União das Hortaliças Proclama Guerra aos Impostos Sobre
o Trabalho
Mais notícias da central dos malucos, perdão, da União das Hortaliças. Desta
vez os malucos reuniram e tendo mais uma vez cantado em coro o mantra “A
Economia da União Está a Recuperar, Ouuuum!” e verificado – desta vez deram-se
à louca fantasia de verificarem – que a economia não recuperava mas teimava
permanecer zombie, decidiram que estava na altura de mudar de mantra, mas não
de postura de yoga nem de gurú. Assim, após muito puxarem pela cabeça, pelas
orelhas, pelas barbas e pelos narizes, decidiram que o novo mantra seria “não
há perigo de deflacção, está tudo na maior”, pois um toque mais popular talvez
fosse o ingrediente necessário para fazer funcionar o feitiço. Até ao momento
espera-se que o feitiço funcione mas provavelmente será um daqueles que só dão
efeito 7 gerações mais tarde. O que de todo não é o mais aconselhável quando se
tem de ir a votos de 4 em 4 anos e convencer os preguiçosos dos eleitores a
votarem, preferencialmente em nós, isto é, nos malucos que dirigem a União. Foi
assim necessário mudar as posturas de ioga e criar um novo mantra, para ver se
os resultados chegam a tempo das próximas eleições. E o mantra agora é “baixar
os impostos do trabalho”, ideia que todos os assistentes e noviços aplaudiram,
pela originalidade. O problema contudo é que para a magia dar efeito é
necessário realizar um conjunto de posturas de ioga absolutamente impossíveis,
a saber: 1º - esticar o braço esquerdo e baixar os impostos sobre o trabalho,
2º - esticar o braço direito e aumentar os impostos sobre o trabalho, 3º -
enrolar a perna direita ao pescoço e reduzir ainda mais o orçamento de estado
para mais dinheiro dos impostos ir para os pagamentos dos lucros dos mercados e
dos credores, vulgo juros de dívida, 4º - enrolar a perna esquerda ao pescoço e
baixar os impostos sobre fortunas e capitais, 5º - com as duas pernas ao
pescoço fazer o favor de não cair no chão e levitar de braços esticados pois
não queremos perturbações nos mercados de capital e as quedas provocam sempre
muito barulho, 6º - caso não tenha conseguido levitar mas batido no chão com
aquela coisa ao fundo das costas, aumentar os impostos, declarando que não aumentou
os impostos porque o orçamento tem de
manter o défice (e os contribuintes) em ponto morto e a fatia para pagamento
dos juros tem de aumentar porque, mesmo sem pedir mais dinheiro, os juros –
dado que são compostos – aumentam e nem é preciso falir mais nenhum banco. Se
não compreendeu a utilidade deste exercício nem as novas directivas fiscais da
União, não se preocupe, quem criou a directiva também não, o discurso para
baixar impostos sobre o trabalho foi apenas para alindar o retrato. Quanto aos
parvos que apenas conseguem arranjar pilim se trabalharem, ah, bem, não se
preocupem, continuarão a pagar impostos com língua de palmo, pois assim manda a
União, mesmo que oficialmente não mande, antes pelo contrário e sejam bem-vindos
a este maravilhoso mundo novo da impossibilidade. Ou da hipocrisia pura e dura.


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