Na República Popular das Correias
e Ançaimos do Norte, mais conhecida por Império da Fome, foi lançada a
mobilização geral, inclundo aos que por causa da fome mal conseguem andar, para
se apresentarem impreterivelmente às 4 da tarde no grande comício convocado
pelo Pai da Nação, e onde apenas ele será o orador (discurso de 5 horas,
abrilhantado por fanfarra militar e documentário em ecrã gigante a condizer,
iluminação a pedais, garantida pelos camaradas prisioneiros), terminando o
glorioso e edificante evento com a inscrição geral de todos os participantes
voluntários-à-força no exército da Gloriosa República Democrática (só no
título). Quem faltar ao comício será filado em casa ou na toca onde se
esconder, e levado para a frente do pelotão de fuzilamento, que o receberá
condiga e eficientemente e o encaminhará para a última morada. O motivo do
patriótico comício e chamada às armas é simples: a Organização das Nações
Desunidas desta vez passou por um momento quântico de união e condenou o
Império da Fome pelos atropelos gerais aos direitos humanos dos seus cidadãos e
eventuais tolos que obtenham o privilégio mui especial de visitar os cenários autorizados
do país e em vez de ficarem eternamente agradecidos ao Grande Líder pela sua
bondade em lhes abrir as portas do seu paraíso, decidam armar-se “à bronca”. O
comício, subordinado ao tema “Os Nossos Direitos Humanos São Melhores do Que os
Vossos”, irá apresentar imagens dos campos de
prisioneiros/concentração-extermínio, que não existem apesar dos satélites
demonstrarem a sua existência e localização a quem quer que o deseje saber, e
nos quais se usam práticas que os carrascos das SS muito teriam desejado
conhecer e aplicar à sua agenda de extermínios. No entanto, havendo bem
aprendido as lições de Treblinka e Teresin, estes documentários irão apresentar
felizes prisioneiros a jogar à bola, a comer bolos, a passear junto do arame
farpado de braço dado com as namoradas e a apontar para as montanhas ao longe,
apreciando a paisagem, rematando com um evento cultural onde os prisioneiros
apresentarão peças de teatro a falar da abundância de sardinhas no rancho. A
concluir as festividades, haverá uma récita de canto coral com hinos de louvor
ao Grande Líder, para demonstrar como os prisioneiros o amam e apreciam as
infra-animais condições em são forçados a sobreviver (todos os intervenientes
serão exterminados na manhã seguinte, quando as câmaras de filmar já não
estiverem lá). Uma vez convencidos os participantes no comício de que no
Paraíso do Grande Líder, onde têm a suprema ventura de morar, os seus direitos
humanos são melhores do que os do resto do mundo, apesar da sua experiência
lhes dizer o contrário (mas quem são eles para saberem mais do que o Grande
Líder?), será declarada uma guerra nuclear para defender esses direitos.
Porque, como se pode compreender, uma guerra nuclear é a mais altruísta
estratégia de defesa dos direitos humanos. Os nossos, pois os dos outros não
interessam. E para que os demoníacos países capitalistas e satânicos não sejam
apanhados com as calças na mão, o Grande Líder fez já correr nas agências
noticiosas do mundo inteiro o pré-aviso de guerra nuclear, para que depois as
más-línguas e a Organização das Nações Desunidas não venham dizer que ele
atacou à traição e falsa fé.Número total de visualizações de páginas
quarta-feira, 31 de dezembro de 2014
Os Meus Direitos Humanos São Melhores Que os Teus
Na República Popular das Correias
e Ançaimos do Norte, mais conhecida por Império da Fome, foi lançada a
mobilização geral, inclundo aos que por causa da fome mal conseguem andar, para
se apresentarem impreterivelmente às 4 da tarde no grande comício convocado
pelo Pai da Nação, e onde apenas ele será o orador (discurso de 5 horas,
abrilhantado por fanfarra militar e documentário em ecrã gigante a condizer,
iluminação a pedais, garantida pelos camaradas prisioneiros), terminando o
glorioso e edificante evento com a inscrição geral de todos os participantes
voluntários-à-força no exército da Gloriosa República Democrática (só no
título). Quem faltar ao comício será filado em casa ou na toca onde se
esconder, e levado para a frente do pelotão de fuzilamento, que o receberá
condiga e eficientemente e o encaminhará para a última morada. O motivo do
patriótico comício e chamada às armas é simples: a Organização das Nações
Desunidas desta vez passou por um momento quântico de união e condenou o
Império da Fome pelos atropelos gerais aos direitos humanos dos seus cidadãos e
eventuais tolos que obtenham o privilégio mui especial de visitar os cenários autorizados
do país e em vez de ficarem eternamente agradecidos ao Grande Líder pela sua
bondade em lhes abrir as portas do seu paraíso, decidam armar-se “à bronca”. O
comício, subordinado ao tema “Os Nossos Direitos Humanos São Melhores do Que os
Vossos”, irá apresentar imagens dos campos de
prisioneiros/concentração-extermínio, que não existem apesar dos satélites
demonstrarem a sua existência e localização a quem quer que o deseje saber, e
nos quais se usam práticas que os carrascos das SS muito teriam desejado
conhecer e aplicar à sua agenda de extermínios. No entanto, havendo bem
aprendido as lições de Treblinka e Teresin, estes documentários irão apresentar
felizes prisioneiros a jogar à bola, a comer bolos, a passear junto do arame
farpado de braço dado com as namoradas e a apontar para as montanhas ao longe,
apreciando a paisagem, rematando com um evento cultural onde os prisioneiros
apresentarão peças de teatro a falar da abundância de sardinhas no rancho. A
concluir as festividades, haverá uma récita de canto coral com hinos de louvor
ao Grande Líder, para demonstrar como os prisioneiros o amam e apreciam as
infra-animais condições em são forçados a sobreviver (todos os intervenientes
serão exterminados na manhã seguinte, quando as câmaras de filmar já não
estiverem lá). Uma vez convencidos os participantes no comício de que no
Paraíso do Grande Líder, onde têm a suprema ventura de morar, os seus direitos
humanos são melhores do que os do resto do mundo, apesar da sua experiência
lhes dizer o contrário (mas quem são eles para saberem mais do que o Grande
Líder?), será declarada uma guerra nuclear para defender esses direitos.
Porque, como se pode compreender, uma guerra nuclear é a mais altruísta
estratégia de defesa dos direitos humanos. Os nossos, pois os dos outros não
interessam. E para que os demoníacos países capitalistas e satânicos não sejam
apanhados com as calças na mão, o Grande Líder fez já correr nas agências
noticiosas do mundo inteiro o pré-aviso de guerra nuclear, para que depois as
más-línguas e a Organização das Nações Desunidas não venham dizer que ele
atacou à traição e falsa fé.
Na República Popular das Correias
e Ançaimos do Norte, mais conhecida por Império da Fome, foi lançada a
mobilização geral, inclundo aos que por causa da fome mal conseguem andar, para
se apresentarem impreterivelmente às 4 da tarde no grande comício convocado
pelo Pai da Nação, e onde apenas ele será o orador (discurso de 5 horas,
abrilhantado por fanfarra militar e documentário em ecrã gigante a condizer,
iluminação a pedais, garantida pelos camaradas prisioneiros), terminando o
glorioso e edificante evento com a inscrição geral de todos os participantes
voluntários-à-força no exército da Gloriosa República Democrática (só no
título). Quem faltar ao comício será filado em casa ou na toca onde se
esconder, e levado para a frente do pelotão de fuzilamento, que o receberá
condiga e eficientemente e o encaminhará para a última morada. O motivo do
patriótico comício e chamada às armas é simples: a Organização das Nações
Desunidas desta vez passou por um momento quântico de união e condenou o
Império da Fome pelos atropelos gerais aos direitos humanos dos seus cidadãos e
eventuais tolos que obtenham o privilégio mui especial de visitar os cenários autorizados
do país e em vez de ficarem eternamente agradecidos ao Grande Líder pela sua
bondade em lhes abrir as portas do seu paraíso, decidam armar-se “à bronca”. O
comício, subordinado ao tema “Os Nossos Direitos Humanos São Melhores do Que os
Vossos”, irá apresentar imagens dos campos de
prisioneiros/concentração-extermínio, que não existem apesar dos satélites
demonstrarem a sua existência e localização a quem quer que o deseje saber, e
nos quais se usam práticas que os carrascos das SS muito teriam desejado
conhecer e aplicar à sua agenda de extermínios. No entanto, havendo bem
aprendido as lições de Treblinka e Teresin, estes documentários irão apresentar
felizes prisioneiros a jogar à bola, a comer bolos, a passear junto do arame
farpado de braço dado com as namoradas e a apontar para as montanhas ao longe,
apreciando a paisagem, rematando com um evento cultural onde os prisioneiros
apresentarão peças de teatro a falar da abundância de sardinhas no rancho. A
concluir as festividades, haverá uma récita de canto coral com hinos de louvor
ao Grande Líder, para demonstrar como os prisioneiros o amam e apreciam as
infra-animais condições em são forçados a sobreviver (todos os intervenientes
serão exterminados na manhã seguinte, quando as câmaras de filmar já não
estiverem lá). Uma vez convencidos os participantes no comício de que no
Paraíso do Grande Líder, onde têm a suprema ventura de morar, os seus direitos
humanos são melhores do que os do resto do mundo, apesar da sua experiência
lhes dizer o contrário (mas quem são eles para saberem mais do que o Grande
Líder?), será declarada uma guerra nuclear para defender esses direitos.
