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sexta-feira, 11 de julho de 2014

Quer Melhorar a Economia? Morra no Local de Trabalho (também pode assassinar o colega)
O jornal concorrente “Apenas Boas Notícias Merecem Destaque” acaba de informar os estimados leitores de que o aumento das indemnizações por acidentes de trabalho (total de 1,7 mil milhões; média por indemnização =1600 mocas/acidentado) é um indicador seguro de que a recuperação económica está a acontecer. A tese é: quanto maior o número de acidentes, maior o crescimento da economia. Ora sendo que 1 em cada 3 empresas tem um acidente de trabalho por ano, que se saiba, dado que em muitas destas indústrias/actividades laborais há mão-de-obra clandestina ou escrava e que portanto não tem direito a coisa nenhuma senão vergar a mola e manter o bico fechado, conclui-se que a média de acidentes será muito superior. Pode assim concluir-se que, se houver por ano mais mortos e estropiados em acidentes de trabalho, a economia estará a vogar a toda a velocidade, razão pela qual o País das Cheias Permanentes (alcunhado pelos nativos como Bangla-bangla-dexa-tar) terá seguramente a melhor economia do mundo, dado que lá não é apenas um trabalhador por ano que sofre um sinistro, aí são todos os empregados que passam à história de cada vez que a fábrica desaba em cima deles, fenómeno que costuma ocorrer à média de um por mês. E também se prova que, dados os índices de desigualdade, atraso social, pobreza e  analfabetismo do exótico lugar, as economias mais florescentes são as que conseguem ter praticamente todos os seus cidadãos a viver como bichos e a trabalhar como escravos, acorrentados ao local de trabalho (ou pelo menos com as portas de saída acorrentadas). Também se conclui que se o aumento do número anual de acidentes de trabalho é indicação segura de que a economia está a crescer, se você for patriota, claro que quererá aumentar esta estatística. Assim aconselhamo-lo a matar o maior número possível de colegas de trabalho. Para sugestões sobre como efectuar este patriótico trabalho sugerimos os telejornais e as séries televisivas, pois ilustram com explicações muito detalhadas toda uma pletora de técnicas de assassínio que nem as mais delirantes imaginações desta redacção poderiam acompanhar. Apenas um pequeno aviso: matar o patrão poderá ser um acto patriótico mas dará seguramente cadeia.

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