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quarta-feira, 27 de agosto de 2014

Invadimo-vos? Desculpem, Foi Engano!
As coisas andam explosivas entre a República dos Cossacos e o Império dos Ursos. Acontece que no regresso dum barbecue de fim-de-semana das tropas do Império dos Ursos, pois os rapazes do exército também precisam de desanuviar, uma coluna p’rá’í duns 10 tanques (não dos de lavar a roupa) perdeu-se no caminho e acabou cercada por enervadas tropas cossacas, que os recambiaram de volta após valente troca de artilharia entre ambas as partes, dado que a coluna, no dizer dos cossacos, tinha passado a fronteira sem autorização, pagamento de portagem ou direitos alfandegários. Ora o não pagamento de direitos alfandegários é uma coisa que irrita muito os cossacos pois eles têm a sua economia nas lonas e todos os dinheiros de colecta são necessários e os direitos de alfândega dum tanque de guerra é uma pipa de massa, agora imaginem 10, com armamento e munições todo na ponta da unha e pronto a usar! De imediato, mal a pancadaria na fronteira chegou aos meios de comunicação de massas, o czar do Império dos Ursos, que é um homem muito brando e pacífico, que gosta de viver em paz e harmonia com os seus vizinhos desde que eles o reconheçam como seu czar e líder supremo e esqueçam veleidades independentistas, veio logo esclarecer que a presença “dos seus rapazes” nas terras dos cossacos fora apenas um pequeno engano, os homens tinham-se metido demais na vodka e quando chegou a altura de pegar no volante meteram-se pela estrada que não era e… infelizmente chegaram à horta dos vizinhos. Tudo apenas um lamentável equívoco, um engano normal no fim duma bem regada patuscada, não deveria ser levada a mal, perdoassem lá o mau jeito que os foliões tinham causado nas couves. Infelizmente os cossacos têm por hábito fazer o teste do balão a todo o bicho-careta que apanhem a andar pelas estradas e campos, esmo que vá a pé pois os níveis de consumo de bebidas alcoólicas entre os cossacos torna até o tráfego de peões uma actividade muito arriscada, o que não dizer então duma coluna de tanques de guerra. Ora sucede, e os cossacos têm os vídeos para o comprovar, que se a quase totalidade das equipas dos tanques iam bêbadas como umas pipas em resultado do regado e feliz barbecue na fronteira, os condutores acusavam 0 de alcoolémia, conseguiam fazer o 4 e até recitar capítulos inteiros do “Guerra e Paz”. Impossível estarem bêbados. Isto provocou uma corrida não às armas mas aos mapas do estado-maior do Império dos Ursos. E constatou-se, com grande consternação, que os mapas estavam desactualizados pois ainda indicavam a República dos Cossacos como integrando o Império dos Ursos, razão pela qual os condutores não tinham reparado no posto fronteiriço e haviam avançado por ali adentro em busca do seu quartel. Ou, nas palavras de um dos rapazes: “oh, meu comandante, a gente era p’ra virar no primeiro cruzamento à direita mas o artolas do tanque da frente confunde sempre a esquerda com a direita, enfiou-nos pela esquerda e prontos!...” Assim, para não haver mais enganos, o czar do Império dos Ursos ordenou que o material de guerra para os rebeldes anti-cossacos deva a partir de agora ser enviado em carrinhas de apoio humanitário pois essas modernizaram-se e usam GPS. Ao mesmo tempo, e para evitar confusões futuras, ordenou aos cartógrafos do Império que desalapassem os traseiros das suas dachas e fossem fazer novos mapas, em que as fronteiras do Império estejam muito claramente assinaladas, passando onde ele, czar, disser que passam. É que não se podem cometer erros grosseiros deste calibre ou… ainda acabamos por atirar ao chão o avião de alguém, decretou o czar antes de ir morfar.

terça-feira, 26 de agosto de 2014

Golpe de Estado no Paraíso
É oficial! O nosso repórter infiltrado no Paraíso de Meca e Medina acaba de nos informar por vídeo-conferência pirata que o deus da paz e do amor Allah-al-Akbar foi destronado em golpe de estado promovido pelos deuses pagãos e é agora o supremo líder desta fé um deus pagão da guerra de nome estranho – Tezcatlipoca – que exige que nos seus altares e templos e territórios da grande fé corram rios de sangue e se cometam todas as barbáries e atrocidades, de modo a que ele tenha sempre ao pequeno almoço frescas morcelas de sangue e bocadinhos de carne, tal e qual como nos gloriosos tempos do seu reino supremo sobre aztecas e mochicas. Daí que na Terra a causa haja de imediato sido abraçada pelo califa Iznogood do recém-criado Califado Ou Estás Por Mim Ou Estás Morto, e que finalmente é califa no lugar do califa, e que como homem prático e expedito que é, passou logo à acção. Vai daí, eivado dum imenso amor ao próximo, avançou com os seus homens pelo Califado do Petróleo adentro e desatou a matar todos quantos apanhou pela frente, até esmo os da sua religião mas de clube diferente, porque assim garantia que os mortos não irão para o céu mas ele irá de certeza, que é o que interessa. Além disso, para quem ainda tivesse dúvidas, o seu lema é “quem não está por mim, está morto”, nome que deu ao seu califado pessoal, para que os seus súbditos saibam sempre como devem pensar e orar. Além disso esta limpeza étnica e religiosa é uma imensa prova de amor para com a Humanidade pois que ao eliminar todos os que não acreditam no seu deus ou acreditam mas seguem variações sobre o tema, está a libertar o Mundo dos filhos de Satã, que é o mesmo que deitar pesticida numa seara para nos vermos livres das ervas daninhas. Pode lá haver maior amor que este?! E porque o seu amor não tem limites, a barbárie do extermínio dos “filhos de Satã” também não. Pois todos sabem que quanto mais cruel for uma execução ou um massacre, melhor o exemplo para que os outros abandonem as práticas de adoração a Satã e venham mas é integrar os exércitos de santos carrascos psicopatas do califa Iznogood. Porque matar em nome do califa e do seu deus é um acto que garante o céu ao assassino e o inferno à vítima. Assim matou-se duma só vez mais de 700 membros duma tribo síria, esquartejaram-se mulheres que se amarraram a carros, arrancando com eles em direcções opostas, em boa réplica turbo dos esquartejamentos medievais, enterraram-se vivas mulheres, homens e crianças ás centenas, degola-se todos os dias uma dezena de “heréticos” e nos intervalos crucifica-se e pega-se fogo ao pessoal que é para entreter os combatentes, coitados, que não têm outros filmes para ver. Mas se por acaso estais perturbados por estas novas e pensais que ireis perder o sono, acalmai-vos pois sábias luminárias nos garantem que tudo isto não passa de encenação hollywoodesca (tanto mais porque os mortos não os podem contradizer). Assim, podemos ir em paz e que o senhor nos acompanhe pois decerto no final das filmagens  e no final das filmagens, as mulheres esquartejadas agarram nos seus bocados espalhados nas estradas e recompõem os seus corpos, as crianças enterradas vivas saem alegremente do fundo das covas, as escravas vendidas por 10 dólares no mercado de escravos vão ter com o patrão para levantar o cachet e as centenas de heréticos decapitados e crucificados arrumam os adereços e vão calmamente às suas vidas… no Outro Mundo. E como o grande Califado Ou Estás Por Mim Ou Estás Morto tenciona expandir horizontes até às terras infiéis do Norte e da Ibéria, pode ser que um dia tão edificantes espectáculos ocorram nas nossas ruas e praças e as tais luminárias descubram que as encenações são dolorosamente verídicas. A menos, claro, que façam parte da quinta coluna do Califado, estatuto que provavelmente lhes dará o direito de limparem do alcatrão os bocados dos heréticos assassinados em nome de Deus, como acontece a quem agora viaja até ao Califado a pensar que vai combater pelo glorioso califa Iznogood e ganhar o reino dos céus e 70 virgens só para si. Aqui pelo jornal só gostaríamos de saber de onde vem o dinheiro para tais exércitos e seu equipamento de ponta. É que o território que vai da Líbia ao Paquistão e África Equatorial, com extensões a Filipinas e Indonésia, é demasiado vasto para que mesmo um exército duma grande potência consiga desenvolver actividade em tantas frentes. Dá que pensar, não dá?

