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quinta-feira, 31 de julho de 2014

Estamos Falidos Mas Financeiramente Seremos Sempre uma Robusta Instituição
O Banco da Terceira Pessoa da Santíssima Trindade está falido e tanto a família como todas as holdings do grupo financeiro de tão sacra pessoa pediram já protecção contra os credores. Não aconselhamos a que faça o mesmo lá em casa mesmo que o seu credor seja apenas o padeiro, pois esta actividade é apenas para profissionais. Se você tem os credores ou o homem do fraque à perna, mesmo que seja só por 10 euros, o melhor é desembolsar o guito e caso o não tenha, dar de frosques p’ró estrangeiro com passaporte e nome falso para os cobradores de dívidas difíceis não darem consigo ou a polícia o não vir meter no xilindró. No entanto tenham todos muita calma, não entrem em pânico. Com efeito o censor celestial veio a público dizer que o banco da terceira Pessoa da Sagrada família estava seguríssimo, financeiramente ultra-robusto, apesar de apresentar o maior buraco de que há memória (nada mais do que 3000 milhões de hóstias), e ter tido o maior prejuízo de toda a História do Paraíso – talvez só suplantado pela queda de Constantinopla ou a batalha de Alcácer Quibir – mas que o céu se mantenha em paz e tranquilidade, e sobretudo os depositantes do banco, pois no reino do Altíssimo os milagres são casos do dia-a-dia. Entretanto nos bastidores o censor celestial anda a ver se consegue vender o falido banco ou encaminhar para ele os dinheiros que a Tripeça andou a emprestar ao Paraíso com juros de palmo que têm transformado o dito cujo numa sucursal do Inferno, razão porque as hostes celestiais estão já a ser mobilizadas contra a OPA hostil lançada por Satã, dado os infernos serem a sua especialidade. Contudo as coisas não estão a correr lá muito bem para a Santíssima Trindade, em especial para a Primeira Pessoa, isto é, o Pai. Isto porque os serafins, a hoste superior na hierarquia dos anjos começou a amuar e a fazer perguntas incómodas e equaciona até a entrada em greve às armas e ao uso do fogo celeste se as hostes do Diabo atacarem, se não lhes forem devidamente esclarecidas diversas dúvidas e questões que entregaram em manifesto sindical ao patrão do Céu, isto é, ao Pai, Filho e Espírito Santo (não se admirem de 3 pessoas serem apenas um patrão, mas sucede que até na república dos Hambúrgueres as empresas familiares, como é o caso da dos chefes do Paraíso, foram recentemente consideradas pelo Supremo Tribunal como “pessoa”). De acordo com o nosso diabinho espião, que aproveitou o descontentamento angelical e foi à fala com o serafim-chefe Mikael, obtendo permissão para ler o questionário dos anjos a ser entregue no próximo concílio celeste, as perguntas que estes pretendem pôr ao Pai, Filho e Espírito Santo são as seguintes:

1. Se a Tripeça andou por cá a espiolhar quanto se gastava onde, para onde iam os dinheiros disto e daquilo, quanto se pagava de salários, pensões de reforma e contribuições de saúde aos anjos e santos, quanto se gastava no ensino, ciência, saúde PPPs e cera para engraxar as núvens, tendo concluído que os habitantes do Éden tinham andado todos a vier acima das suas possibilidades, porque razão nunca deu pelo buraco financeiro do banco da Terceira Pessoa da Santíssima Trindade? Não será esse buraco uma ainda mais óbvia “andar a viver acima das possibilidades” da Terceira Pessoa?
2. Assim sendo, e se nunca deu pelo buraco apesar de ter andado a esquadrinhar todos os cantinhos do Céu, qual a competência ou idoneidade dessa Tripeça? E a quem afinal se poderá pedir contas à falta de rigor analítico e contabilístico dessa Tripeça? Ou esta será mais uma para culpar o Diabo que até estava lá em baixo no Reino Inferior a tratar da provisão de lenha para os fogos de Inferno, e nunca se viu metido nem achado em todo este imbróglio?
3. Quem foi que ganhou com tamanha incompetência da Tripeça? Os bancos do Purgatório, que tem estado à beira da falência por mor dos negócios de empréstimos ao céu e operações em shadow banking? É que nós, os anjinhos de certeza não ganhámos nada, excepto experiência a pagar as contas das falências dos outros.
4. Porque foi que a Tripeça afinal não viu que o problema da economia celestial eram não os habitantes locais e os seus salários mas as estranhas contabilidades e balanços financeiros onde nunca apareciam certos movimentos de caixa e de financeirização? Será que o pessoal da tripeça sabe mesmo de economia e análise de activos e passivos?
5. Ou o objectivo do programa de ajustamento da Tripeça nunca foi para salvar a economia celestial mas sim os bancos das Pessoas da Santíssima Trindade, isto é, do patrão, familiares e amigos?
6. E se assim é, queremos saber qual a rede de influências internacionais de tais bancos para todos terem fechado os olhos e assobiarem para o lado. Se não formos esclarecidos fazemos greve de asas caídas e deixamos Satã entrar por aqui dentro e tomar conta desta chafarica pois que para ladrões, provavelmente os do Inferno serão menos gananciosos.

Assinado: o comité dos guerreiros e servidores alados de Deus.

terça-feira, 29 de julho de 2014

Não Acreditem nos Cientistas, Vão Antes à Bruxa
 Da República dos Hambúrgueres chega-nos uma nova intimação para mudarmos de vida, desta vez pela boca da congressista Pelada, que nos diz que não devemos acreditar nos cientistas mesmo que estes andem 30 anos a estudar um assunto antes de formularem uma opinião, dado que o Stephen Hawkings se enganou numa questão quântica. Pelo contrário, a brilhante congressista considera que devemos acreditar antes em bruxas, padres, imãs, pregadores histéricos de shows religiosos televisivos que nem precisam de estudar um assunto para debitar cá para fora as suas opiniões, pois vozes de burro não chegam ao céu mas arrebatam multidões. Especialmente se estas forem burras, perdão, de burras. Além disso, embora também se enganem que se fartam nas suas previsões e visões, ninguém anda a fazer estatísticas, pelo que a credibilidade destes iluminados (que só se enganaram na estrutura do Sistema Solar e na idade da terra por alguns milhares de milhões de anos) nunca é posta em causa. Para ser fiel a este recém-debitado conselho às massas, a congressista Pelada tem já na sua preenchida agenda para a próxima sessão do Congresso a missão de conseguir impugnar e proibir juridicamente um conjunto de práticas, utensílios e técnicas criadas pelos cientistas, dado que estes tipos não são de fiar. O nosso espião no gabinete da congressista Pelada acaba de nos enviar (por pombo-correio, dado ser proibido aos funcionários desse gabinete a utilização de emails, SMS ou qualquer outra tecnologia baseada nos estudos dos cientistas) algumas das propostas de legislação a apresentar ao Congresso:

1º - Proibir o uso e aplicação de vacinas. Têm sido concebidas por cientistas e como se sabe, não se pode acreditar nos cientistas porque eles se enganam. Em alternativa às vacinas, é esperar que a miudagem sobreviva às doenças e os que não sobreviverem, bom, não eram suficientemente fortes e… ups, isto é o Darwin, que foi outro cientista. Não sobreviveram porque foi a vontade de Deus e contra Deus não se discute. O facto do tremendo potencial humano se perder pela morte destas crianças não é problema que se nos afigure importante (desde é claro, que não sejam os filhos e netos da Sra. Pelada).
2º - Proibição do uso de anestesias mesmo que seja só para arrancar ou brocar um dente. As anestesias foram descobertas e testadas por cientistas. A partir de agora as operações serão todas a sangue frio e se você tiver medo por causa das expectáveis dores, sempre pode recorrer a um curandeiro cujos poderes são fundamentados na fé religiosa. Se você morrer após passar pelo curandeiro, a culpa não é dele mas sua pois não demonstrou fé suficiente e Deus só faz milagres aos membros do seu clube que tenham as quotas em dia (entenda-se, o dízimo).
3º - Proibição da prática da medicina e uso de produtos farmacêuticos. Foram criados por cientistas. Se você estiver doente ou precisar de remédios, vá à bruxa.
4º - Autópsias e medicina legal. Proibidas pois são actividades científicas, logo não de confiança, sem contar que constituem um grave pecado em várias religiões monoteístas. Não é importante saber porque um tipo morreu, pois não é importante arranjar cura para as doenças. Ajudar as pessoas a curar-se irá pesar no erário público e no fim de contas todos temos de morrer. Também não é importante descobrir de que forma alguém foi assassinado. Basta recorrer aos velhos métodos do tempo dos celtas ou ainda mais coevos. Pega-se no primeiro tipo que pertença ao estrato social ou grupo étnico que esteja em moda odiar no momento e atira-se de um penhasco abaixo. Se o gajo sobreviver, está inocente e será necessário ir procurar outro candidato. E o gajo morrer, então era culpado mesmo que de facto nunca tivesse nem sequer sonhado em assassinar o morto. Além disso, estes espectáculos-teste-de-inocência serão muito bons para manter o terror, e como tal o controlo, sobre a sociedade, e darão interessante entretém para as massas, pois já diziam os antigos romanos: “Pão e Circo”, para manter a turba quieta e contente.
5º - Ficam desde já proibidos os usos da informação de satélite, e como tal a detecção remota de incêndios, alterações no meio ambiente, prevenção de catástrofes naturais, como tornados e furacões, a meteorologia, o uso de telemóveis, Internet, GPS, etc. Foram tudo coisas inventadas ou descobertas por cientistas e nunca é demais dizê-lo, não se deve confiar nos cientistas porque, por vezes, eles se enganam. Assim, se quiser saber se um furacão ou tornado vem aí, se deve cobrir as couves para as proteger da geada ou se amanhã vai chover, consulte a bruxa ou adivinho do bairro. Quanto ao GPS não vale a pena usá-lo pois é muito mais divertido perguntar as direcções aos nativos que for encontrando pelo caminho mesmo que eles também as desconheçam e o enviem para o cú de Judas numa caça aos gambozinos. Além disso, até chegar ao cú de Judas sempre se pode irritar com a esposa e pregar uma galheta nos catraios que não param de gritar “mas ainda não chegámos?” Se precisar de telefonar ou avisar as equipas de resgate de que ficou soterrado debaixo dos escombros da sua casa, também não precisa de telemóveis, telefones ou Internet (incluindo Facebook, Tweeter, Instagram, YouTube and so forth). Use sinais de fumo como os antigos romanos e índios americanos. Se descobrir que estando soterrado não é possível enviar sinais de fumo, encomende-se ao Eterno e espere por um milagre. Se porventura tiver andado descuidado com os seus deveres religiosos, bom, o melhor é estoicamente resignar-se a morrer debaixo dos escombros.
6º - Também será proibida a utilização de comboios, aviões, automóveis, submarinos e escafandros, dado que também estes resultam das descobertas e experimentações de numerosos cientistas que, como se sabe, não são de confiança. Assim, aquela edificante cena da galheta nos miúdos e briga com a esposa quando for a conduzir a viatura deverá ocorrer em cima duma carroça. Se viver demasiado longe do emprego, também há uma solução: acampe à entrada deste ou, se não o deixarem acampar, construa uma barraca no desvão das traseiras. Economiza na renda de casa, no transporte, nos combustíveis e no feno para as cavalgaduras da carroça. Assim como não contribuirá para a esterqueira em que se transformarão as cidades, dado que em vez de automóveis, autocarros, motas e bicicletas, toda a gente andará a pé ou em carroças puxadas a bois e cavalos e estes não têm problemas quanto à localização das casas de banho. Perante este cheiroso cenário os ratos serão ainda mais numerosos, assim como as pulgas e os casos de peste. E como a medicina e antibióticos estarão proibidos, pelas razões já apontadas, o pessoal poderá morrer aos cachos, promovendo assim a renovação demográfica da cidade (se esta não acabar totalmente vazia pela pestífera mortandade).
7º - Será também proibido o uso de computadores, pelo que as empresas e bancos que precisarem de fazer contas podem recorrer a extensas linhas de funcionários armados de ábacos. Naturalmente a matemática complexa tornar-se-á impossível de utilizar e portanto coisas como construção de prédios de 10 andares, algorítmos de análise de funcionamento de maquinaria, modelos de previsão das reservas de água ou de eventuais afundamentos de terrenos ou danos durante sismos, só para citar alguns casos, deixarão de ser efectuáveis. Também não será necessário: perante uma catástrofe, corram a´s igrejas e rezem. Sobretudo para que não seja um 1755, onde a maior parte dos mortos se verificou precisamente nas igrejas (que desabaram). Se precisar por seu lado de contactar com alguém na outra ponta do mundo, escreva uma carta à moda antiga, preferencialmente em plaquinhas de argila e escrita cuneiforme, dado que o papel também foi inventado por cientistas, no caso chineses, e espere pela resposta ao fim de 10 ou mais meses. Se a comunicação tiver carácter de urgência pode sempre tentar a telepatia. Não garantimos que funcione mas pelo menos você terá uma boa desculpa para os atrasos na correspondência. A ausência de computadores terá ainda a vantagem adicional de não ser assediado pelos seus catraios para comprar a última play station e respectiva panóplia de jogos. Os putos, se quiserem matar o tempo, podem ir lá para fora para a rua, ser atropelados por carroças ou então dedicarem-se a brincar às guerras – já que os jogos de computador não estarão lá para os ensinar – jogando à pedrada uns com os outros. Você, por seu lado, poupará montes de dinheiro, até porque se eles aparecerem em casa com as cabeças partidas não terá de ir ao hospital pois estes estarão proibidos, e poderá antes ir ao padre da freguesia para benzer a fractura.
8º - Fica também interdita a utilização de sabão e bebidas gaseificadas. Porque ambos foram inventados por cientistas que se entretinham a fazer experiências químicas. Assim, para lavar a roupa, use a cinza e a urina como faziam as lavadeiras medievais e as escravas romanas e para beber uma gasosa pegue num copo de água e borbulhe lá para dentro a sua respiração. Será uma porcaria, de acordo, mas pelo menos não é científico.
 9º - Também será punido com prisão e multa o uso e realização de fotografia e vídeo, pois estes são igualmente resultado dos estudos dos cientistas que, como se sabe, devem ser olhados com desconfiança e jamais utilizados. Assim, se você quiser recordar os seus entes queridos ou o último lugar onde passou as suas férias, contrate um escultor para fazer o busto da pessoa ou um painel do seu lugar de ripanço. Poderá ser muito mais complicado enfiar os bustos dos seus miúdos, mãe, gato e cão na carteira, e terá de alugar uma carroça para levar a casa dos amigos os retratos das suas férias mas os museus terão com toda a certeza um muito maior acervo de mamarrachos nos armazéns.
10º - Também não será mais permitida a utilização de ligas metálicas especiais, e deste modo de toda a espécie de produtos com elas fabricados, pois estas ligas foram descobertas por cientistas e muitos desses produtos também. Assim, se cortar uma perna perder um olho ou ficar sem uma mão, e em consequência disso necessitar duma prótese, recorra à intemporal pala no olho, perna de pau e gancho de metal. Provavelmente não será capaz de regressar à sua antiga profissão mas pode sempre mudar de via e tornar-se pirata, que é uma profissão em ascensão e com largo futuro e não apenas nas praças financeiras internacionais.
 