Porque, como se pode compreender, uma guerra nuclear é a mais altruísta
estratégia de defesa dos direitos humanos. Os nossos, pois os dos outros não
interessam. E para que os demoníacos países capitalistas e satânicos não sejam
apanhados com as calças na mão, o Grande Líder fez já correr nas agências
noticiosas do mundo inteiro o pré-aviso de guerra nuclear, para que depois as
más-línguas e a Organização das Nações Desunidas não venham dizer que ele
atacou à traição e falsa fé.terça-feira, 30 de dezembro de 2014
Foi Inaugurada a Escola de Formação Profissional de
Ladrões “Tudo Dentro da Legalidade”
No Principado dos Luxuosos-burgos
acaba de ser aberta uma escola de formação profissional para ladrões, no âmbito
das novas iniciativas promovidas pelo comissário voador Caça-Junker, irmão do
não menos famoso Stukka, para combater o desemprego na União das Hortaliças. A
escola tem por objectivo desenvolver a capacidade burlona dos formandos sem
contudo agredir a lei. Assim, em vez da aprenderem a usar gazuas, estetoscópios
e temporizadores para arrombar cofres e caixas-forte, os formandos terão uma
cadeira semestral de 4 horas diárias sobre Direito Fiscal Comparativo dos
vários países da União e não só, com vista a identificar as oportunidades de
estabelecer parcerias de negócio com multinacionais de modo a que estas possam
fugir aos impostos nos países onde realizam actividade e obtêm lucros e de todo
não os paguem ou, paguem apenas uma contribuição simbólica no país natal do
ladrão. Além desta disciplina-base do curso, serão ensinadas técnicas de
criação de portfolios de Estratégias Agressivas de Investimento (FOI = Fugir
aos Impostos II), Sedução Fiscal de CEOs, Elaboração de Contratos de FOI e
Prémios Locais de Financeirização, Avaliação de Potencialidades de Off-Shores (mesmo que o país do ladrão
seja o mais in-shore possível, tipo
Deserto do Gobi), Técnicas do Conto do Vário para Jornalistas e Outros
Empecilhos, Estratégias para Fintar Comissões de Inquérito, Psicologia Positiva
de Reforço da Lata e Descaramento (tipo, fui o cabecilha do maior escândalo
financeiro da União mas não me demito e exijo sim austeridade aos países
roubados), Técnicas para Vencer uma Moção de Censura e Acusar os Outros de
Corrupção e, como disciplina opcional, Cartas de Vinhos, Produtos Gourmet,
Jóias e Carros Topo de Gama. Os melhores alunos serão premiados com estágios de
primeiros-ministros e, e em função do seu desempenho no cargo, cartas de recomendação
para comissários da União. Os restantes alunos terão imediata entrada no
mercado de trabalho, a desempenhar funções de direcção nas administrações
centrais de bancos de dimensão transcontinental. Os que, por excesso de
idoneidade, forem reprovados no curso, não terão qualquer “cunha” da escola e
deverão desenvencilhar-se pelos seus próprios meios no mundo da gatunagem
vulgar, podendo dedicar-se ao assalto por esticão ou roubos de bancos à mão
armada, o que, graças à actividade dos formandos melhor classificados,
seguramente já não terão qualquer dinheiro para ser roubado. Quem denunciar os
bem-sucedidos alunos na sua actividade de apoio à fuga de impostos, será levado
a tribunal e punido com 50 anos de prisão pois um denunciante de roubos de colarinho
branco é criminoso muito mais perigoso do que um serial killer. quarta-feira, 24 de dezembro de 2014
O Natal Também Já Se Festeja no Paraíso
Pois é. Após vários anos de crise, em que se cortou
nas iluminações e na festa de aniversário do filho do Patrão Disto Tudo, isto
é, o Senhor dos Exércitos, Altíssimo e Deus Nosso Senhor Jesus Cristo (pai), o
espírito natalício voltou a estar em alta no Jardim do Éden. Na sequência da
limpeza de contas e armários do Banco da Terceira Pessoa da Santíssima Trindade,
descobriu-se que o Espírito Santo e mestre da banca, recebera por baixo da mesa
nada mais nada menos do que 14 milhões de patacas. Foi um escândalo! Até o Filho
do Altíssimo andava a apertar o cinto, já não se dando a corridas de Fórmula
Nuvem Turbo com os apóstolos ou a shows
de milagres, deixando isso para os franchisings
de igrejas televisivas que cobram quota de membro (vulgo dízimo) mais alcavalas
e podem pagar os adereços. E como o Filho do Altíssimo tem o pavio curto e detesta
trapalhadas nos negócios, tendo até, na sua passagem turística pela terra de
Israel expulso os cambistas do Templo porque estes não estavam a cumprir os câmbios
às taxas da tabela, exigiu a constituição duma comissão de inquérito. Embora
ainda se esteja longe de saber quem andou a pagar o quê e de que modo e para
onde foram as massas colocadas nos cofres-offshore
à entrada do Inferno, pois aí nunca iriam os anjos dar fé da coisa, descobriu-se
pelo menos o generoso pagador dos 14 milhões de patacas, o qual teve de se
apresentar perante a comissão que está já com este caso a ensaiar para o
Tribunal do Fim dos Dias. O generoso pagador, e generoso no real sentido do
termo, declarou que doara ao Espírito Santo os 14 milhões de comissão de
negócio por “espírito de entreajuda e solidariedade”. Ao ter disto
conhecimento, o pessoal que cá em baixo na Terra dá apoio aos sem-abrigo e
outros desgraçados, apresentou uma petição aos portões do Céu pois também
gostaria muito de receber esse tipo de entreajuda e solidariedade, tanto mais que
as ditas 14 milionárias patacas jamais pagaram IVA ou foram arroladas na
declaração de IRS. A petição deu entrada nos serviços administrativos do
Paraíso mas, como é do procedimento em tais casos, foi já devidamente
extraviada.
Pois é. Após vários anos de crise, em que se cortou
nas iluminações e na festa de aniversário do filho do Patrão Disto Tudo, isto
é, o Senhor dos Exércitos, Altíssimo e Deus Nosso Senhor Jesus Cristo (pai), o
espírito natalício voltou a estar em alta no Jardim do Éden. Na sequência da
limpeza de contas e armários do Banco da Terceira Pessoa da Santíssima Trindade,
descobriu-se que o Espírito Santo e mestre da banca, recebera por baixo da mesa
nada mais nada menos do que 14 milhões de patacas. Foi um escândalo! Até o Filho
do Altíssimo andava a apertar o cinto, já não se dando a corridas de Fórmula
Nuvem Turbo com os apóstolos ou a shows
de milagres, deixando isso para os franchisings
de igrejas televisivas que cobram quota de membro (vulgo dízimo) mais alcavalas
e podem pagar os adereços. E como o Filho do Altíssimo tem o pavio curto e detesta
trapalhadas nos negócios, tendo até, na sua passagem turística pela terra de
Israel expulso os cambistas do Templo porque estes não estavam a cumprir os câmbios
às taxas da tabela, exigiu a constituição duma comissão de inquérito. Embora
ainda se esteja longe de saber quem andou a pagar o quê e de que modo e para
onde foram as massas colocadas nos cofres-offshore
à entrada do Inferno, pois aí nunca iriam os anjos dar fé da coisa, descobriu-se
pelo menos o generoso pagador dos 14 milhões de patacas, o qual teve de se
apresentar perante a comissão que está já com este caso a ensaiar para o
Tribunal do Fim dos Dias. O generoso pagador, e generoso no real sentido do
termo, declarou que doara ao Espírito Santo os 14 milhões de comissão de
negócio por “espírito de entreajuda e solidariedade”. Ao ter disto
conhecimento, o pessoal que cá em baixo na Terra dá apoio aos sem-abrigo e
outros desgraçados, apresentou uma petição aos portões do Céu pois também
gostaria muito de receber esse tipo de entreajuda e solidariedade, tanto mais que
as ditas 14 milionárias patacas jamais pagaram IVA ou foram arroladas na
declaração de IRS. A petição deu entrada nos serviços administrativos do
Paraíso mas, como é do procedimento em tais casos, foi já devidamente
extraviada.segunda-feira, 22 de dezembro de 2014
ISIS Candidato ao Nobel da Paz (Boko Haram recebe
Prémio Sakarov)
Na sequência das novas alterações
à jurisprudências internacional que levaram um tribunal da Uniãod as Hortaliças
a declarar como “não terrorista” o grupo desportivo Hammas-e-Amigos-das
Bombinhas-de-S.João (a úlitma das quais rebentada o ano passado em solo da
União e que matou várias pessoas como é normal nestes eventos culturais) e a
aconselhar os líderes da União a tirá-lo da lista e top 10 de organizações terroristas,
os amigos do alho-porro, martelinhos, estalinhos, bombas de mau cheiro e
correlativos superiores como granandas de mão, basucas, AK’s de vários modelos,
minas terrestres e bombas-suicidas, decidiram propor a organização ISIS para o
Prémio Nobel da Paz, o Hezbollah para o Prémio Sakharov e os talibãs (paquistaneses
ou do Afeganistão é indiferente dado que são franchisings da mesma multinacional) para o Prémio Madre Teresa de
Calcutá. Se a nomeação para o Prémio Sakarov não coloca muitas dúvidas, dado
que o Hezbollah está a lutar ao lado do ditador algo para o sanguinário Assado,
já as candiaturas do ISIS e dos talibãs exigem alguma explicação. No caso dos
talibãs teremos de esperar que o nosso enviado saia dos escombros do último
massacre de crianças numa escola (que é onde elas mais se encontram e todos
sabem que as escolas são armas de Satã) e que foi muito bem susedido já que
matou para cima dumas 130, evitando assim a propagação do conhecimento e
portanto a capacidade de questionar os líderes, em especial os duma religião da
paz em nome de cujo Deus tal massacre foi cometido e em nome de cujo Deus
também se proíbe e matam as raparigas por irem à escola ou por sequer mostrarem
um fiozinho de cabelo que calhe de fugir para ir ver o sol. No entanto e para o
caso do ISIS/EI/whatever podemos já
divulgar os argumentos da candidatura:
1º - Com a sua actividade o ISIS
está acontribuir activamente para controlo da população mundial ao matar à
média de 500 pessoas/mês (e são dos seues, iamginem quando chegarem a países
ditos heréticos!).
