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quinta-feira, 30 de janeiro de 2014

Escolas de Condução Mudam Equipamentos para Alforges, Cabrestos, Ceirões e Palha

Para fazer face à crise crescente – embora os optimistas da Cidade do Tacho/Couve-de-Bruxelas, nome dependente de se se fala valão ou flamengo, anunciarem que já acabou – as escolas de condução da República dos Nabos vão mudar o seu equipamento de ensino, abandonando os batidos automóveis por viaturas mais interactivas e com personalidade, a saber: cavalos (para os alunos VIP), mulas (para a classe média apeada) e burros (para a demais clientela). Resulta esta mudança de paradigma da necessidade de acomodar as limitações financeiras em termos de combustível e, sobretudo, das limitações de logística dos inspectores destas escolas e não, como andam a dizer as más-línguas, das exortações do líder religiosos do Califado das Areias que declarou há uns meses não deverem as mulheres conduzir para bem da saúde, embora não explicasse de quem atendendo à violência com que os machos locais – os únicos com direito a volante – conduzem por aquelas amplas vias. A medida foi já saudada com palmas e assobios de incentivo aos animais-viatura a beberem a água que lhes enfiam no balde, tanto à esquerda como à direita da estrada. O Ministro da Agricultura nabense, que pensa que os ovos nascem assim mesmo em caixinhas, disse que esta ideia revolucionária irá colocar o Nabal na senda do crescimento económico pois poderá passar a exportar muita poia para a agricultura ecológica dos demais países da União das Hortaliças (que é em estufas e com pesticidas). Por seu turno os criadores do Burro das Mirandas respiraram de alívio pois finalmente os seus mulos já não estarão em extinção e poderão obter mais algum rendimento dado que o subsídio da União nem chega para pagar ao ferrador quando este vem aparar os cascos às alimárias. Por seu turno o Ministros dos Negócios Estrangeiros Machadada, famoso por resolver conflitos diplomáticos com a elegância dum elefante com cio numa loja de porcelanas, está eufórico e mostrou até aos jornalistas a capa do mais recente New York Times onde o Nabal é comparado a um burro… em cima dum vai-vem espacial. Para o excelso ministro, o facto do vai-vem espacial estar estacionado num canto do aeródromo, já prontinho para a sucata dada a descontinuação, isto é, extinção, do programa espacial com estes veículos, é apenas uma pequenina nota de rodapé. O porquê desta mudança de motores turbo para alimárias turbulentas tem a sua origem no facto de que, estando integrada na União das Hortaliças, a República Democrática dos Nabos tem de realizar normas e inspecções periódicas a tudo, incluindo as casas de banho (tópico que trataremos noutra notícia) e reportar à Cidade do Tacho nos prazos estipulados. E como a crise fez com que os inspectores das escolas de condução não dispusessem de viaturas nem de combustível para realizarem as inspecções como normalmente, tentaram realizá-las a pé; só que mesmo azelhas e a tentar acertar com a embraiagem e a caixa de velocidades no tempo correcto, os formandos conseguiam andar muito mais depressa que os respectivos inspectores apeados e a coisa terminava sempre com um inspector no meio da avenida, sem fôlego e a gesticular, pedindo boleia (que nunca recebia pois sabe-se lá quem é o maluco que vai a correr atrás do carro da frente), e anotando no caderno a única coisa que conseguira inspecionar: a matrícula. Os relatórios da inspecção, apesar de justificadas as limitações nos dados, eram sempre chumbados na Cidade do Tacho/Couve-de-Bruxelas e as escolas de condução corriam já o risco de fechar por incumprimento das normas comunitárias. Foi assim que as escolas decidiram mudar o estilo de viatura e de condução no Nabal. Agora anda tudo de cavalo p’ra burro e ao inspector basta apenas acenar com uma cenoura ou um suculento molho de folhas de couve para as alimárias pararem e ele poder inspeccionar o aperto das cilhas, a justeza dos alforges, o tamanho do cabresto e do cabeção, a largura dos estribos, o estado de desgaste das ferraduras (uma ferradura “careca” dá direto a multa e apreensão da carta de condução de quadrúpedes no novo Código da Estrada) e o aparamento dos cascos. As melhorias para o turismo serão imediatas dado que o pitoresco do novo quadro rodoviário trará ao Nabal multidões de turistas que achavam que os burros eram coisa lá do 4º Mundo. Os ecologistas esses, estão divididos: é verdade que as emissões dos gases de efeito de estufa vindos da combustão do petróleo diminuirão de forma radical mas infelizmente quando os quadrúpedes libertam gases, num processo de combustão pré-turbo e que pode dar coice, não só os arredores são inebriados dum pungente fedor como infelizmente um monte de metano se liberta para a atmosfera. Irão os burros salvar-nos das alterações climáticas... ou não?

