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terça-feira, 29 de abril de 2014

Líder da Toca dos Coelhos Saúda Verbo-de-Encher em Coma
No Califado da Argila (e Areias Para Construção) onde se iniciou a Primavera Que Murchou Antes da Flor, foram recentemente realizadas eleições para a cadeira do califa. Neste califado o cargo mais elevado não é recebido por herança familiar mas por decorativas eleições, para apaziguar observadores internacionais e distraídos locais que ainda julgam viver em democracia. Nestas eleições houve um facto que bem demonstra as maravilhas da medicina moderna. O candidato apoiado pelo principal partido – até os fundamentalistas religiosos locais acabarem de ocupar as cadeiras ainda disponíveis na sala de audiências do califado – e que já é califa vai para 15 anos (o que sugere que o cargo não é de herança familiar mas é vitalício) concorreu às eleições em absoluto estado de coma e internado em estabelecimento hospitalar, o que não é de surpreender dado o califa em causa contar já para cima de 80 primaveras (que não as flores). No entanto, apesar de em estado vegetativo, conseguiu participar em comícios, desfiles, sessões de esclarecimento e debates televisivos (embora os da oposição digam que foram os outros membros do partido e não o comatoso) mas aqui no jornal estamos em crer que isto são más-línguas e este fenómeno resulta das maravilhas médicas que terão permitido a um homem inconsciente dedicar-se de corpo e alma a uma renhida campanha eleitoral. E daí… talvez não seja tão extraordinário dado que muitos candidatos a eleições um pouco por todo o mundo são declaradamente inconscientes e alguns vivem mesmo em estados alterados da realidade senão em mundos bastante diferentes deste, para não lhes chamar outra coisa. Como resultado deste milagre das artes de Hipócrates, o velho califa em estado de coma acabou por, acreditem ou não, vencer as eleições e continuar califa, para desespero do grão-vizir Iznogood, que ainda não foi desta que se tornou califa no lugar do califa. Na Toca dos Coelhos – condomínio fechado e autónomo da República Democrática dos Nabos – o líder local enviou já um telegrama de felicitações ao vegetativo califa pelo reforço da democracia no Califado da Argila o que, nos dizeres deste coelho-líder, é comprovado pelos resultados das eleições no Califado. O que também prova a tese de que o líder da Toca dos Coelhos é mais outro fenómeno político declaradamente inconsciente ou em alternativa, que está a mais das vezes com uma g’anda “pedra”.

segunda-feira, 28 de abril de 2014

Pensamento da Semana
A estupidez é a essência da natureza humana... e a cegueira a das sociedades
Da Capital-do-Tacho/Cidade da Couve-de-Bruxelas chega-nos a apaziguadora palavra de ordem para todos os cidadãos da União: não stressem, não entrem em pânico, o navio já afundou. Que é como quem diz, a União das Hortaliças foi ao fundo. Na mais recente reunião do Banco da União das Hortaliças (Fora de Prazo) foi assegurando que os mercados, e os cidadãos não precisam de se preocupar com a deflacção pois o Banco irá tomar todas as medidas para evitar tal desastre. E as medidas que tomaram – quando os preços já estão a descer em vários segmentos da economia e mal se mantém à tona dos 1% de aumento nas restantes – consistiram em… não fazer nada. Pelo menos até o barco estar bem atolado no fundo do mar. Esta actuação está em conformidade com os ditames vindos da Cidade das Bolas de Berlim, que é também a de fazer… por ficar o mais quietinho possível, qual animal pré-histórico a tentar enganar o olho atento dum dinossáurio. Ou, segundo a interpretação de alguns outros, o conhecido Grupo dos Contra, mais como um braquiossáurio de muito pequena cabeça, que só dava por ter ficado sem cauda aí alguns 5 minutos depois do facto e por isso demorava imenso a reagir ao perigo, para suprema felicidade dos carnívoros locais. Na mesma linha de raciocínio, decidiram os iluminados gestores da República Federal das Batatas fechar os cordões à bolsa e não avançar com o 3º resgate à democracia da Moussaka (dado que as anteriores políticas económicas de austeridade tinham corrido tão bem) porque se se fizer o resgate alimenta-se os extremismos mas também se se não der o resgate se alimenta a extrema-direita, donde podemos concluir que a extrema-direita não é extremismo e portanto, senhores de suásticas e botas cardadas podem vir pois serão recebidos de braços abertos. O terceiro exemplo de que não fazer nada é o melhor negócio é de que ainda, e seguindo os ditames do dolce fare niente, não se decidiu se os países da União que estão a deixar os acordos da Tripeça porque estes atingiram o limite do prazo de validade devem ir para a cama limpinhos ou pelo contrário vestir as fraldas da marca “Programa Cautelar”, dado que a decisão será tomada, lá p’ra depois das eleições. O que faz pensar o analista de serviço aqui do jornal (que também está a dormir para obedecer à nova moda) se as eleições para o Parlamento da União são mais importantes do que o futuro dos países afogados e das vidas das pessoas desses países. Também levanta a questão de se estes programas de ajustamento terem corrido tão mal que se tenha de convencer os votantes de que está tudo a correr bem e mais tarde, após as eleições, é que serão elas… porque, pensa o nosso analista, é muito mais importante eleger a raça iluminada que aquecerá os estofos da Cidade do Tacho/Couve-de-Bruxelas do que pensar e agir para bem da vida de todos os filhos da União. Que é aliás uma União com estrita separação de bens, em que o que é teu, teu é, e o que é meu, teu é também. Porque não se podem assustar os excelsos votantes dos países do Norte que, coitadinhos, estão cansados de dar dinheiro para os preguiçosos do sul. O que levanta ainda outra questão ao nosso analista (que por esta altura já está a pensar mudar o estatuto para filósofo): se o não fazer nada quando é necessário agir é a pedra de toque do funcionamento da União, então a preguiça será uma virtude... ou um defeito, consoante a latitude geográfica em que for praticada?
Conclusão científica: A União das Hortaliças tornou-se um, imenso alfobre de zombies.