2º - O seu activo e sagrado
controlo da natalidade (não usado processos satânicos como o ap pílula, o
preservativo ou o DIU mas os sagrados e santificados processos da degolação,
crucificação, desmembramento, enterramento das vítimas vivas, quando não o
higiénico auto-de-fé) está a contribuir activamente para a preservação dos
recursos naturais e a redução potencial da poluição futura.
3º - Graças à redução da
população na sua área de governo e que se espera venha a ser cada vez maior (a
menos que o mulehrio passe a fazer o que lhe compete e desate a funcionar como
as vacas de cobrição pondo dois chavalitos cá fora a cada 3 anos), pode
esperar-se o início do processo de reequilíbrio dos ecossistemas que, sem a
pressão da sobrepopulação humana podem começar a respirar de alívio.
4º – Graças à mui santa
actividade guerreira do ISIS, a quantidade de poeiras e outros aerossóis
lançados para a atmosfera está já activamente a contribuir para a redução do
efeito de estufa e do aquecimento global, fenómeno que aliás também já foi
comprovado nas duas anteriores guerras mundiais, quando por cá não adava o ISIS
mas uns outros malucos que não lhes ficavam muito atrás.
5º - Pela alteração complata do
currículo escolar, com a eliminação de disciplinas inúteis como música, desenho
e outras actividades que gastam recursos naturais sem efeitos desejáveis mas
sim alta e perigosamente blasfemos. Esta atitude está não só a modificar as
criancinhas que poderão a aprtir de agora dedicar-se a coisas práticas e
necessárias como esquartejar infiéis, dedicar-se à economia, com especiald
estaque para o aproveitamento máximo do potencial da banca-sombra e economia
associada, às tecnologias de armamento, ao comércio de rua (no intervalo dos
tiroteios, maus fígados de snipers ou bombardeamentos sem aviso) e actividades
correlativas. Além disso, esta mudança curricular contribui para a redução das
indústrias químicas, nomeadamente das tintas, da extracção de pedra, barro,
metais e outros similares usados em escultura e, pela interdição da actividade
musical, a combater eficazmente a poluição sonora (a barulheira das armas,
incluindo artilharia pesada e desmoronamentos consequentes, não e poluição mas
sim uma doce antecipação do som das sagradas trombetas do céu).
6º - Pelo bloqueio total das
transmissões de Internet, telemóvel e outras modernices que só destroem o moral
dos santos. Esta decisão promove o combate à escravatura usada na exploração
dos metais raros em zonas de guerra e vulgarmente chamados metais de sangue (a
outra escravatura, a que é promovida pelo ISIS com mercados de escravas e
tabela de preços, é santificada, portanto não há problema), ajudando deste modo
à melhoria dos direitos humanos nas zonas de extracção mineira – após os
mineiros terem sido todos mortos por já não serem necessários, tarefa a cargo
dum franchising local do ISIS – e à
redução das cargas de poluentes perigosos (vulgo metais pesados) associadas
tanto à mineiração como ao abandono do material electrónico, telemóveis
incluídos, por não serem do último modelo ou, mais raramente, terem avariado de
vez.
7º - Por todas estas razões o
ISIS é o maior defensor actual da natureza, do planeta e dos direitos humanos,
pelo que merece, sem hesitações, não um mas 20 Nobeis da Paz. Ou 1000, caso o
seu império venha a durar 1000 anos, como queria o outro.
quinta-feira, 18 de dezembro de 2014
Vocês Fazem o Trabalho, Nós Recebemos a “Massa”
Está a decorrer uma fascinante
campanha publicitária ao whisky da Famosa Perdiz, que esperamos venha a fazer
escola mundial. Começou pela instalação duns mamarrachos nas estações de Metro,
vindos directamente dos estúdios do filme “2010, Odisseia no Espaço”, e que,
tal como no filme, deixavam os nativos (antropóides ou não) a coçarem a cabeça,
tentando – e não conseguindo – atinar com a eventual utilidade daquilo,
suspeita aliás, pois o saco amarelo que os cobria anunciava, aziagamente, serem
tais matacões os nossos melhores amigos na cidade. Pois bem, acabou por se
descobrir a utilidade dos ditos: é para nos juntarmos à sua frente a fazer
figuras parvas e sermos fotografados sem pagar nada. P’ra quê tão grande
manifestação de altruísmo? Para a campanha publicitária do whisky da Famosa
Perdiz. É que ‘tamos a chegar ao Natal e é necessário aumentar as vendas do
whisky da Perdiz. Mas os criativos estavam sem criatividade nenhuma. Vai daí
decidiram que o melhor era serem os consumidores a criarem os próprios rótulos
da garrafa. Portanto, como agora se anuncia nas paragonas de autocarro: “crie o
se rótulo especial, para um momento especial”. Ou seja, pague o whisky e ainda
por cima produza o rótulo, pois isto de criar ideias novas p’ra vender um
produto dá muito trabalho. É claro que como fomos nós a ter a ideia de vos pôr
a fazer o nosso serviço, somos nós que recebemos o salário, vocês só têm de
pagar a garrafa, rótulo e tudo. Nós não temos culpa que vocês sejam estúpidos,
estúpidos seríamos nós se não aproveitássemos a vossa burrice. Muito Feliz
Natal e bebam em barda para a próxima foto sair garantidamente parva.
terça-feira, 2 de dezembro de 2014
Ser Ministro É… Dizer aos Outros Que Resolvam os
Problemas
O comité internacional da Guiness (do livro e da cerveja, o que explica
muitas das suas ébrias decisões) acaba de colocar no seu Muro dos Famosos o
governo da República Democrática dos Nabos, sob a designação de Recordista da
Incompetência, para grande gáudio dos patrióticos nabos que vieram para a rua comemorar…
com cerveja nacional. A competição para o quadrado dourado na parede, com
direito a figurar em capa de CD “Teacher leave the kids alone”, foi renhida.
Entre os competidores encontravam-se governos que, sem declararem guerra,
activamente assassinam toda a população não pertencente à tribo do líder, ou “ignoram”
o assassínio de estudantes, sobretudo se femininos, deixam correr o marfim quando
os seus súbditos são raptados e massacrados às resmas e até promovem a boa
harmonia com os raptores, assinando tratados de paz que nunca são levados a
sério e iniciam a campanha eleitoral não a prometer a libertação das raptadas
mas a agradecer a Deus e aos seus doadores. O Nabal provou ter uma capacidade
de destruição que conseguiu mesmo estilhaçar as expectativas do mais sério
concorrente, o Estado da Ísis, que abraçou entusiasticamente a actividade de
controlo da população recorrendo ao extermínio em massas e venda em mercado de
escravos de todos os súbditos que adorem um deus diferente do do líder ou desaprovem
a cor do seu turbante, ousando vestir-se com outras cores. Os exemplos de
entronizaram o governo do nabal foram os seguintes:
1º - O ministro da Educação, num arroubo de transvectorial criatividade
decidiu aplicar a matemática da evolução das estrelas de massa infra-solar e
conseguiu, não apenas implodir-se mas implodiu todo o ministério, gerando um
buraco negro para onde atirou com professores, alunos e toda a demais massa
crítica, garantindo deste modo que ninguém mais consiga definir a curva
espaço-temporal da sua escolar existência. Parabéns ao termodinâmico astrónomo!
2º - O seu secretário, responsável pelo ensino das criancinhas
pequenininhas, decidiu dar-lhes um exemplo educativo de “como as coisas
funcionam” e plagiou uma tese com o apropriado título “A Moral no Ensino”.
3º - No ministério das Viagens, foram criados os Vistos Máfia que furam
a impenetrável fortaleza da União e abrem as suas portas a cidadãos de passado
e actividades mais do que duvidosas e sombrias, com consequentes rusgas da
polícia, o que origina viagens gratuitas até à Quinta do Xilindró.
Naturalmente, o ministro que gerou toda esta actividade turística com a criação
dos Vistos Máfia, está ali p’rás curvas.
4º - O ministro da Justiça, achando muito aborrecida a tarefa de pôr os
tribunais a funcionar a velocidade superior à das lesmas, decidiu reorganizar a
geografia do país, o que deu numa interessante dança de tribunais e magistrados
em tudo igual à das bolas da vermelhinha, e uma tal confusão no sistema
informático que este passou de Citius a aldeia em estado de sítio. Mas como se
trata do Ministério da Justiça era preciso arranjar um bode expiatório para se
poder instaurar um processo, a bem do nome da coisa. No caso encontraram-se 2
bodes, dois pequeninos lá do refugo do rebanho. Infelizmente as coisas correram
mal pois nem todos quiseram acatar o antigo ritual caprino e o mar, desta vez,
não bateu no mexilhão. Naturalmente que nada aconteceu ao ministro acusador de
inocentes. Ele está lá é p’ra acusar, não para defender a justeza da causa.
5º - No Ministério da Economia a palavra de ordem é falhar todas as
previsões, desde o défice à taxa de inflacção, PIB e demais substâncias
exotéricas e mesmo quando os crâneos da União dizem que as previsões estão
erradas, teima-se no mesmo Orçamento (no fim de contas lá haverá os
Rectificativos para falhar por menos o balanço) e nas mesmas orientações
económicas e espera-se que haja um milagre. O que aliás está certo porque a
Economia nem sequer é uma pseudo-ciência mas uma religião, dado que se basta
asi mesma com actos de fé, ignorando a realidade em favor da doutrina. E se a
falha nas contas for tão grande que nem uma profissão de fé as salva, bom, a
culpa é… do granizo.