quinta-feira, 23 de janeiro de 2014

Amor Fraternal Versão Moderna: Leve a Sua Irmã a Rebentar-se com Bomba Suicida

fontepalmiraguimaraes.blogspot.com 
No Califado das Tribos à Pancada existe agora uma nova forma de amor fraternal, que consiste em enviar as irmãs para o Paraíso antes de chegarem à tentadora e pecaminosa puberdade, fazendo-as rebentar-se com bombas e no processo rebentarem com muita outra gente, mesmo se desconhecida, pois são perigosos infiéis dado que interpretam os textos sagrados locais de forma diferente da destes carinhosos irmãos. E o amor filial é tão grande que estes irmãos nunca pretendem alcançar o Paraíso, rebentando-se eles próprios no meio de mercados, ruas, autocarros, gares, assembleias, centros comerciais e, pontos especialmente populares para estas explosões, as entradas dos templos; em especial quando os fiéis estão a sair das orações em dias santos, pois assim melhor se garante a subida ao Éden do rebentador/rebentado. Não, estes doces irmãos declinam o privilégio de se rebentarem e rebentarem os próximos e atingirem assim o Jardim das Delícias, preferindo entregar a ascensão à felicidade às suas amadas e nunca por demais vigiadas e obedientes maninhas. A acção de mandar as irmãs explodirem-se tem vários benefícios tanto celestiais como terrenos. Em termos celestes os irmãos acumulam bons méritos e também um lugar cativo no Éden sem que tenham de passar pelo incómodo de se rebentarem eles próprios, pois terão criado uma mártir infantil e esta, no seu estatuto de mártir poderá, uma vez no céu, incluir o nome do irmão entre os cerca de 70 parentes que pode nomear para também entrarem no Paraíso e todos sabem que o sistema de cunhas funciona até mesmo com o Divino (resta saber se a criança também terá muitos infantis virgens masculinos para se entreter ou sequer se isso lhe fará algum proveito na nova vida angelical). Terrenamente as vantagens são óbvias: ninguém se irá meter com um líder que faz rebentar as próprias irmãs e, ainda melhor se as convencer a todas, quando chegar a hora de partilhar a herança de família não terá chatos cunhados a regatearem o que houver para regatear pois as crianças terão ido pelos ares antes mesmo de se casarem, apesar de neste país as noivas com 8 anos ou menos de idade serem um costume ancestral e muito respeitado. Para resolver este problema, basta convencer a maninha a ir rebentar-se no meio dos filhos de Satã quando ainda não se fez o casório. Garantindo um anjo no céu e bens materiais na terra, o bom irmão pode viver em paz para guerrear, com a confiança serena no futuro de que não importa o que faça, terá sempre um lugar cativo junto do Divino pois a(s) maninha(s) lá estará(ão) para meterem uma cunha e fazê-lo entrar nas delícias eternas. Poderá contudo haver um pequeníssimo problema quanto a resultados neste novo tipo de amor filial: o Éden pode não ser bem como se imagina e o Divino pode não ser permeável a cunhas ou decidiu mudar as regras de admissão e considera agora apenas os méritos próprios do candidato e não dos restantes membros da família. Assim, o fraternal irmão pode ver-se não perante um palácio de frescos jardins, leite e bolos de mel, assessorado por numerosas virgens mas perante um juiz que recusa subornos e o fará pagar amargamente por ter levado as irmãs a acabarem com a sua vida e a de outros quando ainda eram crianças, quiçá por medo não tanto das penas do Inferno mas das represálias do querido irmão, seus amigos e conhecidos, pois estas seriam sem dúvida muito piores do que as piores invenções de Satã em dia de dor de dentes.