sexta-feira, 11 de abril de 2014

don't be fooled by that face
fingerprinting the criminal
No Califado dos Vizinhos do Califado das Tribos à Pancada, mais conhecido por Paraíso dos Talibãs, o ditado “de pequenino é que se torce o pepino” está a ser ilustrado por um novo marco na jurisprudência internacional (ou na estupidez humana, consoante o prisma pelo qual se vejam as coisas). Pois sucede que na sequência do popular desporto local intifada, em que os alvos das pedradas eram polícias e funcionários de cobranças por causa do aumento dos preços do gás e cortes do mesmo a quem não tem dinheiro para pagar (e sabendo a miséria daquela terra, bem se pode imaginar que a maioria não tem), foi constituído arguido por tentativa de homicídio um bebé de 9 meses. Sim, o pequeno Moussa Khan é um empedernido assassino – ou antes, um assassino falhado dado que a vítima se queixou dele – apesar de nem conseguir pegar em condições no biberão, que é um objecto que lhe dá muito mais interesse do que uma vulgar pedra atirada à cabeça dum passante. Portanto o nosso pequeno Moussa, de 9 criminosos meses de idade, que refilou por lhe tirarem as impressões digitais sem saber porque lho faziam, foi apresentado a tribunal e saiu sob fiança basicamente porque… as prisões não têm creches. Mas a Justiça do Califado corta a eito (com espada e muito literalmente) e o terrível assassino (falhado) terá de se apresentar em tribunal a 12 de Abril. Até ao momento as declarações do réu limitaram-se a uns gugu-dádá seguidos duma choradeira que rebentou os tímpanos do juiz, que por força da lei religiosa local é homem e não está habituado a este tipo de poluição sonora, pelo que apanhou uma enxaqueca e por essa razão deixou o puto ir para casa sob fiança. O empedernido bebé também não está a cooperar com as autoridades na investigação do crime que não chegou a acontecer, pois a todas as perguntas só responde bubu-dádá, nhem-nhem, blu-blu-blut, gadi-gadi, briu-briu-briu e ainda não foi possível arranjar um tradutor de bebéguês, embora as autoridades estejam a envidar todos os esforços para assegurar a cooperação do tradutor de linguagem gestual do funeral do Mandela. Entretanto o juiz que mandou a criança para casa sob caução está já a considerar especializar-se no novo ramo de direito civil – criminologia de bebés de mama – e pediu ao governo estadual que decorasse a sua sala de audiências com bonecos e colagens coloridas, mobiles e outros decors que muito se vêm nas creches e jardins infantis para os filhos dos senhores ricos do país, não vá um dia o neto-bebé do Primeiro-Ministro também aparecer por ali, acusado de tentativa de rapto do avô. De notar que, pela lei religiosa do país, um assassino pode ser condenado à morte a menos que os familiares paguem à família enlutada uma pipa de massa, altura em que o assassino é perdoado e pode sair em liberdade. Deve ainda referir-se que os cidadãos em custódia são quase sempre agraciados com o conhecimento in loco e sobre si mesmos das diversas técnicas optimizadas de interrogatório – também conhecidas por tortura – donde será de prever que em breve neste país, bebés de 6 ou de 9 meses possam vir a ser mortos na praça pública pelo carrasco oficial do governo, para edificação das massas. Para os que, por misericórdia em dia de santo feriado, vejam as suas penas comutadas para perpétua, as prisões estão já a proceder a remodelações nas celas (passando a albergar 10 criminosos minorcas por buraco) e alteraram as suas listas de compras que agora incluem fraldas, biberões, leite em pó, andarilhos, rocas e mordedores Chicco para os que estão com a raivice dos dentes. E se pensam que estas coisas só acontecem no Califado dos Vizinhos do Califado das Tribos à Pancada, é melhor começarem a olhar à vossa volta com mais atenção.
A life of crime makes you hungry (YOUTUBE)