11º - Também estará proibido o uso de aparelhagens sonoras, luzes de discotecas e electricidade em geral, dado que tudo isto foi também inventado e descoberto por cientistas. A interdição das aparelhagens sonoras, em conformidade aliás com certas religiões cujos líderes mais destravados proíbem a audição de música, poderá pôr os nervos da juventude em franja mas em contrapartida, estamos seguros de que será saudada com enormes suspiros de alívio por parte de quase todos os condomínios do mundo. A proibição da geração e utilização de electricidade terá apenas vantagens: a vida dos ladrões ficará consideravelmente mais simplificada e já poderão ter colarinhos de outras cores que não os brancos, os namorados em vez de usarem emails e sms terão de se dirigir às janelas das amadas e dedicar-lhes serenatas, para alegria dos professores de música, cães e gatos, que deixarão de ser os únicos alvos das botas da vizinhança. E também, confessemos, nada mais romântico do que andar de candeia ou coto de vela a passarinhar pela casa, mesmo que os reposteiros, cortinados e roupa de cama peguem fogo com muito mais frequência. Além disso, a dificuldade em ler um livro à luz de velas levará a um aumento da massa crítica de ignorantes, que é mesmo o que o mundo está a precisar.
12º - Como a investigação sobre doenças provocadas por vírus será também proibida ou na pior das hipóteses ignorada, isto também constituirá uma boa notícia para os doentes de ébola. Se estiver com febre e a deitar sangue por todos os poros, não faça uma curta ao hospital, que não vale a pena. Invista antes numa turística viagem de carroça até ao curandeiro mais longínquo e com fama de destruir a doença fazendo sacrifícios aos espíritos, para os apaziguar. Terá uma interessante experiência antropo-cultural que poderá contar aos amigos e vizinhos, caso sobreviva à viagem de regresso (e às práticas do mágico) e ainda consiga abrir a boca. Se por acaso durante a viagem contaminar um monte de gente, a começar pelo próprio curandeiro, tornando deste modo incontrolável a praga letal da febre hemorrágica, ah, bem, acidentes acontecem.
 
13º - Será também proibido nas escolas o ensino da teoria da evolução das espécies, de Darwin, a teoria do Big Bang e da criação do sistema solar, assim como todas as outras matérias científicas pois não devemos poluir a cabeça das criancinhas com o método e pensamento científico, não se vá dar o caso destas começarem a pensar pela sua cabeça e começarem a fazer perguntas incómodas. Em substituição destas matérias será ensinada a teoria do criacionismo tal e qual como vem na Bíblia, e que ensina que o mundo foi criado em 6 dias (retirar-se-á a referência ao descanso do Altíssimo no 7º, não se vá dar o caso de as criancinhas começarem a contemplar ideias sindicalistas), e os animais e o ser humano – Adão – foram feitos a partir do barro, e depois de Adão se ter chateado com as companhias animais que Deus lhe deu, ter perdido uma costela para dela ser criada a mulher. Esta edificante história ensinará aos nossos vindouros que quando adoecermos não será necessário ir ao médico mas simplesmente ao oleiro, dado que viémos todos do barro.

Saudamos a iluminada visão da congressista Pelada que deste modo deverá conduzir-nos à brilhante ignorância da Idade das Trevas, ou talvez mesmo, se a sua cruzada for bem sucedida, à Idade da Pedra (lascada).

domingo, 27 de julho de 2014

Impostos?! Por Favor, Eu Sou Rico, Não Posso Pagar Impostos!
Há um enorme escândalo nos nossos mercados, não pelo preço das sardinhas ou pela frescura da pescada de Moçambique, mas porque alguns terríveis hereges terroristas que andam a exigir que os ricos paguem impostos. Ou mais impostos, no caso dos ricos suficientemente honestos para fugirem aos ditos com apenas 2/3 dos seus dividendos em vez dos 90% dos demais (os verdadeiramente geniais fogem a 100% e ainda conseguem empréstimos a preço de desconto). A fúria é de tal modo grande que os mercados pensam já em fechar, às 6ª e 2ª feiras durante um mês, como forma de luta contra a cobrança dos ditos cujos às grandes empresas multinacionais, que o mesmo é dizer aos seus donos ou aos clientes de hedge funds, CDS’s (vulgo swaps) e outros instrumentos financeiros criados para dar lucros colossais e rebentar com a carteira e a vida do pacato cidadão que é parvo e pindérico o bastante para não se poder abalançar a tais primores negociáticos. No centro desta tempestade está a grande empresa e motor de busca da Rede-de-Pesca, a conhecida Goo-guu-gogle, que tem usado offshores em todo o lado, como é de bom tom numa empresa tão internacional, para se escapar ao pagamento de nem mais nem menos do que 330 milhares de milhões de dólares de lucros, ao que foi possível apurar, fora o resto que deve andar algures pelo shadow banking, que como se sabe é um Reino das Sombras da saga Nicolas Flamel do Michael Scott. Mas como se pode compreender, 330 milhares de milhões de lucros não é lucro bastante vai a Goo-guu-gogle despedir algumas centenas de trabalhadores – perdão, colaboradores, pois colaboram apenas quando à Goo-guu-gogle dá jeito – e investir os lucros não na empresa mas nos offshores e produtos financeiros especulativos mais rentáveis pois é aí que está o ganho imediato, o que não pode ser levado a mal pois sendo a Goo-guu-gogle um motor de busca, é natural que busque o melhor para os seus gestores de topo. Além disso, devem ser os plebeus a pagar pelos serviços básicos de educação, saúde e afins dos quais depois a Goo-guu-gole beneficia apesar de não ter pago os impostos, quando mais não seja porque empregam os tolos que tiveram de estudar para lá trabalhar ou porque quando a sede arder, serão os bombeiros, cujos salários não pagou com os seus impostos (que não foram pagos) que virão de graça e a seco apagar o fogo. Isto já para não falar das estradas, também pagas com os impostos a que fugimos, e que servem para trazer os trabalhadores – perdão, colaboradores – até aos open offices da Goo-guu-gogle, para aí darem o litro e gerarem os lucros deste global motor de busca. E como 300 milhares de milhões de lucros não são naturalmente suficientes, os CEOs da Goo-guu-gogle estão a pensar reescrever a tradição das relações laborais e passar a pagar meio salário aos colaboradores, os quais passarão a trabalhar a meio tempo (se não for necessário, e é sempre, ficar a trabalhar a tempo inteiro por causa de novas actualizações de rede). O racional é simples: para que querem os trabalhadores, uma casa, uma refeição, um autocarro, etc., quando podem muito bem sobreviver com meia casa, meio médico, meio autocarro, meio sapato, meia roupa, meia comida, meia conta da água, meia lâmpada, meio telefone, etc., etc., isto é que é viver dentro das possibilidades!, que é a forma desta gentinha poder viver uma meia vidinha honrada, não sejam ingratos e compreendam o grande serviço social que a Goo-guu-gogle  está a gerar com estas decisões. Infelizmente alguns decisores não compreendem o alcance benemérito de se fugir aos impostos, levando os pobres a pagá-los com maior língua de palmo e deste modo não apenas passarem a valorizar mais o dinheiro como o que os impostos pagam, nem o de despedir empregados quando se tem milhares de milhões de lucros e decidiram colocar a Goo-guu-gogle em tribunal. A Goo-guu-gogle, naturalmente, como defensora da liberdade e da justiça, qual paladina do Graal dos novos tempos, decidiu enfrentar as acusações e além de apresentar em arena a mais cara e reputada troupe de advogados, abriu a sua ronda de testemunhos, citando os seus contributos para as sociedades de shadow banking, para os buscadores de toda e qualquer informação (não classificada) na Rede-de-Pesca.embora os responsáveis pelo sucesso do serviço sejam os servidores da empresa, os tais colaboradores, que esses sim, esses têm de pagar impostos apesar do salário poder ser… atómico, e enfim, se a Goo-guu-gogle for pagar impostos, o que é feito então dos privilégios dos demasiado grandes para falir, hem? O que é feito dos privilégios dos 1%, ou melhor dos 0,1%? Por favor, nós somos ricos, como querem que paguemos impostos?! O juiz concordou, absolveu a Goo-guu-gogle e intimou os estados queixinhas a deixarem os muito grandes para falir em paz e obrigarem antes os pelintras a pagar mais impostos se precisam de equilibrar o orçamento, pois os pelintras aguentam, aguentam… e se não aguentam vão viver para a lixeira, que não lhes faz mal nenhum, ora essa!