quarta-feira, 22 de janeiro de 2014

Quer Suicidar-se e Ficar na História? Torne-se Jornalista!

Um estudo sociológico alargado e de abrangência internacional revelou que a profissão de jornalista possui a maior taxa de acidentes mortais em trabalho em todo o mundo. Só no ano findo findaram-se 108 jornalistas, o que dá a bonita média de 1 despachado para o Outro Mundo a cada 3 dias, ou mais exactamente 1 a cada 81 horas. Intrigados com o facto de alguém querer abraçar uma profissão com tais taxas de mortalidade profissional, os sociólogos decidiram estudar de perto os repórteres e outros afins para lhe traçarem o perfil (também contrataram a recibos verdes vários alunos de Belas-Artes para fazerem os tais perfis) e concluíram que apenas um grupo muito especial de pessoas abraça esta carreira de alto risco: são pessoas com um grande desejo de aventura, incapazes de perceber que a verdade é por via de regra muito inconveniente e que aliás nem existe, com uma necessidade compulsiva de dizerem ao mundo aquilo que sabem/descobriram (o que convenhamos, é um grande erro), e acima de tudo com uma tendência inconfessa e mal reconhecida de suicídio. Concluindo: um perigo social à solta. Em face dos resultados destes estudos, e cientes do seu dever em satisfazerem os anseios dos seus cidadãos, os governos de vários países estão já a trocar entre si, à laia de informal Interpol, listas de jornalistas abelhudos que por serem tão abelhudos estão mesmo a pedi-las. Por seu turno, os grupos de terroristas, insurgentes e guerrilheiros já há muito tempo trocam bases de dados sobre os jornalistas incómodos – não apenas os nomes e fotografias actualizadas mas também os actuais paradeiros de pernoita e roteiros de movimentação nos locais de reportagem – de modo a estoirá-los à melhor oportunidade para que estes não revelem o que não convém nada ser revelado. Assim, se está desgostoso da vida, tem credores, empresas de cobranças difíceis à perna ou as contas em atraso no fisco e não sabe como regularizá-las, se pensa que ir desta para outra é o seu melhor remédio, inscreva-se numa escola de jornalismo (das que dão cursos ultra-rápidos, como certas universidades que selam diplomas aos domingos, para assim fugir mais depressa a quem lhe anda no encalço) e parta de imediato para o país em guerra mais acesa, com maior taxa de atentados bombistas ou um desses exóticos locais onde o dinheiro circula não se sabe muito bem de onde para onde mas só 0,1% da população enriquece enquanto os restantes 99,9% mergulham na miséria mais completa, e ponha-se a seguir o rasto do pilim. Verá que conseguirá o seu objectivo em 2 tempos (os que um sniper demora a premir o gatilho e a bala o/a atingir).