quinta-feira, 10 de abril de 2014

Democracia É… Entrar Mudo e Sair Calado (ou vamos todos bater palmas ao estilo Kim Jong-Il: a Lei da Rolha – Parte III)
Na República Democrática (cada vez mais às vezes) dos Nabos está-se em grande afobação para as celebrações libertárias do regime. Sendo um ano de austeridade, contenção orçamenta, e aperto do cinto, decidiram as autoridades celebrar a coisa não em conjunto como até aqui mas cada um por seu lado, para pintar um bonito cenário de pluralismo e liberdade inter-confessional. Assim, o presidente celebra num sítio e com o seu grupo de convidados, os parlamentares noutro e com convidados diferentes, o governo noutro e com lista de convidados distinta das duas anteriores e… o povão fica em casa a ruminar frente à TV porque já nem há massa para ir para o café da esquina comer uns tremoços e beber umas b’jecas. As festas vão ser muito animadas pois celebram a liberdade das pessoas poderem dizer e escrever aquilo que pensam sobre tudo e mais alguma coisa. E para celebrar a liberdade de opinião e o fim da censura prévia, a Assembleia dos Nabos Locais convidou os rapazes que há 40 anos mandaram o dono do carimbo vermelho e da mordaça embora, e que deixaram já de ser rapazes e agora são velhotes. Embora não os habituais velhotes resignados e acomodados “é como Deus manda” pois se pudessem ainda partiam uns quantos pratos e atirá-los-iam a certas cabeças que lhes calhassem de aparecer pela frente. Velhotes refilões, estão a ver o estilo. Por essa razão, para comemorar em dignidade o regresso da liberdade de faladura, escritura e pensamento, serão os velhotes convidados para as festividades no Parlamento devendo… não abrir a boca. Nada mais adequado, dizemos nós aqui no jornal, do que uma boca calada (à força e por decreto) para celebrar a liberdade de expressão. Aliás, o Parlamento – lugar onde por norma se devem debater ideias e opiniões – tem sido muito abalado nos últimos tempos porque o povão que vai assistir aos debates também deu de querer participar e se manifesta ora dizendo coisas, ora em silêncio mas desfraldando faixas com frases de protesto, ou também em silêncio – e sem jamais impedir os deputados de falar e agir – deitando papelinhos e outras doces decorações para as bancadas, razão porque são indecentes e bárbaros nazis, do ponto de vista da iluminada Presidente do Parlamento. Que para evitar mais atentados à sua altíssima pessoa já pediu um estudo para limitar o direito do povo a assistir aos trabalhos dos tipos que elegeu para aquele sítio, pois quem elege não tem nada que meter o nariz e vigiar o que os seus eleitos andam a fazer. E apesar de ser um ano de vacas magras, contenção orçamental, austeridade e aperto do cinto, foi o estudo encomendado, embora os nossos infiltrados nos informem que não era necessário pois a preclara Presidente já decidira que a partir de 1 de Maio só terá acesso às galerias da casa quem possuir residência registada na Quinta da Marinha, cartão de membro do Rotary Club, várias contas de 7 dígitos em off-shores, amigos conhecidos dos círculos do poder e se apresente em traje de gala para vernissages reais. Para que as celebrações corram na mais perfeita harmonia e decoro, não só os Rapazes de Abril serão impedidos de discursar ou mesmo de meter apartes e teatrais buchas (falarão só os tipos que na altura andavam de fraldas ou ainda nem eram nascidos) e o povão na galeria será assessorado por um polícia por cabeça, com a missão de dar na referida cabeça se esta decidir botar faladura no meio das celebrações. Para que o espectáculo saia em alta glória, esplendor e alegria, os Rapazes de Abril estão já em intensos ensaios de bater palmas para poderem batê-las em perfeita sincronia e com vigor apaixonado ao estilo “súbdito do reino de Kim Jong-Il” (no qual onde quem bater palmas com menos vigor é levado logo para a frente do pelotão de fuzilamento e despachado para a quinta das tabuletas por “não mostrar o devido entusiasmo pelo querido líder”). Para esse efeito mandaram já vir do Reino da Península da Fome o ensaiador-mor de desfiles e palmas para ensinar à Rapaziada de Abril como é comportar-se com termos. Na sequência deste protocolo de cooperação pensa-se em breve aplicar a lei da corte de Kim Jong-Il à plateia das galerias do Parlamento, estendendo-a mais tarde aos jornalistas e outros coscuvilheiros e que é: quem ousar discordar leva um tiro nos miolos. E Viva a Liberdade!

quarta-feira, 9 de abril de 2014

Na sequência da notícia anterior e do sururú que deu nos órgãos de comunicação social do Nabal o facto de tanta gente, na altura mais difícil da famosa crise, ter ficado sem rendimento de inserção social, nem emprego nem nada de nada, a consciência cívica do super-hiper-ministro Paulo Ibn-Portões foi desperta e este, após madura reflexão sobre o problema, que demorou 30 segundos, veio explicar que essas pessoas ficaram sem subsídio porque são podres de ricas, têm mais de 100 000 brasas nas suas contas no banco, e portanto não precisam de ajudas para nada. Confusos, mas eivados do dever patriótico de informar as massas (quando mais não seja as da caixa de esparguete lá de casa), o nosso jornal despachou para a rua o repórter, Xoninhas Crédulo para ir indagar junto dos sem-abrigo e outros pobre profissionais se é mesmo verdade que têm pipas de massa e estão podres de dinheiro. E como o rapaz é bem mandado, foi… p’rá rua. Após entrevistar vários sem-abrigo, famílias apertadas em barracas de cartão construídas debaixo das pontes, que esperam a todo o momento demolição por buldozers pois não pagaram a licença de edificação de barraca, e uma carga de pulgas e piolhos de todo o tamanho – não pudémos deixá-lo entrar na redacção antes de se fumigar bem fumigado com DDT – o nosso Xoninhas regressou com os frutos do seu labor, que confirmam as duras palavras do grande excelentíssimo Paulo Ibn-Portões. Os pobres são na verdade riquíssimos! As refeições que se “esquecem” de comer são incontáveis, o cotão nos bolsos enche um cofre de um digno banco, os buracos nas solas dos sapatos – os que ainda os têm – e na roupa somam a várias dezenas de milhar. Também têm imensas molhas por mor dos buracos nos cartões dos telhados das barracas ou porque a dormir ao relento apanha-se toda a chuva que o céu descarrega, e essa ainda é grátis. Por enquanto. Muitos, tendo um grande espírito de empreendedorismo, têm também fugas sem conta à frente da polícia quando roubam comida no supermercado, e boa parte deles batem recordes de velocidade todos os dias, pois todos os dias têm de fanar qualquer coisa para meter no bucho. Também têm basta conta de dias em que têm de optar por ou comer ou tomar os medicamentos para se manterem vivos ou tomarem os medicamentos e ficarem sem comer, e são ainda mais numerosos os dias das suas contas em que nem para uma coisa nem para outra. Também já perderam o conto às rendas de casa em atraso e quanto a água, luz e gás, desapareceu das suas vidas há tanto tempo que já nem sabem o que isso é. E de facto têm contas bancárias com mais de 100 000 brasas, mas apenas que essas 100 mil são… saldo negativo. O nosso Xoninhas Crédulo foi aos bancos investigar e com efeito, as referidas contas têm um sinal menos antes do valor do saldo que o inefável e supremo ministro Sr. Paulo Ibn-Portões não viu quando estava a conferir os dados para a conferência de imprensa. Entretanto há grande agitação na rua ao saber-se como o Sr. Paulo Ibn-Portões sofre com as suas contas bancárias de vários milhares, e estes com um sinal + atrás, as comissões que vão passear até aos cofres de refrescantes ilhas tropicais, e com os seus carros, gastando uma fortuna só apra pagar ao motorista e ao mecânico para os manterem no ponto e prontos a transportá-lo para qualquer sítio. Movidos por um desinteressado bem-querer ao seu próximo, está já a circular entre os sem-abrigo e o pessoal das barracas um abaixo-assinado em como estão dispostos a oferecer ao Sr. Paulo Ibn-Portões os seus lugares de pernoita ao relento e embalos das chuvas pelas contas bancárias (sem mexidelas de saldo de última hora) e carros do Sr. Ministro. “É um bom negocio!” garantiu-nos Zé da Esquina “Quando o mercado recuperar, estes nossos bocadinhos onde estendemos os cartões e jornais para dormir vão subir de preço upa, upa! Que quer, é terreno urbano e mal o mercado imobiliário comece a mexer… Nós somos patriotas e queremos ajudar os senhores ministros, oferecendo-lhes as nossas riquezas, nem precisa de vir cá cobrar imposto, nós damos-lhes tudo”.


