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quinta-feira, 3 de julho de 2014

O Acidente Que é Ministro
No País das Vacas Sagradas, a braços com uma inflacção de violações e assassinato das vítimas, ao ponto duma mulher já não poder “ir lá fora sozinha para aliviar a tripa”, o novo Ministro da Justiça veio declarar que a partir de agora já não havia problema pois que as violações não eram crime mas simplesmente acidentes – do violador – e que “os rapazes serão sempre rapazes, portanto deixem-nos divertir-se”. Quando em conferência de imprensa foi instado por uma jornalista um pouco zangada sobre a razão da epidemia de estupros, o ministro perguntou-lhe se ela já o fora e se o não fora, agradecesse ao milhão de deuses do Olimpo local e não se preocupasse muito pois ele iria providenciar um grupo de rapazes para a colocar em pé de igualdade com as outras. Na mesma conferência de imprensa, o ministro anunciou um conjunto de medidas para acabar com esta epidemia de protestos femininos. Assim, a partir de agora, o mulherio vai passar a andar com uma tabuleta de trânsito pendurada do pescoço, com uma seta vermelha em tons fosforescentes tem escrito por cima “Cuidado Com os Acidentes”. As mulheres que se recusem a usar a placa de aviso serão severamente punidas, inclusive com a pena de morte por enforcamento após os “rapazes” terem feito o “serviço”. Aquelas que não areei e dêem polimento à placa, fazendo com que a sinalização seja deficiente durante a noite, altura em que estes “acidentes” mais ocorrem, terá de aguentar o “serviço” de boca calada ou vai presa e multada por não ter a sinalização de trânsito nas condições devidas. Por seu turno os violadores, perdão, os acidentados, terão direito a pedir indemnização à mulher violada, já que foi ela a causa do sinistro. E se isto não parecer sinistro, também não parecerá que um ministro diga que a violação é um acidente e que os rapazes serão sempre rapazes e que quando inquirido sobre o problema só perguntasse à repórter se ela fora violada, e como não fora, dissera um “então obrigado” por cima da burra e lhe virasse as costas. Com uma justiça assim, o maior acidente é o ministro mas para esse não é possível arranjar placa de sinalização, pois não caberia nas portas do Audi.

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