terça-feira, 21 de janeiro de 2014

Parlamento da União das Hortaliças Recorda Evento Fundador da União
 O Parlamento da União das Hortaliças decidiu esta semana recordar um dos eventos fundadores do Continente: o cerco e capitulação da Cidade das Bizantinices, ás mãos do Império dos Turbantes Voadores, por vezes chamados de Otomanas. Essa invasão e consequente fim brutal do Império das Bizantinices, o qual resistira antes a tudo por mais de mil anos, teve pelo menos o bom condão de trazer a arte e os sábios do oriente para o atrasado ocidente e iniciar o Renascimento, a partir do qual se gerou praticamente tudo o que agora é a “identidade” do Continente e mais ainda, da União das Hortaliças. Deste modo, e tentando ser o mais fiéis ao rigor histórico, e após numerosas comissões, estudos encomendados a especialistas e contratação de académicos para fazerem a correcta direcção de actores no Parlamento da União, foi decidido encenar o debate de suprema importância que agitava a Cidade das Bizantinices na altura do cerco das Otomanas, e que foi o concílio convocado na altura não para discutir estratégias de defesa do cerco nem de negociação dos termos de um eventual tratado de tréguas e/ou armistício que salvasse as vidas, bens e cultura, incluindo a religiosa, da população mas o visceralmente mais importante tema do… Sexo dos Anjos. Porque está bem de ver que com um inimigo às portas e prontinho para nos fazer a todos às postas, era de suprema importância saber se no céu os anjos que nos acolhiam podiam fazer ou não triqui-triqui. Para não termos surpresas quando lá chegássemos. Pois bem, tendo actualmente o sexo dos anjos perdido toda a sua actualidade pois já ninguém se interessa por quem é que faz de papá ou de mamã desde que a criança chegue ao fim dos nove meses para benefício do fisco que atribui logo um número fiscal ao puto ainda antes deste ser capaz de balbuciar “imposto” se os pais querem ter apoio para as fraldas, tiveram os deputados do parlamento da União de escolher um outro tema nestes tempos também de cerco e guerra mas agora o inimigo está cá dentro, e a pancadaria já ferve em cidades da República Federal das Batatas e do Potentado da Paelha por os respectivos burgomestres locais terem planos para varrer os pobres que lá vivem para muito longe, para as periferias mais periferias da cidade, para a sua visão não incomodar a sensibilidade delicada dos novos moradores que virão para esses locais após as devidas renovações do tecido urbano. Assim, e porque nestes tempos de frio o que é preciso é aquecer a malta para os confrontos e traulitada à maneira, decidiram estes decidir sobe onde, quem e quando iria produzir adocicadas bebidas com frutas chamadas “sangria”, entre outras coisas porque sangram os bolsos de quem paga por um jarrinho da dita “com elas” e descobre que o “elas” não são as frutas mas uma montanha de cubos de gelo para diluir o mau sabor do vinho. Esta resolução bizantina, uma de várias encenadas esta semana com o rigor histórico que a queda da Cidade das Bizantinices merece e que pelo seu esplendor, e inutilidade, se assemelha em muito à actual Cidade do Tacho/Couve-de-Bruxelas. De facto, segundo analistas políticos e economistas que obtiveram canudos aos fins-de-semana e por isso mesmo percebem imenso “da coisa”, esta bizantina legislação irá resolver o problema da moeda única e da fome que grassa de mãos dadas e aliança no dedo com a crise austeritária dos países do sul (para aprenderem a não ser uns desregrados gastadores), mal seja publicada nas 30 línguas oficiais da União e rectificada pelos parlamentos de cada um dos 30 países da dita, o0 que significa que não será nos tempos mais próximos que a crise da moeda única das hortaliças será resolvida nem tão-pouco abrandará o aperto de cintos apesar de todos os anúncios de sucesso e fim da dita cuja crise emitidos da Cidade do Tacho/Couve-de-Bruxelas e respectivos órgãos filiados de incomunicação social. Mas sabe bem ao patriotismo, e às empresas de refrigerantes, saber que a “sangria” pode agora ser apenas produzida com selo de qualidade e autenticação de origem por apenas 2 países, devendo os restantes colocar nos rótulos das garrafas da animada bebida: “de imitação”. Continuem com bizantinices dessas que também um dia cairemos… de Maduros.