terça-feira, 8 de abril de 2014

Notícias que nos chegaram da Capital do Tacho/Couve-de-Bruxelas, do gabinete de imprensa do presidente da União, o Sr. Eu Bem Te Avisei, dão-nos conta de que o exilado de Rilhafoles (ou mais exactamente, fugitivo), tendo já cumprido a sua tarefa de dar cabo do mercado de compras e vendas on-line e por cartão de crédito, irá agora assumir novas responsabilidades, como conselheiro-mor no Fundo Mundial da Agiotagem. As suas credenciais para o novo cargo são de peso. Como o Fundo Mundial da Agiotagem se especializou em afundar as economias dos países que vai “socorrer”, ao impor benemeritamente um conjunto de cortes orçamentais e liquidação de planos governamentais que possam tornar as suas economias competitivas nos mercados internacionais, o que é, como se sabe, um péssimo caminho, os seus técnicos têm de possuir vasta experiência em destruir economias e trabalhar com instrumentos financeiros especulativos do grupo “tóxico” para que a morte das economias a intervencionar seja fulminante e garantida. Ora como ainda se lembram os nabos, o Exilado de Rilhafoles afundou a economia do Nabal em três tempos, a uma velocidade estonteante que lhe valeu o registo no Livro de Recordes do Guinness, e sem por uma vez levantar qualquer protesto contra os ultimatos deste Fundo e da União das Hortaliças, sem sequer fazer amuo ou birra, como era de uso dos seus homólogos nos demais países. O seu desejo de cooperar com o Fundo e de fazer tudo o que diziam os ultimatadores, como um aluno bem aplicado, levou agora a que dos numerosos candidatos ao cargo – que tem uma remuneração mensal de 23 mil brasas (isso mesmo 23 mil por mês) – ele tivesse sido o primeiro escolhido e o júri de selecção até lhe haja tecido rasgado louvor e elogio. Até porque, tendo ajudado a complicar as transacções na União das Hortaliças, seria um candidato que poderia abrir ainda mais as portas da União ao Fundo que, quando tiver acabado com a dita, terá levado não apenas a sua economia à morgue mas também toda e qualquer antiga ideia de União. O nosso amado lingrinhas e Exilado de Rilhafoles vai assim exercer um cargo de conselheiro, em que não se faz grande coisa excepto dizer onde se deve cortar nos orçamentos e que medidas de destruição da sociedade se devem exigir aos países sequestrados e em necessidade urgente de resgate, funcionando a coisa tal e qual como no tempo dos piratas. Dado o abnegado esforço do Fundo para resgatar os países não se sabe muito bem de quem, estes têm de pagar ao Fundo pela sua benemérita acção. E para pagar salários destes é claro que os resgatados têm de pagar e com língua de palmo. É por essa razão que no mais recente resgatado, a República Democrática dos Nabos, se tirou agora a mais de 10 000 nabos os subsídios de desemprego ou de inserção social, apesar de mais do que nunca haver desemprego e os salários dos sortudos que trabalham terem deixado de dar para o mês inteiro, o que se reflecte nos cortes de água e electricidade, que atingem já vários milhares de lares por ano. O dinheiro que se tira a esta gente destina-se a pagar o gesto benemérito do Fundo e, como este se chama Fundo Mundial da Agiotagem, os pagamentos têm juros capazes de fazer corar de vergonha o mais empedernido agiota. Assim, enquanto uns vêem desaparecer os seus empregos e os seus salários, por causa da crise, outros têm salários de muitos milhares de brasas para… criarem crises. Como vêem, há crise… e crise.


