Quer Melhorar a Economia? Morra no Local de
Trabalho (também pode assassinar o colega)
O jornal
concorrente “Apenas Boas Notícias Merecem Destaque” acaba de informar os
estimados leitores de que o aumento das indemnizações por acidentes de trabalho
(total de 1,7 mil milhões; média por indemnização =1600 mocas/acidentado) é um
indicador seguro de que a recuperação económica está a acontecer. A tese é: quanto maior o número de acidentes, maior o crescimento da economia. Ora sendo que 1 em cada 3 empresas tem um acidente de trabalho por ano, que
se saiba, dado que em muitas destas indústrias/actividades laborais há
mão-de-obra clandestina ou escrava e que portanto não tem direito a coisa
nenhuma senão vergar a mola e manter o bico fechado, conclui-se que a média de
acidentes será muito superior. Pode assim concluir-se que, se houver por ano
mais mortos e estropiados em acidentes de trabalho, a economia estará a vogar a
toda a velocidade, razão pela qual o País das Cheias Permanentes (alcunhado
pelos nativos como Bangla-bangla-dexa-tar) terá seguramente a melhor economia
do mundo, dado que lá não é apenas um trabalhador por ano que sofre um
sinistro, aí são todos os empregados que passam à história de cada vez que a fábrica
desaba em cima deles, fenómeno que costuma ocorrer à média de um por mês. E
também se prova que, dados os índices de desigualdade, atraso social, pobreza e analfabetismo do exótico lugar, as economias
mais florescentes são as que conseguem ter praticamente todos os seus cidadãos
a viver como bichos e a trabalhar como escravos, acorrentados ao local de
trabalho (ou pelo menos com as portas de saída acorrentadas). Também se conclui
que se o aumento do número anual de acidentes de trabalho é indicação segura de
que a economia está a crescer, se você for patriota, claro que quererá aumentar
esta estatística. Assim aconselhamo-lo a matar o maior número possível de
colegas de trabalho. Para sugestões sobre como efectuar este patriótico trabalho
sugerimos os telejornais e as séries televisivas, pois ilustram com explicações
muito detalhadas toda uma pletora de técnicas de assassínio que nem as mais
delirantes imaginações desta redacção poderiam acompanhar. Apenas um pequeno
aviso: matar o patrão poderá ser um acto patriótico mas dará seguramente
cadeia.


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