Universidades do Nabal Serão Aldeamentos Turísticos Para Estrangeiros Com Árvore Genealógica de Ouro de 24 Quilates e Folhas de Diamante
O Nabal, alcunha carinhosa da República Democrática dos Nabos, está a bater todos os records de inovação nas áreas pedagógicas da economia e do ensino, já sem contar na saúde, com a recém-promulgada licenciatura em Medicinas Tradicionais, leccionada pela Congregação de Bruxas, Adivinhos e Profissões Similares (CBAPS) e que tem tido uma tremenda aderência dado que não cobra propinas mas apenas exige que os alunos vivam paredes meias com o seu orientador nas misteriosas artes de curar com banha da cobra, baba de sapo, pele de salamandra, pêlos de bichos vários e pílulas de bocadinhos inconfessáveis de feras selvagens protegidas pela convenção CITES (mas quem quer saber de convenções, quando o mercado das partes de tigre e rinoceronte movimenta o carcanhol que movimenta?); além disso este curso permitirá aos licenciados exercerem a sua profissão em regime liberal a fugir aos impostos pois ninguém quer conjurar a ira da bruxa ou do bruxo da vizinhança por exigir recibo para entrar na tômbola semanal do sorteio do fisco. A nova inovação do Nabal acaba de ser atirada – porque foi de facto um tiro aos patos que acreditaram que podiam ter bolsas para estudar – pelo Buraco para a Investigação Científica (BCI) e consistiu em recusar os apoios financeiros a todos os projectos de investigação para doutoramento e pós-doutoramento, sendo que também já não aceita candidaturas para financiamento a projectos científicos desde o ano passado, pelo que a grande pergunta do momento é: para que é afinal precisa a BCI? Em resposta, e atento às dificuldades orçamentais, o governo decidiu extinguir a BCI e extinguir também os seus funcionários para que estes não viessem a dar com a língua nos dentes sobre a insólita decisão de chumbar todos os projectos de candidatura a estudos pós-graduação. Ao contrário do que se possa pensar esta não é uma estratégia suicida que impedirá o Nabal de se tornar competitivo nos anos futuros. De facto não há competição possível num mercado de trabalho que funcione segundo a lei do regime escravo mas onde os trabalhadores sejam em aparência livres… para trabalhar 20 horas por dia e nem terem tempo para se irem suicidar a casa (suicidando-se por isso no local de trabalho, como está a tornar-se tradição no Império do Arroz). Por esta razão se tem incentivado de todas as formas possíveis os nabos que contraíram a doença dos estudos e possuem agora licenciaturas, mestrados, doutoramentos e post-docs a emigrarem para outras paragens pois a sua doença é perigosa num Nabal que se quer escorreito e livre da funesta mania de pensar como dizia um célebre intelectual de antanho cujo nome o mundo fez o favor de esquecer. Os nabos com esta doença que teimem não ir arejar as ramas para outro lado, são increpados pelos nabos-governantes a buscarem emprego e financiamento nas indústrias e grandes grupos económicos dado que até agora nunca souberam “acrescentar valor”, de acordo com o Ministro da Deseducação que veio a público exigir um aumento da inovação, após saírem os resultados da Não Atribuição de bolsas da BCI. Inovação, entenda-se nos métodos de fugir do Nabal. Inovação, entenda-se em sobreviver sem comer, sem livros para estudar nem equipamentos para investigar e inovar, sem casa, roupa ou calçado pois as empresas do Nabal detestam gente com a doença dos estudos dado que, nas sábias palavras dum dos líderes da indústria local, “para apertar porcas numa linha de montagem não é preciso saber ler e escrever” logo só fornecem dinheiro para investigação se no momento estiverem apertados com os impostos e precisarem de se socorrer da Lei do Mecenato (embora ninguém saiba que é esse senhor Mecenato, é seguramente alguém que aprecia muito futebol e concertos pimba em festas de aldeia). Também, é claro, para plantar batatas não é preciso saber ler e escrever (o facto dos agricultores com sucesso e capacidade para exportar serem no geral aqueles com estudos não conta para esta história), razão pela qual a seguir serão fechadas as escolas