segunda-feira, 7 de abril de 2014

E Este Tribunal Merece Ir Para o Guiness: Melhores Resultados, Só Numa Guerra
Muito se tem falado nos últimos tempos da ineficácia dos tribunais que tardam em aplicar a justiça, quando de todo esta chega sequer a ser aplicada pois não houve tempo parta prescrever o processo, a validade das multas, os réus ausentes ou os numerosos recursos interpostos até que o dito processo caduque sem ir a julgado. Pois a República Democrática (às vezes) dos Papiros, que nos tem presenteado nos últimos anos, com numerosas revoluções estilísticas e linguísticas, acaba agora de inovar no campo da jurisprudência, fazendo-se de novo grande entre as nações, para suprema alegria dos seus antepassados faraós que a contemplam da estrela Sírius com renovado orgulho, como o nosso enviado do caderno de ciência e parapsicologia bem pode asseverar na sua entrevista com estas reais figuras, a ser publicada quando sair do manicómio. Pois o tribunal supremo da república dos Papiros tornou-se hoje paradigma da eficiência jurídica ao condenar à morte 530 e pessoas num processo que nem chegou a durar 2 horas, dado que o juiz de instrução, desejoso de melhorar o registo de produtividade da sua sala de audiências, decidiu que não valia a pena ler o processo e instrução – uma coisa ciclópica com mais de 3000 páginas – dado que demoraria muito tempo a lê-lo, e ainda mais tempo a argumentar, chamar testemunhas a esclarecer vários dos factos e por aí fora, quando em menos de 5 minutos podia ler o bilhetinho que o chefe da polícia local lhe escrevera e dar a pena em conformidade com esse escrito. Considerando que foram 530 pessoas a praticar um terrível acto que lhes valeu a condenação à morte fica-se com a ideia de que terá sido um atentado terrorista, um golpe de estado falhado, quiçá um pequeno genocídio entre vizinhos. Mas não. Afinal tratou-se de um ataque a uma esquadra da polícia com a consequente morte de… 1 polícia. E aqui começam as dúvidas para o ignorante cidadão comum. Seria o polícia um super-homem que tivesse sido necessária a acção conjunta de mais de 500 tipos para o matar? Seria este um perdido descendente de Sansão? Como terá sido resolvido o problema de geometria que é: como conseguem 530 mecos chegar ao toutiço de um tipo mais ou menos ao mesmo tempo? Ou seria que estas 530 eram o quórum necessário para uma cerimónia vudú com bonecos e alfinetes para causar a morte no infeliz servidor da lei? Todas estas dúvidas podiam surgir nas sociedades decadentes do ocidente mas a República Democrática (às vezes) dos Papiros é um paradigma de moral e bons costumes e para um honesto cidadão local o caso não se pode afigurar mais claro: é que na nova lei por cada polícia morto, cobra-se automaticamente uma taxa de 530 cidadãos passados a fio de bala (ou de espada, se não houver dinheiro para as munições, o que aliás é uma execução mais conforme aos usos da região). É claro que esta lei se aplica apenas a civis. Porque no caso de serem polícias a matar civis seja em manifestações, zaragatas de bairro ou o mulherio lá de casa, não há julgado pois se se aplicasse a proporção de 530 condenados por um morto, o país ficava sem polícias. Já se ficar sem população, isso não será problema. Assim, queridos polícias papirenses, podem continuar a molhar a sopa à vontade e fazerem as mortes que desejarem ou calharem de vir à foice, pois são legalmente inimputáveis.
Notícia de última hora: as polícias da União das Hortaliças, com especial destaque para a República Democrática dos Nabos, o Potentado da Paelha e algumas outras que pretendem manter o anonimato mas sabemos serem dos países mais a Norte, vieram já solicitar à Cidade-do-Tacho/Couve-de-Bruxelas (conforme se leia em flamengo ou valão) um similar tratamento jurídico para os seus quadros de modo a poderem esmagar à vontade “as manifestações terroristas dos cidadãos que marcham nas ruas sem partir nada nem agredir ninguém mas gritando que estão sem salário, sem emprego, sem casa, sem comida”.
Notícia de ultimíssima hora: o nosso enviado especial na República Democrática (às vezes) dos Papiros avisa que… amanhã haverá mais.