sábado, 23 de agosto de 2014


Os Assassinos São Boas Pessoas

Vai uma grande algazarra no Mar do Arroz porque o chefe tribal das Ilhas do Nascer do Sol foi visitar o santuário onde moram 14 criminosos de guerra que nas populares Ilhas são considerados heróis nacionais. Isto deu um grande alarido nos países vizinhos que na última grande guerra foram invadidos pelos kamikazes soldados do Nascer do Sol, tendo as suas populações sido agraciadas com numerosas actividades desportivas tais como o massacre dos civis desarmados que os bravos soldados do Nascer do Sol apanhassem pelas ruas, em casa ou fossem arrebanhados para os lugares de execução e violação colectiva, tendo também beneficiado da passagem imediata à escravatura, à imposição da prostituição obrigatória feminina (sem limite superior ou inferior de idade) para conforto dos soldados invasores e que por isso se encontravam longe de casa, entre outras actividades mais em segredo de estado mas nem por isso menos bárbaras ou sangrentas. Os países invadidos, mal-agradecidos, não gostaram destas benesses oferecidas pelos invasores e até hoje andam de candeias às avessas para reparações de guerra que as Ilhas do Sol Nascente, talvez por o apanharem tanto na moleirinha, recusam honrar porque, dizem, não têm qualquer memória nem sequer registo em papel de tais actividades extra-curriculares por parte dos seus soldados. Mas este ano, novamente, o primeiro ministro decidiu mudar as regras da casa e em vez de manter uma oficial posição de low profile, decidiu homenagear os 14 criminosos de guerra e o templo onde estão sepultados (os povos invadidos durante a guerra eram sepultados na valeta de beira da estrada quando não era deixado o serviço funerário à responsabilidade de corvos, lobos e abutres). O que mais uma vez demonstra a sabedoria do ditado: “nenhuma boa acção deixa de ser punida” , que o mesmo é dizer “nenhuma má acção deixa de ser recompensada”. Este primeiro-ministro é aliás um homem que dá nas vistas apesar de baixinho e não especialmente provido de atributos de galã, tendo entre outras interessantes performances od seu currículo a de ter no sue governo um ministro que defendeu a ideia de que os idosos e todos os que estivessem sem trabalho deveriam ser fisicamente eliminados pois “estão a mais”, talvez recordando os tempos primitivos do país, quando os filhos iam levar os pais velhos à montanha para morrerem sem dar trabalho à família, até ao dia em que um octagenário se virou para o filho depois de lhe dar metade da manta e disse: “filho és, pai serás”. Portanto matemos os velhos e os desempregados e louvemos os exemplos dos monstros em forma de gente, pois são os exemplos deles que devem ser seguidos nestes novos tempos de novos paradigmas sociais em que a tabela dos lucors é mais importante do que a vida. Naturalmente esta atitude civilizadora do sr. Atchinzoabbe causou celeuma internacional por parte dos reaccionários defensores da absurda ideia dos direitos humanos e ainda mais recriminações por parte de sobreviventes e familiares de mortos dos massacres desta Grande Guerra. E se em outros idos as Ilhas do Nascer do Sol podiam ignorar os resmungos dos vizinhos pois eram a grande potência industrial regional, hoje em dia são os invadidos que dão as cartas na região.  E porque realpolitik é o que está a dar, o sr. Atchinzoabbe viu-se na obrigação de dar algumas satisfações. Sendo um homem de curta palavra, a sua justificação foi apenas: “Este protesto é absurdo pois toda a gente sabe que os assassinos são boas pessoas, de outro modo não estariam sepultados num templo. Estamos aliás a considerar enviar os seus respectivos nome se currículos para a central internacional de canonização de santos e esperamos vir a ser bem-sucedidos. Afinal os assassinos em massa e criminosos de guerra contribuem imenso para a redução da população e consequentes impactos adversos do excesso de pessoas sobre o planeta. Ou como dizia o meu avô: no muito matar é que está o ganho”.