sábado, 26 de julho de 2014

Diabo Compra Holding Noticiosa. Treme Murdock!
Porque finalmente chegou à cena noticiosa e dos meios de comunicação de massas alguém mais diabólico que tu: o próprio Príncipe das Mentiras. Pelo menos é do que acabamos de ser informados através dos tribunais da República (Às Vezes) dos Papiros, que julgou em tempo record 3 jornalistas duma cadeia televisiva e noticiosa estrangeira, a Al Jazemosaqui, que é holding dos Irmãos Catantes-alislamias. Com efeito, o acusador público não só apresentou como provas concludentes, vídeos de barbecues em família dos jornalistas em questão, em que se viam estes a cometer o pecado de comer carnes de aves e a fotografar cavalos, como asseverou perante o colégio de juízes que possuía mais provas esmagadoramente incriminatórias, em vídeo, mas que não as podia apresentar por falta de material apropriado de transmissão, dado que estavam gravadas no sistema Blue-Ray dos antigos faraós do Império Antigo, que governaram o país vai aí já para uns 5 000 anos e portanto havia incompatibilidade de sistemas operativos e o fornecedor tinha fechado por falência e estórias estranhas de branqueamento de capitais, sem contar com ainda mais bizarros rituais mágicos para alcançar a imortalidade e se manter no ramo durante pelo menos 10 000 anos, os quais tinham corrido muito, mesmo muito mal. Porém a mais demolidora prova contra os jornalistas foi a declarada pelo juiz, que afirmou estarem estes 3 coscuvilheiros profissionais ao serviço de Sátão, e que a agência noticiosa para que trabalhavam era uma entidade do Príncipe das trevas, e que os 3 em questão estavam a fazer trabalhos demoníacos e tinham um pacto de serviços para o patrão, isto é, o próprio Satã. A declaração foi uma tremenda surpresa para a comunidade internacional dos media, que sabe perfeitamente que de acordo, a ética há muito que saiu de cena, tendo sido morta em palco, e que quanto mais macabras e escandalosas fossem as notícias mais se vendiam e é isso que interessa, razão pela qual por vezes se engordam um bocadinho os factos e as opiniões sobre os mesmos ou se enviesam um bocadinho as reportagens, ou se puxam estas ao sentimentalismo mais voyeurista dos telespectadores ou leitores, mas… o Diabo interessado nos impérios da comunicação social?! As últimas informações indicavam que os interesses deste se fixavam no império das almas, pecados, blasfémias e sombrias engenharias financeiras, pois para pagar a lenha para os infernais domínios é preciso o el contado que o tempo de fiarem na lenha acabou aí pelos idos da Inquisição espanhola. No entanto é verdade que o Diabo comprou mesmo várias cadeias televisivas e duas agências internacionais de notícias, incluindo a Al Jazemosaqui, e pelo menos uma centena de jornais tablóides, assim como a revista Maria, tendo já mudado os critérios redactoriais desta no que toca ao consultório sexual, passando a dar aos leitores explicitas e ilustradas lições em formato científico para explicar como se fazem os meninos e não ocorrerem mais dúvidas sobre se se pode ficar grávida se se lavar as mãos na mesma água em que o rapaz as lavou. Estas aquisições poderão explicar a decrescente qualidade dos programas televisivos e das coberturas noticiosas a nível mundial. Pela nossa parte, esperamos ansiosamente que cheguem os programas de divulgação: Como Alcançar o Êxtase Sem Pagar o Imposto ao Fim de 9 Meses, Como Fintar o Fisco e a Contribuição para o Dízimo, Blasfémias com Imaginação, Meus Filhos a Abstinência É Uma Seca, Formas Infalíveis de Boicotar os Deveres Religiosos em Qualquer Religião, A Música É uma Blasfémia Sagrada, o Prazer e a Alegria É do Melhor Que Há e sobretudo o famoso Vamos Lá a Desbundar Minha Gente. Prevemos recordes de audiências, pelo que aconselhamos os leitores a comprarem já ecrãs HD gigantes e óculos de visão 3D e a assegurarem com os vossos serviços de TVCabo a assinatura do canal: Aqui, a Partir do Calor do Inferno (ou APCI), a emitir na banda 999. Quem sabe se o mundo, por puro acaso, não se torna um bocadinho menos cruel do que o que agora temos e que tão intensamente tem sido gerido pelos actuais líderes religiosos?
 



 


domingo, 20 de julho de 2014

Novo Método de Fazer Pagar Mais Impostos Sem Ser Pagar Mais Impostos
Na sequência de notícias anteriores, a República Democrática dos Nabos, porque tem de obedecer ao directório da Cidade-do-Tacho/Couve-de-Bruxelas (dependendo se se fala em valão ou flamengo), porque senão leva com a moca na peúga, viu-se na obrigação de enfiar as duas pernas ao pescoço e levitar para não bater com o dito cujo no chão, o que como se sabe é tarefa impossível. Mas como se não realizasse o impossível, levava com a dita moca, os nabos governantes, depois de muito puxarem pelas cabeças, arranjaram uma maneira de aumentar os impostos sem aumentar os impostos ou até, quiçá, aumentá-los (como manda a União) e diminuí-los ao mesmo tempo (como também manda a mesma União). E a solução, como todas as soluções para situações impossíveis é tão simples que só passaria mesmo pela cabeça dum nabo: como a maioria do pessoal adora modernices, para poder dizer ao vizinho que também é muito modernaço, quase todo o pessoal aderiu à declaração dos impostos, vulgo IRS, pela Rede-de-Pesca. Além disso, esta forma de declaração de IRS é mais ecológica pois poupa-se no papel e nas florestas (se a electricidade não vier de central a biocombustível, se este for madeira directamente vinda da floresta). O único problema para os contribuintes é que também aqui há limite de prazos para entrega da dita cuja declaração. E o que acontece quando a Rede está em baixo, porque fechou p’ra obras? Espera-se que volte a funcionar para enviar a declaraçãozinha. E se a Rede ficasse sempre em baixo até depois dos prazos de entrega? O que acontece a quem entrega a declaração depois do prazo? Multa… então, porque não encontrar um hacker que conseguisse manter o portal aleatoriamente funcional, de modo a fazer com que a maioria dos contribuintes não conseguisse acertar com as horas de funcionamento? Multas… e todos sabemos como os extras de caixa são tão necessários para manter o orçamento em dia. E um hacker, porque trabalha no território nebuloso das margens da lei pode ser “agradavelmente” persuadido a fazer uns favores ao Fisco. Mas convinha não ser um hacker muito esperto ou ainda se acabava numa avalanche Snowden. Ora quais são os hackers profissionais que, embora com número de contribuinte desde nascença, ainda não precisam de declaração de IRS e além disso estão sob supervisão financeira e legal de outros? Fez-se assim um rápido inquérito entre os funcionários do Fisco do Nabal para descobrir qual dos promissores rebentos destes súbditos poderia incumbir-se da tarefa. Descobriram-se inúmeros candidatos, todos de excelente talento e qualificações. Perante tão opípara oferta, os nabos governantes decidiram realizar um sorteio como o que todas as semanas oferece automóveis de luxo a eventuais pelintras que nem têm com que pagar as contas no mecânico mas um carrão daqueles faz um g’anda sainete estacionado à porta de casa, para inveja da vizinhança, e escolhido o candidato – devidamente agraciado com uma viagem à Disneyândia, a ser de facto paga pelos pais depois dos acertos de IRS – pôs-se o puto a trabalhar (não foi trabalho infantil dado que oficialmente se tratou de Ocupação dos Tempos Livres em projecto social). O puto fez o trabalho apenas numa noite, no dia seguinte o bug entrou no portal e a coisa funcionou às mil maravilhas. Os declarantes foram, em grande número, incapazes de entregar as declarações e quando tentaram fazê-lo pelas Lojas do Cidadão descobriram que estas tinham fechado quase todas, pelo que as ainda em funcionamento ostentavam bichas como as dos dias do racionamento e era preciso perder um dia de trabalho (o que em muitos caso implicava perder o próprio trabalho) para conseguir chegar ao guichet e entregar as folhinhas do IRS. Resultado: um monte de declarantes vai agora ter de pagar multa. Resultado: oficialmente, os impostos baixaram, pelo menos de acordo com as tabelas de dedução, mas as pessoas passaram a pagar mais pois têm as coimas por causa dos atrasos de entrega das declarações. Estão a ver, sábios da União, como é fácil baixar impostos e ao mesmo tempo aumentá-los? Talvez esteja na altura de mandar para aí alguns nabos para vos ajudar a resolver as outras missões impossíveis da União, como por exemplo, ressuscitar a economia e manter em simultâneo uma austeridade draconiana.