domingo, 6 de abril de 2014

E Este Tribunal Não É Para Vocês
Na nova estratégia para ganhar o campeonato de caça à divisa que pôs todos os países da União das Hortaliças em alvoroço e em competição vale-tudo-incluindo-tirar-olhos para ver quem faz a maior mão baixa nos mercados, a República Democrática dos Nabos decidiu tomar a ofensiva e criou agora um Tribunal Gold para Estrangeiros. Este tribunal julgará apenas cidadãos estrangeiros com vistos de residência Gold, e Gold Platinium, sendo que os detentores de vistos Gold Para Génios serão julgados em tribunais normais para os nabos cidadãos que são nabos o bastante para não se desenvencilharem de processos com umas boas luvas por debaixo da mesa. Com efeito, no que se refere aos génios, por muito que eles façam avançar a ciência e as artes, bem, são uns pindéricos mal vestidos, não podem ir sujar os tribunais especiais para os cidadãos Gold. E dado que estes cidadãos Gold têm vasta experiência internacional em tribunais (sendo geralmente as personagens centrais, dado que costumam ser os réus), prevê-se já uma grande entrada de divisas e uma redução acentuada do desemprego pois prevê-se uma expansão das ofertas de emprego temporário para polícias, investigadores, telefonistas, carcereiros, oficiais de diligências e profissões correlativas. E como se trata de clientes especiais da justiça local, os nabos estão já activamente a trabalhar na alteração do código penal do Nabal, de modo a que seja instituído uma jurisprudência exclusiva para estrangeiros Gold, mais benigna do que a vigente para os nativos e, ao contrário do que se verifica para estes, passível de ser contornada nos gabinetes de advocacia e esquadras da polícia durante o processo de instrução criminal. Estas facilidades permitirão aos futuros requerentes de vistos Gold e Gold Platinium não necessitarem de temer as leis locais, podendo vir para o Nabal fazer todas as coisas que estavam proibidos de obrar nos seus países de origem ou quaisquer outros em que hajam procurado refúgio por a sua pátria ter esgotado a paciência e ter estado prestes a engavetá-los. Além disso, o facto destes grandes vígaros internacionais poderem ter residência no Nabal e este estatuto privilegiado, dá-lhes livre acesso a todo espaço da União para implantarem as suas vigarices, o que é óbvio, constitui uma possibilidade de investimento a não perder. Para que estes cidadãos Gold se sintam à vontade caso tenham mesmo de enfrentar os juízes do Nabal, está o já o governo dos nabos a constituir uma PPP para a edificação de tribunais de luxo, com revestimento em mármore de Carrara, alabastro das Índias, malaquites do País dos Sombreros e candeeiros de ametista e diamante da Democracia do Bamboleio e Pontapé na Chincha. As portas serão talhadas em puro mogno e pau sangue, sendo os puxadores e outros appliques em ouro de 24 quilates, reforçado a titânio para evitar riscos e amolgaduras. Do mesmo modo, para que os réus que eventualmente, por grande azar, venham a ser condenados ou o Nabal seja obrigado a deter os ditos cujos por obediência a ordens de extradição internacional, serão também construídas prisões VIP, onde os corredores serão devidamente cobertos com tapeçarias persas, as grades serão em ouro de 20 quilates, a loiça do refeitório será em porcelana de Meissen com bordo banhado a ouro e os ginásios para manutenção da forma serão equipados com os melhores e mais modernos equipamentos, sendo também contratados instrutores para estabelecerem programas personalizados de treino para cada um dos presos, num rácio de 1 coaching por cada 2 detidos. As prisões Gold serão também devidamente equipadas com SPA, massagens suecas, turcas e tailandesas, piscinas cobertas e climatizadas, assim como será disponibilizado Wi-Fi para livre acesso dos presos à Intenret de modo a que possma continuar a gerir os seus negócios calma e confortavelmente a partir da prisão. As celas seão decoradas em função dos desejos de cada recluso tendo apra esse efeito a prisão um contrato de exclusividade com as melhores equipas de decoradores da União. Para tudo isto, e como o dinheiro não estica, serão cortadas as verbas do ensino, dos programas de vacinação infantil, dos hospitais públicos e da comparticipação de medicamentos aos nativos que passará a partir de amanhã a ser de 0%, segundo portaria publicada hoje em Diário do Desgoverno.
 

sexta-feira, 4 de abril de 2014

Este Tribunal Lava Mais Branco! 

Na República Democrática dos Nabos, por causa da crise, os funcionários públicos têm agora que desempenhar cinco funções diferentes ao mesmo tempo, raão pela qual os tribunais passaram a acumular as funções de lavandarias. E têm demonstrado uma grande vocação para este segundo mêtier. Com efeito foram lavadas as eventuais culpas dum interessante negócio com submarinos duma empresa da República federal das Batatas. A coisa andava há anos aos tombos pelas diversas varas cívicas nabenses enquanto na República das Batatas a coisa fora rápida e livre de dúvidas: os grandes chefes da empresa tinham entrado m negócios pouco recomendáveis, com cobertura de corrupção no bolo e como tal foram condenados. Entretanto no pacífico Nabal um dos suspeitos locais no negócio chegou a ministro e tudo e só depois dele estar quase a ser chefe da banda se fez o julgado. Concluindo os meretíssimos que não houvera qualquer corrupção, fora toda a gente muito honesta e sincera, e o facto dos nabos ficarem a arder com vários milhões de brasas e promessas batatenses nunca cumpridas… tratou-se de um infeliz acidente de percurso de que o mundo dos negócios não está livre. Saíram assim limpos e ilibados os nabos locais e mais ministeriáveis do que nunca. Tendo-se também concluído que se do lado batatense houvera corrupção e do lado nabense não, então para dançar o tango só é necessário um. Entretanto a honra e cadastro dum ínclito cidadão e só por acaso dono associado do Banco dos Ratinhos tinha andado pelas bocas do mundo por causa de complicadas operações financeiras que tinham feito montes de massa pegar em remos e navegar à bolina para ilhas offshore, famosas pelas suas belas praias e mulatas. Com estas fugitivas divisas à deriva o banco faliu e embora o pobre investidor não haja tido qualquer culpa no caso, a mesquinha e desinformada opinião pública não se cansava de maldizer o infeliz. Mas agora, após o fim do período de validade do caso, limparam o pó e as teias de aranha ao processo, lavaram as folhas e também limparam a folha de serviço do nobre cidadão, que pôde sair de cena sem pagar culpas ou multas pagas pois “o processo ultrapassou o prazo de validade, terá de ser devolvido à procedências” que é como quem diz, ao caixote do lixo. Ficou a honra de tão egrégio cidadão nabense limpa e os tribunais já avisaram que mais casos de limpeza se vão seguir. Perante tão eficaz taxa de limpeza de honras, cadastros e acusações, estão já os restantes países da União das Hortaliças a pensar contratar os tribunais nabenses para limparem muitas nódoas teimosas e refractárias das suas Histórias passadas e recentes, para se apresentarem perante a comunidade internacional em alva candura e inocência comprovada por certificado. Para obviar à crescente procura externa, o currículo académico de Direito na República Democrática dos Nabos contempla agora estágios em lavandarias chinesas e grupos de recolha de fundos da Máfia. Pretende-se com estas mais-valias curriculares que os futuros advogados nabenses, tendo como única perspectiva profissional emigrar (a menos que se colem a algum partido grande) exportem as técnicas de lavagem do Nabal para o resto do globo, inaugurando uma era de limpeza profunda, a secos e molhados, dos recursos mundiais.



quarta-feira, 2 de abril de 2014

Não Têm Água? Bebam Champanhe!

