas e camaratas para as Universidades de Verão dos vários partidos da República dos Nabos. As Universidades de Verão, que este ano estão especialmente na moda, talvez porque a maioria dos políticos têm cursos comprados ali na candonga da Feira da Esquina ou no botequim do Ti Naifadas e precisam de mais alguns pontos para tornar os currículos verdadeiros, são uma alegre confraternização entre políticos do mesmo clube, onde uns quantos se treinam na arte do discurso enquanto os outros se especializam em sestas no hemiciclo, e no final do dia vai tudo a banhos, copos, petiscos e umas noitadas nas discotecas locais ou, se a universidade é muito no interior, ao arraial dos nabos emigrantes que vêem ver as berças no Verão, aproveitando os momentos de convívio para treinarem as suas técnicas de marketing e promoção de imagem. Como são despesas de partidos, naturalmente não há registos de nada nem se desconta para impostos, donde não se sabe se pagam ou não alguma coisa de aluguer das salas e anfiteatros às universidades. Mas lá que os reitores e cientistas das universidades eleitas para estes convívios andam muito felizes, lá isso andam…
 

sábado, 7 de dezembro de 2013

A competição para os cargos de segurar na mangueira que neste momento incendeia a República dos
Nabos têm o condão de desorientar os nativos, que não sabem para onde virar as ramas, tantos são os borrifos que lhes chegam daqui e dali. O efeito é tão forte que até atinge nabos governantes. Estando o Nabal sob nova inspecção da Tripeça, que está a verificar como decorre o ajustamento nas dimensões do Nabal, e talvez arranque uns nabos para os levar para a sopa do jantar, alguns nabos governantes em campanha a apoiar os correligionários na corrida para as mangueiras, pensando que a distância não causava mossa, disseram que a Tripeça não é um triunvirato de Drs. Jekill e Mrs. Hyde mas um clube de Mrs. Hyde cruzados de Nosferatu, Drácula e Frankenstein. Os nabos que assistiam ao discurso ficaram muito surpreendidos e começaram logo a verificar os programas das festas pois talvez não estivessem num comício de mangueiras mas num dos numerosos ciclos de cinema de terror que abundam no nabal, tendo debandado em corrida para assistir à terceira sessão do Hotel X, que exibia um clássico de lobisomens, deixando os pobres nabos governantes a falar para as pombas, as quais não estavam interessadas em fitas mas nas migalhas do banquete com que estes se celebrariam a si próprios e ao sucesso da campanha. A Tripeça, que tem os seus espiões espalhados por todo o nabal, um por cada nabo residente, foi logo fazer queixinha ao ministro-chefe e este ficou muito irritado, na sua equipa não havia desertores, ora essa! Quem desertava levava guia de marcha para o mercado do Bulhão e acabava-se a festa. Para salvar a honra do convento – e sobretudo as suas ramas dado que a Tripeça lhe mandara vários trabalhos de casa para fazer que, como aluno cábula, não fez – o nabo ambientalista fez de arauto e leu em voz alta no adro do poço o édito de expulsão dos nabos-ministros rebeldes. É, dizia o édito, crime de lesa-majestade atacar a Tripeça quando ela cá está (podem ataca-la à vontade, o nabal é uma sociedade livre, mas façam-no apenas entre amigos e só depois de a vermos pelas costas), até porque não se atacam visitas quando as recebemos em casa, como podemos elevar as receitas do turismo se até ministros se portam como selvagens e ignoram as leis da hospitalidade? Ou ter-se-ão passado para a oposição? Por fim, e mesmo que considerandos civilizacionais possam ser ignorados, há um mínimo de dignidade nabal e que é a de ser amável com os ignorantes. Se a Tripeça já disse que afinal se enganou nas contas e se a nova equipa confessa que os colegas que agora substituem não lhes contaram nada sobre o que tinham andado a fazer, logo nada sabem do assunto, vai-se agora rebaixar em público os ignorantes? Por estas razões, conclui o édito, está desde agora iniciada a caça ao nabo dissidente. O nosso repórter na fronteira assinala que os dois nabos traidores acabaram de se passar para o Potentado da Paelha, seguidos por vários milhares de nabos normais. Estes nabos não perseguem os dois dissidentes mas estão antes a acautelar as ramas pois temem que se disserem mal do governo, nem que seja só quando estiverem bêbados ou a terem pesadelos na cama, possam também ser declarados dissidentes e lhes seja arrancada a rama, a pele e o miolo em evento de tortura pública para edificação dos outros nabos que possam estar com ideias. Vários canteiros ficaram quase vazios com este êxodo, o que terá bons reflexos económicos pois poderá reduzir-se o número de escolas, hospitais, professores, médicos e ajudantes, e em consequência o défice público das ramas.
 