6º - No ministério da Saúde espera-se a todo o momento que o sistema
informático adoeça, e por consequência leve à demência todo o pessoal que tenha
de lidar com ele. Os doentes que forem apanhados no embrulho podem morrer sem
problemas porque aliás é o que já acontece com muitos que, por exemplo, não
encontram medicamentos nas farmácias para as suas doenças crónicas ou estão tão
bem assistidos pela Segurança Social que financiaram aquando da sua vida activa
que agora só precisam de escolher se querem comer ou se querem tratar dos
achaques. Em qualquer das escolhas a morte é garantida.
7º - Um ministro-chefe que, face a tantas barracas e falhanços de
previsões e, não sejamos modestos, o geral falhanço de tudo, acho que tinha de
bater nos culpados e, num profundo respeito pela separação de poderes, desancou
nos jornalistas que noticiam estas coisas, chamando-os entre outros mimos, de
preguiçosos. Donde se conclui que a palavra preguiça adquiriu um novo
significado: trabalhar non-stop para conseguir noticiar tantas barracas,
escândalos, corrupções e outras coisinhas sem importância.
8º - O Ministro das Diplomacias é ainda melhor do que o seu colega da
Educação pois de cada vez que abre a boca cria um incidente diplomático,
estando já nomeado para o posto de bomba de neutrões alternativa, se entrarmos
por uma guerra a sério, e os nossos espiões em sede de conselho de ministros
informam-nos que os dois ministros referidos estão em competição para ver quem
mais promove o aumento da entropia na horta. É especialmente notável pela sua
capacidade de fazer declarações bombásticas… baseadas em leitura de jornais e
ignorando as consequências delas para todos os envolvidos, já para não falar do
país pois o país, sejamos francos, é o que menos interessa. Isto causa um
desaustinado corrupio nas chancelarias que abala o já ineficaz funcionamento
consular do Nabal mas isto em nada e compara com a sua notável coerência de
pontos de vista. Eis um exemplo: o digno chefe da diplomacia nabense considera
que os direitos humanos têm de se adaptar à economia, ou seja, os direitos
humanos não são um ganho moral e civilizacional e sim uma espécie de collants
que se adapta à forma da perna. Corolário: se a economia estiver má, as
liberdades podem ser suspensas e as pessoas reduzidas à condição de escravas. O
tipo do Sieg Heil e o caro califa Iznogood não podiam estar mais de acordo! Ao
mesmo tempo sua excelência declara que o país defenderá no Conselho dos
Direitos Humanos das Nações Desunidas “a dignidade da pessoa humana e o
carácter individual, universal, indivisível inalienável e interdependente de
todos os direitos humanos, sejam estes civis, culturais, políticos, económicos
ou sociais". Pergunta: quando será revelado o normativo das taxas a aplicar
para que cada um dos direitos da Declaração Universal (e que não contempla
sequer os culturais, económicos, políticos, ou sociais) possam ser envergados
pelo feliz pagador?
Mas o que definitivamente decidiu o comité a atribuir ao Nabal o Prémio
Guiness de Incompetência foi a sugestão do Ministro da Educação que perante as
críticas dos professores face à bagunça do início do ano lectivo, que só teve
comparação com os do Período Revolucionário Em Curso respondeu, “bem, resolvam
o problema, apresentem soluções”. Segundo o comité, esta frase não só coroou a
majestática indiferença a todas as sugestões até então apresentadas como
redefiniu por completo a noção do que é ser ministro e suas responsabilidades.
Ser Ministro passou a ser… o tipo que manda os outros resolver, à borla, os
problemas que ele é pago para resolver. Sem sombra de dúvida, conclui o comité
da Guiness, é muito difícil encontrar um governo com tal capacidade de
auto-alucinação e destruição supersónica.
sexta-feira, 28 de novembro de 2014
Política: A Nova Última Fronteira
Está desempregado? Não tem jeito nem qualificações para nada? Acha o
trabalho uma seca mas apesar da sorna cultiva uma ambição do tamanho da
galáxia? Não se preocupa com os meios ou a sua legitimidade, você é guiado
apenas pelos resultados? Então a política é a profissão para si. E não, isto
não é um anúncio de centro de formação com cursos de duas semanas e saída
profissional garantida(mente duvidosa). É a conclusão a que chegou o tink-tank internacional Banho de Espuma vs.
Jaccuzi (BEJ para poupar espaço). Analizando a situação política global, o BEJ
concluiu que para se ser um líder político de sucesso é apenas necessário
ser-se mentecapto e/ou mafioso e/ou doido ou as 3 por atacado. Quanto à teoria
política actual não necessita de quaisquer estudos em Relações Internacionais,
Ciência Política ou outras disciplinas de nomes grandiosos para a dominar.
Basta apenas recordar e aplicar a sabedoria do recreio do jardim infantil e que
se resume a 3 regras:
1º - Bata nos mais fracos (e roube-lhes a comida e a mesada)
2º - Lamba as botas dos mais fortes e ofereça-lhes os seus chocolates
(melhor ainda, dê-lhes os que roubou aos mais fracos)
3º - Se as coisas correrem mal a culpa nunca é sua. É do outro (preferencialmente
o mais fraco ou o mais impopular do infantário).quarta-feira, 26 de novembro de 2014
Apertada com a falta de cacau para pagar os
juros da Tripeça e Fundo Monetário da Agiotagem, a República dos Nabos (vulgo
“o Nabal”) decidiu investir num novo mercado em expansão: o dos vistos Máfia,
os quais dão direito de cidadania e livre circulação na União das Hortaliças a
todo e qualquer magnata do crime que tenha pasta suficiente para investir num
destes vistos. A notícia foi saudada com palmadinhas nas costas e medalhas de
louvor pelos chefes da União das Hortaliças pois é necessário muito
investimento estrangeiro para dar gás à máquina e é uma singular homenagem ao
empreendedor espírito criminal dos líderes das hortaliças, a começar pela
famosa joint venture nascida em terra
amarga e em depressão económica eterna mas que ultrapassou todos os obstáculos
e se tornou uma multinacional com inúmeros franchisings:
a Máfia. E o exemplo dos chefes desta joint
venture tem sido nos últimos anos seguido por inúmeros líderes da União,
como por exemplo o novo presidente da dita que, sem violar a lei, conseguiu a
maravilhosa obra de oferecer protecção a uma fuga de capitais superior à do
gargantuano orçamento dessa mesma União. Os vistos Máfia existem em 3
variedades: Máfia Gold, Máfia Platina e Máfia Diamante e oferecem aos felizes
contemplados cidadania e direito de livre circulação dentro do espaço da União,
coisa que muitos cidadãos da dita não têm, em especial se nascidos a leste ou
pertencerem a minorias impopulares. O processo de obtenção dos vistos segue um
processo mafioso em conformidade com o nome, que é extremamente simples. Basta
comprovar o tamanho da conta bacária do requerente via dimensão do suborno que
este oferece às autoridades encarregues da emissão dos vistos e dos serviços de
fronteiras. Em função deste tamanho o requerente é agraciado cum um visto Máfia
Ouro, Platina ou Diamante, cada um deles com privilégios de cidadania
hortalicense especiais: O Máfia Ouro permite além de livre circulação pela
grande horta comunitária da União, desenvolver negócios na área do tráfico
humano, prostituição e comércio de armas. Tem a desvantagem de se o feliz
contemplado se tornar demasiado notírio nas suas actividades ter uma inquirição
no Nabal que terá de ser terminada com uma transferência bancária para paraíso
local a estabelecer em acordo secreto. O Máfia Platina oferece as mesmas
oportunidades mas difere pelo facto de que o contemplado poderá também proceder
a negócios de branqueamento de capitais e mesmo de criar empresas
especializadas na matéria pelo que, se começar a dar demasiado nas vistas, os
jornalistas que denunciarem a marosca terem de ir responder a tribunal e
incorrerem em pena de prisão de 5 anos, esde que o contemplado aceite que as
autoridades passem a ausufruir gratuitamente dos serviços de branqueamento de
capitais das suas empresas de branqueamento. O Máfia Diamante permite um muito
mais amplo leque de negócios, incluindo a escravatura, tráfico de órgãos com a
morte dos dadores, genocídio, etc. e não sofrerá qualquer investigação ou
coação por parte das autoridades, nem precisará de lhes prestar favorfes para
ficar tudo em pratos limpos. Terá ainda o privilégio de mandar assassinar o
jornalista ou abelhudo que denuncie as suas práticas sem que qualquer processo
criminal lhe seja levantado. Os candidatos não necessitam de criar qualquer
bizarra mais-valia económica para o país de acolhimento, tal como fábricas,
empreendimentos agro-industriais, unidades de investigação e/ou ensino,
complexos turísticos, ou oturas picuinhices, bastando apenas comprarem uma
luxuosa mansão para sua morada pessoal pois como se sabe, o mercado das mansões
de luxo é o que faz andar a economia. Naturalmente os candidadatos a estes
diferentes vistos são seleccioandos em função da sua categoria criminal e,
factor determinante, dimensão da sua conta bancária. Assim, para o visto Máfia
Gold são selecionados magnatas do crime com conta bancária de 1000 milhões de
dólares, sedeada em mais do que 3 offshores, especializados em redes internacionais
de crime com participação de máfias uni ou multi-nacionais/multi-culturais,
contrabando transncontinental de mercadorias e empresas de assassínio por
contrato com óptimas taxas de eficiência, líderes políticos de países que
funcionam como paraísos fiscais e cuja cuja capacidade de captura de divisas em
impostos roubados seja pelo menos 3 vezes o PIB do país. Para o visto Máfia
Platina o magnata aplicante deverá não apenas ter as referências anteriores,
acrescentadas de negócios em tráfico de pessoas, armamento sofisticado e
material nuclear e os seus assest financeiros deverão incluir contas, empresas-fachada
e contabilidade secreta em pelo menos 10 offshores com sigilo bancário fiável e
plafond de 10 000 milhões de dólares. Para o visto Máfia Diamante apenas se
aceitam candaidtos com plafond
financeiro acima de 1 bilião de dólares e que reconhecidamente sejam ou tenham
sido num passado muito próximo chefes de grupos terroristas especialmente
bem-sucedidos financeiramente (CEOs de grandes bancos internacionais incluídos),
ditadores sanguinários, líderes nacionais em fuga do Tribunal Internacional,
reconhecidos e eficazes genocidas que precisem urgentemente de dar o fora dos
respectivos países, líderes jhiadistas e chefes de firmas de planeamento fiscal
agressivo (aka “fuga ao fisco”) que movimentem por dia mais de 3 milhões de dólares,
porque lá diz o ditado desta nova era: Quanto Maior o Crime, Maior a
Recompensa.
terça-feira, 25 de novembro de 2014
A Ressurreição É uma Realidade!