Da República dos Hambúrgueres chegaram-nos notícias sobre a possibilidade de Maria Antonieta ter reencarnado como CEO da internacional marca de productos lácteos e franchising no mercado das águas, a Ninhozinho e Natas Piupiu, sedeada no Cantão dos Queijos, que tem embalado meninos e meninas há pelo menos 90 anos. A revelação ocorreu precisamente por causa do negócio da água que esta empresa detem a nível mundial e que consiste em extrair a água de aquíferos no mundo inteiro a preço reduzido ou mesmo nulo, em especial nos países menos desenvolvidos e onde por esse motivo a regulação é menos exigente ou de todo não existe e não é necessário estar-se a preocupar com sustentabilidades de recursos e essas coisas que só danificam os lucros. Às vezes há pequenos problemas colaterais, como os nativos ficarem sem água nos seus poços, quer para beber quer para as suas hortas de subsistência mas podem sempre trabalhar nos furos de captação da Ninhozinho, embora os salários sejam tão diminutos que seria preferível não os ter mas ao menos os poços familiares estarem cheios. Como se vê, um negócio muito carinhoso, em acordo com o emblema e nome do Ninhozinho. É claro, compreenderão os leitores, que água de marca tem de ser como a roupa de marca: só quem tem o bastante para se destacar da multidão a deve poder comprar. E fácil é de ver que só quando a água e os aquíferos tiverem donos específicos, como a Ninhozinho, é que o desenvolvimento alcançará os nativos que, privados da água que sempre haviam tido (se o aquífero é privado, eles não poderão lá fazer poços mas apenas a empresa que é dona da coisa) terão de emigrar para as cidades, onde poderão trabalhar na reciclagem de lixos despejados nas lixeiras e que têm de esgravatar à mão contra a competição de abutres, chacais, macacos, onças e o excitante jogo de fuga ao atropelamento e esmagamento por parte dos camiões despejadores da lixarada. Podem até, maravilha das maravilhas, construir as suas barracas no próprio local de trabalho, com lixos recolhidos no local, podendo usufruir dos aromas da lixeira e da companhia da mosquitada. As crianças, essas, poderão brincar aos carrinhos de choque ou ajudar os pais desde bebés na labuta de procurar lixo vendável algures, até serem distraidamente soterradas pela montanha de lixo despejada pelo camião mais próximo. Como se vê, a Ninhozinho pensa no futuro destas pessoas, como empresa ética e que leva muito a sério as suas responsabilidades sociais. Tanto assim é que quando um destes dias o CEO desta companhia foi abordado por extremistas que o acusavam, e à empresa que dirige, de violar direitos humanos dado que a água, no ver destes desmiolados, é um direito humano, o bom senhor ficou muito chocado. Jamais imaginara que pudesse existir tamanho extremismo no mundo! Onde é que a água era um direito humano? A água era simplesmente uma mercadoria, como outra qualquer, quem tem pastel para a comprar compra, quem não tem… e foi aqui que o caro CEO demonstrou a sua compaixão para com os pobres, dizendo: “oh, mas se não podem comprar água, porque não compram champanhe?” Na sequência deste episódio, as famílias reais da República do Amor e do Queijo Gruyère e do Império das Valsas, contactaram já médiuns e psiquiatras para efectuarem testes ao benemérito gestor, de modo a averiguar se este será de facto a alma reencarnada da infeliz Maria Antonieta. Por seu lado, os mais perigosos revolucionários da República do Amor e do Queijo Gruyère, que se manifestaram no passado sábado pelas ruas da capital, com cavalos e guilhotinas, pretendem ir imediatamente ao Cantão dos Queijos usar uma das guilhotinas para, no entender do seu líder “concluir o trabalho que ficou incompleto durante o período do Grande Terror”. A Ninhozinho, preocupada com a segurança dos seus trabalhadores, providenciou segurança reforçada e imediata aos seus gestores, tendo por isso de poupar na prevenção de acidentes na perfuração de furos de captação de água e fábricas de engarrafamento (houve já 100 acidentes de trabalho, o que permitiu renovar a frota de trabalhadores). Também forneceu amostras de ADN às famílias reais, com o compromisso de que, se se provar a reencarnação, o senhor em causa não poderá usar vestidos mas será livre de envergar ceptro, coroa e anel de brasão nas reuniões de administração da companhia.
  