sexta-feira, 6 de dezembro de 2013

Vai um grande tumulto na União das Hortaliças e não é por causa dos tumultos financeiros (esses já não são notícia) nem sociais (esses é melhor nem falar sob pena de subversão) mas por causa da geologia. Sim, leram bem: Geologia. E não, não é por causa do vulcão Vijaiaiaiai na Ilha dos Gelos que decidiu lixar a vida aos turistas no Naytal. Trata-se de um tumulto mais profundo, mais global, enfim… mais tectónico. É que, inesperadamente, a tectónica de placas decidiu revolucionar-se a si mesma e começou a fazer coisas que nenhum geólogo louco – e acreditem em que vos escreve, é condição obrigatória ser-se louco para se ser geólogo – teria sido capaz sequer de sonhar. É que a zona de afundanço onde se situa a República do Nabal (os geólogos chamam-lhe subducção mas há quem lhe chame outras coisas) decidiu não afundar mais o país mas… catapultá-lo. E catapultou-o nem mais nem menos que para o centro da União, ali mesmo coladinho à fronteira da República Federal das Batatas, para grande júbilo dos nabos governantes que adoooram ser batatenses mas como não o são fazem tudo para agradar a estes e ver se os aceitam no clube, quais aldeões esforçados e muito ridículos que tentavam por tudo encaixar na sociedade da capital nos idos tempos do Fidalgo Aprendiz. Esta novidade tectónica, uma verdadeira revolução que atira p’ró canto a dos pássaros do revolucionário líder Maduro do Charco do Milho, está a causar graves perturbações escolares em toda a União pois agora os manuais geográficos, atlas e mapas estão desactualizados, incluindo os do Gooogluglu da Rede-de-pesca. Também está a causar graves perturbações nas operadoras aéreas e de comboios, espalhando o caos na ordenadíssima República Federal das Batatas que prima por ter os comboios sempre à tabela, com atrasos tabelados de exactos 5 minutos. É claro que esta novidade agradou sobremaneira às editoras, tradicionais e de ebooks, pois todos os encarregados de educação tiveram de ir a correr comprar novos manuais que… ainda não saíram das gráficas nem dos processadores de texto. Também muito contentes ficaram os turistas, em particular os batantenses, pois já não precisam de viajar de avião nem de comboio, bastando apenas uma bicicleta para chegarem aos resorts do sul ameno do Nabal, com óbvios benefícios para o meio ambiente e ainda mais para as bolsas destes afortunados cidadãos. Pois é, caros leitores, obedecendo aos desejos de líderes da oposição do Nabal que previam uma mudança de posição do país se se tornassem governo, nem foi preciso esperar pelas eleições, o Nabal mudou mesmo de posição e o secretário de estado Maçã Com Bicho já declarou às instâncias internacionais que agora sim, agora sente-se mais batatense, agora pode finalmente recusar a moussaka e pedir salsichas aos vizinhos do lado (este governante tem casa na fronteira). Esta revolução tectónica está também a ter repercusasões ao nível político dentro da União. A Democracia da Moussaka fez já saber que considera a mudança de posição do Nabal uma traição aos países que estão tão alagados quanto o Nabal (houve desmentido oficial do Nabal sobre o seu estado de alagamento, onde se afirmou enfaticamente que não será necessário um segundo resgate aéreo para os tirar do pântano) e a República Federal das Batatas, mais bruta e eficaz como é de sua tradição, enviou um ultimato ao Senhor dos Infernos, ameaçando que se ele não parasse de brincar com as placas tectónicas e repusesse o Nabal no seu lugar, a República Federal declarava guerra. Tanto quanto os nossos repórteres com residência cativa no Inferno puderam apurar, o Diabo-Mor mandou a Toutiço Despenteado para o… (têm de compreender, trata-se do pecador-mor, portanto a sua linguagem não é recomendável) e nem se deu ao trabalho de enviar resposta, dizendo apenas para os seus acólitos mais próximos: Quando eles para cá vierem, a gente ajusta contas.
 