 

sábado, 19 de julho de 2014

A Terceira Pessoa da Santíssima Trindade Vai Realizar o Sonho da Sua Vida
Pois é verdade, a terceira pessoa da Santíssima Trindade, o Espírito Santo, vai alcançar o sonho de há várias gerações: brincar aos pobrezinhos. Desta vez a sério, de verdade, verdadinha. Bom, e daí… talvez não. Lembram-se certamente da Quicas Espírito-Santo, filha dilecta da Santíssima Trindade, ter declarado às revistas da especialidade (vidas privilegiadas, festas e escândalos) há pouco mais de 1 ano que adorava ir passar os fins de semana à propriedade e empreendimento turístico da família nas Comportas do Castelo, pois era como se “fosse brincar aos pobrezinhos”, tão fresca, alegre, terra-à-terra, trovante e heróis do mar eram esses dias no meio da simplicidade campestre e daquilo que (na imaginação dos ricos e poderosos) é a idílica vida dos pobrezinhos, que é claro também bebem Moet et Chandon, devoram caviar iraniano e as mais exóticas carnes e peixes e têm a ser entregues por estafeta especial às portas das suas castiças barracas, os últimos modelos de Paris e Londres e vão é claro às badaladas recepções da moda, sem contar com os bonitos pópós topo de gama, comparando a beleza destes com os dos vizinhos entre duas bjecas na esplanada da taberna de bairro S’És do Benfica Paga, Hojá Caracoletas. Então temos a grata função de anunciar que o sonho de Quicas Espírito-Santo poderá, talvez cumprir-se de forma muito real e já não  no idílico cenário das Comportas do Castelo. Sucede que, em consequência de desaguisados e brigas internas pelo controlo do assento à esquerda do Pai (já que o lugar à direita está ocupado pelo Filho), se veio a descobrir uma gigantesca falta de fundos no banco, holdings, empresas, grupos, offshores, e bancos sedeados no estrangeiro que funcionavam mais ou menos como uma matrioska de vinte níveis, isto é, uma boneca que na verdade são vinte bonecas todas embutidas umas nas outras, embora só pareça uma. O pequeno problema é que o banco do céu de todos os regimes, porque o paraíso, ao invés dos seus defensores humanos, não é sectário, ao fazer as transferências de divisas celestiais entre as diferentes matrioskas, porque entre estas existem vazios para que os respectivos encaixes se possam realizar, foi perdendo um continuado produto de óbulos, bulas e outras celestiais divisas, acabando estas perdidas em offshores de localização incerta e ainda mais incertos donos, naquilo a que se deveria chamar um proveitoso e prolífico milagre económico. Infelizmente os anjos da ordem dos serafins afinaram com as jogadas das bonecas do Espírito Santo e decidiram iniciar uma guerra pelo controle do banco enquanto o Pai e supervisor bancário serenava os restantes habitantes do Paraíso, assegurando que estava tudo em ordem, era apenas uma pequena briga familiar, o banco celestial estava mais do que sólido e seguro. Infelizmente, para desgraça dos habitantes do paraíso, o pai, apesar de omnisciente, estava errado e veio agora a descobrir-se, por intermédio do arcanjo Gabriel o mensageiro, que as contas do celestial banco andavam a ser embelezadas de modo a tapar os buracos financeiros e que os empréstimos que circulavam entre bancos, holdings, empresas, grupos e offshores eram uma forma da família da Terceira Pessoa da Santíssima Trindade emprestar a si mesma, dando como garantia do empréstimo os dividendos do negócio para que pedia o empréstimo e que eram de tão grande solidez financeira quanto um jogo de roleta num casino. Com entre estas estruturas todas havia os tais espaços vazios das matrioskas, uma significativa parte do dinheiro foi desaparecendo, daí os buracos que o arcanjo Gabriel veio mostrar na praça pública. O Pai não conseguiu acreditar que tivessem andado a fazer tais negociatas nas Suas Divinas costas, ficou furioso que tivessem dado cabo da Sua palavra e declarou que agora o que viesse à rede era peixe, não como os do milagre no Mar da Galileia pois não esperava que tais peixes se multiplicassem (mas manteve as mãos cruzadas me figas atrás das costas por via das dúvidas) e portanto o que aparecesse de dinheiro vivo ou apenas virtual era para ser penhorado para poder pagar aos clientes que havia financiado o falido banco, ordem para ser cumprida a partir de já e porque não era possível fazê-lo a partir de ontem. Ficou o povo paradisíaco tranquilo pois assim sendo as suas poupanças de boas acções não iriam desaparecer num buraco negro. Donde todos se prepararam para ver a família da Terceira Pessoa da Santíssima trindade cumprir o sonho da sua vida e ir brincar definitivamente aos pobrezinhos e com carácter de realidade na sua bonita casa das Comportas do Castelo. Mas os nossos abelhudos anjos caídos, que têm o defeito de passar a vida a escutar às portas e travessas, informaram já o nosso jornal de que infelizmente a Quicas Espírito-Santo irá ter uma triste surpresa: é que não irá poder brincar a sério aos pobrezinhos pois que a sua família era uma das financiadoras do banco, irá receber o dinheiro que nele investiu, além de ver perdoados todos os empréstimos contraídos no celestial banco que geria. Como bónus poderá também usar o dinheiro que foi caindo pelos buracos das matrioskas para as contas bancárias secretas em offshores e que oficialmente ninguém sabe quem são os titulares nem quanto dinheiro nelas está a repousar. Os outros habitantes do Paraíso, que são apenas simples e meros depositantes, não sendo portanto investidores e financiadores do banco, apesar de porem lá o seu dinheirinho, podem ficar descansados que para eles haverá a parte de leão do resgate: pagar as colossais dívidas e buracos financeiros do banco falido. Nas praças financeiras do Purgatório e Inferno vai ao rubro a revolta pelas perdas devidas à contaminação sistémica das bolsas por mor dos buracos do banco do Espírito Santo Ámen e os diabos já começaram a preparar os processos, pois advogados é o que mais há pelos infernos, a exigir a indemnização pelos prejuízos. O Paraíso, para manter a paz entre os três reinos espirituais, já se comprometeu a pagar todos os danos e prejuízos, sendo os habitantes do Paraíso chamados a pagar dos seus esmifrados bolsos os prejuízos que os investidores venham a declarar, mesmo aqueles que nunca ocorreram. Não será a família da Terceira Pessoa da Santíssima Trindade a brincar aos pobrezinhos mas os ingénuos cidadãos do Éden. É pena é que estas coisas só se descubram quando estala a guerra entre amigos e familiares que gerem os bancos, o que nos leva a perguntar: o que é que mais há por aí roído das traças?

sexta-feira, 18 de julho de 2014

SomosTodos Falsos Pobres, Incluindo a Terceira Pessoa da Santíssima Trindade: o Espírito Santo
Este texto não é da nossa redacção mas de um atento leitor às manicomices do mundo. Eis então a carta do nosso caro:
de: Carlos Paz
para: João César das Neves
Carta Aberta a um MENTECAPTO (João César das Neves)
Meu Caro João,
Ouvi-te brevemente nos noticiários da TSF no fim-de-semana e não acreditei no que estava a ouvir.
Confesso que pensei que fossem “excertos”, fora de contexto, de alguém a tentar destruir o (pouco) prestígio de Economista (que ainda te resta).
Mas depois tive a enorme surpresa: fui ler, no Diário de Notícias a tua entrevista (ou deverei dizer: o arrazoado de DISPARATES que resolveste vomitar para os microfones de quem teve a suprema paciência de te ouvir). E, afinal, disseste mesmo aquilo que disseste, CONVICTO e em contexto.
Tu não fazes a menor ideia do que é a vida fora da redoma protegida em que vives:
- Não sabes o que é ser pobre;
- Não sabes o que é ter fome;
- Não sabes o que é ter a certeza de não ter um futuro.