terça-feira, 1 de abril de 2014

Numa entrevista ao jornal Economia Arrebenta-Arrebenta o CEO do banco Balaclava Doces e Especiarias Lda., expôs a nova estratégia deste empório financeiro para o novo milénio e os novos desafios após estampanço da economia mundial contra as matracas e estrelas-lâminas dos NINJAS. Trata-se nem mais nem menos que de uma revolucionária visão de fazer negócios e chama-se “Fuga aos Impostos”. Os impostos, como explicam várias escolas de economia, são um terrível flagelo contra o desenvolvimento (dos lucros). Em especial se forem cobrados nos locais onde as empresas têm fábricas de mão-de-obra servil, isto é, nos países de 3ª, 4ª e 5ª categoria, os quais não devem sequer ter veleidades em cobrar impostos a grandes companhias ou investidores, devem é ficar satisfeitos por alguém investir neles e até deviam pagar para isso, como referiu o entrevistado. O banco Balaclava Doces e Especiarias Lda. tem sido um dos mais activos inovadores financeiros, estando envolvido em experiências de manipulação genética de activos, taxas de juro e cambiais de referência e foi grande criador de derivados como os Cocós, os CDS (vulgo swaps) e outros jogos de roleta russa, com reais tiros à bolsa e às vidas dos jogadores e muito em especial dos não jogadores que se vêem agora a pagar à força os calotes destes empreendedores batoteiros… perdão, inovadores. Este banco tem também desenvolvido os Altos Padrões de Planeamento de Impostos, destinados ao melhor e mais eficiente uso de offshores e buracos nas leis dos países acima referidos para que as companhias e outros grandes investidores possam sem dificuldade fugir aos perniciosos impostos, com especial destaque se as bases de negócio se localizarem no negro Continente Apagado. Para o processo decorrer na mais total opacidade, como é de boa prática nestes casos, o cliente tem aconselhamento especializado, fornecido pelo serviço de Offshore Empresarial do referido banco. De acordo com este serviço, cria-se a favor do investidor uma sede fictíca na Ilha dos Lémures para onde seguem os lucros do empreendimento no negro continente – que de facto, por estas e outras está cada vez mais Apagado – e como os Lémures desconhecem o que sejam impostos, os lucros podem chegar ao investidor sem qualquer retenção na fonte, IRCs e outras trapalhadas similares. Deste modo o Balaclava Doces e Especiarias Lda. irá alargar a sua carteira de clientes e também os seus lucros, muito necessários para pagar as multas que tem sobre si por manipulação de taxas de electricidades e malabarismos com as taxas Bora-Bora e seguramente trará a felicidade aos seus dilectos clientes. Esta engenharia financeira deverá fazer sair do Continente cerca de 3 vezes mais fundos do que os recebidos em ajuda internacional e acabará de vez com saúde e educação pública local mas essas são também despesas escusadas, dado que os curandeiros locais bastarão às necessidades da população e saber ler e escrever não é importante para quem irá passar toda a santa vida agarrado a uma arma, a uma picareta ou a uma maquineta numa fábrica. Aliás, não valerá a pena investir em hospitais e escolas para gente que morrerá demasiado cedo, se não por acidentes no local de trabalho ou uma mina soterrada, morrerá pela certa graças aos envenenamentos ambientais causados por todos estes investimentos pois neste Continente não há dores de cabeça a cumprir normas ambientais que são cumpridas nos países de origem dos investidores. Instado a comentar o facto de se estes impostos em fuga serem 3 vezes superiores à ajuda dada ao Continente e se isso se enquadra nos Altos Padrões de Planeamento de Impostos criados pelo banco e muito publicitados, o CEO do Balaclava Doces e Especiarias Lda. afirmou que sim, pois estes Altos Padrões devem defender os interesses do cliente a todo o custo. No final da entrevista e tendo-lhe sido perguntado se considerava honesto usar offshores para fugir aos impostos o genial CEO disse: “Bem, honesto, honesto, não será mas a honestidade é para os românticos e nós… nós somos pragmáticos”.


O Pais dos Turbantes, a braços com uma guerra civil que não há meio de abrandar apesar da razia que tem provocado nos seus habitantes, a ponto do chefe de governo Turbante Teimoso, estar a enviar convites aos cidadãos de países com gente a mais, não exigindo quaisquer competências, apenas a disponibilidade para serem mortos no fogo cruzado entre facções rivais mas oferecendo salário e entrada na Função Pública local se comprovarem ter recebido treino prévio em guerra santa, pois é a que se pratica entre os Turbantes. A proposta é tentadora pois a Função Pública local tem apenas uma tarefa a cumprir – andar à trolha, o que nos tempos que correm até uma criança é capaz de fazer, como provam os exércitos de putos com kalashnikovs e granadas verdadeiras, que são muito mais educativas que as de brincar – e apresenta grandes oportunidades de avanço na carreira pois caso se tenha nascido c’o rabo virado para a lua (símbolo sagrado na região) pode beneficiar-se da elevadíssima taxa de renovação dos seus quadros. Nos últimos convites que foram endereçados “a quem possa interessar” ofereciam-se cargos de especialistas em tortura de bebés, para acções de formação no território, exigindo-se a apresentação de certificado de especialização em escola superior de Guerra Santa. A razão desta procura específica de técnicos prende-se com o facto de que estes têm sofrido algumas baixas não tanto devido à guerra que cerca os centros de formação mas antes porque os formandos, contestando os métodos de ensino ou as interpretações dos versículos religiosos que entoam no início e fim das aulas, “despacham os formadores com a técnica da “prancha” ou mais rapidamente com um tiro na nuca. Além disso tem-se verificado uma acentuada procura neste tipo de formadores no mercado internacional, dada a urgente necessidade de torturadores de gabarito nos vários conflitos espalhados pelo Globo, sendo especialmente solicitados pela Não-Democracia Genocídio e Afins e pela República Bem ao Centro, do Continente A Coisa ‘Tá Preta. Os cursos terão 100% de aulas práticas, leccionadas em todas as cidades e aldeias do país, com especial relevo para a Grande Aleppo, sendo o material de curso constituído pelos bebés e crianças da população civil, ocasionalmente com o extra de algumas mães para os formandos mais aplicados.

O curso garante empregabilidade total, viagens a rodos e contacto profundo com culturas estrangeiras, sendo de grande futuro nos posteriores teatros de guerra a fundar na região ou em qualquer outra, pois um torturador não precisa de saber línguas, para isso estão lá os assistentes e responsáveis pelos inquéritos aos insurgentes. No final do curso e após exame prático intensivo supervisionado por especialistas na matéria, serão dados aos torturadores recém-licenciados, de curso com discriminação detalhada das matérias frequentadas e respectivas classificações finais, assim com diplomas de curso devidamente certificados pelas instâncias internacionais. Esta é uma profissão de imenso futuro. Tanto mais que a guerra está para durar.