quinta-feira, 21 de agosto de 2014

Foi apresentado o novo programa de financiamento da ciência na União das Hortaliças que tem o sugestivo e simultaneamente etéreo título de Paisagem 2020, a condizer com o etéreo, quase onírico, programa de investimento em Ciência da União das Hortaliças, isto se a União tiver resistido até lá, coisa que neste momento nem o professor Kazumba se atreve a tentar prever. Ficamos a saber então que temos de fazer investigação para apoiar as políticas da União – aviso aos cientistas desprevenidos: não, a ciência não é para descobrir coisas nem para compreender como o mundo e seus processos funcionam – e de apoiar a transição para a economia verde, mesmo que esta continue a ser muito preta por todas as razões que conhecemos, a começar pelas “forças de mercado” e a acabar no barril de petróleo. Mas o mais revolucionário do novo programa é o conjunto de verbas para a socialização. Sim, leram bem: socialização. Porque os sábios da capital do Tacho, começando a ver aqueles filmes de catástrofes que estão agora na berra, descobriram que os cientistas são uns rapazes e raparigas que em vez de irem a festas e jantares ficam horas perdidas fechados em gabinetes a olhar para computadores, ou no campo de rabinho para o ar a olhar para o chão ou então à noite, sozinhos, a espreitar por canudos compridos para umas pintinhas coloridas no céu a que chamam supernovas e coisas ainda mais esquisitas. Não são pessoas, enfim… sociáveis. Pensaram eles. E se bem o pensaram, melhor o exigiram, que são eles quem decide quem leva o pilim: está na altura de pôr esta rapaziada ser social. E vai daí, decidiram que metade do dinheiro para ciência na União, mais coisa menos coisa, tinha de ser para a rapaziada socializar, isto é, para fazer “networking”, que é como se diz em língua de gente fina; estão a ver, arranjar “redes” de colegas cientistas para depois um dia poderem talvez dedicar-se a fazer investigação. Porque quando a rapaziada da União estiver bem socializada, a ciência da União estará à frente… pelo menos no que toca a viajar de um lado para o outro, reunir aqui e ali, fazer uns relatoriozitos da treta sobre os programas “das festas”, perdão, o trabalho realizado, e quanto à ciência à séria, pura e dura… há-de vir com a inspiração dos bagaços ou dos vodkas marados servidos ao jantar. Será uma ciência muito espacial, muito volátil, muito etérea e seguramente muito à frente de qualquer sopradela no balão quando o pessoal for filado a caminho do aeroporto, no regresso a casa. Porque razão se deve canalizar tanto dinheiro para viagens, apenas para viagens e afins, quando hoje em dia há vídeoconferências e tantas outras formas de contacto, sem contar com os congressos internacionais, que aí sim, se discute ciência e se encontra gente com vontade de juntar ideias, é algo que só os deuses da Capital do Tacho/Couve-de-Bruxelas poderão talvez esclarecer, caso não hajam estado olímpicamente a dormir quando as luminárias da Unia o as Hortaliças tal decidiram. Os cientistas da União ficaram todos muito contentes com estas novidades e o pessoal de Agronomia está já a estruturar um projecto para compara os teores alcoólicos das várias bebidas.emblema de cada país apra depois regulamentar as taxas de álcool, de fermentação e leveduras, assim como sobre os processos de fabrico de cada uma, de modo a mandar às urtigas as técnicas de preparação tradicional, que não são compatíveis coma exportação em massa para o resto do mundo, mesmo que depois um vinho do vale do Tâmega fique a saber ao mesmo que uma cerveja da Suábia ou a um whisky das highlands. O importante é uniformizar e exportar. Por toda a União os cientistas, entusiasmados, atiraram-se já ao trabalho de preparar propostas deste calibre nas mais variadas áreas do conhecimento social, com vista a obterem os tão ansiados financiamentos para “networking”. Assim, se um destes dias, em vez do chef na berra vos aparecer no programa de culinária um especialista de bioquímica, não se surpreendam. Também não se surpreendam se, ao lhe seguirem as instruções, ficarem com uma mistela a saber a carbonilo de qualquer coisa em vez de bacalhau espiritual ou trouxas de ovos. Pela nossa parte aguardamos ansiosos as crónicas das festas da Quicas Fufú e as doutorais dissertações sobre os vestidos das debutantes no casino royal, proferidas por especialistas em matemática e ciências afins, ou a descrição da gala dos prémios da TV por um génio da biologia (é possível que por deformação profissional alguns convidados possam ser confundidos com gazelas no cio ou leões à zaragata por questões de território) ou que um grande mester da geologia vos apresente a rubrica de Etiqueta e Boas Maneiras, onde vos ensinará com desenvoltura a utilizar o martelo de geólogo nas cabeças dos convidados e a organizar uma recepção de forma tão elegante como o sismo de Fukushima. Quando isto acontecer, a União das Hortaliças talvez não vá ficar à frente de ninguém em termos de ciência mas ganhará com toda a certeza uma grande quantidade de cidadãos muito sociáveis.