 

quinta-feira, 5 de dezembro de 2013


fonte:vandrelan.worldpress
Na República Federal das Batatas comemora-se o perfeito matrimónio entre a querida Toutiço Despenteado e o amável Ponte-de-Pedra, mais conhecido por ‘Tão-a-Ver-o-Meu-Dedo?, embora para os amigos ele seja mais conhecido por Gosto-Tanto-dos-Pobrezinhos. É um evento que ficará na memória da República e dará aos batatenses uma nova e bonita tradição tipo Oktoberfest mas como será em Novembro chamar-se-á, muito apropriadamente, de Novemberfest e também terá cerveja a rodos e os primeiros cheirinhos dos bolos deliciosos que se costumam vender nas feiras de Natal daquele país. O contrato de casamento foi assinado esta tarde na casa dois deputados do país com numerosos padrinhos de ambas as famílias, todos gordinhos e sorridentes (em claro contraste com os cidadãos do sul da União das Hortaliças) e os noivos foram saudados com bandeirinhas e cartazes cor de laranja com o diminuitivo carinhosos de Angie quando surgiram à janela do palácio real. Na verdade o noivo ficou um pouco ofendido por todos estarem a aclamar o nome da esposa, dado que fora ele quem fizera mais concessões e entrara em cheio com o dote mas Kaiseriné Kaiserin e ninguém tira o título de imperatriz à nossa amada Angie, que mais uma vez fez o seu sorriso de pau e apresentou as mãos de diamante que tão bem a caracterizam (o cachucho também estava lá, na mão da dona, já perdoado da sua peregrina traição de também se ter candidatado às eleições, após o seu mudo sucesso no debate televisivo das legislativas). O amável, embora descuidado Ponte-de-Pedra conseguiu persuadir a esposa a estabelecer uma esmola mínima anual para os súbditos, coisa que esta não queria de maneira nenhuma pois isso iria torna-los preguiçosos mas ou aceitava ou teria de procurar outro noivo e a senhora já não estava a ficar mais nova, e era preciso assegurar a sucessão, pelo que muito contrariada e apenas após grandes pressões dos seus conselheiros, aceitou. Portanto, a vida vai correr ainda melhor para os súbditos batantenses enquanto o resto da União irá sofrer ainda mais, de modo a garantir que os bancos da República deixem de estar na falência depois das aventuras mirabolantes que andaram a fazer durante a “bolha” dos empréstimos. Mas a União das Hortaliças é para isso mesmo: solidariedade com responsabilidade, ou por outras palavras, nós podemos furar todos os tratados e directivas mas se vocês falham só uma vírgula, levam c’a moca. Espera-se agora que,  perante este exemplo civilizacional que nos chega da República Federal das Batatas, todos os outros países da União cancelem as suas esmolas mínimas anuais pois se estas existem num lado, é evidente, para efeitos de balanço, que têm de sair do outro pois na Economia nada se cria, tudo se transforma, tudo se perde. Mas se o agora kaiserPonte-de-Pedra conseguiu a esmola mínima, teve de deixar cair a ideia absurda da mutualização das dívidas da União. Porque, como bem disse a nossa admirável Toutiço, as dívidas de cada um são para ser pagas por cada um mas as dívidas dos nossos bancos têm de ser pagas por todos. No entanto, os nossos serviços de fofocas bem instalados no palácio real permitiram-nos descobrir por intermédio do camareiro pessoal do novo kaiser que este não estava muito preocupado com esta coisa da mutualização da dívida, mas tinha de ter algumas coisas a exigir para não pensarem que ele é um pusilânime. Para comemorar o feliz enlace, a República Federal das Batatas promulgou uma série de medidas que muito alegrarão os batatenses e ainda mais lhe elevarão o brio patriótico e rácico, para bem da civilização mundial. A primeira