que restarem. Esta estratégia é assim não um extermínio do futuro do país mas sim um revolucionário avanço em termos de sustentabilidade da Regra de Ouro da União das Hortaliças e que consiste no mirífico “défice 0”. Com efeito, em vez de inutilmente se gastar dinheiro com as Universidades e investigação – o que todos sabemos não serve para nada – estas irão ser agora transformadas em aldeamentos turísticos com vista a captar as tão necessárias divisas para o Nabal pagar o que deve e os juros do que não deve mas faz de conta (afinal são precisas pequenas “lembranças” a oferecer aos futuros empregadores dos nabos-políticos quando estes deixarem funções). O governo do Nabal pretende internacionalizar as universidades de forma a darem dinheiro, e não no tipo de internacionalização que estas já fazem com fartura, como terem alunos estrangeiros ao abrigo de diversos programas de intercâmbio internacional, professores convidados e projectos de investigação com países de todos os continentes, mas sim aproveitando as naturais apetências do país e todos sabem que o Nabal é cada vez mais um destino turístico de eleição, dada a passividade e mansidão dos nabos e o bonito sol que ilumina a horta. Assim, as universidades e escolas serão a partir já deste Verão transformadas em aldeamentos turísticos de luxo, recebendo somente turistas que demonstrem de forma concreta possuírem árvore genealógica de ouro de 24 quilates e folhas de diamante de 10 carats e flawless. Tanto as folhas de diamante como o ouro serão testados em contraste e análise microscópica no momento em que os hóspedes fizerem o chek-in na Universidade/Aldeamento. Os candidatos a turistas que apresentem diamante ou ouro abaixo das classes acima indicadas ou tentem aldrabar a gerência com diamantes artificiais, zircões ou prata banhada de ouro serão corridos a pontapé até à fronteira pois só podem fazer pouco e/ou aldrabar os nabos os estrangeiros que tenham pedigree. Quanto aos filhos da gente fina do Nabal que queiram estudar p’ra doutor pois dá sempre jeito ter um bonito diploma pregado na parede do salão onde se recebem os outros magnatas e/ou onde se joga mini-golfe para manter em alta o ego do boss mesmo se as suas acções estiverem em baixa, o problema foi já resolvido com um acordo bilateral que promove a inscrição dos bebés nas Universidades da Ivy League, de modo a assegurar as futuras vagas, desde que os papás contribuam generosamente todos os anos para estas conceituadas Universidades da estranja pois os pedigrees hoje flutuam à conta dos negócios e num estalar de dedos um candidato com todas as referências pode ter de ser deitado borda fora porque deixou de cumprir os critérios de conta bancária.

Criado Cinto de Castidade Inviolável Para o Segredo de Justiça
Cansada das fugas de informação e violação do segredo de justiça, a Procuradoria-Geral do Principado da Casa dos Segredos, decidiu fazer uma autoria interna como está agora na moda, para descobrir de onde vinham as fugas na canalização e procurar resolver o problema sem necessidade de canalizadores, que isto o orçamento anda apertado, ou de adoptar o original método dum candidato às autárquicas locais que aparecia nos cartazes com um penso rápido a colar-lhe a boca. E esta auditoria surgiu com a solução mais eficaz: não tentar conter o segredo na fonte mas impedir os malvados jornalistas de a publicarem, apesar de, pelo menos em teoria, serem pagos precisamente para… noticiarem. Mas lá está, há notícias e notícias e as notícias que o príncipe e senhor do reino não gosta ou não quer que se saibam, não são notícia e os jornalistas deveriam ser ensinados sobre essa pequenina e subtil diferença entre o que é notícia e o que não é. Não é notícia revelar que a princesa andou a fazer negócios especulativos com o dinheiro… dos impostos dos cidadãos e não com o dela que continua muito bem seguro no Cantão dos Queijos. Mas já é notícia mostrar os cueiros do principezinho e a loja de marca onde estes foram comprados, com extensas entrevistas ao gerente a dissertar sobe a cor da moda e os tecidos exclusivos para a casa real. Assim, o relatório da auditoria