quarta-feira, 20 de agosto de 2014

... Ou em Alternativa Despedir Todos os Médicos

Essa foi a solução encontrada pelo País dos Raptos em Massa, dado que é tão populoso que não dá jeito nenhum raptar só uma vítima ou duas de cada vez. A braços com cada vez maior número de doentes do Ébolas, o presidente dos Raptos, herr Sabonete Johnson – conhecido entre amigos e conhecidos por “a Estátua” dado que fica imóvel sempre que lhe vêm contar que o Exército do Deus Cábula (o que proíbe estudar) acaba de raptar mais umas centenas de raparigas ou rapazes que estavam na escola e que, para decorar as fotografias para a imprensa e YouTubos, massacra toda a gente que se encontre nas redondezas – decidiu agir com fulminante velocidade à expansão da nova peste e despediu todos, mas rigo-ro-sa-men-te TODOS os médicos do país. Há quem diga que o presidente Sabonete decidiu dar um sabonete nos médicos que tinham tomado a irritante decisão de entrarem em greve por melhoria das condições de trabalho. No entanto o nosso repórter na Cidade dos Lagos conseguiu obter junto de fontes próximas do Sabonete, informações que demonstram que esta medida draconiana face a pacíficos médicos (por oposição à inactividade face aos raptores e massacradores profissionais do Exército do Deus Cábula) não teve por fim ensaboar os clínicos mas promover um futuro sorridente para o país mesmo sem pasta Colgate. Confrontado com a crónica economia aos solavancos, ausência de desenvolvimento social, eclosão constante de conflitos económicos, políticos, étnicos e religiosos, o presidente Sabonete decidiu que o melhor era fazer uma barrela geral e esvaziar o país de habitantes, mais ou menos como se faz às nódoas na saponária. Os seus conselheiros demonstraram-lhe que sem pessoas um país não tem desemprego, pobres, analfabetos, fome, violência, injustiça, corrupção e/ou deficiente rede de escolar, hospitalar e viária. Mas como, interrogavam-se os membros do gabinete presidencial, se esvazia um país de pessoas? E foi então que, no meio do pânico gerado pelo vírus Ébolas, o presidente Sabonete teve a sua ideia de génio (até os tolos as têm uma vez na vida): se o Ébolas mata que se farta, despedem-se todos os médicos! Os doentes, esses podem ficar quietinhos e morrer nas suas casas, trancadas pelos vizinhos que não querem ser contaminados, ou então ir ao imã de serviço no local de oração, ou ao bruxo de nomeada com residência no mato mais próximo. Nenhum deles o irá curar mas a doença pode ser agradavelmente espalhada pelo caminho e deste modo melhor contribuir para os esforços do presidente sabonete. Se no final restar alguém de pé e vivo, o Exército do Deus Cábula (que ordena, não se esqueçam, ser proibido estudar) deverá raptar os sobreviventes e vendê-los no estrangeiro como escravos. Os lucros da venda reverterão metade para o exército e metade para o governo que, nesta fase dos acontecimentos estará instalado num Paraíso Offshore a beber daiquiris. Para garantir que este revolucionário plano terá um completo sucesso, além de despedir todos os médicos e encerrar por falta de pessoal hospitais e dispensários, o presidente sabonete instituiu uma medalha de mérito às brigadas do Exército do Deus Cábula que raptem mais pessoas por centímetro quadrado. E para que estas brigadas possam prosseguir a sua meritória obra de escravização e propagação da ignorância, ser-lhes-ão disponibilizados veículos, armas e livres-trânsitos a levantar nos quartéis do exército e polícia após breves operações protocolares de ataque, de modo a que possam conduzir as suas operações de raptagem em total segurança. Teme-se apenas que, por serem analfabetos, os vírus dos Ébolas não tenham lido o comunicado presidencial que os intimava a deixarem em paz o Exército do Deus Cábula. É que como ele é Cábula, não existem garantias de que se dê ao trabalho de defender o referido Exército dos ataques do vírus.
(naturalmente, os raptos e assassinatos não são proibidos...)

terça-feira, 19 de agosto de 2014

Para Enfrentar a Nova Peste Basta Enfiar a Cabeça na Areia…
 Há pelo menos meio ano que a nova peste, chamada Ébolas em homenagem à Copa do Mundo e aos negócios estranhos da FIFA, anda a matar que se farta no Continente Apagado mas até há cerca de 2 semanas isso não constituía qualquer problema pois era lá longe e só matava gente escura. Mas há 2 semanas gente branquinha da silva apanhou esta peste e dois já bateram a bota, pelo que agora sim, agora é uma emergência gravíssima e mundial, o que mais uma vez prova que se todos são iguais há definitivamente uns que são mais iguais e importantes do que outros. Ora na República dos Nabos, que tem um ancestral e intenso contacto com alguns dos países mais atacados pela Ébolas, podem os nabos estar descansados porque, como é de tradição, não há razão para receios, nem mesmo que um terramoto faça desabar as igrejas sobre as cabeças dos crentes (morrem em campo santo, ficam logo consagrados), pois o Nabal sempre esteve preparado para todas as emergências mesmo aquelas que não se sabe que irão existir. Para provar que não havia nada a recear destas Ébolas, o governo organizou uma representação teatral, isto é, um simulacro, para se usar a linguagem técnica, para o público se entusiasmar com a caça a doentes falsos entre turistas, representação encenada pelo célebre Isto-é-só-Fachada e que teve um êxito retumbante perante o público, que aplaudiu de pé, pelo que o governo dos nabos veio declarar que o Nabal estava mais do que preparado para lidar com todas as Ébolas que viessem, fossem elas rematadas à baliza, ao poste ou para canto. Para assegurar essa preparadness, como se diz agora, foi anunciado após o espectáculo teatral/simulacro que o pessoal dos aeroportos nacionais estava já a receber coloridos prospectos com instruções para lidar com eventuais Ébolas em trânsito e que tentassem entrar em território do Nabal. A distribuição destes prospectos/protocolos de actuação obedeceu ao seguinte protocolo:

1º - A Direcção de Saúde declarou não ser sua a responsabilidade pela distribuição e implementação dos protocolos dado que os aeroportos tinham os seus próprios serviços de saúde e triagem, os quais são responsáveis por tal implementação, mas naturalmente dará toda a formação técnica necessária. Mas têm de lhe pedir primeiro, por escrito, em requerimento em folha de papel selado azul de 25 linhas e papel de 20 gramas, não se aceitando emails, SMS ou quaisquer outras formas de pedido.
2º - Os aeroportos declararam que não era necessário chatear a Direcção de Saúde, porque tinham os seus próprios serviços de treino médico e protocolar a funcionar e tinham já fornecido formação adequada ao pessoal de terra que lia com os passageiros em trânsito e das áreas de chegadas.
3º - Este pessoal de terra declarou em petição enviada ao governo do Nabal que não recebeu qualquer formação, protocolos ou as tais brochuras coloridas fosse por parte da Direcção de Saúde, fosse por parte dos serviços sanitários do aeroporto (nem mesmo dos que lidam com as sanitas e outros acessórios de WC).
4º - O governo declarou ter ficado surpreendido, dado que supusera que a partir do momento em que fosse declarado que estava a ser feita formação para os Ébolas, não era preciso fazer mais nada, mas não era necessário entrar em pânico pois o governo estava já a resolver a situação, para o que bastaria a declaração acabada de proferir.
5º - A Direcção de Saúde voltou a declarar o que foi declarado no ponto 1º.
6º - Os aeroportos voltaram a declarar o que foi declarado no ponto 2º, repetindo-se novamente o processo até ao ponto 4º e reiniciando-se a mesma iteração até o assunto cair no esquecimento do público.