A República Democrática dos Nabos sempre foi
palco das mais espectaculares descobertas médicas, desde já o tempo em que o
professor Barnard fazia os primeiros transplantes de coração, no Nabal
operava-se um presidente da república que perdera a cabeça, substituindo-a com
grande sucesso por uma abóbora, o que em nada alterou o seu desempenho político
pois ele já era um “cabeça de abóbora”. Vem esta pequena digressão histórica ao
facto de que muito recentemente um hospital do Nabal ter descoberto a fórmula
que tanto atormentava o professor Frankenstein e sem os adversos resultados
como monstros à solta e revoltas camponesas para matar o monstro e o cientista
seu criador. Não, as coisas no hospital da ria foram limpinhas e tranquilas e
no final do processo cerca de 26 mortos tiveram alta hospitalar, devendo
regressar aos sues locais de trabalho, situação para a qual foram devidamente
notificados nas respectivas sepulturas no cemitério. Foi mais complicado com os
que tinham sido cremados pois a foi impossível localizá-los para lhes entregar
os documentos de alta e total aptidão para o trabalho. O Estado enviou já às
famílias dos felizes ressuscitados, incluindo os cremados, as cortas de aviso
para pagamento dos duodécimos dos impostos que os ressurrectos devem desde o
dia da sua ressurreição, apesar das famílias jurarem a pés juntos que desde o
enterro não puseram os olhos em cima dos ex-defuntos. O processo de
ressurreição não foi divulgado ao público nem feito qualquer artigo para as
revistas científicas da especialidade, devido ao desejo do referido hospital se
preservar da competição caso a sobrenatural fórmula fosse revelada. No entanto
o nosso espião na corte celestial informou-nos que a direcção do hospital
enviou um telegrama ao Altíssimo e Seu Filho, que dizia: “Messias não te
incomodes a vir até cá abaixo, nós já aprendemos a ressuscitar os mortos pelos
nossos próprios meios.”
sexta-feira, 21 de novembro de 2014
O Sonho!

A ideia partiu duma associação humanitária mas
dado o seu enorme potencial económico foi já adoptada como linha de acção
governativa na República Democrática dos Nabos... porque só mesmo aí e porque, mais
importante, seguramente se resolvem todos os problemas, incluindo o de passar a
ganhar sempre as eleições. Também resolverá o problema dos pesadelos que todo o
bom patriota deve actualmente sofrer para bem poder encarnar o sonho do seu
respectivo país. A ideia
partiu duma luminária que, perturbada com os problemas sociais resolveu que a
melhor forma de lhes encontrar solução era… por decreto. A Lei está ainda no
segredo dos deuses e do excelso crâneo do nabo residente que teve a ideia, mas
podemos desde já adiantar que será proibido andar com roupa esgaçada e a
cheirar a esgoto, com lustro de quem não vê a barrela há meses, serão proibidos
os chanatos, chinelas de pé, sapatos rotos e pés descalços, multados os
queixumes de que se tem fome e passará a cobrar-se renda aos sem-abrigo em
função da área ocupada no passeio, entradas de prédios e debaixo das pontes,
com extra se estes usarem caixotes de papel para se abrigarem da chuva. Tal
como já actualmente acontece do outro lado do oceano, quem for dar de comer a
esta gente será detido, condenado a 6 meses de prisão e multa de 3 vezes o seu
salário, dado que se não há pobres, a caridade é um desvio abominável de
recursos. Deixando, por decreto, de existir pobreza, são alcançadas numerosas
vantagens. Deixa de existir isenções de IRS e outros impostos (a menos que se
seja muito rico e se transfiram as fortunas para offshores), pelo que o Estado poderá arrecadar ainda mais capital
para o seu orçamento. Passa a ficar muito bem nas estatísticas s fotografias
internacionais pois mais do que cumpriu os Objectivos do Milénio, não reduzindo a
pobreza para metade mas fazendo-a completamente desaparecer… para debaixo do
tapete. Como deixará de haver pobres não será necessário pagar subsídios de
reinserção nem de desemprego (depreende-se que quem seja desempregado tem mais
do que meios para se safar por si dado que ser pobre será proibido), o que são
só poupanças para o Estado que poderá assim canalizar esses recursos para
objectivos mais meritórios como… pagar a fundações que não funcionam e PPPs que
ninguém sabe porque estão ainda a ser pagas. Naturalmente como haverá sempre
insurgentes que como o salário ou ausência de emprego que possuem hão-de
continuar a teimar que são pobes e que não podem pagar impostos ou têm mesmo de
dormir na rua, esses rebeldes serão encaminhados para o crescente mercado de
escravos, (leilões promovidos em concurso oficial como o das senhas de IRS para
carros de luxo, lucros das vendas a reverterem para os cofres estaduais). Se
demasiado inaptos para a escravatura, serão exportados para fazerem santas
guerras em terra alheia, dado que os religiosos líderes dessa nobre actividade
estão sempre com falta de mão-de-obra. Quando estiverem todos mortos será
garantido que a pobreza… acabou-se. E provavelmente nós também.

Notícia
acabada de chegar à redacção dá conta de que um político recém-eleito declarou
que impedir os pobres de terem serviços médicos subsidiados é a forma deles
poderem viver o Sonho Americano. Donde podemos concluir que o sonho americano é
um… pesadelo.
E para Que Não Incomodem, Vamos Ilegalizar a
Pobreza
A ideia partiu duma associação humanitária mas
dado o seu enorme potencial económico foi já adoptada como linha de acção
governativa na República Democrática dos Nabos... porque só mesmo aí e porque, mais
importante, seguramente se resolvem todos os problemas, incluindo o de passar a
ganhar sempre as eleições. Também resolverá o problema dos pesadelos que todo o
bom patriota deve actualmente sofrer para bem poder encarnar o sonho do seu
respectivo país. A ideia
partiu duma luminária que, perturbada com os problemas sociais resolveu que a
melhor forma de lhes encontrar solução era… por decreto. A Lei está ainda no
segredo dos deuses e do excelso crâneo do nabo residente que teve a ideia, mas
podemos desde já adiantar que será proibido andar com roupa esgaçada e a
cheirar a esgoto, com lustro de quem não vê a barrela há meses, serão proibidos
os chanatos, chinelas de pé, sapatos rotos e pés descalços, multados os
queixumes de que se tem fome e passará a cobrar-se renda aos sem-abrigo em
função da área ocupada no passeio, entradas de prédios e debaixo das pontes,
com extra se estes usarem caixotes de papel para se abrigarem da chuva. Tal
como já actualmente acontece do outro lado do oceano, quem for dar de comer a
esta gente será detido, condenado a 6 meses de prisão e multa de 3 vezes o seu
salário, dado que se não há pobres, a caridade é um desvio abominável de
recursos. Deixando, por decreto, de existir pobreza, são alcançadas numerosas
vantagens. Deixa de existir isenções de IRS e outros impostos (a menos que se
seja muito rico e se transfiram as fortunas para offshores), pelo que o Estado poderá arrecadar ainda mais capital
para o seu orçamento. Passa a ficar muito bem nas estatísticas s fotografias
internacionais pois mais do que cumpriu os Objectivos do Milénio, não reduzindo a
pobreza para metade mas fazendo-a completamente desaparecer… para debaixo do
tapete. Como deixará de haver pobres não será necessário pagar subsídios de
reinserção nem de desemprego (depreende-se que quem seja desempregado tem mais
do que meios para se safar por si dado que ser pobre será proibido), o que são
só poupanças para o Estado que poderá assim canalizar esses recursos para
objectivos mais meritórios como… pagar a fundações que não funcionam e PPPs que
ninguém sabe porque estão ainda a ser pagas. Naturalmente como haverá sempre
insurgentes que como o salário ou ausência de emprego que possuem hão-de
continuar a teimar que são pobes e que não podem pagar impostos ou têm mesmo de
dormir na rua, esses rebeldes serão encaminhados para o crescente mercado de
escravos, (leilões promovidos em concurso oficial como o das senhas de IRS para
carros de luxo, lucros das vendas a reverterem para os cofres estaduais). Se
demasiado inaptos para a escravatura, serão exportados para fazerem santas
guerras em terra alheia, dado que os religiosos líderes dessa nobre actividade
estão sempre com falta de mão-de-obra. Quando estiverem todos mortos será
garantido que a pobreza… acabou-se. E provavelmente nós também. sexta-feira, 3 de outubro de 2014
Deus Muda Estatutos do Céu
Para evitar mais sarrafusca e porque de outro modo teria de enviar a
Terceira Pessoa da Santíssima Trindade para o Conselho de Administração do
Inferno, coisa que Satã recusou liminarmente sob pena de ocorrer um novo
combate entre anjos celestiais e anjos caídos, está agora o Altíssimo a mudar
os Estatutos do Céu. De acordo com os novos estatutos passam a existir apenas 9
mandamentos e 5 pecados capitais (os desgraçados que em vez de 10 têm de