sugeriu que para combater o segredo de justiça, fosse a ele aplicado um… Cinto de Castidade. E como a arte de fabricação destes cintos ficou perdida nas trevas da Idade Média, constitui-se uma comissão de Preparação do Cinto de Castidade e Suas Normas de Uso, como é de tradição no Principado sempre que há casos bicudos ou/e que metam negócio. Ainda não se sabe como ou quem irá tomar as medidas às partes íntimas do Segredo de Justiça nem quem irá ter a seu cargo a tarefa de o forjar, brunir, polir, decorar e enfiar-lhe a chave mas as regras da sua utilização estão já estabelecidas e são as seguintes: 1) serão efectuadas escutas telefónicas aleatórias a todos os jornalistas recorrendo à mesma tecnologia da NSA (já está em preparação o acordo de prestação de serviços com esta grande multinacional), 2) serão recolhidas informações detalhadas incluindo as relativas aos usos e costumes mais íntimos dos jornalistas por parte dos espiões com carteira profissional e outros amadores, vulgo “bufos”, que queiram ajudar o príncipe a manter virgem o Segredo de Justiça, após a devida operação para lhe restaurar a virgindade, 3) também ao abrigo de cooperação com a NSA serão vigiados os computadores, gravadores, pens e blocos de notas dos jornalistas, mesmo os que não sejam usados nas suas actividades profissionais, de modo a detectar violações ao Segredo de Justiça e outras actividades insurgentes e subversivas, 4) serão realizadas buscas às casas dos jornalistas e chefes de redacção, aleatórias e escolhidas por aplicação dum algoritmo baseado no sorteio semanal do euromilhões (ou em alternativa do sorteio semanal do fisco), 5) serão também realizadas buscas aleatórias, definidas pelo mesmo procedimento do anterior, mas modificando o grau da variável no caso de jornais com a mania de publicarem notícias inconvenientes, 6) no caso do jornalista ter falado com alguém ao telefone, na paragem do autocarro, em mesas de café, nas bichas da Segurança social ou do Instituto dos Desempregados, por email em chats ou redes sociais da Rde-de-Pesca, será tanto ele como o falante multados com multas milionárias 8que se não forem pagas darão cadeia, esperando-se assim que toda a classe jornal esteja na prisa em apenas 3 meses após a entrada deste código em vigor, pois falar com um jornalista é a partir de agora crime equivalente a tráfico de droga e crime organizado (o tráfico de armas e de escravos humanos foi legalizado para evitar prejuízos aos mafiosos), 7) caso o jornalista vigiado seja um subversivo (é considerado subversivo tudo o que desminta ou contrarie a narrativa oficial do príncipe) será feito rebentar adequadamente com uma bomba no carro ou na casa, em conformidade com os requisitos internacionais, ou em alternativa levado para uma prisão secreta onde os serviços de segurança aniquilarão a ameaça, 8) serão apreendidos todos os materiais escritos, em papel ou suporte digital, fotográficos e vídeos na posse dos jornalistas segundo o sorteio semanal para confiscação de material de informação ou sempre que alguém diga que estes estiveram com a vizinha, 9) o material apreendido não se restringirá apenas aos materiais noticiosos mas a toda e qualquer possível forma de disseminação de notícias ou de informação, mesmo que sejam apenas os filmes do Bambi ou do Rei Leão que o jornalista calhou de alugar na Blockbuster (OK, na Rede-de-Pesca pois a Buster foi… busted) para o filho e os que alugou ali à sorrelfa na loja da esquina cheia de luzinhas vermelhas, 10) o jornalista que for apanhado a saltar a cancela será imediatamente despojado da sua carteira profissional e proibido de exercer toda e qualquer profissão, para que possa emigrar ou morrer de fome, isto se a bomba ou a prisão secreta não resolveu antes o problema, 11) o cinto só poderá ser aberto e o Segredo de Justiça violado sempre que tal for conveniente à consolidação do poder do Príncipe. Estas regras foram já enviadas à ditadura mais totalitária do planeta – a República Democrática da Fome – para avaliação, correcção e aposição do certificado “Regras do Estado Totalitário, Medalha de Ouro (pois as botas são para o outro)”.