Entretanto alguns passageiros mais assustadiços, decidiram tomar o assunto em mãos e ofereceram aos membros das equipas de terra na área das chegadas, várias caixinhas de areia e tufos de penas de avestruz. Assim, segundo foi explicado ao nosso jornal, quando aparecer um passageiro a esparramar-se de sangue e fluidos corporais, o pessoal de terra deverá enfiar as cabeças na areia das caixas e agitar as penas de avestruz até que o doente haja saído do aeroporto, seja pelo seu pé seja… num caixão.

segunda-feira, 18 de agosto de 2014

Terceira Pessoa da Santíssima Trindade em Jihad contra o Banco de Satã (vulgo banco mau)
As coisas no céu continuam tumultuosas. Como se sabe o antigo banco da Terceira Pessoa da Santíssima Trindade abriu um buraco no nebuloso pavimento do paraíso de mais de 3000 hóstias de diâmetro, o que pôs as contas do Éden no vermelho e provocou o pânico nos mercados dos milagres. Deste modo o banco teve de ser dividido em Banco Bom e Banco Mau, passando o primeiro, naturalmente, para a mão dos anjinhos e o segundo para a supervisão e gestão técnica de Satã e seus vivos diabos. E para castigo, o Altíssimo decidiu que a massa do clã do Espírito Santo ficaria no Banco do Diabo, ou seja, o banco mau. Inesperadamente, esta solução que parecia ter a aprovação dos exaltados anjos em pé de greve e dos moradores mais tranquilos do Éden acaba de dar origem a um perigoso incidente diplomático entre o Céu e o Inferno. É que a família da Terceira Pessoa da Santíssima Trindade, querendo comprar ao catraio mais novo uma nuvem turbo topo de gama, para celebrar o seu aniversário, descobriu, chocada, que Satã não lhes deixa levantar a massa do banco porque, diz Satã, as contas deles estão congeladas, pois serão usadas para pagar o buraco no Céu. Além disso, justificou Satã em carta aberta ao altíssimo, o banco Mau é para exclusiva utilização das populações infernais e o pessoal do clã Espírito Santo, de acordo com o último recenseamento (que não foi o do governador da Judeia mas o de 2012), ainda pertence ao clube dos eleitos com moradas celestiais e contas bancárias nos Paraísos. Satã acrescenta nessa carta aberta, publicada no jornal “Trompa dos Arcanjos” que, como Príncipe das Mentiras, é seu dever e vocação defender os interesses dos seus súbditos, a começar nos diabos auxiliares e a terminar nos condenados aos fogos eternos, e ele, Príncipe das Mentiras, leva muito a sério os seus deveres para com os seus constituintes. Apesar de ser segredo de estado, estamos em condições de informar que Deus, zangado com esta intromissão de Satã nos meios de comunicação social do Éden, o chamou à Sua Presença e avisou que é melhor fazeres o que te compete e manteres a boca caladinha, p’ra não te dar na tentação de falar de negócios escusos de pessoas de bem ou temos borrasca. Ao que Satã respondeu porque tu nunca erras e raramente te enganas... o que de imediato desencadeou a borrasca. Furioso porque no meio da trovoada Deus fez desagradáveis insinuações à anarquia e rebeldia geral nos domínios luciferinos, Satã teima em recusar a autorização do levantamento de massas do Banco Mau/de Satã à família da Terceira Pessoa da Santíssima Trindade. Preocupados que a excelsa família tenha mesmo de brincar aos pobrezinhos com as massas a levedar nos Paraísos, os moradores do céu iniciaram uma campanha de angariação de fundos a favor da sacrificada família e a que este jornal se associa. Se quiser participar, envie as suas economias para o Mercado das Cebolas, ao apartado “Subscrição Pública de Acções BEStiais”. Não garantimos que ganhe um lugar no Reino dos Céus mas asseguramos que perderá tudo o que investir.

sábado, 16 de agosto de 2014

Já Não Precisa Duma Guerra para Morrer Num Subterrâneo. Basta Andar de Metro
Não consegue pagar as contas? Está com o tribunal dos penhores à porta e o banco em cima do cachaço porque não consegue pagar o empréstimo da casa + carro + consumo + despesas do cartão de crédito + colégio dos putos + água + luz + gás + telemóvel/TV/Internet + tudo o resto? Não desespere à procura do raticida ou dalguma trave que possa sustentar uma bonita forca, consigo a decorá-la. Agora, pode simplesmente comprar o passe e ir viajar de Metro. Com efeito, e para ajudar os cidadãos neste momento de crise, o governo dos Nabos resolveu não aumentar o subsídio de desemprego ou outras prestações sociais que poderiam tornar as pessoas “menos rijas” mas antes auxiliar os desesperados a cometerem suicídio, que é aliás uma opção patriótica e que se recomenda, pois ajuda a reduzir o défice público, dado que se poupará nos serviços de saúde, contas do psiquiatra, salários, subsídio de desemprego e abono de família. Assim, começou por cortar as verbas do Metro, de modo a que este tivesse de cortar nos travões de emergência e nos dispositivos anti-incêndio. Uma vez estes desactivados por falta de pilim para a manutenção, vão agora instaurar-se horários de suicídio colectivo (não, não se trata de ir para além da Troika), sendo o primeiro destes a chamada “Linha da Meia-Noite”. A “Linha da Meia-Noite” decorre da meia-noite até ao último comboio da noite e durante este período os comboios andarão com os travões desactivados e na velocidade máxima, de modo a potenciar o maior e mais potente acidente, com o maior número de mortos que seja possível produzir. Serão também criados passes sociais especiais para suicidas, a preço duplo dos passes normais visto ter sido necessário investir na lenta decomposição das carruagens, e isso demora tempo, já que o dinheiro para manutenção das carruagens… essa é outra conversa que não vem aqui para o caso. Naturalmente o serviço da “Linha da Meia-Noite” será gratuito apenas para os que comprovem ter o passe especial de suicidas. Os demais, que viagem nessas horas por motivos de trabalho, esses, se morrerem no decurso dos acidentes, terão de pagar o serviço de remoção do cadáver, limpeza da via, carris, túneis e carruagens, mesmo que estas devam apenas servir para o ferro-velho, uma vez destruídas num choque frontal por falta de travões. Considerando que cada vez mais gente tem de ter três empregos para conseguir acertar as contas ao fim do mês, calcula-se que na linha da Meia-Noite possam vir a morrerá por semana várias dezenas de pessoas sem candidatura a suicidas, pelo que o governo dos Nabos espera vir a recolher uma significativa contribuição para os cofres do défice, com os pagamentos de limpezas, recolha de cadáveres de familiares e respectivas coimas, por parte dos familiares das vítimas. Este novo e revolucionário serviço público espera inaugurar uma nova trend turística: o Turismo Suicida (não, não é o que constrói hotéis e casas em cima de falésias mesmo a desmoronarem-se no próximo temporal). Admite-se que esta trend possa cooptar um amplo mercado mundial, oferecendo aos potenciais suicidas uns dias de férias na “melhor cidade do mundo” e suficientes emoções fortes antes do destino final para que a “Linha da Meia-Noite” leve os seus clientes, obtendo-se com este novo mercado turístico uma fonte acrescida de divisas. Uma vez por mês será promovido um grandioso incêndio nos túneis do Metro, o qual pode ser alugado a governos e grupos armados genocidas, para estes se desfazerem convenientemente dos cadáveres e deste modo não virem a ser chateados pelos picuinhas do Tribunal Penal Internacional. Saúda-se desde já a audaz iniciativa de eliminar os mecanismos de segurança do Metro, pois não só permitirá resolver os problemas de excesso de população como, em simultâneo, trazer receitas para o carenciado governo dos Nabos, acabando deste modo com a crise e inovando nas ofertas turísticas. É solução garantida, afiançou o porta-voz do referido governo. E nós não temos quaisquer motivos para duvidar da afirmação.