cumprir 613 mandamentos, podem agora respirar aliviados porque passam a ter só
612). A partir de hoje os pecados capitais da Ganância e da Gula são
despromovidos a pequenos, pequenininhos, quase microscópicos pecados veniais,
isto é, sem importância que se enxergue, e o mandamento “Não roubarás” ou antes
“não cobiçarás a mulher do teu próximo, nem a sua casa, a sua terra, o seu gado
ou os seus escravos” foi riscado da lista dos dez de Moisés e dos sete de Noé
(que passam a ser 6, razão porque agora é mais difícil ver as sete cores do
arco-íris). Deus está também a meditar se deverá riscar das Tábuas da Lei o
mandamento “não matarás” dado que os que fazem a guerra em Seu nome se fartam
de matar e de formas muito criativas, numa espécie de concurso de fazer
empalidecer os júris dos mais arrepiantes festivais de filmes de terror. Estas alterações
aos Estatutos do Céu e aos consequentes mandamentos e regras que os devotos têm
de respeitar se desejarem entrar no Paraíso, têm a sua origem no mais recente
segredo de alcova da família da Terceira Pessoa da Santíssima Trindade. O
segredo prende-se com um negócio que se farta de meter água, pois envolve
submarinos comprados pela República dos Nabos a uma potência estrangeira quando
o Ex.mo sr. Paulo Ibn-Portões mandava nos dinheiros da Defesa do Nabal. Ao que
parece, essa potência estrangeira pagou generosas “luvas” à família da Terceira
Pessoa da Santíssima para que os submarinos – que não navegam – fossem
comprados. Tipo, alguém comprar um bruto BMW topo de gama e deixá-lo à porta de
casa para inveja dos vizinhos, nunca saindo com ele para lado algum pois se não
há massas para o pão, ainda menos há p’rá gasolina. Porque razão uma entidade
tão celestial como o Espírito Santo se viu envolvida num negócio tão terreno e
bélico como Submarinos para o Nabal é
algo que escapa até à todo-poderosa omnisciência de Deus… isto é, até à mudança
dos celestiais estatutos, pois a partir daí torna-se tudo muito claro. A partir
de agora a ganância já não é pecado mas passa a ser uma decente qualidade, mui
apreciada pelas hostes celestiais e assim o comportamento do clã da Terceira
Pessoa da Santíssima Trindade nada tem de criticável ou incompreensível. Esta é
uma excelente notícia para os muito ricos deste mundo, que já não precisam
temer nem os monstros castigadores do Tribunal de Osíris nem o Julgamento
Divino ou o “vai bater a outra porta” de São Pedro, dado que já não precisam passar
pelo buraco da agulha acompanhados do respectivo camelo mas podem entrar pacatamente
no Paraíso acompanhados da sua cáfila de camelos, a frota de Lamgorginis, a
meia dúzia de iates a e a mansão nas Bahamas. O que tornará o Céu um lugar
muito mais interessante pois dexará de se assistir a entediantes argumentações
teológicas baseadas no tópico “no meu tempo era assim” ou a coros de bebés a
chorarem porque ainda não sabem fazer outra coisa. A partir de agora haverá
corridas de bólides e regatas de iates de luxo, festas glamorosas onde vale
tudo, incluindo cobiçar a mulher do próximo, acesos combates financeiros e
épicas conquistas das bolsas de valores, entre outras actividades mais
tranquilas como noitadas nas praias com beldades e barris de boa bebida e ainda
melhor comida ou pacíficas partidas de golfe onde se combinam as próximas OPAs
agressivas à multinacional que gere os negócios do Céu. Infelizmente nem todos
no Paraíso estão a conseguir acompanhar a mudança. O Filho do Altíssimo, O Messias para os amigos, está a
consultar desde há uma semana o best-seller latino “Novo Testamento” para perceber
se no seu tempo pela Terra, Ele operou o milagre da multiplicação dos pães ou o
da redução dos peixes nas margens do Mar de Tiberíades dado que no negócio do
Espírito Santo, de 30 milhões de “luvas” iniciais exportadas da capital das
Bolas de Berlim, apenas restavam 20 na Capital dos Nevoeiros e daí para a
Olissipo deu-se outro milagre subtractivo, que terminou em apenas 5 milhões.
Ora o Messias quer perceber para onde foram esses desaparecidos 25 milhões, e
se houve milagre do Espírito Santo irá intentar uma acção em tribunal por
apropriação indevida dos seus direitos de autor. É que nos novos estatutos do
Céu não há qualquer referência a franchisings
do negócio dos milagres, o qual é, ainda, exclusivo do Filho de Deus e de quem Ele
calha de nomear para algum milagre muito específico. Quanto ao Diabo, esse já
está a fechar a cadeado e sistema de alarme a laser as portas do Inferno,
recusando a entrada a todo e qualquer novo hóspede, não vá a família do
Espírito Santo ser recambiada mesmo para o Inferno, com documentação
certificada pelo punho do Pai de Todos. Satã não quer correr riscos e ver um
destes dias desaparecer sem deixar rasto as suas encomendas de brasas,
utensílios de culinária e contratos de compra-e-venda de almas, pois nem todos
os advogados residentes no Inferno, a trabalharem em consórcio, seriam capazes
de defender os pergaminhos dos diabos desse infausto e santo espírito.quinta-feira, 2 de outubro de 2014
Desconcerto no Banco Bom da Santíssima Trindade:
Anjos Jogam à Porrada
O Céu está à beira duma carga de nervos! Mais uma vez por
causa do banco da Terceira Pessoa da Santíssima Trindade, que em teoria já não
é dela e também já não é um banco mas dois meios bancos, tendo uma das metades
sido entregue à administração do Inferno dado que esta metade corresponde ao
Banco Mau e do qual nunca mais se ouviu falar, calhando porque está a receber
as maldades e desvios, perdão, desvarios do Banco Bom, que ficou sob
administração de condóminos do Céu e por isso mesmo se chama Banco Bom, Novo
para os amigos. E a coisa está tão feia que o patrão dos condóminos angelicais
decidiu criar uma excepção e chamou do Inferno um contingente especial de
advogados – todos os advogados têm lugar cativo no Inferno – para darem conta
do recado, isto é, das inúmeras queixas e acções judiciárias que os anjos e
demais habitantes do Paraíso estão a interpor por causa do Banco antigo, do
Banco Bom e de todas as fundações, sociedades financeiras e correlativas
associadas. E isto se o Senhor quis resolver o assunto com um mínimo de
civilidade pois já se andava ao soco em cima das núvens (se tê estranhado o estado
do tempo, este está assim explicado) e pelo menos os subordinados do anjo Uriel
tinham saído de uma dessas brigas com uns olhos negros, asas torcidas e algo
depenadas e as auréolas de formato mais a dar para o quadrado do que para o
redondo e como Uriel é um anjo de pêlo na venta, só por milagre não pegara fogo
às núvens. Uriel está neste momento a usufruir dumas férias forçadas, mercê dum
processo disciplinar por que o Senhor e patrão do condomínio celestial lhe
rugiu que “Tu não te armas mais em Faetonte ou queres seguir o destino desse
pagão que há muito foi despromovido a mito?”. Uriel não quis pois mais vale
ser-se um anjo no desemprego do que um mito mas a razão do arraial mais recente
nas núvens – e que se traduziu, cá em baixo na Terra, por um pequeno dilúvio na
capital da República dos Nabos – foi o facto de que de repente, sem aviso, o
anjo Teoael bateu com a porta do Banco Bom na cara do anjo supervisor
declarando que não presidia mais “àquela palhaçada”, o que muito ofendeu o
supervisor e pôs todos os anjos a correr para os cofres dos seus novos títulos
financeiros e a vendê-los a todo o vapor, causando uma sobrecarga nos
computadores negociais do Éden, que já não puderam calcular o número de virgens
atribuídas a cada novo mártir que bate agora à porta do Céu, provocando em
consequência uma concentração expontânea e não convocada, logo ilegal, no
caminho para o Paraíso. Neste momento a Bolsa do Céu está um caos e muitos
anjos e habitantes do paraíso começam a pensar se não será melhor apostar no
Inferno e trasladar para lá as economias, porque isto do modo como as coisas
estão… As coscuvilhices do nosso “penetra” nos domínios celestes informam-nos
de que esta abrupta demissão do anjo dos dinheiros e negócios se deveu ao facto
de que o anjo supervisor, por mandato do Altíssimo, é claro, se recusou a
aceitar os planos para a recuperação do Banco Bom e posterior venda, quando o
mercado já pudesse ter ganho alguma confiança naquele poço sem fundo. O que o Eterno
quer é despachar o caso, vender ao primeiro parvo que apareça e pôr uma pedra
sobre o assunto, tão grande que nunca mais qualquer coca-bichinhos possa vir a
descobrir o que raio se passou ao certo com o antigo Banco da Terceira Pessoa
da Santíssima Trindade e para onde é que de facto foi a massa que era suposto
lá estar. Oficialmente, contudo, e apesar dumas estranhas histórias de acções
vendidas que podem ter tido algum inside
trading na hora da venda, o Altíssimo não sabe de nada, continua a afirmar
que o Banco está sólido e assobia para o lado. Os habitantes menores do Paraíso também começam a ouvir assobios,
mas esses vêm dos buracos crescentes nas suas carteiras e investimentos.