Pior que isso, João, não sabes, NEM QUERES SABER!
Limitas-te a vomitar ódio sobre TODOS aqueles que não pertencem ao teu meio. Sobes aquele teu tom de voz nasalado (aqui para nós que ninguém nos ouve: um bocado amaricado) para despejares a tua IGNORÂNCIA arvorada em ciência.
Que de Economia NADA sabes, isso já tinha sido provado ao longo dos MUITOS anos em que foste assessor do teu amigo Aníbal e o ajudaste a tomar as BRILHANTES decisões de DESTRUÍR o Aparelho Produtivo Nacional (Indústria, Agricultura e Pescas).
És tu (com ele) um dos PRINCIPAIS RESPONSÁVEIS de sermos um País SEM FUTURO.
De Economia NADA sabes e, pelos vistos, da VIDA REAL, sabes ainda MENOS!
João, disseste coisas absolutamente INCRÍVEIS, como por exemplo: “A MAIOR PARTE dos Pensionistas estão a fingir que são Pobres!”
Estarás tu bom da cabeça, João?
Mais de 85% das Pensões pagas em Portugal são INFERIORES a 500 Euros por mês (bem sei que algumas delas são cumulativas – pessoas que recebem mais que uma “pensão” - , mas também sei que, mesmo assim, 65% dos Pensionistas recebe MENOS de 500 Euros por mês).
Pior, João, TU TAMBÉM sabes. E, mesmo assim, tens a LATA de dizer que a MAIORIA está a FINGIR que é Pobre?
Estarás tu bom da cabeça, João?
João, disseste mais coisas absolutamente INCRÍVEIS, como por exemplo: “Subir o salário mínimo é ESTRAGAR a vida aos Pobres!”
Estarás tu bom da cabeça, João?
Na tua opinião, “obrigar os empregadores a pagar um salário maior” (as palavras são exactamente as tuas) estraga a vida aos desempregados não qualificados. O teu raciocínio: se o empregador tiver de pagar 500 euros por mês em vez de 485, prefere contratar um Licenciado (quiçá um Mestre ou um Doutor) do que um iletrado. Isto é um ABSURDO tão grande que nem é possível comentar!
Estarás tu bom da cabeça, João?
João, disseste outras coisas absolutamente INCRÍVEIS, como por exemplo: “Ainda não se pediram sacrifícios aos Portugueses!”
Estarás tu bom da cabeça, João?
Ainda não se pediram sacrifícios?!?
Em que País vives tu, João?
Um milhão de desempregados;
Mais de 10 mil a partirem TODOS os meses para o Estrangeiro;
Empresas a falirem TODOS os dias;
Casas entregues aos Bancos TODOS os dias;
Famílias a racionarem a comida, os cuidados de saúde, as despesas escolares e, mesmo assim, a ACUMULAREM dívidas a TODA a espécie de Fornecedores.

Em que País vives tu, João?
Estarás tu bom da cabeça, João?
Mas, João, a meio da famosa entrevista, deixaste cair a máscara: “Vamos ter de REDUZIR Salários!”
Pronto! Assim dá para perceber. Foi só para isso que lá foste despejar os DISPARATES todos que despejaste.
Tinhas de TRANSMITIR O RECADO daqueles que TE PAGAM: “há que reduzir os salários!”.
Afinal estás bom da cabeça, João.
Disseste TUDO aquilo perfeitamente pensado. Cumpriste aquilo para que te pagam os teus amigos da Opus Dei (a que pertences), dos Bancos (que assessoras), das Grandes Corporações (que te pagam Consultorias).
Foste lá para transmitir o recado: “há que reduzir salários!”.
Assim já se percebe a figura de mentecapto a que te prestaste.
E, assim, já mereces uma resposta:
- Vai à MERDA, João!
Carlos Paz

quinta-feira, 17 de julho de 2014

União das Hortaliças Proclama Guerra aos Impostos Sobre o Trabalho
Mais notícias da central dos malucos, perdão, da União das Hortaliças. Desta vez os malucos reuniram e tendo mais uma vez cantado em coro o mantra “A Economia da União Está a Recuperar, Ouuuum!” e verificado – desta vez deram-se à louca fantasia de verificarem – que a economia não recuperava mas teimava permanecer zombie, decidiram que estava na altura de mudar de mantra, mas não de postura de yoga nem de gurú. Assim, após muito puxarem pela cabeça, pelas orelhas, pelas barbas e pelos narizes, decidiram que o novo mantra seria “não há perigo de deflacção, está tudo na maior”, pois um toque mais popular talvez fosse o ingrediente necessário para fazer funcionar o feitiço. Até ao momento espera-se que o feitiço funcione mas provavelmente será um daqueles que só dão efeito 7 gerações mais tarde. O que de todo não é o mais aconselhável quando se tem de ir a votos de 4 em 4 anos e convencer os preguiçosos dos eleitores a votarem, preferencialmente em nós, isto é, nos malucos que dirigem a União. Foi assim necessário mudar as posturas de ioga e criar um novo mantra, para ver se os resultados chegam a tempo das próximas eleições. E o mantra agora é “baixar os impostos do trabalho”, ideia que todos os assistentes e noviços aplaudiram, pela originalidade. O problema contudo é que para a magia dar efeito é necessário realizar um conjunto de posturas de ioga absolutamente impossíveis, a saber: 1º - esticar o braço esquerdo e baixar os impostos sobre o trabalho, 2º - esticar o braço direito e aumentar os impostos sobre o trabalho, 3º - enrolar a perna direita ao pescoço e reduzir ainda mais o orçamento de estado para mais dinheiro dos impostos ir para os pagamentos dos lucros dos mercados e dos credores, vulgo juros de dívida, 4º - enrolar a perna esquerda ao pescoço e baixar os impostos sobre fortunas e capitais, 5º - com as duas pernas ao pescoço fazer o favor de não cair no chão e levitar de braços esticados pois não queremos perturbações nos mercados de capital e as quedas provocam sempre muito barulho, 6º - caso não tenha conseguido levitar mas batido no chão com aquela coisa ao fundo das costas, aumentar os impostos, declarando que não aumentou os impostos porque  o orçamento tem de manter o défice (e os contribuintes) em ponto morto e a fatia para pagamento dos juros tem de aumentar porque, mesmo sem pedir mais dinheiro, os juros – dado que são compostos – aumentam e nem é preciso falir mais nenhum banco. Se não compreendeu a utilidade deste exercício nem as novas directivas fiscais da União, não se preocupe, quem criou a directiva também não, o discurso para baixar impostos sobre o trabalho foi apenas para alindar o retrato. Quanto aos parvos que apenas conseguem arranjar pilim se trabalharem, ah, bem, não se preocupem, continuarão a pagar impostos com língua de palmo, pois assim manda a União, mesmo que oficialmente não mande, antes pelo contrário e sejam bem-vindos a este maravilhoso mundo novo da impossibilidade. Ou da hipocrisia pura e dura.
 