sexta-feira, 15 de agosto de 2014

Nova Estratégia para Aumentar as Exportações: Impedi-las
O nosso bem sucedido concorrente “Apenas Boas Notícias Merecem Destaque” acaba de noticiar uma nova estratégia governativa para aumentar as exportações, o que é, como todos sabem, o santo Graal para a recuperação económica, o que pode ser uma triste notícia, se tivermos em consideração que o Santo Graal nunca existiu ou, a ter existido, nunca foi encontrado, nem sequer pelos melhores e mais puros cavaleiros da Távola Redonda, embora haja zunzuns de que o Parsifal talvez o tenha achado, mas se o achou, guardou-o para si e não transmitiu o segredo à descendência. Pois deixando as canções de gesta dos cavaleiros medievais a amodorrar nos alaúdes dos trovadores, o governo deste querido alfobre de Nabos decidiu que a melhor forma de aumentar as exportações era a revolucionária acção de as… impedir. Assim, implementou um programa de falhas, suspensões de funcionamento, bloqueio ao acesso no site das Finanças onde os exportadores têm de fazer a declaração das suas exportações e obterem as respectivas guias de remessa, sem as quais não é possível embarcar os produtos para os seus destinos. Por causa destas falhas constantes, têm sido já muitas as mercadorias que não são exportadas, ou pelo menos não o são a tempo e horas, o que leva à perda de clientes. OS técnicos de contas, exportadores e despachantes alfandegários andam todos numa pinha de nervos, tal e qual como gatos em telhado de zinco quente, com um grupo de dobermanns a fazerem-lhes uma espera cá em baixo no solo e começaram a protestar nos órgãos de comunicação social, tendo o protesto chegado ao “Apenas Boas Notícias Merecem Destaque”, o qual ao publicitar tal notícia parece estar a trair o seu espírito e título. Porém a verdade é que esta é uma boa notícia! De facto o governo do Nabal veio a público expressar o seu profundo desgosto pela incompreensão dos exportadores e pessoal de alfândega, dado que o seu objectivo é tornar as exportações mais e mais rentáveis para os operadores económicos, que o mesmo é dizer para o país. E passou a explicar: sendo que a oferta condiciona a procura e em consequência os preços de mercado, se um produto se tornar bastante raro – como por exemplo por irregularidade da sua chegada aos clientes – então este sofrerá uma alavancagem e passará a ser comprado por um preço muito superior ao que teria em condições de plena oferta. Deste modo o governo está a tentar garantir que se obtenha mais (dinheiro) por menos (mercadoria). Mantenhamos apenas as mãos apertadas em figas para que do outro lado do mundo, além dos tapetes de Arraiolos made in Império do Meio, não passem também a ser manufacturados, figos, azeite, pasta de azeitonas, componentes eléctricos e electrónicos, produtos à base de cortiça, etc., etc., etc. Porque se isso acontecer, as teorias económicas da inflacção da oferta e da procura terão de ser exportadas… para a lixeira.

terça-feira, 12 de agosto de 2014

Método Infalível Para Ganhar Eleições: Uma Orgia Acoplada a Genocídio (Pacote 2 em 2)
O País das Vacas Sagradas continua a inovar no espectro social e político (e por vezes, podem ter a certeza, a assombração dá lugar ao horror). Desta vez revelou a forma mais eficaz de ganhar eleições, a ser seguida por qualquer assassino, sociopata ou louco furioso que pretenda arrebatar o trono do poder e nunca mais de lá sair, excepto quando aplicarem sobre ele e o seu clã idênticas tácticas eleitorais. Declarou o excelso político que exterminaria todos os homens dos partidos opositores, e seus simpatizantes, e que violaria todas as suas mulheres, o que qualquer bárbaro medieval compreenderia como “limpeza étnica do sangue feminino” pois que ao serem possuídas à força pelo inimigo era suposto perderem o sangue da sua etnia e passarem a gerar o desse inimigo. Como se verifica, no País das Vacas Sagradas, só as fêmeas dos bois podem respirar em paz pois toda a outra parte feminina do país está disponível para o saque e satisfação das fantasias mais criminais do bicho homem. Mas não se preocupem pois o País das Vacas Sagradas continua a ser uma fábrica geradora dos principais gurus espirituais do mundo, em especial dos que criticam o modo de vida ocidental (violar mulheres é muito mais saudável e espiritualmente recomendado, ‘tá-se a ver) como é um dos mais maravilhoso milagres económicos deste início do século que deveria ser o da odisseia espacial, embora para dezenas de milhões de habitantes desse país o milagre económico é isso mesmo, um  milagre pois que as suas vidas continuam na miséria mais abjecta e portanto melhor economia só mesmo no reino inalcançável dos milagres e dos deuses. Mas não importa, desde que alguns muito ricos se tornem ainda mais ricos e sobretudo que as grandes companhias internacionais retirem lucros milionários (nem que seja à custa de acidentes como os de Bopahl), claro que o País das Vacas Sagradas é o exemplo a seguir e a recomendar. Portanto se este é o exemplo a seguir, homenzarrada, passem a andar sempre com uma AK ao ombro. Quanto ao mulherio, comprem cintos de castidade e deitem fora a chave, por via das dúvidas, e se possível envenenem todos os serralheiros da região para que não haja arrombamentos sem o vosso consentimento. Quanto a este tipo de políticos, talvez fosse boa ideia dar-lhes o remédio que eles recomendam dar aos outros. O mundo não ficaria mais justo mas talvez se tornasse um lugar menos assustador.