sexta-feira, 26 de setembro de 2014
Em Contrapartida Internet Foi Declarada “Portões do
Inferno”, Assim Afirmou Deus
Ou os homens por
Ele. Esta é a notícia que nos chega pelo porta-voz dos céus, sedeado no
Califado das Enxaquecas, território que tem este lindo nome porque os seus
líderes usam sempre grandes ligaduras à volta da cabeça e passam a vida a
clamar “Ay-a-tola! Ay-a-tola!”. Pois o Supremo Líder das Enxaquecas declarou
que a Internet é o “Veículo do Diabo” e as “Portas do Inferno”, já que expõe os
seus utilizadores às mais nefastas de insidiosas tentações, segundo comunicação
recebida por linha telefónica directa e exclusiva do Senhor dos Céus. Assim o
supomos dado que o Supremo Líder não esclareceu de onde lhe veio a
fundamentação pois sendo um homem santo, decerto não usará esse veículo de
pecados e poucas-vergonhas, donde não poderá saber de conhecimento próprio
quais os pecaminosos desvios que se oferecem ao incauto e pouco temente a Deus
que por lá navegue. É interessante esta noção de perigo demoníaco ecolocado
pela Internet que todos os Supremos Líderes descobrem, sejam eles Supremos
Líderes religiosos ou doutrinariamente ateus. Esta convergência de opiniões
entre líderes teologicamente tão opostos faz suspeitar os mais ignaros de que o
problema possa não ser o Diabo e suas tentações mas a pouco saudável e ainda
menos santa ambição de todos os Supremos Líderes em dominar as almas, mentes,
capacidade de escolha e liberdade de pensamento dos seus súbditos. O que, de um
outro ponto de vista, poderá sugerir ao ignorante teológico que estes Supremos
Líderes estão-se então rigorosamente nas tintas para Deus. seja qual for a
verdade estas declarações tiveram profundas repercussões no status quo do Céu e do Inferno. É que
enquanto comia os seus deliciosos ovos escalfados flambée, sorvia o seu cacau
quentinho e via as notícias da manhã no canal TVIA (TV Inferno a Arder) foi
surpreendido pelas declarações do Supremo Líder do Califado das Enxaquecas.
Chamando de imediato o seu chanceler-mor e o comité de registo dos livros de
deve e haver do Inferno ficou a saber que os negócios do Inferno não abrangiam
a Internet no seu todo. A Internet era um mercado livre, onde se contavam
diversos franchisings de pequenos
diabos empreendedores, que os constituíam nas horas vagas e à revelia do
patrão, e que competiam com os sites de anjos igualmente empreendedores,
humanos, gatos, pratos de comida, pés, paisagens de praia, cães e bicharada
vária, assim como – a avaliar pelas declarações dos humanos que por lá sermoavam
– sites do próprio Altíssimo. Após uma análise apurada aos sites da Internet e aos feeds
de notícias, tendo verificado que Deus possui actualmente um vasto leque de
exércitos que em nome D’Ele cometem atrocidades, se dedicam à pirataria, rapto
com exigência de avultados resgates, captura e tráfico de escravos, atentados, guerras,
genocídios vários, imposição do medo, ignorância e outros desvarios, e sendo
que ele, Satã, o máximo que consegue é a adesão de um ou outro psicopata (já
que muitos deles preferem agir por conta própria e sem pactos de sangue a
empecilhá-los nas suas actividades), decidiu enviar um email a Deus, propondo-lhe
a fusão do negócio do Céu com o do Inferno, ou quiçá, uma OPA, dado que as
actividades de ambos os reinos tinham afinal convergido para uma plataforma
comum e era melhor agregarem-se em cartel antes que os humanos começassem a ter
ideias… A proposta referia ainda que pela recente experiência de Deus no
mercado do terrorismo, talvez fosse aconselhado este ir tomar conta do Inferno
e ele, Diabo, do Paraíso, para tornar as duas sucursais da futura empresa mais
produtivas. Deus leu a proposta, discordou da OPA mas concordou com a fusão e neste
momento estão a negociar os detalhes da troca de acções e o pedido de Deus em
instalar um adequado sistema de ar condicionado para Ele e os seus anjos não
sentirem demasiado calor junto das fornalhas e panelões de pez a ferver.quinta-feira, 25 de setembro de 2014
Deus Acrescentou Mais um Negócio à Sua Actividade:
Venda de Escravas
E é, podemos
garantir, um negócio com futuro e muitos lucros para dar, ainda mais agora que
foi santificado pela intervenção dos que combatem em nome do Senhor do Paraíso e tentam alargar por todos os meios –
quanto mais sangrentos, mais santos – o novíssimo Califado das Cabeças
Cortadas, em que as execuções são o espectáculo pedonal mais frequente e que
por este andar se arriscam a limpar o novo país de cidadãos, pelo que terão de
recorrer à mão de obra, ou mais exactamente aos ventres estrangeiros e escrava.
E é aí que entra o novo negócio de Deus: a captura e venda de escravas. De
preferência en masse, que é para
poupar nos transportes e reduzir a contribuição para os gases de efeito de
estufa. E embora surpreenda aos devotos mais distraídos este novo franchising dos investimentos comerciais
divinos, temos de convir que é muito necessário dada a confusão que vai no Banco
da Terceira Pessoa da
Santíssima Trindade, pois mesmo o Banco Bom que dele resultou
é pior que o Banco Mau que Satã teve de aceitar governar à força. Afinal os
anjos ainda não fazem ideia se no fechar das contas não terão de ser eles a
entrar com o pilim para os dois bancos, já que os diabos se rebelaram e
declararam preto no branco que não entravam nem com uma brasinha para o Banco
Mau, ainda menos para o Bom pois o negócio deles é o das patifarias. Com o
Califado a perder população aos magotes todos os dias por mor das execuções em
massa e Deus a precisar de fundos, santificou-se então a prática da
escravatura, que é um a sagrada tarefa de raptar e aprisionar um ser humano e a
partir desse instante o despromover à posição de besta de carga e/ou parideira,
vendendo-o no mercado como uma junta de bois ou uma galinha para a canja,
enquanto o escravo, nesta abençoada reviravolta da sua vida, adquire o único
direito que é o de servir todos os desejos e caprichos do dono e esperar que
ele lhe dê a morte num dia em que estiver mal disposto. Como se vê, tudo muito
santo e bom, tal como Deus manda. E como nesta santa irmandade do exército do
califa Iznogood nem todos são ricos como Midas, os preços das escravas são
tabelados democraticamente em função do poder de compra de cada um, pelo que
uma rapariga jovem, bonita, virgem e com bons atributos de parideira passa a
estar à venda no mercado por apenas 10 dólares, para que os guerreiros mais
pobres do exército do califa não se revoltem e abatam o chefe mas pelo
contrário, se possam manter sempre saciados e livres de todo o pecado, ao mesmo
tempo que põem estas escravas parideiras a produzir muitos meninos para
repovoar o califado e assegurar os contingentes futuros de abastecimento de
combatentes, porque as guerras, se geram mártires que podem ir para o céu
desfrutar de todos os prazeres que na Terra são pecado, têm também o
desagradável inconveniente de matar muitos guerreiros em vez de destruir apenas
civis que não desejam pegar numa arma seja para servir o califa. Por isso, além
do mercado externo, o califa Iznogood reserva desde já uma quota de escravas
para os seus homens de modo a, além de repovoarem o califado, cozinharem para
eles pois que isto de fazer uma guerra e andar a matar indiscriminadamente quem
não concorda com a cor da roupa do califa, é tarefa demasiado absorvente em
tempo e forças para um homem ainda ter de se preocupar com os tachos e sertãs. Antes
de serem vendidas têm as jovens candidatas a bichos de cobrição e bestas de
carga e de cozinha direito a um último telefonema para os pais – tipo último
desejo do condenado – para dizerem que passarão a partir daquele momento a
serem escravas, que nunca mais poderão ver a família e comunicar o preço da sua
venda em hasta pública. Neste momento no Califado das Cabeças Cortadas voltaram
a estar em actividade animadíssimos mercados de escravas, com a mercadoria
disposta à apreciação dos licitadores, tal e qual como nos velhos tempos em que
a escravatura era um negócio legal e respeitável. Considerando que milhares de mulheres
estão neste momento a serem vendidas, seria interessante saber onde é que elas
irão ser entregues, quem as compra, para quê e como. Também é interessante
saber que num mundo que se gaba da sua Declaração Universal dos Direitos
Humanos, que em teoria aboliu a escravatura, que é pelo direito internacional
um crime, ninguém se preocupe em saber o destino destas escravas, quem as vende
e quem as compra e punir pelo menos os compradores. A partir do momento em que
são raptadas, estas mulheres desaparecem no buraco negro da condição animal e
deixam de existir para o mundo. Há afinal coisas mais importantes do que tentar
saber para onde foi levada uma escrava, quem a comprou e o que lhe fez a
seguir. Seria interessante conhecer quais os honrados países, países que nada
têm a ver com o “Eixo do Mal” que estão a receber este influxo constante de
“mercadoria”. Seria interessante conhecer quais os honrados senhores que estão
a comprar, com ou sem testas de ferro, estas “mercadorias”. Quanto a Deus… 4
500 milhões de anos depois de ter andado a brincar aos oleiros para fazer
Terra, Sol, animais, plantas e gente, e sobretudo depois de nos ter aturado
durante os últimos 100 mil anos, não acham natural que possa estar já um
bocadinho senil?