destas medidas foi a exigência, a partir de agora, de pagamento de portagens e imposto de muares e de casco-fendido (este último é exclusivo para os filhos da tribo dos Ovos Estrelados) a todo o estrangeiro que se lembre de circular nas auto-estradas do país pois as auto-estradas são livres… para os batantenses. A cozinheira do palácio informou-nos aliás que esta medida é uma concessão de boa vontade da imperatriz que muito indispôs os seus parentes alpinos pois estes desejavam era que ela promulgasse a lei de que todos os países da União que tivessem dívidas a mais dum plafond de 1% (coisa que nenhum país conseguiu alguma vez alcançar) fossem expulsos do mercado das hortaliças…perdão, União. A Toutiço Despenteado teve uma enorme dificuldade em pôr na cabeça dos seus parentes que ela não podia promulgar uma lei na República que fosse por essa razão, e imediatamente, lei em toda a União, que esse tempo ainda não chegara, que quando a Cidade-da-Couve-de-Bruxelas fosse ocupada pelos gloriosos exércitos batantenses, então sim, podiam fazer isso. Os parentes protestaram e até ameaçaram boicotar o casamento mas o conselheiro real lembrou que se assim fosse, os outros países da União poderiam exigir também as leis boas da República, como sistemas de saúde a baixo preço, cobertura escolar para todos, reformas que permitissem ter uma vida tão boa que permitiam viajar até à Ilha dos Côcos e outros destinos exóticos, etc., etc., suas altesas achavam justo os semi-civilizados dos outros países terem direito a tais condições? Foi aí que as coisas acalmaram mas a Toutiço Despenteado teve de prometer outras medidas de limitação à cidadania dos estrangeiros quando retomasse o assento no trono. Por seu lado, o kaiser, apertado pelos amigos estrangeiros que tinham sido convidados para a festa, pelo facto de todas as promessas feitas em favor da melhoria das condições de vida dos outros países de que os convidados são nativos, terem ido por água abaixo, parece que este lhes respondeu enquanto o criado de quarto lhe apertava o fato nupcial cheio de berloques de ouro: sim, sim, prometi isso mas foi só para vos levar no embrulho, e apanhar as vossas prendas de casamento, meus tansos… sacudindo-os do quarto para fora com a mão, o que muito ofendeu os convidados. Contudo e apesar da felicidade geral, expressa em luminosos festejos e jantaradas em toda a República, onde se consumiu a produção de cerveja do ano, há descontentes. E não são poucos. Com efeito, o Clube das Suásticas, associação com franchisings em todos os países da União e que advoga o extermínio dos estrangeiros, incluindo os “estrangeiros” nascidos no país e a expulsão dos seus cadáveres para o mar, regista um grande aumento no número de novos sócios e tenciona já concorrer às eleições da União das Hortaliças, onde espera abarbatar pelo menos ¼ do mercado. Como? Concorrendo todos os franchisings juntos. Até ao momento isso não tem sido possível por causa da definição de "estrangeiro" que, como é óbvio, será estrangeiro num país mas é nacional no outro, pelo que as cúpulas não se entendiam sobre quais os povos que deviam exterminar Agora esse problema foi resolvido. Agora estrangeiros são todos os povos da União abaixo de 2ª categoria, o que inclui todos os povos do sul, os povos do leste, o Povo das Carroças, os Ovos Estrelados e muito em especial TODOS os povos exteriores à União. Como porém a sua mão-de-obra barata é necessária, serão devidamente encaixotados em campos de trabalho forçados chamados Gulagsno Leste e Lagers ou Acampamentos da Morte no Oeste, para contribuírem para a civilizada, harmoniosa, justa e bela sociedade da União.
 