sábado, 9 de agosto de 2014

Quer uma Reforma de 1 Milhão por Mês? Leve um Banco à Falência
Mas terá de ser em grande estilo, como nos reporta do Paraíso o porta-voz do coro dos anjos comandados por Gabriel a propósito do caso do banco da Terceira Pessoa da Santíssima Trindade e que tem gerado um ambiente azedo, até agora ignoto no reino de leite e mel que até agora fora o Éden. A situação tem sido tão complicada que o Senhor dos Exércitos já pôs os seus serafins em estado de alerta vermelho, com ordem para disparar os seus raios de fogo à vista do primeiro desordeiro que se atreva a fazer greve e a manifestar-se perante o Trono do Altíssimo por serem outros a fazer os buracos nas nuvens do banco celestial e terem os inocentes do esburacanço a remendá-los. Até ao momento não houve ainda manifestações nem os anjos iniciaram qualquer greve de asa caída porque ainda não podem acreditar no tamanho do buraco do Espírito Santo, cujo diâmetro já vai em mais de 3600 hóstias e tudo promete que irá continuar a aumentar, pondo em causa a estabilidade Altíssimo declarou que não tem capacidade para um milagre capaz de tapar tamanho buraco, uma coisa é enviar 10 pragas para o Egipto e abrir o Mar dos Juncos e deixar cair maná e codornizes no deserto, outra completamente diferente é fazer com que tamanho buraco desapareça sem deixar marcas, porque até para a omnipotência há limites. Tendo sido convocado o Concílio do Céu, foi decidido multiplicar o banco da Terceira Pessoa da Santíssima Trindade, tendo os activos puros ficado para o novo Banco Bom, comandado a partir de agora pelo arcanjo Miguel, que é um rapaz muito fogoso e não tem qualquer problema em passar tudo a fio de espada e de fogo, se se passar da cornadura. Por seu lado, as jogadas escuras, activos venenosos, financiamentos e outras actividades de banco-sombra foram para o novo Banco Mau, o qual foi entregue sem apelo nem consulta ao Príncipe das Mentiras. O príncipe das mentiras, isto é, Satã, ficou chocado quando os diabos lhe entregaram o comunicado do Céu e lavrou logo protesto, ele não era diabo de estatura suficiente para se tornar banqueiro e andar a enganar clientes. O seu ramo de actividade seriam as mentiras, engodos, enganos, pecados e contratos de compra-venda de almas mas todos aqueles que assinavam os seus contratos sabiam muito bem o que estavam a negociar e eram devidamente informados de todas condições envolvidas, ele seria Príncipe das Mentiras mas até estas tinham um limite dentro das fronteiras dos Infernos! O Pai, contudo, farto deste folhetim celestial e querendo de uma vez por todas arrumar a casa, lembrou-o de que da última que Satã, então denominado Lúcifer, se rebelara contra a vontade dos céus a coisa acabara muito mal, seria que ele desejava repetir a experiência? Mal-humorado, zangado e a deitar fumo pelas orelhas, o Príncipe das Mentiras aceitou tornar-se CEO do banco mau, pondo a mandar naquilo o diabo mais Parvalorem que tinha a fazer de fogueiro às caldeiras, pois ele, Satã, não queria ganhar mau nome e arrostar com as culpas dos desmandos da Terceira Pessoa da Santíssima Trindade, conhecida ente os céus e infernos como “dona disto tudo”. Talvez por saber que quem estava à frente do Banco Mau era agora um diabo parvo, Santa Joana d’Arc veio logo dizer que estava chocadíssima com o que se passara no banco agora multiplicado em dois e que queria ser reembolsada de tudo o que perdera, dado que injustamente a sua quota no banco multiplicado fora parar ao Banco Mau. O Príncipe das Mentiras subiu até à núvem da Santa Joana e disse-lhe que o Banco Mau “não era o da Joana”, ela que não se armasse em sonsa pois estivera quase 10 anos metida na direcção do banco multiplicado, como é que não sabia das falcatruas que por lá se passavam? Ela não se armasse me ingénua, porque ele não era esperto por ser diabo mas por ser velho e se ela quisesse recuperar o seu fosse à fogueira ver onde ele estava. Entretanto, os anjinhos que ficaram a arder na última operação de aumento de capital, ficaram revoltados ao saber que o Espírito Santo vai receber uma reforma de 1 milhão de hóstias por mês e que já pagou a fiança de 3000 hóstias, o que são amendoins para quem por exemplo recebeu um “presente” de 14 milhões de um antigo cliente, quando eles, se quiserem reforma de algumas centenas de meias hóstias terão de trabalhar até as penas das asas lhe caírem. Pela nossa parte, caros leitores, aconselhamo-los a seguirem o exemplo que vem do céu e se quiserem ter uma reforma de 1 milhão por mês, bom, tornem-se por patriotismo gestores dum banco (para tal deverão primeiro de ingressar num partido e passar graxa aos líderes de momento) e façam o favor de o afundar. Como vêem, é muito fácil garantir uma velhice tranquila…