terça-feira, 15 de julho de 2014

Tratados?! Quais Tratados?
Um novo nicho de mercado acaba de nascer na União das Hortaliças, o qual explora os potenciais ilimitados do stock de tratados internacionais como papel higiénico de luxo. Não porque o papel seja de duração ilimitada mas porque a incontável papelada dos tratados da União dá para ser transformada em rolinhos do simpático papel (quando não se esfarela nas mãos nem o cachorro lá de casa decide brincar aos anúncios) até ao Dia de São Nunca à meia-noite. A ideia nasceu de uma dessas inspirações da m… que ocorrem quando estando sentados a fazer certas coisas de grande importância naquela divisãozinha que os nossos avós chamavam a “privada”. Milkas Rebentika, cidadão da Democracia da Moussaka a quem as políticas de resolução da crise da União rebentaram com a sua subsistência e quase também com a capacidade de continuar a ir à sala de meditação tripal, ao pensar nas recentes declarações dos maiores políticos do Norte, e em especial os da República Federal das Batatas que se reúnem na capital das Bolas de Berlim para decidir o futuro de todo o continente, deu por si a olhar em paralelo e infinito para o rolo de papel higiénico que tinha pendurado no gancho da parede (o suporte de louça já fora vendido no “prego”). Tendo recordado que nos tratados e leis fundamentais da União estava estabelecido o princípio da igualdade de todos os cidadãos da União mas que na realidade quando tocava a partilhar deveres e direitos, havia uns que eram mais iguais do que outros, que tendo o direito pelo Tratado de Livre Circulação a poder trabalhar em qualquer país da União sem entraves ou barreiras, na verdade havia vários países que ou impediam a entrada aos nativos de outros estados da União, considerados inferiores, ou que simplesmente expulsavam os emigrantes desses estados se porventura estes perdessem os empregos e não arranjassem ouros no espaço de 3 meses (e com a crise, está-se mesmo a ver o filme…), tendo verificado que a noção de solidariedade institucional e entre países só funcionava quando se tratava de salvar as finanças e bancos do norte, esfolando-se depois todos os nativos do sul, que passavam além disso a serem apontados como os reais culpados do problema, sendo que em vez dos princípios de respeito pela identidade dos povos e igualdade de direitos dos mesmos se estava a assistir a sucessivas expulsões, destruições de casas e haveres e deportações de grupos sociais e étnicos minoritários, em arrepio dos tratados e cartas de princípios que tal proibiam sem que ninguém levantasse um dedo contra a violação dos mesmos, verificando enfim que nesta União alguns tinham de ver os salários reduzidos a níveis microscópicos e aumentado o tempo de trabalho até à idade de poderem descansar as botas enquanto noutros havia aumentos de salários, redução de cargas fiscais e redução dos anos de serviço, concluiu que a noção de solidariedade entre as nações, igualdade de direitos entre os povos, liberdade para todos de circularem à vontade dentro da União, a defesa e respeito enfim pelos direitos mais básicos de qualquer cidadão da União há muito que era letra morta, e apenas vigoravam a gora o Tratado da Austeridade, o Tratado de Defesa das Fortunas Demasiado Grandes Para Falir (mesmo se falissem estados inteiros à conta disso) e o Tratado da Contenção Orçamental, Milkas Rebentika concluiu que tinha em mãos não a porcaria duma hora mas o negócio, a oportunidade duma vida! Como não tinha dinheiro para pagar a ligação à Internet pois ia-se-lhe todo nos impostos para pagar o resgate do país, fez uma ligação manhosa a partir duns fios descarnados na rua e enviou um mail o Conselho da Comissão da União das Hortaliças a pedir se por favor lhe poderiam enviar todos os tratados que tinham sido assinados e rectificados, incluindo convenções e tratados internacionais, desde que a União fora fundada, pois precisava desse material apra iniciar uma start-up que revolucionaria o mercado da reciclagem na União e sem precisar de fundos do Horizon 2020. Prometia também uma comissão de 10% aos Comissários, caso estes lhe enviassem os tratados todos sem fazerem perguntas nem indagarem do teor, funcionamento ou legalidade da start-up em questão. Naturalmente, pretendia apenas aqueles tratados que a Comissão considerasse que já não tinham qualquer utilidade ou que porventura tivessem ficado esquecidos nalguma gaveta perdida. Para enorme pasmado espanto feliz de Milkas Rebentika, ao fim de um mês de silêncio uma frota de camiões TIR sem condutor estacionou à porta da sua barraca, atulhados de dossiers e tratados da União, sobretudo na área dos direitos civis, laborais, estado social, equidade social e responsabilidade empresarial. Milkas Rebentika esfregou as mãos, todo contente e atirou-se de imediato ao trabalho. Actualmente as casas de banho da Comissão e do Parlamento da União das Hortaliças estão a ser abastecidas pela fábrica artesanal de Milka Rebentika com papel higiénico reciclado. E o negócio vai tão de vento em popa que Milkas já escreveu para a Organização das Nações Desunidas e para uma série de países fora da União, para lhes fornecer os tratados, convénios, moratórias, acordos de paz e outros que tenham sido de alguma forma ignorados, esquecidos ou caducado por manifesto desinteresse das partes. Na sua mais recente entrevista um sorridente Milkas Rebentika, agora gordinho e com um havano ao canto da boca, garantiu-nos que tem já material para a sua fábrica laborar durante os próximos 500 anos.

segunda-feira, 14 de julho de 2014

Eu Não Sou Despesista, Só Comprei 5 Lamborguinis! (com o dinheiro dos outros)
Onde é que isso é despesa? interroga, muito justamente zangado, o rei da Ilha das Bananas aos meios de comunicação social, os quais tiveram dificuldades em publicitar o facto por se estarem a rir a bandeiras despregadas, como aliás acontece sempre que o Sr. Jardineiro, rei da Ilha das Bananas, faz qualquer intervenção pública. Pois Sua Alteza real, o sr. Jardineiro decidiu provar às irritantes colónias continentais que não era despesista, para calar de uma vez por todas as más-línguas que queriam metê-lo em tribunal (imagine-se!) por gestão danosa do erário público. As colónias continentais, sendo dominadas por um bando de horríveis trotskistas ignorantes, precisavam de uma boa lição de História e de Economia, pensou Sua Alteza. E deste modo ordenou ao escrivão da corte que calculasse ou arranjasse quem calculasse por ele, tudo o que a Ilha das Bananas havia dado às colónias continentais desde o tempo em que as bananas lá foram plantadas, provando assim que se agora pedia às colónias mundos e fundos, não estava a pedir mais do que o seu de volta, dado que ao longo destes séculos as Bananas haviam enchido os cofres dos continentais e ainda está longe de equilibrar as contas. O relato remonta até aos tempos em que o seu antepassado Jardim d’Ervas combatera nas cruzadas com um cavalo partilhado a meias com o amigo pois a ordem monástica a que pertencia era muito frugal nestas coisas de sinais exteriores de riqueza. O escândalo rebentou contudo não por causa do avô que partilhava selas e talvez outras coisas com camaradas templários, nem com o estudo em si (ninguém se deu ao trabalho de ler as 2794 páginas em letra Garamond formato 8) mas com a factura do consultor, somada com a comissão de acompanhamento do escrivão da corte, e onde constava, entre outros itens sugestivos, o da compra de 5 Lamborguinis novinhos em folha e topo dos topos dos topos de gama. Perante a geral comoção e descontentamento, dado que a crise está a encurtar as bananas de toda a gente, há pessoal que já só come a rama das bananeiras, Sua Alteza, o sr. Jardineiro explicou que gastar tanto dinheiro numa ocmissão de avaliação de histórica de deves e haveres não era despesismo pois o seu estudo seria um interessante documento histórico e além disso, o que eram 5 Lamborguinis nas contas públicas quando o seu estatuto real exigia que ele e a sua família mais próxima viajassem em estado, conforto e velocidade, e além disso eram os continentais que estavam a entrar com o guito, onde é que querer um Lamborguini só para si e pago pelos outros era despesismo? 
De maneira nenhuma dado que eram os outros que alargavam os cordões à bolsa. Estas declarações foram devidamente publicadas no Diário das Cortes, tornando-se letra de lei, mas tão feliz desfecho teve inesperadas consequências: de repente os tribunais foram inundados por processos de caloteiros que afirmam não deverem nada aos queixosos, dado que o seu tetra-tetra-tetra-avô, ou o seu ilustre antepassado do tempo dos romanos se fartara de dar dinheiro ou correlativos aos antepassados desconhecidos do actual credor e que por este conjunto de razões exigem do credor uma reparação monetária por perdas e danos. Se esta jurisprudência for por diante, o país estará salvo: basta invocar o facto de que tudo o que teve de seu no passado, o deu aos actuais credores, desde as rotas e feitorias das especiarias, ao dinheiro dos ovos, salsichas, batatas, vinhos, sardinhas e atum em posta, ouro e pedras preciosas, sem contar já com as bonitas praias, sol sorridente e acolhimento caloroso dos nativos aos estrangeiros que por cá vêm avermelhar os alvos corpinhos. Basta apenas fazer remontar as contas ao tempo da Maria-Cachuca.