segunda-feira, 22 de setembro de 2014
Continuam as Interferências de Deus no Mundo da
Moda

Assim nos informa o nosso enviado especial no
Califado das Cabeças Cortadas. Talvez por os alfaiates do Paraíso estarem a
sofrer uma concorrência crescente por parte dos criadores de moda da Terra,
cujas produções são muito mais interessantes que os balandraus brancos dos
anjos, as tendas portáteis para mulheres, chamadas burkas, os turbantes e
túnicas escuras da moda masculina, mesmo que devidamente sancionados pelos
éditos divinos. Porque enfim, umas bonitas pernocas ao léu, uns peitos a
refulgir ao sol, uns bíceps musculados a exibir o seu bronze, umas barriguinhas
bem escorreiras a sorrir por entre os tops e as calças de odalisca em tecidos
semi-trasnparentes são muito mais atraentes aos olhares impúdicos… e nós já
sabemos do que é a Humanidade feita. Por isso Deus, por intermédio do Seu
Exército comandado pelo califa Iznogood, que é califa no lugar do califa, e
para acabar com a concorrência, ordenou que a partir de agora não haja mais barbeiros
nem cabeleireiros, que se insistirem praticar a profissão mesmo que às
escondidas, serão decapitados de imediato e as suas lojas e salões de beleza
condenados ao purificador fogo. Deus manda que a partir de agora os homens
passem a envergar grandes e encaracoladas cabeleiras e barbaçanas, sem bigode
ou buço. As mulheres poderão fazer o que quiserem ao cabelo, desde que o
mantenham debaixo duma burka, para não se ver a careca ou a farta cabeleira, a
qual é uma tentação pecaminosa para os machos, que terão de estar completamente
concentrados nas coisas importantes que é matar e esquartejar todos os que não
pensem nem adorem o mesmo deus que o califa que é califa no lugar do califa.
Além disso, Deus é defensor dos bichos pequeninos e os piolhos têm de ter
algumas farfalhudas barbas e grossas cabeleiras, onde possam fazer casa, pois
isto da habitação, quando o pêlo nasce é p’ra todos. Por esta razão o califa,
por ordem divina, mandou fechar todos os cabeleireiros e todas as barbearias, e
os barbeiros de rua, que montam a sua quitanda, abrindo uma cadeira de
piquenique e pendurando um espelho na parede mais próxima, terão agora de ir
pregar, isto é, barbear para outra freguesia que o Exército de deus ainda não
tenha conquistado. Ao mesmo tempo, e porque as tentações da carne também chegam
aos manequins de pau e de gesso, também agora os manequins das montras terão de
passar a usar hijab, mantendo a cabeça, braços, pernas e peitos bem tapados.
Manequim que seja apanhado com a cabeça descoberta será sujeito a 50 chicotadas
por atentado “à moralidade pública” e se porventura o gesso se partir durante a
flagelação, o dono da loja terá de encontrar outro, ou remendá-lo pelos seus
próprios meios pois o governo do califa que é califa no lugar do califa (o
nosso caro Iznogood) não passa recibo nem se responsabiliza pelos danos da
mercadoria.sábado, 20 de setembro de 2014
Deus Também Chegou às Vacas
Bem, não, não estejam a pensar em
variantes bacanais dos novos interesses de Deus. Nem sequer se trata de
interesses na área da pecuária. Trata-se apenas do intemporal negócio de Deus:
a moral. Que como veremos nalguns artigos próximos a serem-nos chegados do califado
das Cabeças Cortadas (se não nos decapitarem o nosso enviado especial antes
dele mandar o material das reportagens para cá). Talvez desapontado com a
crescente confusão dos humanos no que se refere às suas regras, Deus enviou uma
circular ao Seu Exército, isto é, o Exército de Deus do califa Iznogood, do CCC
(Califado das Cabeças Cortadas) para a partir de agora imporem a burka total ao
gado feminino de duas pernas e o véu sagrado às tetas das vacas, ovelhas e
cabras dado que a exposição destes órgãos de alimentação são indecentes, eróticos
e colocam más ideias nas cabeças dos outros animais e até de humanos que calhem
de as contemplar. Isto está a colocar problemas aos cabritos, vitelos e
cordeiros, que agora não conseguem mamar com as tetas das mães cobertas por
véus mas a questão foi saudada com alegria pelos alfaiates e construtores de
estábulos. Os primeiros porque podem exercitar a sua criatividade para além das
tendas ambulantes (as burkas), hijab e nikhab, que são sempre do mesmo modelo,
o mais que mudam – e não muito – são os tecidos, embora tenham de ser todos
obrigatoriamente negros ou quando muito azuis. Agora, além dessas peças de
vestuário feminino poddem dedicar-se a obras de haute couture para vacas cabras
e ovelhas, e como cada úbere tem formato diferente tnto por espécie como por
raça de gado, largo é o pano para tetas… literalmente. Assim, no mercado
público de Mossul foi esta semana feita uma passagem de modelos de véus para
tetas de vacas, com lindos panos de algodão em tons beje e
cor-de-burro-quando-foge, sedas estampadas com versículos do livro sagrado,
brocados para vacas premiadas, com originais padrões geométricos pretos em pano
preto, e o desafio da moda, véus de tetas em chantung vermelho para gado
oriental. Infelizmente alguns bois estavam a assistir e perante o desfilar do
vermelho perderam a tramontana e investiram contra as vacas na paserelle, dando cabo da vernissage e fazendo ali em público
aquelas coisas pecaminosas que só se podem fazer em privado, às escuras, de
olhos fechados e debaixo de 10 cobertores, com a porta do quarto trancada a
sete chaves. O pior é que não foi possível comprovar que o boi em causa era o
legítimo marido das vacas, pelo que foram todas as vacas condenadas à morte por
apedrejamento e capados os bois de cobrição envolvidos no escândalo, o que deu
grande prejuízo aos criadores (os da moda e os dos bichos), levando a que todo
o pessoal emigrasse de imediato para outras paragens onde o seu negócio (o da
moda e pecuária) possa florescer sem tão sangrentas interferências.
terça-feira, 16 de setembro de 2014
Na Ilha do Caruncho Animais e Humanos Têm
Finalmente Direitos Iguais
Da sacrossanta
Ilha do Caruncho, que é mesmo um jardim, até porque esse é o nome do seu rei,
vem a boa notícia (valha-nos ao menos isso!) de que foi alcançado um novo
patamar civilizacional em direcção ao progresso quando foram equiparados os
direitos de admissão entre jornalistas, animais e não-membros de partidos
políticos. Ou pelo menos do partido político do rei da ilha. Diz o novo
regimento que a partir de agora está vedada a entrada nas sedes e delegações do
partido a jornalistas, não membros do partido e animais. Está também proibido
comer, beber e fumar, portanto, pessoal da lancheira, chegada a hora do
almocinho, vá de desbancar todos para o passeio em frente à porta das
instalações e se tiverem sede durante o horário de funcionamento, aguentem-na
porque se isto o vinho pode ser punido com coima, a água por sua vez é cara e
não se pode oferecer de borla aos calões dos trabalhadores. Esta decisão
colocou a ilha em polvorosa, o que não é nada bom para o o caruncho, com a
manifestação popular de diversas correntes de opinião, o que é de todo
inusitado na ilha onde todos pensam da mesma maneira, isto é, tal e qual como o
rei, desde que o mundo é mundo… ou desde que pelo menos o rei Jardim subiu ao
poder. As vacas, galinhas, cães e cagarras vieram para a rua, expressando por
meio de grasnidos, ladradelas, cacarejos, mugidos e bater de cascos a sua
extrema alegria por serem finalmente reconhecidas com os mesmos direitos que os
humanos, mesmo sendo um reconhecimento pela negativa. Alguns
humanos também se manifestaram, expressando a sua ira por jornalistas, e não membros do clube serem igualados aos animais. Mas são ambas
atitudes muito extremistas. Com efeito o novo regimento do partido do rei da
Ilha do Caruncho pretende apenas recuperar a castiça tradição do “reservado o
direito de admissão”, que era um letreiro muito comum à entrada das lojas e
restaurantes no tempo da Ditadura e impedia
a entrada a pessoas sem o que hoje se chamaria “perfil adequado”. Ou dito de
outro modo, pelintras pobremente vestidos, com buracos nas calças, biqueira ou
sola dos sapatos, ou com aspecto de quem tomava banho no balneáreo público, não
podiam entrar na loja ou no restaurante que decorasse a porta com tal letreiro.
Mas infelizmente, apesar de ser adorável regressar às nossas origens e
tradições (porque não, já agora autos-de-fé nos rossios das cidades e
aldeias?), o mundo já não é o que era e esta reserva do direito de admissão
está a causar inadvertivos problemas ao partido do rei. Basicamente porque está
a sentir dificuldades na adesão de novos sócios, porque como os aspirantes
a sócios não podem entrar porque ainda não pertencem ao clube, têm de pedir a
um amigo que já pertença à excelsa confraria para lhes trazer os papelinhos da
inscrição. Ora sabemos como são estas coisas de amigos e claro mas nem todos confiam nestes o bastante para depois lhes pedirem
que vão lá entregar a papelada e a "massa" da jóia de inscrição e das
quotas de sócio. Além disso nem todos os que desejam fazer parte do clube têm
já lá amigos que possam levar e trazer papeladas e "cacau". E há
aqueles que até confiam nos amigos para lhes passarem para as mãos o guito
necessário embora alguns amigos não estejam para
servir de moços de correios entre os candidatos e o partido e o dinheiro... ganhou asas como os pardais. Começamos a pensar
que entrar no Reino dos Céus é capaz de ser menos complicado, apesar de ser
necessário passar pelo buraco da agulha e seu proverbial camelo. Que, por ser
animal, também está proibido de entrar na sede e delegações do partido do rei. No ar fica então a pairar uma dúvida: o que acontecerá às formigas, aranhas e
peixinhos-de-prata se forem apanhados nesses interditos locais? Serão multados?
Enviadas a tribunal por trespasse de propriedade privada? E se forem condenados
a prisão por estes crimes, como impedir que, por exemplo, as formigas se evadam
do presídio?
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