terça-feira, 5 de agosto de 2014

Não Tenho Nada Contra os Estrangeiros, Alguns dos Meus Melhores Amigos São Estrangeiros Mas Estes Estrangeiros Não São Daqui
O Cantão dos Queijos foi a referendo para saber se deve continuar a abrir as portas a trabalhadores estrangeiros ou pelo contrário fechá-las e aos poucos ir escorraçando todos os que já tem no território. E apesar do Cantão dos Queijos ter uma das mais invejáveis situações económicas – em grande parte por concentrar nos seus bancos as fortunas mal ganhas de muita gente que por todas as razões e mais algumas mantém as continhas secretas – e por possuir imensas indústrias, mas todas a poluir fora do país que, para os seus cidadãos se manterem felizes, é conservado numa pureza de fotografia de caixa de bolachas, a vasta maioria dos seus cidadãos votou a favor do “fora daqui estrangeiros”. O que prova que a caça aos estrangeiros é menos uma questão de crise e mais uma de burrice pura e dura ou, como nas palavras do “primitivo” chefe Tuvaii, os civilizados podem ter em sua casa todas as esteiras e porcos necessários para alimentar a sua e mais dez famílias mas não partilham nada disto com os que não têm esteiras ou comida. O que nos faz também pensar no que significa “ser civilizado”. Independentemente do que signifique, o Cantão dos Queijos – famoso por ser também o último país da Europa onde num dos seus cantinhos, no final do século XX, as mulheres ainda não tinham direito a votar, ultrapassando até as retrógradas civilizações dos Califados – espera agora em breve começar a impedir a entrada dos estrangeiros no país, a menos que venham de férias ou depositar o seu dinheirinho, antevendo-se num futuro próximo que os que já lá estão também sejam varridos para fora de portas. Note-se que na classificação estão incluídos os cidadãos da União das Hortaliças, o que vai contra todos os tratados mas quem se preocupa com isso? Claro, a União das Hortaliças começou por ficar muito chateada e cortar a cooperação científica com os Queijos, mas apenas em acto simbólico. Quanto aos negócios e actividades bancárias tudo continua como dantes pois os saldos bancários são mais importantes do que as pessoas. Depois, quanto tudo acalmar e o resto do mundo estiver a ver a bola, a União reatará todos os convénios agora suspensos e o Cantão dos Queijos fechará placidamente fronteiras e de seguida expulsará os forasteiros que já lá trabalhem (e os que andam à procura de trabalho). Entretanto continuará a ser sede de um frondoso ramalhete de organizações internacionais do mais alto nível dedicadas à defesa dos direitos humanos e nada poderá de facto ser mais lógico, dado que os estrangeiros não são pessoas, ao que parece. Será interessante ver daqui a uns anos como irá de vento em popa a economia dos Queijos, quando os administradores dos grandes bancos forem mandados embora, ou como será a higiene do esterilizado país quando as empregadas da limpeza forem todas deportadas, ou já agora os impecáveis cuidados de saúde quando auxiliares médicos e enfermeiros e outro pessoal menor dos hospitais tiver igual destino. Será decerto o alvorecer do grande milagre económico dos Queijos. Pela nossa parte, só podemos imaginar que, se países sem grandes problemas estão a agir assim, se estivessem a braços com a crise que devora o sul da União então… já haveria campos de extermínio para os estrangeiros? O nosso analista científico, perante tais resultados eleitorais e suas consequências que aqui prevemos, concluiu que nos encontramos numa louca viagem no tempo – sendo que o preço do bilhete será cobrado e com língua de palmo à chegada – e estamos quase a alcançar as décadas de 1930-1940. Por seu lado o nosso cartoonista de serviço declarou que as contas do nosso analista estão erradas e encontramo-nos sim à entrada da aldeia dos irredutíveis gauleses, já ouvindo do lado de fora da paliçada a imoral declaração de Agecanonix: “Não tenho nada contra os estrangeiros, alguns dos meus melhores amigos são estrangeiros mas estes estrangeiros não são daqui”, prestada imediatamente antes de passar à bengalada aos mesmos. Pelo menos, o actual nível de disparate é idêntico. Assim deixamos no ar uma perguntinha: Se acharmos que os outros não são pessoas com direito a fazerem pela vida como nós, o que é que somos? Civilizados?

sábado, 2 de agosto de 2014

Eu, Morto, Confesso: Sou Um terrível Agitador!
No País do Samba e da Lambada (e nos últimos tempos tem lá havido muita) acaba de nos chegar a notícia de que temos de ter muito cuidado com os mortos e talvez seja mesmo melhor começar a construir prisões especiais para estes delinquentes, quiçá algo entre celas de ectoplasma, circundadas por círculos mágicos traçados a giz branco e reforçados por altares e oferendas a Xangô, Yansã, Exú, Omolu e Nanã Buruquê, pelo menos. Isto porque acaba de nos chegar desse país a informação de que um famoso morto e pai do movimento anarquista, Miakail Bakunine de sua graça e que por acaso só morreu há cerca de 135 anos, é afinal o principal líder dos distúrbios que têm agitado a vida social e sambática do país desde antes da Copa do Mundo. Foi isto confirmado e comprovado pelas investigações policiais (que incluíram diversas escutas telefónicas onde o nome do terrível e defunto agitador era citado) que constituíram um relatório de mais de 2000 páginas a ser enviado sem demora às autoridades judiciais. Os nossos repórteres da secção criminal conseguiram já apurar que para as primeiras audiências do caso foram convocados o senhor dos Infernos e seus auxiliares e que sobre este impende desde já investigação e possibilidade de pesada multa, caso se venha a apurar negligência na segurança do Inferno, devendo o Príncipe das Mentiras e seu governo de diabos apresentar desde já a lista de todos os mortos que se evadiram das labaredas e possam andar por aí a provocar toda a série de trapalhadas em que o mundo se vê envolvido neste momento, a começar pelas numerosas guerras e não menos numerosos actos de selvajaria que ocorrem neste momento na península das Areias e fariam um troglodita tremer de repulsa. Até ao momento Deus e a sua coorte de anjos guerreiros não foram ainda intimados a comparecer em tribunal dado que, a fazer fé no que dizem os seus enviados na Terra, Deus detesta anarquistas e não os deixa entrar no Seu Reino, não se vá dar o caso destes, uma vez chegados ao Céu, o transformem de autocracia patriarcal em democracia de bases anárquicas. Quanto a nós, humanos, será aconselhável começarmos a fazer rituais propiciatórios nas encruzilhadas para que os mortos nos deixem em paz já que os vivos são mais do que suficientes para dar cabo do mundo e das vidas de toda a gente.

Nota da redacção: estamos já a contactar vários bruxos famosos da nossa praça para realizarmos um curso de formação de bruxos, em fascículos a sair às 6ª feiras dias 13, pois cremos que será uma profissão de ascendente futuro, incluindo na área de previsão dos mercados financeiros.