sexta-feira, 11 de julho de 2014

Quer Melhorar a Economia? Morra no Local de Trabalho (também pode assassinar o colega)
O jornal concorrente “Apenas Boas Notícias Merecem Destaque” acaba de informar os estimados leitores de que o aumento das indemnizações por acidentes de trabalho (total de 1,7 mil milhões; média por indemnização =1600 mocas/acidentado) é um indicador seguro de que a recuperação económica está a acontecer. A tese é: quanto maior o número de acidentes, maior o crescimento da economia. Ora sendo que 1 em cada 3 empresas tem um acidente de trabalho por ano, que se saiba, dado que em muitas destas indústrias/actividades laborais há mão-de-obra clandestina ou escrava e que portanto não tem direito a coisa nenhuma senão vergar a mola e manter o bico fechado, conclui-se que a média de acidentes será muito superior. Pode assim concluir-se que, se houver por ano mais mortos e estropiados em acidentes de trabalho, a economia estará a vogar a toda a velocidade, razão pela qual o País das Cheias Permanentes (alcunhado pelos nativos como Bangla-bangla-dexa-tar) terá seguramente a melhor economia do mundo, dado que lá não é apenas um trabalhador por ano que sofre um sinistro, aí são todos os empregados que passam à história de cada vez que a fábrica desaba em cima deles, fenómeno que costuma ocorrer à média de um por mês. E também se prova que, dados os índices de desigualdade, atraso social, pobreza e  analfabetismo do exótico lugar, as economias mais florescentes são as que conseguem ter praticamente todos os seus cidadãos a viver como bichos e a trabalhar como escravos, acorrentados ao local de trabalho (ou pelo menos com as portas de saída acorrentadas). Também se conclui que se o aumento do número anual de acidentes de trabalho é indicação segura de que a economia está a crescer, se você for patriota, claro que quererá aumentar esta estatística. Assim aconselhamo-lo a matar o maior número possível de colegas de trabalho. Para sugestões sobre como efectuar este patriótico trabalho sugerimos os telejornais e as séries televisivas, pois ilustram com explicações muito detalhadas toda uma pletora de técnicas de assassínio que nem as mais delirantes imaginações desta redacção poderiam acompanhar. Apenas um pequeno aviso: matar o patrão poderá ser um acto patriótico mas dará seguramente cadeia.

quinta-feira, 10 de julho de 2014

Os Nazis São os Maiores Defensores dos Direitos Humanos! (pelo menos dos direitos dos “escolhidos”)
Pois é, caros leitores! Ou a União das Hortaliças apodreceu de vez ou aqui a redacção tem de ser internada no manicómio. Porque, num rasgo de “lucidez” que fez as delícias de todos os negacionistas do Holocausto e em consequência do facto de que foram assassinadas entre 12 a 14 milhões de pessoas, àparte os mais de 48 milhões numa guerra mundial, a União das Hortaliças escolheu hoje para o Comité das Liberdades Civis, Justiça e Assuntos Internos do Parlamento da União, um dirigente nazi que no seu próprio país, a República Federal das Batatas, está a ser alvo de uma investigação dos serviços secretos e policiais e um processo em justiça por mor de mortes e violências várias cometidas pelo seu partido, que enfrenta a possível ilegalização em sequência disto e da ideologia de segregação e roubo de direitos civis aos membros da sociedade que não conformem com os padrões rácicos e ideológicos sancionados pela dita cara figura. Desta interessante nomeação podem concluir-se vários factos. A saber:
1º - Se você estiver às voltas com processos judiciais e for ao mesmo tempo alvo de vigilância por parte dos serviços secretos do seu país por advogar o extermínio puro e simples de certos grupos sociais e/ou étnicos, não precisa de se preocupar. Concorra a um cargo no Parlamento da União das Hortaliças (convém antes ter sido eleito por um partido) e terá o futuro assegurado como defensor das liberdades e direitos civis, mesmo que no seu país você venha a ser dado como óbvio e evidente criminoso.
2º - Não se preocupe quanto ao número de mortos que os membros do seu aprtido tenham feito, o importante é você ter chegado ao parlamento da União, pois o Parlamento é mais eficaz até do que o OMO, lava tudo mais branco, por mais negro que seja o seu registo criminal.
3º - Como se pode concluir, em função desta nomeação e das recentes acções de perseguição, espancamento, expulsão e linchamentos de minorias étnicas por todo o espaço da União, já sem contar com os regimes que puseram a democracia no fundo da sanita, apesar da União se dizer defensora dos princípios democráticos, as liberdades e direitos civis existem,  essa coisa dos direitos e liberdades civis (os laborais já eram) é apenas conversa para boi dormir, que se aplica apenas aos privilegiados que, nesta nova era, venham a ter a felicidade de pertencerem ao clube eleito dos novos “arianos”. Apesar de ironicamente, a minoria mais perseguida neste momento, ser provavelmente a mais ariana, dado que as suas origens estão na terra desta antiga tribo.
4º - Não se preocupe se defende a ideologia de um dos mais famosos criminosos da História. Como as pessoas desconhecem os factos históricos, está tudo bem. Também não se preocupe se defende uma ideologia que deu para cima de 50 milhões de mortos em apenas 4 anos. Ignorando-se a História, poderemos reescrevê-la à nossa vontade. Afinal, já lá dizia o outro: Uma mentira mil vezes repetida acaba por se transformar na verdade (mesmo que essa seja uma verdade de pantomima).
5º - Após esta nomeação, a União das Hortaliças deverá abrir concurso para os quadros da Comissão de Direitos Humanos, Comissão dos Refugiados, Comissão para a Igualdade, etc. Apresentamos desde já alguns candidatos, de modo a auxiliar a União na selecção dos candidatos ideais. Comissão de Direitos Humanos: Bashar al-Assad, caso a nossa primeira escolha, Omar Al-Bashir decline o convite por estar muito ocupado a exterminar os seus conterrâneos. Este último tem a vantagem de há mais de 20 anos estar envolvido em guerras de genocídio contra o seu próprio povo, o que é um record mundial em termos de genocídios e permanência no poder de um genocida. Comissão para a Igualdade: Mohamed Omar e seu associado, Mullah Fazlullah, por serem líderes de um movimento que assassina mulheres e adolescentes femininas que tentem ir á escola ou que sequer ousem defender o direito ao ensino para as raparigas, mesmo que em escolas segregadas onde não entre ser algum do sexo masculino. Comissão para os Direitos dos Refugiados: o nosso querido califa no lugar do califa, Iznogood e líder do ISIS. Depois disto não se admirem se um destes dias o Hitler acabar canonizado, porque é já só que falta. Valha-nos o papa Francisco!...