quarta-feira, 4 de dezembro de 2013

fonte: associação do gado asininio de Miranda
A grande e sábia nação do Califado da Pedra e do Petróleo, especialista em assuntos financeiros e religiosos – uma coisa normalmente está ligada à outra – esclareceu ontem os interessados, pela voz de um dos seus mais respeitados líderes religiosos, sobre a razão única e absoluta para o Mundo estar agora muito mais perigoso e violento do que no passado: as mulheres passaram a conduzir automóveis. Sim, a razão da violência étnica, religiosa e económica resulta toda desse pecaminoso costume de as deixar sentar ao volante. Na verdade deixar as mulheres conduzir tem destruído as sociedades de todo o mundo, razão pela qual o Califado da Pedra e do Petróleo permanecerá o único país onde tal prática nunca se legalizará e pede o líder para por favor deixarem de falar no assunto pois este nem sequer está para futura discussão. O Califado da Pedra e do Petróleo leva muito a sério a protecção da sua sociedade, como país esclarecido que é, o que poderá justificar precisamente a elevadíssima taxa de acidentes rodoviários – e ainda bem que boa parte daquilo é deserto e muitos dos carros em vez de andar atascam na areia ou então nem os camelos se safavam – e tem várias importantes leis protectoras de similar calibre. De facto tem de se reconhecer que uma mulher conduzir o pai, o marido ou, pecado dos pecados, qualquer homem estranho ao hospital porque este está a ter uma crise de diabetes é um perigo tremendo para a sociedade. O certo é deixar que o dito tenha um desmaio ao volante e se estampe contra a primeira parede, o que muito poupa nos gastos com hospitais e reformas ou salários, apesar deste país não sofrer de problemas de défice. Também se uma mulher estiver sozinha em casa porque o marido foi onde teve de ir e entrar em trabalho de parto, não deverá conduzir, mas ter a criança em casa podendo até morrer no processo, como o Senhor destinou, em vez de pegar no carro e ir ao hospital, contrariando a vontade de Deus. É uma mãe a menos, um bando de miúdos órfãos a mais mas isso é bom para a sociedade pois ensina-nos a submeter-nos ao mandato divino. Também não põe ideias estranhas na cabeça das fêmeas como andarem a visitar-se umas às outras sem a companhia de um guardião masculino, quiçá em reuniões subversivas para reivindicar direitos cidadania e provocar tumultos desnecessários com as suas injustas reivindicações. Ou se forem vaidosas, como todas são, dar-lhes na cabeça de irem de carro até ao centro comercial e gastarem montes de dinheiro, o que é pecado. Também, se porventura estando em casa com o marido este tiver uma síncope cardíaca, será de bom tom que a esposa fique recatadamente em casa em vez de pegar no carro e ir com o marido ao hospital, o que aliás levaria a um outro pecado que é o de uma mulher falar com homens que não sejam seus parentes. Deste modo se garante que as ruas serão apenas para os homens, ou para os irmãos simpáticos que levem as irmãs a viajar nas avenidas do centro da cidade, à noite, para poderem trocar papelinhos com os rapazes que passam nos outros carros, com vista a futuros namoros. Há lá coisa mais bonita do que ver montes de rapazes jovens a disparar à desfilada pelas avenidas, com as cabeças de fora, uma mão esticada para apanhar os papelinhos dirigidos às irmãs? Haverá lá maior exercício de amor fraternal? Como poderemos abandonar esta tradição que reforça os laços entre os membros familiares da nossa sociedade? E como poderão os meninos, por exemplo, aprender os palavrões do pai, se este não conduzir sempre o carro? Como poderão depois os meninos serem adultos responsáveis sem esta tradição de conhecimento oral? Por esta razão, concluiu o clérigo, como os homens são um pouco brutos a conduzir e apesar dos amplos espaços do país há mortos em barda nas estradas, este sábio disse que o melhor para garantir a boa harmonia social e evitar lutos escusados, será proibir para sempre a condução automóvel e a importação de carros (excepto quando nos dermos a construí-los para os vender aos infiéis estrangeiros) e obrigar todos os cidadãos a andar de burro, com a excepção das famílias reais, que deverão adoptar o cavalo ou abraçar o camelo. O Ministro dos Negócios Estrangeiros do Califado da Pedra e do Petróleo, na sequência desta homilia, contactou já o Potentado da Paelha, a Democracia da Moussaka e a República Democrática dos Nabos para proceder à importação de burros. Na República dos Nabos este inesperado acontecimento levou já o governo a congratular-se com as suas medidas de gestão, pois burros é o que terão mais para exportar e será uma mercadoria em crescente produção assim que se implementarem as novas reformas no sistema de ensino.