  

sexta-feira, 17 de janeiro de 2014

Bilhete de Identidade e Registo do Acidente São Novo e Compulsivo Meio de Diagnóstico
No Califado dos Turbantes Voadores a medicina acaba de alcançar mais um avanço que permitirá melhorar a velocidade de diagnósticos e assim reduzir a pressão nas urgências dos hospitais de todo o mundo, com evidentes benefícios para os orçamentos e para os mercados (embora não necessariamente para os pacientes – porque é preciso muita paciência – desses serviços). O diagnóstico é feito agora exigindo ao doente o Bilhete de Identidade e o registo de Acidentes com a indicação de onde foi ganha a contusão, pois estes dois documentos serão os que decidirão do prognóstico e do tratamento a ser dispensado. Assim, se o acidentado tiver partido os ossos todos porque se estampou de carro ou motoreta contra uma parede ou outro veículo, será guiado para os serviços de Traumatismos para lhe consertarem as fracturas. Se é uma mulher e ficou toda partida porque levou um enxerto de porrada do marido ou outro homem da família, será varrida para casa e com ordem para se curar com a pele do mesmo dono. Se abriu um buraco no crânio porque teve de saltar às pressas de casa ou loja que assaltou, será tratado e condecorado com um crachá que o lhe dará direito a ser levado imediatamente à polícia para receber segundo britanço de ossos, mal o buraco na cabeça haja sito suturado. Para aqueles energúmenos que tenham sido amassados pelas forças de segurança nas manifs contra o primeiro-ministro e suas ideias descabeladas de construir centros comerciais em actuais jardins públicos, os seus BI serão confiscados e o tratamento será um chuto no traseiro e aviso imediato para o exército vir buscar o “insurgente”, não se perdendo tempo a tratar do perigoso rebelde. Assim as urgências dos hospitais passarão a estar disponíveis para atender motoristas desencabrestados e suas vítimas, ladrões e foras-da-lei vários que hajam sido feridos no exercício das suas funções, que são quem precisa de tratamento e mais ninguém. Esta medida trará diversos benefícios à sociedade em geral e aos doentes em particular: permitirá atender os traumatizados mais rapidamente, será poupada uma pipa de massa em medicamentos, electricidade e subsídios de doença pois será reduzido o número de clientes atendidos e, o mais importante, permitirá rastrear e identificar os rebeldes perigosos que pensam que vivem em democracia e têm o direito a decidirem mais que já fazem de 4 em 4 anos, quando botam os votos nas urnas e já é bem bom. Aliás, só lhes será concedido esse especial direito enquanto continuarem a votar no primeiro-ministro. No dia em que por loucura influência do oeste ou de outros inimigos do Estado decidirem votar noutro que não o primeiro-ministro, então verão para que serve o exército e os votos. Os médicos que desobedecerem e recusarem utilizar este novo método de diagnóstico serão punidos com multas e confisco de todos os bens, incluindo a comida que tiverem no frigorífico, levarão um ensaio de porrada nos locais de trabalho à frente de doentes e acompanhantes para edificação da moral pública e bons costumes e serão de imediato conduzidos à prisão sem necessidade de julgamento por tribunal ou correlativo, sendo que, por passarem a fazer parte do número dos rebeldes também não receberão qualquer tratamento pelo enxerto de pancada. Será assim conseguido uma significativa poupança em honorários dos médicos e pessoal de enfermagem apresado, sendo também eficazmente abandonado o pagão e não menos arcaico Juramento de Hipócrates. Por seu turno o povão que assistir ao espancamento e detenção dos médicos passará a ter juízo e a não contestar o líder mesmo que este mande todos os habitantes do país vestirem-se como na Idade Média e regresse às mesmas medievas punições mesmo se todos estiverem contra pois democracia é todos concordarem com o líder até mesmo durante os sonhos.